{"id":3528,"date":"2016-04-13T16:38:23","date_gmt":"2016-04-13T16:38:23","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2016\/04\/13\/o-impeachment-e-a-violncia-no-campo-duas-faces-da-mesma-luta-de-classes\/"},"modified":"2017-10-02T21:44:02","modified_gmt":"2017-10-02T21:44:02","slug":"o-impeachment-e-a-violncia-no-campo-duas-faces-da-mesma-luta-de-classes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2016\/04\/13\/o-impeachment-e-a-violncia-no-campo-duas-faces-da-mesma-luta-de-classes\/","title":{"rendered":"O impeachment e a viol\u00e9ncia no campo: duas faces da mesma luta de classes"},"content":{"rendered":"<div class=\"name-and-time\">\n<h3 class=\"name\">Jo&atilde;o Pedro Stedile 12 de Abril de 2016 &agrave;s 19:37<\/h3>\n<p>A vota&ccedil;&atilde;o do impeachment, que est&aacute; em uma semana decisiva, explicita os  interesses das classes dominantes e a disposi&ccedil;&atilde;o delas em reverter os  preju&iacute;zos decorrentes da crise econ&ocirc;mica mundial. &Eacute; a luta de classes  nos gabinetes. <\/p>\n<\/div>\n<p><\/p>\n<p>O Brasil vive uma grave crise econ&ocirc;mica, pol&iacute;tica e social, e, nesse  cen&aacute;rio, o poder econ&ocirc;mico quer recompor suas taxas de lucro. Mas  aqueles que det&ecirc;m esse poder n&atilde;o v&atilde;o sair da crise sozinhos. Para isso,  eles precisam acabar com as conquistas sociais, retirar direitos dos  trabalhadores, privatizar as el&eacute;tricas e o pr&eacute;-sal, e implementar o  projeto neoliberal.<\/p>\n<p>Esse projeto das elites est&aacute; sendo apresentado pelo PMDB sob a forma  do que seria um futuro governo Temer. Ent&atilde;o, o que est&aacute; em jogo &eacute; se  voltaremos ao neoliberalismo ou n&atilde;o. &Eacute; para isso que eles precisam tirar  a presidenta Dilma. E isso &eacute; elemento central da luta de classes, que  se acirra.<\/p>\n<p>Eu acredito que a sociedade se mobilizou e denunciou que o que est&aacute;  acontecendo &eacute; um processo pol&iacute;tico que t&ecirc;m motiva&ccedil;&otilde;es esp&uacute;rias que nada  t&ecirc;m a ver com o comportamento da presidenta Dilma e seu governo. E essa  consci&ecirc;ncia est&aacute; levando as pessoas &agrave;s ruas em luta pela democracia, que  &eacute; o que est&aacute; em risco neste momento.<\/p>\n<p>Segundo a avalia&ccedil;&atilde;o de diversos analistas pol&iacute;ticos que tenho  acompanhado, o Governo vai perder na Comiss&atilde;o, mas vai ganhar no  plen&aacute;rio da C&acirc;mara. Isso porque os promotores do processo ainda n&atilde;o  conseguiram provar que a presidenta tenha cometido algum crime. Realizar  pedaladas fiscais &eacute; um artif&iacute;cio cont&aacute;bil que todos os presidentes da  Rep&uacute;blica fizeram e que, dentre os atuais governadores, 24 deles j&aacute;  praticaram. Ent&atilde;o, se isso for considerado um crime, tamb&eacute;m deveria ter  impeachment de todos eles.<\/p>\n<p>Acho que depois das vota&ccedil;&otilde;es, h&aacute; apenas dois cen&aacute;rios poss&iacute;veis. Se  n&atilde;o houver golpe, a presidenta Dilma sai fortalecida, por&eacute;m ter&aacute; a  miss&atilde;o de remontar seu governo a partir de outras bases. Remontar o  minist&eacute;rio, agora em di&aacute;logo com as for&ccedil;as da sociedade, n&atilde;o apenas com  os partidos, e retomar o programa que a elegeu em outubro de 2014. Eu  espero que Lula seja o coordenador desse processo.<\/p>\n<p>Se houver golpe, entraremos em um governo de crise com desfecho  imprevis&iacute;vel, pois 80% da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o aceita um governo  Temer-Cunha-Mendes, nem um programa neoliberal, que vai trazer ainda  mais problemas para o povo brasileiro.&nbsp;Ent&atilde;o, se houver golpe, a crise  pol&iacute;tica se aprofundar&aacute;, e n&atilde;o haver&aacute; sa&iacute;da a curto prazo.<\/p>\n<p>Longe do Planalto, a luta de classes usa armas de fogo. Em Quedas de  Igua&ccedil;u (PR), a alian&ccedil;a entre oligarquias e governos locais matou dois  trabalhadores rurais na &uacute;ltima quinta-feira (7), justamente no m&ecirc;s em  que relembramos os 20 anos do Massacre dos Caraj&aacute;s.<\/p>\n<p>O que aconteceu no Paran&aacute; foi uma provoca&ccedil;&atilde;o organizada pelo  secret&aacute;rio da Casa Civil do Governo do Estado, que tem la&ccedil;os hist&oacute;ricos,  financeiros e pol&iacute;ticos com a empresa que grila a terra que pertence &agrave;  Uni&atilde;o. Ele quis mostrar servi&ccedil;o aos seus patrocinados e promoveu a  provoca&ccedil;&atilde;o que levou &agrave;s duas mortes.<\/p>\n<p>Essa trag&eacute;dia demonstra como as elites reagem quando se sentem  impunes. Foi nesse mesmo contexto que aconteceram, h&aacute; 20&nbsp;anos, os  massacres de Caraj&aacute;s, Corumbiara, sem contar os massacres nas cidades,  em pleno governo FHC. Porque a vit&oacute;ria pol&iacute;tico-ideol&oacute;gica do  neoliberalismo nas urnas sinalizou &agrave;s elites mais truculentas de que  agora se pode agir de forma impune.<\/p>\n<p>De nossa parte, n&atilde;o nos acovardaremos, por&eacute;m tomaremos todos os  cuidados&nbsp;poss&iacute;veis para n&atilde;o cair em provoca&ccedil;&otilde;es nem em armadilhas da  viol&ecirc;ncia do latif&uacute;ndio.&nbsp;Nosso papel como MST &eacute; o de seguir a luta pela  reforma agr&aacute;ria. Seguiremos&nbsp;ocupando os latif&uacute;ndios improdutivos.  Seguiremos ocupando as terras de pol&iacute;ticos, empresas e fazendeiros que  est&atilde;o em d&iacute;vida com a Uni&atilde;o por sonegarem impostos e por n&atilde;o pagarem  empr&eacute;stimos em bancos p&uacute;blicos.<\/p>\n<p>Sabemos que h&aacute; mais de 5 milh&otilde;es de hectares nessas condi&ccedil;&otilde;es em  todos os Estados do Brasil, e que se poderia assentar mais de 130 mil  fam&iacute;lias. Isso &eacute; o equivalente a todos os nossos acampados. E n&atilde;o ser&aacute;  necess&aacute;rio que o governo gaste um centavo em indeniza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Seguiremos nossa luta por uma reforma agr&aacute;ria popular, que significa  na&nbsp;atualidade, al&eacute;m de ocupar o latif&uacute;ndio improdutivo, produzir  alimentos saud&aacute;veis e sem agrot&oacute;xicos para toda a popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>E, no dia 17 de abril, faremos mobiliza&ccedil;&otilde;es em todo pa&iacute;s. Afinal, &eacute;  lei! Porque o governo FHC, envergonhado do massacre que aconteceu em  1996, decretou o dia 17 de abril como Dia Nacional de Luta pela Reforma  Agr&aacute;ria, em um dos &uacute;ltimos atos de seu segundo governo. N&atilde;o vai ter  golpe! E vai ter Reforma Agr&aacute;ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo&atilde;o Pedro Stedile 12 de Abril de 2016 &agrave;s 19:37 A vota&ccedil;&atilde;o do impeachment, que est&aacute; em uma semana decisiva, explicita os interesses das classes dominantes e a disposi&ccedil;&atilde;o delas em reverter os preju&iacute;zos decorrentes da crise econ&ocirc;mica mundial. &Eacute; a luta de classes nos gabinetes. 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