{"id":3508,"date":"2015-12-28T17:46:58","date_gmt":"2015-12-28T17:46:58","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2015\/12\/28\/a-partir-de-agora-nenhum-desempregado-a-mais-reivindica-joo-pedro-stedile\/"},"modified":"2017-10-02T21:44:08","modified_gmt":"2017-10-02T21:44:08","slug":"a-partir-de-agora-nenhum-desempregado-a-mais-reivindica-joo-pedro-stedile","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2015\/12\/28\/a-partir-de-agora-nenhum-desempregado-a-mais-reivindica-joo-pedro-stedile\/","title":{"rendered":"\u00abA partir de agora, nenhum desempregado a mais\u00bb, reivindica Jo\u00e3o Pedro Stedile"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Em entrevista de balan&ccedil;o do ano que acaba e apontando perspectivas para  2016, o dirigente do MST afirma que passamos por um &quot;ano perdido para os  trabalhadores brasileiros&quot; e que movimentos devem exigir mudan&ccedil;as na pol&iacute;tica  econ&ocirc;mica: &quot;nenhum desempregado a mais&quot;.<\/strong><\/em> <\/p>\n<p style=\"text-align: left\">&nbsp;<em>28\/12\/2015 Por Bruno Pavan,<\/em><em> S&atilde;o Paulo (SP)<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<table border=\"0\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-size: xx-small\"><em><strong>Cr&eacute;dito: Rafael Stedile<\/strong><\/em><\/span><\/td>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>O  ano que se encerra representou uma conjuntura extremamente complexa  para o Brasil. Diante de tal cen&aacute;rio, os movimentos populares  constru&iacute;ram novos espa&ccedil;os de articula&ccedil;&atilde;o para as lutas sociais.&nbsp;<\/p>\n<p>Jo&atilde;o  Pedro Stedile, da dire&ccedil;&atilde;o nacional do Movimentos dos Trabalhadores  Rurais Sem Terra (MST) e integrante da Frente Brasil Popular, considera  que 2015 foi &quot;um ano perdido para os trabalhadores brasileiros&quot;.<\/p>\n<p>Em entrevista ao <strong>Brasil de Fato<\/strong>,  Stedile avalia que &quot;a novela do impeachment&quot;deva terminar at&eacute; abril de  2016 e que o pr&oacute;ximo ano ser&aacute; marcado pela luta em torno da condu&ccedil;&atilde;o da  pol&iacute;tica econ&ocirc;mica do governo. &quot;Nenhum desempregado a mais&quot;, defende  Jo&atilde;o Pedro.<\/p>\n<p>Confira a entrevista na &iacute;ntegra:<\/p>\n<p><strong>Brasil  de Fato &#8211; Que balan&ccedil;o os movimentos que comp&otilde;e a Frente Brasil Popular  est&atilde;o fazendo do ano que est&aacute; terminando, em termos de lutas e de  enfrentamentos pol&iacute;ticos?<\/strong> &nbsp;<\/p>\n<p><strong>Jo&atilde;o Pedro Stedile &#8211; <\/strong>A  Frente Brasil Popular &eacute; uma frente ampla, uma  alian&ccedil;a das mais  diferentes formas de organiza&ccedil;&atilde;o de nosso povo: movimentos  populares,  da juventude, sindicais e partidos.&nbsp; N&oacute;s sempre tomamos as  delibera&ccedil;&otilde;es  por consenso, n&atilde;o temos inst&acirc;ncias de coordena&ccedil;&atilde;o, nem  porta-vozes.&nbsp;  Assim, n&atilde;o posso e nem devo falar pela Frente Brasil  Popular.&nbsp; Falo&nbsp;  pelo que &nbsp;vejo nos movimentos da Via Campesina, nos movimentos populares  e nas minhas andan&ccedil;as pelo  Brasil. Em&nbsp;termos gerais, acho que podemos  dizer que  2015 foi um ano perdido para os trabalhadores brasileiros.&nbsp;  Um ano no qual a  mediocridade pol&iacute;tica imperou. A maioria do povo  brasileiro, com seus 54 milh&otilde;es  de votos, reelegeu a presidenta Dilma  [PT].&nbsp; Por&eacute;m, setores  das classes dominantes e os partidos mais  conservadores n&atilde;o se deram por  vencidos e quiseram retomar o comando do  Executivo no tapet&atilde;o. Come&ccedil;aram a conspirar desde a posse.&nbsp; Para isso  se utilizaram dos espa&ccedil;os nos quais t&ecirc;m  hegemonia &#8211; como a m&iacute;dia  corporativa, o poder Judici&aacute;rio e o Congresso &#8211; para  tentar derrubar a  presidenta. O governo federal se assustou, montou um minist&eacute;rio   med&iacute;ocre, que n&atilde;o representa as for&ccedil;as que elegeram a presidenta.&nbsp; E  passou  o ano se defendendo, gerando uma situa&ccedil;&atilde;o de disputa e de  manobras  apenas em torno da pequena pol&iacute;tica.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E qual o balan&ccedil;o das  mobiliza&ccedil;&otilde;es?<\/strong> &nbsp;<\/p>\n<p>Bem,  a&iacute; acho que foi um ano bem disputado.&nbsp; No  in&iacute;cio, em mar&ccedil;o e abril,  muitos setores da esquerda institucional n&atilde;o queriam  ir para a rua.&nbsp;  Fomos n&oacute;s, os movimentos populares e as centrais sindicais,&nbsp; que   insistimos na linha de que nossa principal disputa com a direita deveria  ser na rua.&nbsp;  A direita teve&nbsp; seu auge em mar&ccedil;o, e depois foi  diminuindo em agosto, e  caiu no rid&iacute;culo em dezembro.&nbsp; E os movimentos  populares fizeram o caminho  inverso: fomos aumentando devargazinho, e  demos o troco em dezembro, com  mobiliza&ccedil;&otilde;es de massa, em muitas  capitais, principalmente S&atilde;o  Paulo.&nbsp;&nbsp; Acho que agora conseguimos  envolver n&atilde;o apenas os militantes,  mas muita gente da base come&ccedil;ou a se  mexer e tamb&eacute;m foi pra  rua.&nbsp; Acho que, na rua , o impeachment est&aacute;   derrotado.&nbsp; Pois a pequena burguesia reacion&aacute;ria que vociferava clamando   pelo golpe, pela volta dos militares, n&atilde;o conseguiu mobilizar ningu&eacute;m  al&eacute;m  deles mesmos. Al&eacute;m disso, a pequena burguesia na sociedade  brasileira &eacute;  insignificante, em termos de base social.<\/p>\n<p><strong>E na economia, qual &eacute; o  balan&ccedil;o?<\/strong> &nbsp;<\/p>\n<p>O  balan&ccedil;o &eacute; extremamente negativo&nbsp;na  economia.&nbsp; A economia brasileira  vive uma grave crise, fruto de sua  depend&ecirc;ncia do capitalismo  internacional e do controle hegem&ocirc;nico dos bancos e  das empresas  transnacionais.&nbsp; Terminamos o ano com queda de 4% no  PIB.&nbsp; Ca&iacute;ram os  investimentos produtivos, seja por parte do governo  e&nbsp;empresas  estatais, seja por parte dos empres&aacute;rios.&nbsp;&nbsp; O  governo cometeu v&aacute;rios  erros que agravaram a crise.&nbsp; Primeiro, trouxe um neoliberal para o  Minist&eacute;rio da Fazenda, que  certamente teria sido ministro da chapa  A&eacute;cio Neves.&nbsp;&nbsp; As medidas  neoliberais de aumento da taxa de juros de 7  para 14,15%, os cortes nos gastos  sociais, o tal ajuste fiscal, s&oacute;  produziram mais problemas para o povo e para a  economia.&nbsp; A infla&ccedil;&atilde;o  atingiu os 10% ao ano e o desemprego alcan&ccedil;ou a  m&eacute;dia de 8,9% da  popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora.&nbsp; O tesouro nacional &nbsp;pagou  484 bilh&otilde;es de reais  em juros e amortiza&ccedil;&atilde;o aos bancos. Usaram dinheiro p&uacute;blico  para  garantir o rentismo da especula&ccedil;&atilde;o financeira, em vez de investir na   solu&ccedil;&atilde;o de problemas e no investimento produtivo.&nbsp; Felizmente, o   ministro caiu. Deixou, por&eacute;m, um ano perdido.&nbsp; &Eacute; preciso mudar  a  pol&iacute;tica econ&ocirc;mica, n&atilde;o apenas o gerente.<\/p>\n<p><strong>Como os movimentos  populares analisam a trag&eacute;dia ambiental que aconteceu em Mariana? <\/strong><\/p>\n<p>2015  ficar&aacute; marcado pelo maior crime ambiental da  historia do pa&iacute;s, e qui&ccedil;&aacute;  um dos maiores do planeta.&nbsp; E por que  aconteceu?&nbsp; Pela sanha das  mineradoras, no caso a Vale, de ter lucro  m&aacute;ximo.&nbsp; Em outros pa&iacute;ses, o  lixo das mineradores tem outro tratamento. Por&eacute;m, custa mais caro. Aqui,  acobertada por pol&iacute;ticos por ela  financiados e autoridades  benevolentes, a Vale&nbsp; prefere deixar [os rejeitos] em  barragens &#8211;  procedimento, segundo os especialistas, que n&atilde;o tem nenhuma seguran&ccedil;a.&nbsp;&nbsp;  J&aacute; se romperam 5 barragens no  pa&iacute;s, e h&aacute; outras 48 em condi&ccedil;&otilde;es  semelhantes. Milhares de pessoas foram atingidas. Mataram o Rio Doce, em  toda sua extens&atilde;o de 700 quil&ocirc;metros. E ningu&eacute;m sabe como tudo isso   poder&aacute; ser recuperado.&nbsp; Se tiv&eacute;ssemos um governo mais corajoso, era a  hora  de propor a reestatiza&ccedil;&atilde;o da Vale, e usar todo seu lucro para  reparar os danos  causados.&nbsp; Ali&aacute;s, est&aacute; parado h&aacute; anos o processo que  anulou o leil&atilde;o da  Vale&nbsp; por fraude, no Tribunal Federal Regional do  Par&aacute;.<\/p>\n<p><strong>Qual a avalia&ccedil;&atilde;o da atua&ccedil;&atilde;o do Congresso Nacional, em especial na C&acirc;mara dos Deputados, durante 2015 ?<\/strong> &nbsp;<\/p>\n<p>O  Congresso foi o espelho maior da mediocridade da  pol&iacute;tica durante o  ano. Primeiro, elegeram Eduardo Cunha [PMDB-RJ] como presidente da  C&acirc;mara, ainda &nbsp;que todos soubessem de suas falcatruas.&nbsp; E quando ele   soube que a Procuradoria da Rep&uacute;blica iria pedir sua destitui&ccedil;&atilde;o e  pris&atilde;o, se  adiantou&nbsp; e prop&ocirc;s o impeachment da presidenta Dilma.&nbsp; Mas o  feiti&ccedil;o  voltou-se contra o feiticeiro e a presidenta Dilma foi salva,  pela trucul&ecirc;ncia  e manipula&ccedil;&atilde;o do feiticeiro, que usou de falsos  argumentos.&nbsp; Tenho  certeza que com o rito determinado pelo STF ,  certamente o governo ter&aacute;&nbsp;  os votos necess&aacute;rios na C&acirc;mara e no Senado  para barrar o processo.<\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio que o sr. Cunha seja julgado  pelo STF o mais  r&aacute;pido poss&iacute;vel. Por&eacute;m, al&eacute;m das artimanhas do Ali Bab&aacute;   brasileiro,&nbsp;o Congresso&nbsp;se revelou extremamente conservador em todas   as mat&eacute;rias encaminhadas, algumas sendo aprovadas,&nbsp; representando um  retrocesso,  uma destrui&ccedil;&atilde;o da constituinte de 88 e&nbsp; uma dicotomia total  com os anseios  e pr&aacute;ticas da sociedade.&nbsp; V&aacute;rios projetos esdr&uacute;xulos,  sem sentido, est&atilde;o  percorrendo o Congresso,&nbsp; sobretudo na C&acirc;mara.&nbsp;&nbsp;  Desde a diminui&ccedil;&atilde;o  da maioridade penal, a proibi&ccedil;&atilde;o de colocar nos  r&oacute;tulos que o produto &eacute;  transg&ecirc;nico &#8211; negando informa&ccedil;&atilde;o ao consumidor,  a autoriza&ccedil;&atilde;o de uso para sementes  est&eacute;reis; a privatiza&ccedil;&atilde;o da  Petrobras &#8211; projeto do senador Serra [PSDB], at&eacute; medidas homof&oacute;bicas e  extremamente  reacion&aacute;rias.&nbsp; Tudo isso &eacute; fruto da fal&ecirc;ncia da democracia  parlamentar  brasileira, causada pelo sequestro que as empresas fizeram  atrav&eacute;s do financiamento  milion&aacute;rio das campanhas pol&iacute;ticas.&nbsp; Segundo  revelou o ex-ministro Ciro  Gomes , o deputado Eduardo Cunha teria  distribu&iacute;do 350 milh&otilde;es de reais de  empresas para eleger deputados  cupinchas, que agora o  defendem&#8230;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<table border=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.brasildefato.com.br\/sites\/default\/files\/u2029\/joaopedro_0.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<td style=\"text-align: right\"><span style=\"font-size: xx-small\"><em><strong>Cr&eacute;dito: Rafael Stedile<\/strong><\/em><\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>E qual a solu&ccedil;&atilde;o para esse mal funcionamento da democracia brasileira?<\/strong><\/p>\n<p>N&oacute;s  dos movimentos populares temos defendido a  necessidade de uma reforma  pol&iacute;tica profunda, que fa&ccedil;a diversas modifica&ccedil;&otilde;es no  regime pol&iacute;tico,  no sistema eleitoral, para devolver ao povo o direito de  escolher sem  influ&ecirc;ncias da m&iacute;dia ou do capital.&nbsp; H&aacute; diversos  projetos de lei  apresentados na C&acirc;mara, por diversas entidades da Coaliza&ccedil;&atilde;o  Democr&aacute;tica&#8230;Por&eacute;m, esse Congresso n&atilde;o quer, e nem tem moral, para  cortar seus  pr&oacute;prios dedos.&nbsp; Ent&atilde;o, s&oacute; nos resta lutar por uma  Assembleia Constituinte,  que somente vir&aacute; com o reascenso do movimento  de massa. Portanto, ainda vai  demorar, mas &eacute; a &uacute;nica sa&iacute;da pol&iacute;tica  vi&aacute;vel e necess&aacute;ria.<\/p>\n<p><strong>E tivemos alguma conquista na agenda da reforma agr&aacute;ria?&nbsp; Como andam as lutas e o governo nesse  setor?<\/strong> &nbsp;<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m  foi um ano perdido para os sem terra e  para a agricultura familiar.&nbsp; O  governo escalou uma boa equipe no Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Agr&aacute;rio  e no Incra,  por&eacute;m entregou o Minist&eacute;rio da Agricultura para o que tem  de pior na pol&iacute;tica  brasileira.&nbsp; E com os cortes&nbsp;do ajustes fiscal  neoliberal,  atingiu em cheio a reforma agr&aacute;ria. As poucas conquistas  que ocorreram foram  fruto de muita mobiliza&ccedil;&atilde;o e press&atilde;o social.&nbsp; O  governo n&atilde;o cumpriu sua  promessa de acelerar o assentamento das 120 mil  fam&iacute;lias acampadas, em todo  pa&iacute;s.&nbsp; Nao houve nenhum novo contrato de  constru&ccedil;&atilde;o de casas no meio  rural.&nbsp;&nbsp; A Companhia Nacional de  Abastecimento (Conab) abandonou programas muito bons do PAA (programa   de alimentos) que envolviam entrega simult&acirc;nea para entidades urbanas;&nbsp;  houve cortes  de recursos para o Pronera e para a Ates (assist&ecirc;ncia  t&eacute;cnica aos  assentados).&nbsp; Tudo ficou parado ou piorou. Nos governos  anteriores, hav&iacute;amos conquistado o plano nacional de diminui&ccedil;&atilde;o de uso  de venenos (Pronara), sete ministros  assinaram, mas a ministra do  veneno na agricultura vetou, e a presidenta n&atilde;o  teve coragem de  promulgar.&nbsp; O programa de apoio a agricultura agroecol&oacute;gica  (Planalpo),  tem diretrizes boas, por&eacute;m n&atilde;o tem recursos&#8230; e por a&iacute;  vai. Perdemos  um ano na agricultura familiar e na  reforma agr&aacute;ria.  Espero que o  governo pare de se iludir com&nbsp; o  agroneg&oacute;cio, que se locupleta com o  lucro das exporta&ccedil;&otilde;es de commodities pelas  empresas transnacionais, mas  n&atilde;o representa nenhum ganho para a sociedade.&nbsp;  E at&eacute; no agroneg&oacute;cio os  investimentos&nbsp;em maquinas e insumos ca&iacute;ram  30%.<\/p>\n<table border=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<table border=\"0\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.brasildefato.com.br\/sites\/default\/files\/u2029\/stedile_0.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"600\" \/><\/td>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-size: xx-small\"><em><strong>Cr&eacute;dito: Rafael Stedile<\/strong><\/em><\/span><\/td>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>Quais s&atilde;o as perspectivas pol&iacute;ticas&nbsp;  para o ano de 2016, na &oacute;tica dos movimentos populares?<\/strong> &nbsp;<\/p>\n<p>Nossa  expectativa &eacute; de que at&eacute; abril termine a  novela do impeachement.&nbsp; E, a  partir da&iacute;, o governo se recomponha com uma  nova alian&ccedil;a de partidos  governantes, com um novo minist&eacute;rio adequado &agrave;  realidade da sociedade.&nbsp;  E que o governo volte a assumir os compromissos  que fez na campanha.&nbsp;  Se o governo n&atilde;o der sinais que vai mudar, que vai  assumir o que  defendeu na campanha, ser&aacute; um governo que se auto-condenar&aacute; ao   fracasso.&nbsp; Pois n&atilde;o tem confian&ccedil;a das elites, que tentaram derrub&aacute;-lo, e  ao  mesmo tempo n&atilde;o toma medidas para a imensa base social, que &eacute; 85%  da popula&ccedil;&atilde;o  brasileira.&nbsp;&nbsp; Espero que o governo tenha um m&iacute;nimo de  vis&atilde;o pol&iacute;tica  para escolher&nbsp; o lado certo.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A CUT j&aacute; se manifestou pela mudan&ccedil;a da  pol&iacute;tica econ&ocirc;mica e fez cr&iacute;ticas ao governo Dilma. Como voc&ecirc; analisa esse processo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong>A  CUT e outras centrais sindicais&nbsp; tiveram um  comportamento muito bom  durante o ano de 2015, quando mobilizaram suas bases,  contra o golpe,  mas tamb&eacute;m em defesa dos direitos dos trabalhadores.&nbsp; Tamb&eacute;m li a nota  da CUT que sa&uacute;da a sa&iacute;da de Levy, mas alerta ao governo de  que &eacute;  preciso mudar a pol&iacute;tica econ&ocirc;mica.&nbsp; E os sinais que o sr. Barbosa  esta  dando na imprensa n&atilde;o s&atilde;o bons, ao retomar a agenda  neoliberal-empresarial,  da reforma da previd&ecirc;ncia,&nbsp;para aumentar a  idade m&iacute;nima, a reforma  tribut&aacute;ria, para consolidar as desonera&ccedil;&otilde;es e a  reforma trabalhista&nbsp; para  desmanchar a CLT. A CUT j&aacute; avisou que vai  lutar contra. E n&oacute;s tamb&eacute;m estaremos juntos com o movimento  sindical.&nbsp;  Se o governo mexer na idade m&iacute;nima da aposentadoria rural,&nbsp;  haver&aacute; uma  revolta no campo, e contra o governo.&nbsp; Estou apenas  avisando.<\/p>\n<p><strong>H&aacute; alguma&nbsp;  proposta alternativa de pol&iacute;tica econ&ocirc;mica por parte dos movimentos  populares?<\/strong> &nbsp;<\/p>\n<p>No  ano de 2015, cerca de 150 dos nossos melhores  economistas, que est&atilde;o  nas universidades, sindicados e institutos de pesquisa  passaram meses  discutindo e apresentaram um documento com medidas de curto e de m&eacute;dio  prazo para sairmos da crise econ&ocirc;mica.&nbsp; O governo n&atilde;o deu  bola. Foi  preciso a Frente Brasil Popular exigir para  que eles pudessem  apresentar o documento ao governo, o que ocorreu apenas em 16 de   dezembro passado. Tenho escutado muitos economistas, empres&aacute;rios,   pesquisadores e pol&iacute;ticos nacionalistas.&nbsp;&nbsp; E todos t&ecirc;m propostas   claras. O problema &eacute; que o governo &eacute; surdo e autossuficiente. O governo  precisa apresentar urgente um plano de retomada do crescimento da  economia, e  propor&nbsp; um pacto entre trabalhadores e empres&aacute;rios que  cesse o aumento do  desemprego.&nbsp;&nbsp; Nenhum desempregado a mais, a partir  de  agora.<\/p>\n<p>Tenho ouvido propostas&nbsp; de que se poderia usar&nbsp;  100  bilh&otilde;es de d&oacute;lares de nossas reservas &#8211; que s&atilde;o de 350 bilh&otilde;es &#8211; e,  portanto, n&atilde;o  afetaria o fluxo de com&eacute;rcio e nenhum pagamento externo.&nbsp;  Com esses  recursos, aplicar em investimentos produtivos na economia,  como na constru&ccedil;&atilde;o  civil, que rapidamente ativa toda economia, na  infraestrutura das cidades, na  agricultura familiar e na educa&ccedil;&atilde;o.&nbsp;&nbsp;  Imaginem aplicar em alguns  meses&nbsp; 400 bilh&otilde;es de reais em investimentos  produtivos, certamente  ativariam&nbsp;a economia para voltar a crescer,  garantindo emprego e renda  tamb&eacute;m&nbsp; para os trabalhadores.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p>O  governo deve diminuir a taxa de juros, e parte  dos recursos pagos aos  bancos em juros deslocar para a Petrobras, retomar suas  obras, algumas  faltam apenas 10% para serem conclu&iacute;das e est&atilde;o  paradas.&nbsp; Repassar  recursos tamb&eacute;m para o BNDES&nbsp; financiar a  ind&uacute;stria e as grandes obras  nas cidades. &nbsp; Propostas n&atilde;o faltam.&nbsp;&nbsp; alta &eacute; coragem  pro governo  construir uma grande coaliz&atilde;o social de for&ccedil;as populares e   empresariais, para mudar o rumo da sua pol&iacute;tica econ&ocirc;mica.&nbsp; Se ficar no   rame-rame da burocracia e das contas p&uacute;blicas, ser&aacute; um&nbsp; governo fadado  ao  fracasso, e n&atilde;o&nbsp; haver&aacute; como defend&ecirc;-lo. Para isso, ele precisa dar  sinais logo.<\/p>\n<p><strong>Ainda que voc&ecirc; avalie que a resolu&ccedil;&atilde;o do  impeachment se dar&aacute; no in&iacute;cio do ano, como os movimentos est&atilde;o se  organizando para enfrentar a quest&atilde;o?<\/strong><\/p>\n<p>Durante o m&ecirc;s de  janeiro&nbsp;cada movimento far&aacute; suas avalia&ccedil;&otilde;es, balan&ccedil;os e tirar&aacute; as li&ccedil;&otilde;es  de 2015. Depois,  realizaremos nossa plen&aacute;ria nacional da Frente Brasil  Popular, para ver o que  vamos fazer em conjunto em 2016.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Por  ora, h&aacute; uma vontade  pol&iacute;tica&nbsp; de que, nos dias ou na semana das  vota&ccedil;&otilde;es decisivas do processo de  impeachement, seja organizado um  &nbsp;acampamento em Bras&iacute;lia e nas assembleias  legislativas nas capitais.&nbsp; E  tamb&eacute;m fazer vig&iacute;lias massivas, em defesa da  democracia e contra o  golpe.&nbsp;&nbsp; Eu participei de uma mobiliza&ccedil;&atilde;o e  assembleia popular em Porto  Alegre [RS], onde aprovamos que vamos repetir o  acampamento em frente  ao Pal&aacute;cio Piratini, em mem&oacute;ria a Leonel Brizola, que em  agosto de 1961  brecou o golpe contra&nbsp; Goulart, na sua campanha pela  legalidade.&nbsp;  Agora ser&aacute; a vig&iacute;lia pela democracia e repetiremos o  acampamento em  frente ao Pal&aacute;cio Piratini.<\/p>\n<p><strong>Tratando das expectativas e perspectivas para 2016, como as elei&ccedil;&otilde;es municipais se inserem nesse cen&aacute;rio?<\/strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>A  expectativa que temos &eacute; que o clima para  mobiliza&ccedil;&otilde;es de massa  aumentar&aacute; durante o primeiro semestre de 2016: de um lado, diversos  setores da classe trabalhadora&nbsp; est&atilde;o enfrentando mais  problemas com  desemprego, infla&ccedil;&atilde;o; de outro, mais setores sociais est&atilde;o  percebendo  que somente sairemos da crise com mobiliza&ccedil;&otilde;es  populares.&nbsp;&nbsp;  O per&iacute;odo  eleitoral deve galvanizar as aten&ccedil;&otilde;es  apenas durante o calend&aacute;rio das  campanhas.&nbsp; E, mesmo assim, como h&aacute; um  des&acirc;nimo com a pol&iacute;tica  institucional, &eacute; prov&aacute;vel que nas grandes cidades&nbsp;  haja uma apatia para  o processo. Nas cidades do interior, o que  determina as elei&ccedil;&otilde;es  municipais sempre gira em torno de pessoas e  fam&iacute;lias.<\/p>\n<p><strong>Por &uacute;ltimo, na sua opini&atilde;o, como as organiza&ccedil;&otilde;es populares e de  esquerda devem se comportar no pr&oacute;ximo ano?<\/strong> &nbsp;<\/p>\n<p>N&oacute;s  temos ainda muitos desafios, hist&oacute;ricos, que  precisamos enfrentar no  [pr&oacute;ximo] ano e no m&eacute;dio prazo.&nbsp; A sociedade  brasileira est&aacute;  enfrentando uma crise econ&ocirc;mica, social, pol&iacute;tica e  ambiental.&nbsp; E essa  crise somente ser&aacute; superada com um projeto de  pa&iacute;s, que consiga  aglutinar a maior parte da sociedade para criar uma nova  hegemonia em  torno dele.&nbsp;&nbsp; O capital financeiro e as corpora&ccedil;&otilde;es  transnacionais  querem a volta ao neoliberalismo, mas n&atilde;o conseguem&nbsp;  hegemonia social,  porque os brasileiros sabem que esse projeto interessa apenas aos  grandes  capitalistas.&nbsp;A burguesia interna, produtiva, n&atilde;o tem um  projeto.&nbsp; A  pequena burguesia queria o impecheament e ser&aacute; derrotada.&nbsp; E  a classe  trabalhadora ainda n&atilde;o tem&nbsp; unidade em torno de um projeto  para o pa&iacute;s.&nbsp;  Est&aacute; ainda at&ocirc;nita assistindo os problemas. Temos o  desafio de articular todos os meios de  comunica&ccedil;&atilde;o alternativos  populares, para fazer frente ao massacre di&aacute;rio da  m&iacute;dia burguesa.  Temos o desafio de retomar o debate sobre a  necessidade de uma reforma  pol&iacute;tica, que somente vir&aacute; com uma Assembleia Constituinte. E temos o  desafio de pressionar o governo a mudar  sua pol&iacute;tica econ&ocirc;mica, para&nbsp;  evitar o agravamento dos problemas da  economia e da classe  trabalhadora.&nbsp;  E se o governo n&atilde;o mudar at&eacute; abril, dando sinais  claros  de que lado est&aacute;,&nbsp; certamente vai perder sua base social, e se   transformar&aacute; num governo&nbsp;de crise permanente at&eacute;  2018.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista de balan&ccedil;o do ano que acaba e apontando perspectivas para 2016, o dirigente do MST afirma que passamos por um &quot;ano perdido para os trabalhadores brasileiros&quot; e que movimentos devem exigir mudan&ccedil;as na pol&iacute;tica econ&ocirc;mica: &quot;nenhum desempregado a mais&quot;. &nbsp;28\/12\/2015 Por Bruno Pavan, S&atilde;o Paulo (SP) &nbsp; Cr&eacute;dito: Rafael Stedile &nbsp; O ano [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[6],"class_list":["post-3508","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-publicaciones","tag-articulos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3508","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3508"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3508\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3628,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3508\/revisions\/3628"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3508"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3508"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3508"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}