{"id":3532,"date":"2016-05-03T10:05:24","date_gmt":"2016-05-03T10:05:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2016\/05\/03\/cronologia-aponta-massacre-de-trabalhadores-rurais-em-quedas-do-iguau-polcia-militar-emboscou-e-a\/"},"modified":"2017-10-02T21:44:01","modified_gmt":"2017-10-02T21:44:01","slug":"cronologia-aponta-massacre-de-trabalhadores-rurais-em-quedas-do-iguau-polcia-militar-emboscou-e-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2016\/05\/03\/cronologia-aponta-massacre-de-trabalhadores-rurais-em-quedas-do-iguau-polcia-militar-emboscou-e-a\/","title":{"rendered":"Cronologia aponta massacre de trabalhadores rurais em Quedas do Igua\u00e7u: Pol\u00edcia Militar emboscou e a"},"content":{"rendered":"<p>O  ataque promovido pela Pol&iacute;cia Militar a trabalhadores rurais sem terra,  no &uacute;ltimo dia 7, em Quedas do Igua&ccedil;u\/PR, &eacute; &nbsp;contado em cronologia  constru&iacute;da a partir da coleta de depoimentos das v&iacute;timas.&nbsp;As falas  revelam que trabalhadores sem terra foram v&iacute;timas de massacre &ndash; em  emboscada, Pol&iacute;cia&nbsp;Militar atirou para matar. Dois trabalhadores foram  mortos e outros dois ficaram gravemente feridos. <\/p>\n<p style=\"text-align: left\" align=\"center\">A cronologia dos fatos  aponta para irregularidades na investiga&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Militar e vai  contra a vers&atilde;o apresentada pela pol&iacute;cia. Esse &eacute; o terceiro caso de  assassinato de trabalhadores rurais sem terra com a participa&ccedil;&atilde;o da  Pol&iacute;cia Militar do Paran&aacute;. At&eacute; o momento, mentores e executores dos  crimes anteriores n&atilde;o foram punidos.<\/p>\n<p><\/p>\n<h1><\/h1>\n<div class=\"addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style\"><a href=\"http:\/\/terradedireitos.org.br\/2016\/04\/25\/cronologia-aponta-massacre-de-trabalhadores-rurais-em-quedas-do-iguacu-policia-militar-emboscou-e-atirou-para-matar\/#\" title=\"Facebook\" class=\"addthis_button_facebook at300b\"><\/a><a href=\"http:\/\/terradedireitos.org.br\/2016\/04\/25\/cronologia-aponta-massacre-de-trabalhadores-rurais-em-quedas-do-iguacu-policia-militar-emboscou-e-atirou-para-matar\/#\" title=\"Tweet\" class=\"addthis_button_twitter at300b\"><\/a><a href=\"http:\/\/terradedireitos.org.br\/2016\/04\/25\/cronologia-aponta-massacre-de-trabalhadores-rurais-em-quedas-do-iguacu-policia-militar-emboscou-e-atirou-para-matar\/#\" target=\"_blank\" title=\"E-mail\" class=\"addthis_button_email at300b\"><\/a><a href=\"http:\/\/terradedireitos.org.br\/2016\/04\/25\/cronologia-aponta-massacre-de-trabalhadores-rurais-em-quedas-do-iguacu-policia-militar-emboscou-e-atirou-para-matar\/#\" target=\"_blank\" title=\"Pinterest\" class=\"addthis_button_pinterest_share at300b\"><\/a><a href=\"http:\/\/terradedireitos.org.br\/2016\/04\/25\/cronologia-aponta-massacre-de-trabalhadores-rurais-em-quedas-do-iguacu-policia-militar-emboscou-e-atirou-para-matar\/#\" class=\"addthis_button_compact at300m\"><\/a><a href=\"http:\/\/terradedireitos.org.br\/2016\/04\/25\/cronologia-aponta-massacre-de-trabalhadores-rurais-em-quedas-do-iguacu-policia-militar-emboscou-e-atirou-para-matar\/#\" target=\"_blank\" title=\"Mais...\" class=\"addthis_button_expanded\">7<\/a><\/div>\n<p style=\"text-align: left\" align=\"center\"><a href=\"http:\/\/terradedireitos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Araupel.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-20552\" src=\"http:\/\/terradedireitos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Araupel-300x274.jpg\" alt=\"Araupel\" width=\"300\" height=\"274\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left\" align=\"center\"><span style=\"line-height: 1.5em\">Leia abaixo a descri&ccedil;&atilde;o dos fatos ou acesse o <a href=\"http:\/\/terradedireitos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Cronologia-do-caso.jpg\" target=\"_blank\">infogr&aacute;fico com a cronologia do caso<\/a>:<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Trabalhadores Sem Terra foram v&iacute;timas de massacre no Paran&aacute;<br \/> <\/strong><strong>Pol&iacute;cia Militar emboscou e atirou para matar<\/strong><\/p>\n<p>Em 7 de abril de 2016, a dez dias do vig&eacute;simo anivers&aacute;rio do massacre  de Eldorado dos Caraj&aacute;s, a Pol&iacute;cia Militar do Estado do Paran&aacute;  assassinou a tiros de pistola e fuzil os integrantes do Movimento dos  Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Vilmar Bordim, 44 anos, casado, pai  de tr&ecirc;s filhos e Leonir Orback, 25 anos, que deixou dois filhos e a  esposa gr&aacute;vida aos nove meses. A Pol&iacute;cia Militar tamb&eacute;m feriu a tiros,  gravemente, outros dois integrantes do MST, Pedro Francelino e Henrique  Gustavo Souza Pratti.<\/p>\n<p>No mesmo dia, a Pol&iacute;cia Militar tratou de apresentar uma vers&atilde;o para  os fatos, indicando que os respons&aacute;veis pela a&ccedil;&atilde;o seriam os integrantes  do MST. Na vers&atilde;o contada pela PM, os trabalhadores teriam &ldquo;atirado para  o alto&rdquo;, como se tal fato justificasse a a&ccedil;&atilde;o truculenta e desmedida da  Pol&iacute;cia Militar do Estado do Paran&aacute;, no que se configura uma verdadeiro  massacre.<\/p>\n<p>A vers&atilde;o montada pela Policia Militar foi veiculada amplamente  durante o Jornal Nacional. A divulga&ccedil;&atilde;o serviria para referendar uma  vers&atilde;o inver&iacute;dica dos fatos, de modo a culpar o MST e inocentar os  policiais assassinos.<\/p>\n<p>Contudo, o avan&ccedil;o de investiga&ccedil;&otilde;es imparciais conduzidas pela Pol&iacute;cia  Federal e pelo Grupo de Atua&ccedil;&atilde;o Especial de Combate ao Crime Organizado  (Gaeco) desmontam a vers&atilde;o apresentada pela Pol&iacute;cia Militar, e indicam  que os trabalhadores sem terra foram v&iacute;timas de agress&otilde;es  injustific&aacute;veis. N&atilde;o houve qualquer situa&ccedil;&atilde;o que autorizasse a Pol&iacute;cia  Militar a atacar a tiros, de forma extremamente violenta, os integrantes  do MST.<\/p>\n<p><strong>Emboscada armada: sem terras s&atilde;o v&iacute;timas.<\/strong><\/p>\n<p>Desde seis de julho de 2015 cerca de 1.200 fam&iacute;lias de trabalhadoras e  trabalhadores rurais sem terra ocupam uma &aacute;rea de cerca de 10.780  hectares, localizada no munic&iacute;pio de Quedas do Igua&ccedil;u.&nbsp; A &aacute;rea ocupada  pertence &agrave; Uni&atilde;o, uma vez que est&aacute; inserida dentro do per&iacute;metro da faixa  de fronteira. Entretanto, a empresa Araupel ocupa irregularmente a  &aacute;rea, e os supostos t&iacute;tulos de propriedade da Araupel j&aacute; foram  declarados nulos na Justi&ccedil;a Federal, em dezembro de 2015. A ocupa&ccedil;&atilde;o do  MST denuncia a grilagem de terras na regi&atilde;o, ao tempo em que tem o  objetivo de pressionar para que as terras p&uacute;blicas se tornem  assentamentos da Reforma Agr&aacute;ria.<\/p>\n<p>J&aacute; no in&iacute;cio da ocupa&ccedil;&atilde;o, em julho de 2015, os integrantes do MST  bloquearam, com terra e peda&ccedil;os de madeira, uma estrada de terra, dentro  da &aacute;rea, que liga os fundos do acampamento &agrave; rodovia PR 484. A  obstru&ccedil;&atilde;o dessa estrada de terra foi realizada para evitar a entrada de  ca&ccedil;adores, madeireiros ilegais e outras pessoas que pudessem vir a  amea&ccedil;ar os acampados e acampadas.<\/p>\n<p>Na tarde de quinta-feira (07), os integrantes do Acampamento Dom  Tom&aacute;s Baldu&iacute;no tomaram ci&ecirc;ncia de que o bloqueio da estrada de terra  havia sido retirado por algu&eacute;m, estando &agrave; estrada desimpedida,  possibilitando a entrada de quaisquer pessoas pelos fundos do  acampamento. Diante de tal situa&ccedil;&atilde;o um grupo de integrantes do  acampamento se reuniu para verificar a informa&ccedil;&atilde;o de que a estrada teria  sido aberta para, se necess&aacute;rio, fech&aacute;-la novamente.<\/p>\n<p>Munidos de garrafas de &aacute;gua, enxadas, foices e fac&otilde;es &ndash; suas  ferramentas de trabalho &ndash; aproximadamente 40 pessoas, entre homens e  mulheres, se dirigiram ao local. O grupo era transportado por tr&ecirc;s  motos, &agrave; frente, seguidas por uma caminhonete e um &ocirc;nibus onde estava um  grupo maior, de aproximadamente 15 pessoas.<\/p>\n<p>A estrada por onde seguiam &eacute; rodeada por monocultura de Pinus, e  apresenta em suas margens, e mesmo na via, mato crescido, uma vez que  essa estrada n&atilde;o &eacute; utilizada com regularidade. Um dos motoqueiros do  comboio de trabalhadores se distanciou do restante do grupo cerca de cem  metros e, em uma curva da estrada, foi abordado, de forma repentina,  por um grupo de aproximadamente dez Policiais Militares. Os Policiais  mandaram o trabalhador descer da moto e caminhar at&eacute; eles de costas, com  as m&atilde;os na cabe&ccedil;a, ordem &agrave; qual obedeceu prontamente.<\/p>\n<p>Os policiais revistaram o trabalhador e encontraram apenas sua  carteira e um telefone celular. Em seguida, os Policiais Militares  ouviram o som dos motores dos outros ve&iacute;culos, momento em que puxaram o  rapaz para o canto da estrada e se embrenharam no mato. Os Policiais  Militares, armados de pistolas e fuzis, bem com munidos de escudos  bal&iacute;sticos, se entocaiaram no mato, &agrave; beira da estrada, de modo a  esperar e surpreender os integrantes do MST que vinham em dire&ccedil;&atilde;o a  eles.<\/p>\n<p>Quando os outros dois motoqueiros chegaram &agrave; curva da estrada em que a  pol&iacute;cia os esperava de tocaia, os Militares, fortemente armados,  saltaram do mato e gritaram, de modo a obrigar os integrantes do MST que  estavam nas motos a deitar no ch&atilde;o. Nesse mesmo momento uma caminhonete  com integrantes do MST se aproximou do local e parou bruscamente, uma  vez que o motorista da caminhonete viu, h&aacute; cerca de 60 metros, que os  integrantes do MST que estavam nas motos haviam descido delas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/terradedireitos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Ataque.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-20314\" src=\"http:\/\/terradedireitos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Ataque-300x168.jpg\" alt=\"Ataque\" width=\"300\" height=\"168\" \/><\/a>Assim  que a caminhonete parou os integrantes do movimento que estavam dentro  dela, na ca&ccedil;amba e na cabine, desceram do ve&iacute;culo. No momento em que os  trabalhadores desciam da caminhonete, praticamente no mesmo instante que  os outros dois trabalhadores desciam de suas motos, a Pol&iacute;cia Militar  come&ccedil;ou a disparar em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; caminhonete. Segundo a pr&oacute;pria Pol&iacute;cia  Militar realizaram-se cerca de 130 disparos de armas de fogo, entre  rajadas de fuzil e tiros de pistola ponto 40.<\/p>\n<p>Iniciado o ataque pela Pol&iacute;cia Militar, aqueles e aquelas que estavam  na parte de cima da caminhonete conseguem descer, e imediatamente  correm na dire&ccedil;&atilde;o oposta &agrave; dos tiros, avisando os demais companheiros  que se tratava de uma emboscada. As pessoas que estavam no interior da  cabine t&ecirc;m mais dificuldade para fugir.Vilmar Bordim, que estava  dirigindo a caminhonete, &eacute; atingido fatalmente com um tiro nas costas  logo ao sair do ve&iacute;culo. Leonir Orback, que estava sentado atr&aacute;s do  motorista, ao tentar fugir tamb&eacute;m recebe um tiro pelas costas.<\/p>\n<p>Henrique Gustavo Souza Pratti estava em cima da caminhonete, e ao  tentar fugir para se esconder recebeu um tiro que o atingiu por tr&aacute;s, na  perna, derrubando-o imediatamente no ch&atilde;o. Henrique conta que quando  estava ca&iacute;do viu um de seus companheiros ser atingido pelas costas.<\/p>\n<p>&ldquo;Eu ca&iacute;, e ai vinha um pessoal correndo que conseguiu passar por tr&aacute;s  do &ocirc;nibus e ir embora, e o rapaz que estava correndo levou um tiro e  caiu ali do lado, que foi um dos que morreram&rdquo;, conta.<\/p>\n<p>As pessoas que estavam no &ocirc;nibus, ao ouvirem os tiros, tamb&eacute;m  correram para o mato &ndash; &nbsp;algumas pularam a janela para conseguir se  salvar. Duas pessoas n&atilde;o conseguiram sair do &ocirc;nibus e ficaram ali se  escondendo dos disparos.<\/p>\n<p>Segundo Pratti, a pol&iacute;cia avan&ccedil;ou, a tiros, at&eacute; o local onde eles  estavam ca&iacute;dos. Assim que os Policiais Militares chegaram ao local em  que se encontravam as pessoas v&iacute;timas dos disparos, um grupo de  policiais ficou na &aacute;rea e outro foi chamar refor&ccedil;os. A pol&iacute;cia n&atilde;o  socorreu as v&iacute;timas imediatamente, e estas ficaram no local por cerca de  uma hora e vinte minutos, at&eacute; chegar a ambul&acirc;ncia para socorr&ecirc;-los.<\/p>\n<p>Pedro Francelino, que foi atingido na n&aacute;dega e no bra&ccedil;o ao tentar  fugir, tamb&eacute;m caiu em meio ao mato, e n&atilde;o consegui se levantar pelos  ferimentos das balas. &ldquo;O rapaz que estava machucado que caiu no mato,  eles falavam &lsquo;vem para a estrada&rsquo;, mas ele dizia que n&atilde;o podia, pois  estava machucado, baleado. Ele se agarrou em alguma &aacute;rvore e veio, a&iacute;  eles o revistaram para ver se n&atilde;o havia nem uma arma&rdquo;, diz Prati quanto &agrave;  situa&ccedil;&atilde;o vivida por Pedro.<\/p>\n<p><strong>Momentos de tens&atilde;o: pol&iacute;cia e amea&ccedil;as<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Pratti, os momentos que passaram no local esperando pelo SAMU  foram tensos, pois as amea&ccedil;as eram constantes &ndash; sem contar que ele e o  outro rapaz ferido perderam bastante sangue durante a espera.<\/p>\n<p>&ldquo;Foi uma press&atilde;o psicol&oacute;gica que eu nunca tinha visto na minha vida,  que eu nunca tinha sofrido. Amea&ccedil;a de morte o tempo inteiro, que se o  pessoal voltasse de l&aacute; eles iam passar fogo em mim, nos dois que estavam  no &ocirc;nibus e no outro rapaz que estava machucado&rdquo;.<\/p>\n<p>At&eacute; a chegada do socorro os policiais militares mexeram na cena do  crime, tiraram o &ocirc;nibus e a camionete do lugar, e retiraram os dois  corpos, de Vilmar Bordin e Leonir Orback, das posi&ccedil;&otilde;es em que estavam.<\/p>\n<p>Na sexta-feira (8), um dia ap&oacute;s o acontecido, a Pol&iacute;cia Civil levou a  caminhonete para a per&iacute;cia. O &ocirc;nibus e as motos, por&eacute;m, n&atilde;o foram  levados.<\/p>\n<p><strong>V&iacute;timas foram presas. Policiais assassinos foram soltos.<\/strong><\/p>\n<p>As duas pessoas que n&atilde;o conseguiram sair a tempo do &ocirc;nibus foram  levadas &agrave; delegacia, prestaram depoimento e foram soltas na mesma noite.  Henrique Gustavo Souza Pratti e Pedro Francelino, devido &agrave; gravidade  dos ferimentos, foram levados a hospitais do munic&iacute;pio de Cascavel, PR.<\/p>\n<p>Os dois feridos foram autuados em flagrante pela Delegada de Policia  Civil, Ana Karine Turbay Palodetto, por suposta tentativa de homic&iacute;dio  qualificado e porte ilegal de arma de fogo. O Minist&eacute;rio P&uacute;blico  requereu a convers&atilde;o da pris&atilde;o em flagrante em pris&atilde;o preventiva, pedido  ao qual atendeu prontamente a ju&iacute;za respons&aacute;vel, sob a alega&ccedil;&atilde;o de  constitu&iacute;rem, Pedro e Henrique, ainda que gravemente feridos, perigo &agrave;  ordem p&uacute;blica.<\/p>\n<p>Destaca-se que a Pol&iacute;cia Militar, autora do massacre, diz que foram  supostamente encontradas duas armas de fogo no local, e que estas  estavam com Vilmar Bordin e Leonir Orback. Segundo laudo da pr&oacute;pria  policia, as duas armas se encontram com os cartuchos intactos, ou seja,  n&atilde;o foram disparadas. N&atilde;o foram encontradas outras armas de fogo.<\/p>\n<p>Com isso, n&atilde;o h&aacute; ind&iacute;cios de que Henrique e Pedro estivessem portando  qualquer arma de fogo. Se at&eacute; os Policiais Militares que participaram  do massacre n&atilde;o acusaram os dois trabalhadores de disparar ou mesmo de  estar com alguma arma, por que as v&iacute;timas, hospitalizadas, foram presas?<\/p>\n<p>No per&iacute;odo em que Pedro e Henrique estiveram presos no hospital, seus  advogados foram impedidos, por seis dias, de terem com eles conversas  reservadas, o que constitui grave viola&ccedil;&atilde;o &agrave; lei n&deg; 8.906\/94.<\/p>\n<p>E as ilegalidades n&atilde;o param por a&iacute;. De forma completamente  arbitr&aacute;ria, Pedro Francelino foi ouvido pela Delegada Ane Karine sem a  presen&ccedil;a de seus advogados, logo ap&oacute;s haver sido submetido a uma  cirurgia e uma transfus&atilde;o de sangue, quando ainda estava sob efeito de  sedativos e psicologicamente abalado com o ocorrido. Como se n&atilde;o  bastasse, o &aacute;udio desse depoimento colhido ilegalmente vazou, e uma  parte recortada da grava&ccedil;&atilde;o foi reproduzida no Jornal Nacional.<\/p>\n<p>Henrique teve alta na ter&ccedil;a-feira, dia 12, e foi levado para a 15&deg;  Subdivis&atilde;o Policial de Cascavel, que n&atilde;o possui condi&ccedil;&otilde;es estruturais  m&iacute;nimas para o atendimento das recomenda&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas necess&aacute;rias para  sua recupera&ccedil;&atilde;o, conforme alegou o pr&oacute;prio delegado de Pol&iacute;cia Mario  Chofifi, em of&iacute;cio encaminhado ao Ju&iacute;zo de Quedas do Igua&ccedil;u. No dia  seguinte, os advogados, apoiados por parecer do Minist&eacute;rio P&uacute;blico,  apresentam pedido de convers&atilde;o da pris&atilde;o preventiva em pris&atilde;o  domiciliar, atendido de pronto pela ju&iacute;za respons&aacute;vel.<\/p>\n<p>Pedro Francelino recebeu alta na quinta-feira (14), um dia ap&oacute;s  realizar uma &uacute;ltima cirurgia no bra&ccedil;o, sendo que tamb&eacute;m foi encaminhado  para a 15&ordf; SDP de Cascavel. Avaliando que, da mesma forma que Henrique,  as condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de de Pedro tamb&eacute;m n&atilde;o o permitiam permanecer na  cadeia, os advogados de defesa entraram com um pedido de pris&atilde;o  domiciliar que foi atendido na segunda-feira (18).<\/p>\n<p>Tanto Henrique quanto Pedro est&atilde;o presos por homic&iacute;dio qualificado e  porte ilegal de arma. Para os advogados, n&atilde;o existe fundamento legal  para as pris&otilde;es, pois os integrantes do MST foram v&iacute;timas de um ataque.<\/p>\n<p>Ainda na quinta-feira (14), nove pessoas ligadas ao movimento, que  estavam presentes na hora do ataque, foram ouvidas pela Pol&iacute;cia Federal e  Minist&eacute;rio P&uacute;blico, no munic&iacute;pio de Cascavel. Os depoimentos foram  acompanhados pelos advogados da Terra de Direitos.<\/p>\n<p>A Pol&iacute;cia Civil finalizou o Inqu&eacute;rito Policial no dia 15 de abril. A  delegada Ane Karine, que presidiu o Inqu&eacute;rito, afirmou n&atilde;o haver provas  suficientes para concluir quem iniciou os disparos. O Inqu&eacute;rito foi  encaminhado para o Minist&eacute;rio P&uacute;blico, que deve devolv&ecirc;-lo &agrave; Pol&iacute;cia  Civil concedendo mais prazo para realizar as investiga&ccedil;&otilde;es. Outras duas  investiga&ccedil;&otilde;es foram abertas no &acirc;mbito do GAECO e da Pol&iacute;cia Federal.<\/p>\n<p><strong>O passado condena a Pol&iacute;cia Militar do Estado do Paran&aacute;: viol&ecirc;ncia e impunidade contra o MST<\/strong><\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos anos foram assassinados, a tiros e em conflitos coletivos  pela posse da terra rural, dezessete integrantes do Movimento dos  Trabalhadores Rurais Sem Terra no Estado do Paran&aacute;.[1]  Apenas nos casos dos assassinatos de Sebasti&atilde;o Camargo (1998) e Eduardo  Anghinoni (1999) houve responsabiliza&ccedil;&atilde;o penal com tr&acirc;nsito em julgado,  sem que, contudo, fosse poss&iacute;vel responsabilizar mandantes.<\/p>\n<p>Quanto aos casos de assassinatos de integrantes do MST, cumpre  relembrar que Diniz Bento da Silva (1993) e Ant&ocirc;nio Tavares Pereira  (2000) foram assassinados a tiros pela Pol&iacute;cia Militar do Estado do  Paran&aacute;, e at&eacute; o momento n&atilde;o foi poss&iacute;vel identificar e responsabilizar  criminalmente executores e mandantes dos crimes.<\/p>\n<p>Nesse contexto de impunidade o Estado brasileiro foi condenado na  Corte Interamericana e Direitos Humanos por aus&ecirc;ncia de investiga&ccedil;&atilde;o  eficaz e responsabiliza&ccedil;&atilde;o criminal pelo homic&iacute;dio do trabalhador rural  sem terra S&eacute;timo Garibaldi (1998), tendo a referida Corte sentenciado  que &ldquo;uma das formas mais relevantes para combater a situa&ccedil;&atilde;o de  impunidade em casos como o presente &eacute; investigar a atua&ccedil;&atilde;o dos agentes  estatais envolvidos&rdquo;, bem como que a aus&ecirc;ncia de combate &agrave; viol&ecirc;ncia  &ldquo;propicia a repeti&ccedil;&atilde;o cr&ocirc;nica&rdquo;.<\/p>\n<p>Ademais no ano de 2009 o Estado brasileiro foi condenado na Corte  Interamericana de Direitos Humanos por ter a Pol&iacute;cia Militar do Estado  do Paran&aacute;, com anu&ecirc;ncia do Poder Judici&aacute;rio, realizado escutas  telef&ocirc;nicas ilegais contra membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais  Sem Terra.<\/p>\n<p>Nesse mesmo contexto de impunidade a Comiss&atilde;o Interamericana de  Direitos Humanos recomendou ao Estado brasileiro, nos casos dos  assassinatos de Diniz Bento da Silva (1993) e Sebasti&atilde;o Camargo (1998),  dando conta da situa&ccedil;&atilde;o de impunidade relativas aos crimes cometidos  contra integrante do MST no estado do Paran&aacute;, a realiza&ccedil;&atilde;o de  investiga&ccedil;&otilde;es efetivas, as quais nunca se materializaram efetivamente.<\/p>\n<p>Espera-se que o massacre de Quedas do Igua&ccedil;u n&atilde;o tenha o mesmo  desfecho de impunidade. A atua&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal e do Gaeco tem o  potencial de apresentar a verdade sobre os fatos ocorridos,  restabelecendo a verdade sobre os fatos e possibilitando a puni&ccedil;&atilde;o dos  Policiais Militares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/terradedireitos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Cronologia-do-caso.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-20553\" src=\"http:\/\/terradedireitos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Cronologia-do-caso-531x1024.jpg\" alt=\"Cronologia do caso\" width=\"531\" height=\"1024\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<hr \/>\n<div>\n<p>[1]  Desde 1993 foram assassinados no estado do Paran&aacute;: 1-Diniz Bento da  Silva (1993); 2-Vanderlei das Neves (1997); 3-Jos&eacute; Alves dos Santos  (1997) 4-Sebasti&atilde;o Camargo (1998); 5-S&eacute;timo Garibaldi (1998); 6-Eduardo  Anghinoni (1999); 7-Sebasti&atilde;o da Maia (2000) 8-Ant&ocirc;nio Tavares (2000);  9-Paulo S&eacute;rgio Brasil (2003), 10-Anarolino Vial (2003); 11-Dogival Jos&eacute;  Viana (2003); 12-Elias de Meura (2004); &nbsp;13-Eduardo Moreira da Silva  (2004); 14- Valmir Mota de Oliveira (2007); 15- Eli Dallenol (2008)  16-Vilmar Bordim(2016) e 17-Leomar Bhorbak (2016)<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ataque promovido pela Pol&iacute;cia Militar a trabalhadores rurais sem terra, no &uacute;ltimo dia 7, em Quedas do Igua&ccedil;u\/PR, &eacute; &nbsp;contado em cronologia constru&iacute;da a partir da coleta de depoimentos das v&iacute;timas.&nbsp;As falas revelam que trabalhadores sem terra foram v&iacute;timas de massacre &ndash; em emboscada, Pol&iacute;cia&nbsp;Militar atirou para matar. 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