{"id":3457,"date":"2013-06-04T10:05:31","date_gmt":"2013-06-04T10:05:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2013\/06\/04\/brasil-cada-vez-maior-ou-das-dificuldades-da-solidariedade-internacional-no-mundo-do-capital-globa\/"},"modified":"2017-10-03T13:09:41","modified_gmt":"2017-10-03T13:09:41","slug":"brasil-cada-vez-maior-ou-das-dificuldades-da-solidariedade-internacional-no-mundo-do-capital-globa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2013\/06\/04\/brasil-cada-vez-maior-ou-das-dificuldades-da-solidariedade-internacional-no-mundo-do-capital-globa\/","title":{"rendered":"Brasil cada vez maior (Ou: Das dificuldades da solidariedade internacional no mundo do capital global"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">Renaud Lambert, \u201cBrazil looms larger\u201d, <em>Le Monde Diplo<\/em>, junho 2013<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"><a href=\"http:\/\/mondediplo.com\/2013\/06\/08latinam\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/mondediplo.com\/2013\/06\/08latinam<\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0Jo\u00e3o Paulo Rodrigues e Rubens Barbosa parecem ter pouco em comum: Rodrigues trabalha pelos sem-terras do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desde menino; Barbosa foi embaixador do Brasil em Londres, depois nos EUA, de 1994 a\u00a02004, e hoje trabalha como consultor de neg\u00f3cios. Encontrei Rodrigues num pequeno sobrado em S\u00e3o Paulo; os escrit\u00f3rios comerciais de Barbosa ficam na muito chique Avenida Faria Lima, onde helic\u00f3pteros sem conta transportam executivos ricos de um a outro heliponto, entre os arranha-c\u00e9us. Rodrigues acabava de comandar uma sess\u00e3o de treinamento para ativistas do MST; Barbosa esfor\u00e7ou-se para me dar \u201calguns momentos\u201d, tomados entre telefonemas de clientes que queriam ouvi-lo sobre um movimento do governo \u2013 todos querendo ser \u2018o primeiro a saber\u2019 (foi a impress\u00e3o que tive).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><!-- [if !mso]> \n\n<style> v:* {behavior:url(#default#VML);} o:* {behavior:url(#default#VML);} w:* {behavior:url(#default#VML);} .shape {behavior:url(#default#VML);} <\/style>\n\n <![endif]--><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">Por diferentes que sejam, esses dois homens concordam, \u00e0s vezes, em muito do que dizem. Rodrigues, ao falar dos objetivos pol\u00edticos do MST \u2013 \u201cderrubar o neoliberalismo e construir sistema econ\u00f4mico mais justo\u201d \u2013, identifica a integra\u00e7\u00e3o regional como prioridade. Barbosa sonha com o Brasil que \u201ctransforme sua geografia, em realidade pol\u00edtica\u201d. Como escreveu em 2000 ao ent\u00e3o presidente Fernando Henrique Cardoso, Barbosa v\u00ea a Am\u00e9rica Latina como \u201cquintal do Brasil, territ\u00f3rio natural de neg\u00f3cios brasileiros\u201d.<a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftnref1\"><\/a>[1] E tamb\u00e9m identifica uma prioridade: \u201cdefender nossos pr\u00f3prios interesses\u201d e refor\u00e7ar o processo da integra\u00e7\u00e3o regional.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">Desde que o Grande Libertador Sim\u00f3n Bol\u00edvar (1783-1830) sonhou com a unidade continental, houve v\u00e1rias tentativas para promover a colabora\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses latino-americanos e integr\u00e1-los em entidade supranacional, aproximando pa\u00edses diferentes, com vistas a atingir diferentes objetivos: a independ\u00eancia, no s\u00e9culo19; a industrializa\u00e7\u00e3o regional, depois da 2\u00aa Guerra Mundial; o alinhamento neoliberal, nos anos 1990s.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">Embora unidos por ambi\u00e7\u00f5es semelhantes, Rodrigues e Barbosa rejeitariam sempre qualquer alian\u00e7a pol\u00edtica, o que parece fazer sentido. \u201cO tra\u00e7o que define o processo de integra\u00e7\u00e3o que o Brasil promove hoje\u201d \u2013 disse Armando Boito J\u00fanior, cientista pol\u00edtico da Universidade de Campinas<a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftnref2\"><\/a>[2] \u2013 \u201c\u00e9 que o projeto foi lan\u00e7ado e tocado adiante por for\u00e7as pol\u00edticas opostas. H\u00e1 interesses conflitantes, mas, atualmente, as duas agendas s\u00e3o compat\u00edveis ou at\u00e9 convergentes.\u201d<a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftnref3\"><\/a>[3]<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">O primeiro ponto em que coincidem \u00e9 que os dois lados rejeitam a ideia de o Brasil ser sat\u00e9lite dos EUA \u2013 embora essa ideia tenha seduzido a elite ao longo dos anos 1990.<a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftnref4\"><\/a>[4] O presidente Fernando Henrique Cardoso (1994-2002) aplicou todos os meios e recursos de seus dois mandatos para que o Brasil realizasse o sonho dos EUA: uma grande \u00c1rea de Livre Com\u00e9rcio das Am\u00e9ricas (FTAA (ing.); ALCA (esp., port.), que iria do Alasca \u00e0 Terra do Fogo. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">Mas o empenho neoliberal de Cardoso assustou a franja industrial da burguesia brasileira. A pol\u00edtica dos \u201ctucanos\u201d [como s\u00e3o conhecidos no Brasil os pol\u00edticos do Partido da Social-Democracia Brasileira, PSDB], de abrir o mercado brasileiro sem qualquer restri\u00e7\u00e3o, afogou o pa\u00eds num <em>tsunami<\/em> de produtos importados e levou a uma onda de fal\u00eancias [e consequentes fus\u00f5es, em que centenas de empresas faliram ou foram vendidas e compradas na bacia das almas, com ganhos estratosf\u00e9ricos para alguns dos envolvidos e correspondente perda para outros, em processo at\u00e9 hoje ainda obscuro]. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">E a onda de privatiza\u00e7\u00f5es<a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftnref5\"><\/a>[5] foi t\u00e3o avassaladora no Brasil, que levou at\u00e9 a revista <em>Veja<\/em>, neoliberal,<a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftnref6\"><\/a>[6] a publicar que \u201cA hist\u00f3ria do capitalismo conheceu poucas ondas t\u00e3o intensas de transfer\u00eancias de controle de empresas, como a que se v\u00ea hoje, em t\u00e3o curto per\u00edodo de tempo\u201d.<a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftnref7\"><\/a>[7]<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">O setor financeiro prosperou, mas a poderosa Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp) passou a temer o pior. Em 2002 a Fiesp produziu estudo em que analisou o prov\u00e1vel impacto da ALCA sobre a economia brasileira. O estudo confirmou \u201co que muitos empres\u00e1rios temiam\u201d: que aquele acordo de livre com\u00e9rcio traria \u201cmais riscos que vantagens para a economia brasileira\u201d.<a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftnref8\"><\/a>[8] <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">Nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2002, o grande empresariado brasileiro apoiou um ex-metal\u00fargico, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, que cuidou de fazer naufragar as negocia\u00e7\u00f5es com os EUA, desde o primeiro momento de seu governo. A pr\u00f3pria Fiesp \u2013 que se mantivera em sil\u00eancio durante as discuss\u00f5es sobre a ALCA, nem por isso teve papel menos decisivo para fazer naufragar aquele projeto.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">Agora, o mesmo projeto de \u00e1rea de livre com\u00e9rcio pode estar tentando reerguer-se, com a Alian\u00e7a do Pac\u00edfico, assinada em 2012 por Chile, Peru, Col\u00f4mbia e M\u00e9xico. Valter Pomar, l\u00edder da Articula\u00e7\u00e3o de Esquerda, uma das tend\u00eancias em que se divide o Partido dos Trabalhadores (PT) brasileiro, v\u00ea a influ\u00eancia dos EUA por tr\u00e1s dessa alian\u00e7a: todos os pa\u00edses envolvidos j\u00e1 assinaram acordos bilaterais de livre com\u00e9rcio com os EUA.<a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftnref9\"><\/a>[9]<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">Mas nos jantares em Bras\u00edlia e na Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo, a crise de 2008 contribuiu para arrefecer a febre neoliberal dos tucanos. S\u00f3 uns poucos que restam ainda em torno do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e bancos como o HSBC, ainda aprovam a aproxima\u00e7\u00e3o entre M\u00e9xico e os EUA (\u201cos EUA s\u00e3o o sol; o M\u00e9xico \u00e9 um planeta que gira em torno do sol\u201d). Mas o relacionamento j\u00e1 custou ao M\u00e9xico queda de 6,7 pontos no PIB, em 2009 \u2013 fato que nem o PSDB de Fernando Henrique Cardoso conseguiu n\u00e3o ver.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u201cH\u00e1 outros meios para alcan\u00e7ar a integra\u00e7\u00e3o regional\u201d \u2013 disse Rodrigues, do MST. \u2013 \u201cEntre elas, a abordagem na qual n\u00f3s trabalhamos no MST, de promover a ALBA (Alian\u00e7a Bolivariana pelos Povos de Nossa Am\u00e9rica), proposta pela Venezuela e \u00e0 qual o Brasil ainda n\u00e3o aderiu. Por essa via, a integra\u00e7\u00e3o d\u00e1-se pela solidariedade, n\u00e3o pela competi\u00e7\u00e3o, e visa a alcan\u00e7ar um \u201csocialismo do s\u00e9culo 21\u201d. Mas \u00e9 vis\u00e3o conhecida de poucos no Brasil. Apesar das reclama\u00e7\u00f5es de alguns idealistas esquerdistas vision\u00e1rios, para os quais, se o PT n\u00e3o os tivesse \u2018tra\u00eddo\u2019, seria f\u00e1cil chegar ao socialismo amanh\u00e3 mesmo, a luta por mudan\u00e7as sociais radicais encontra poucos defensores no Brasil.\u201d <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">Na v\u00e9spera da noite em que conversamos, estudantes chilenos haviam conseguido p\u00f4r 600 mil pessoas nas ruas de Santiago. Para Rodrigues, \u201ca \u00faltima vez que se viu tanta gente na rua, no Brasil, era Carnaval.\u201d Por isso, o MST tem de encontrar pontos comuns entre essa abordagem e o modelo de integra\u00e7\u00e3o que prevalece no Brasil, ao mesmo tempo em que extrai vantagens das contradi\u00e7\u00f5es dentro do modelo. \u201cE h\u00e1 muitas\u201d \u2013 disse Rodrigues, listando os diferentes grupos da alian\u00e7a de governo: \u201cO governo e seus aliados, alguns setores da ind\u00fastria, empresas multinacionais, altos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, grande parte da classe trabalhadora, sobretudo pela a\u00e7\u00e3o dos grandes sindicatos.\u201d \u00c9 uma vis\u00e3o moderna do consenso fordista, a servi\u00e7o de um projeto geopol\u00edtico regional.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">O primeiro ingrediente \u00e9 a busca por autonomia. Samuel Pinheiro Guimar\u00e3es \u00e9 ex-secret\u00e1rio-geral do Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Brasil; ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estrat\u00e9gicos do governo do presidente Lula da Silva (2003-2010) e um dos mais conhecidos pensadores brasileiros. Por tudo isso, provavelmente, recebeu a miss\u00e3o de redigir o \u201cPlano 2022\u201d, que fixa os objetivos estrat\u00e9gicos que devem j\u00e1 ter sido atingidos quando o Brasil completar 200 anos como pa\u00eds independente. Aos 74 anos, j\u00e1 \u00e9 homem que vai direto ao assunto: \u201cQue vantagem Fran\u00e7a ou Inglaterra poderiam obter, que as movesse a querer integra\u00e7\u00e3o com, por exemplo, Malta?\u201d \u2013 perguntou. \u2013 \u201cNenhuma. A \u00fanica vantagem, talvez, \u00e9 que Malta \u00e9 pa\u00eds soberano e, portanto, vale um voto nas institui\u00e7\u00f5es internacionais.\u201d Com outros grandes blocos se formando pelo mundo, o Brasil deve criar sua regi\u00e3o \u2018pr\u00f3pria\u2019, baseada n\u00e3o na Am\u00e9rica Latina, porque, aqui, o M\u00e9xico e a Am\u00e9rica Central \u201cvotam com Washington\u201d, mas na Am\u00e9rica do Sul, que se deve converter em \u201ceixo central de nossa estrat\u00e9gia de rejei\u00e7\u00e3o a toda subservi\u00eancia aos interesses dos EUA.\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">O anti-imperialismo do mais progressista dos altos funcion\u00e1rios do Estado brasileiro \u00e9 equivalente ao anti-imperialismo de Pomar. Pinheiro acredota que, independente das convic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dos apoiadores, um movimento baseado nessa ret\u00f3rica anti-EUA pode levar a mudan\u00e7a social: \u201cTodas as tentativas que houve de construir um bloco socialista na Am\u00e9rica Latina enfrentaram dois obst\u00e1culos: o poder da burguesia latino-americana e o poder da Casa Branca. A iniciativa de integra\u00e7\u00e3o do Brasil n\u00e3o eliminar\u00e1 a influ\u00eancia externa, mas reduzir\u00e1 seu impacto; e d\u00e1 maior autonomia \u00e0 pol\u00edtica nacional.\u201d A posi\u00e7\u00e3o firme da Uni\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es Sul-americanas (Unasur) \u2013 fundada em 2008 \u2013 provavelmente contribuiu para reverter os golpes tentados na Bol\u00edvia e no Equador em 2008 e\u00a02010. Quando a oposi\u00e7\u00e3o venezuelana e os EUA contestaram a validade da elei\u00e7\u00e3o de Nicolas Maduro, a Unasur apoiou o sucessor designado por Hugo Ch\u00e1vez, que fora eleito. \u201cNo passado, essas quest\u00f5es caiam no \u00e2mbito da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos \u2013 quer dizer, da Casa Branca\u201d \u2013 disse Pinheiro Guimar\u00e3es. Ainda recentemente, o secret\u00e1rio de Estado John Kerry referiu-se \u00e0 Am\u00e9rica Latina como \u201cquintal\u201d dos EUA.<a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftnref10\"><\/a>[10]<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">Pomar cr\u00ea que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o contra a interfer\u00eancia dos EUA \u00e9 enfrentar o segundo obst\u00e1culo: a burguesia latino-americana; mas admite que essa luta teve de ser adiada. Os pa\u00edses sul-americanos s\u00e3o ricos por seus recursos naturais (e est\u00e3o agora em posi\u00e7\u00e3o para voltar a control\u00e1-los), mas lutam para diversificar suas economias e construir seus meios de produ\u00e7\u00e3o. Durante a recente campanha presidencial na Venezuela, Maduro reclamou:\u00a0\u201cNosso pa\u00eds n\u00e3o tem uma verdadeira burguesia nacional (&#8230;) os setores envolvidos na atividade econ\u00f4mica s\u00e3o altamente dependentes do capital norte-americano.\u201d (O comportamento rentista \u00e9 a regra.) Apelou a todos que possam ajudar a Venezuela a \u201cplantar as funda\u00e7\u00f5es de uma economia produtiva\u201d<a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftnref11\"><\/a>[11] \u2013 mensagem dirigida ao \u201csetor privado nacionalista\u201d, mas que Maduro espera que chegue ao Brasil, cujos industriais e empres\u00e1rios s\u00e3o tidos como mais progressistas.<a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftnref12\"><\/a>[12]<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">A alian\u00e7a entre o PT, os grandes sindicatos e os chefes de ind\u00fastria n\u00e3o se desfez depois da posse de Lula da Silva na presid\u00eancia; sobreviveu, atualizando a tradi\u00e7\u00e3o desenvolvimentista do Estado brasileiro. Pelo mundo, ningu\u00e9m parece saber o que fazer para responder \u00e0 crise do neoliberalismo, al\u00e9m de aprofundar as mesmas reformas neoliberais. Assim sendo, um programa para desenvolver o mercado interno, mediante o pleno emprego, aumentos de sal\u00e1rios, programas sociais e retomada da produ\u00e7\u00e3o (por mais que desaponte os que viviam da especula\u00e7\u00e3o) \u00e9 op\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">Muitos ativistas de esquerda percebem isso, mesmo que n\u00e3o se deem por satisfeitos. \u201cAinda entendo que temos de lutar para chegar ao socialismo\u201d \u2013 disse Artur Henrique, ex-presidente da Central \u00danica de Trabalhadores (CUT), federa\u00e7\u00e3o de sindicatos co-fundadora da nova alian\u00e7a desenvolvimentista. \u201cMas n\u00e3o sou dos que acham que o socialismo come\u00e7ar\u00e1 domingo que vem, depois da missa. N\u00e3o. Quero mudar as coisas, mas vejo bem as condi\u00e7\u00f5es sob as quais trabalho. No n\u00edvel regional, tentamos nos afastar do neoliberalismo, mas n\u00e3o estamos em posi\u00e7\u00e3o de derrotar o capitalismo. Tentamos promover uma vers\u00e3o regional \u2013 n\u00e3o uma vers\u00e3o nacional \u2013 que considera as necessidades de outros pa\u00edses sul-americanos.\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">O com\u00e9rcio entre Brasil e Venezuela aumentou 800% desde que Ch\u00e1vez chegou ao poder em 1999. Quando o metr\u00f4 de Caracas precisou ser expandido, o cons\u00f3rcio brasileiro Odebrecht entrou no neg\u00f3cio, e o governo brasileiro garantiu financiamento em condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis. Quando falta comida na Venezuela, recebem refor\u00e7o de ind\u00fastrias brasileiras (praticamente toda a carne de galinha que a Venezuela consome \u00e9 brasileira). \u201cA Am\u00e9rica do Sul \u00e9 nosso mais importante mercado\u201d \u2013 disse Carlos Cavalcanti, diretor do Departamento de Infraestrutura da Fiesp. \u2013 \u201cAinda podemos competir com a Chinha, e \u00e9 a regi\u00e3o para onde exportamos a maior parte de nossos bens manufaturados.\u201d Tudo isso responde por 83% das exporta\u00e7\u00f5es do Brasil para pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, e 5% dos embarques da AL para a China. Apesar de toda a economia mundial estar andando mais devagar, os embarques para pa\u00edses vizinhos saltaram, de $7,5 bilh\u00f5es em 2002, para mais de $35 bilh\u00f5es em 2010. Cavalcanti disse que \u201cos pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul est\u00e3o adotando pol\u00edticas alimentadas por rendimentos recentes. Para n\u00f3s, s\u00e3o mercados em crescimento.\u201d <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">Anti-imperialismo e enriquecimento jamais foram incompat\u00edveis: em documento de 2012, a Fiesp descreve o processo da integra\u00e7\u00e3o sul-americana como \u201cuma quebra em 500 anos de hist\u00f3ria\u201d marcada pela \u201csubordina\u00e7\u00e3o do interesse nacional do Brasil aos interesses das pot\u00eancias mundiais dominantes.\u201d<a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftnref13\"><\/a>[13] Mas a infraestrutura \u00e9 a \u00e1rea na qual as demandas de desenvolvimento industrial regional e a busca de maior autonomia geopol\u00edtica tamb\u00e9m regional mais bem se harmonizam com a expans\u00e3o do capital brasileiro. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">Em outubro de 2012, a Unasur identificou os recursos naturais como \u201co eixo din\u00e2mico para a estrat\u00e9gia de integra\u00e7\u00e3o e unidade dos [seus] pa\u00edses\u201d. Antes, havia usado a mesma l\u00f3gica como argumento para fazer avan\u00e7ar a IIRSA (Iniciativa para a Integra\u00e7\u00e3o da Infraestrutura Regional da Am\u00e9rica do Sul)<a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftnref14\"><\/a>[14]. A IIRSA \u00e9 uma rede de grandes rodovias, ferrovias e vias de transporte fluvial que cobre todo o subcontinente. Foi proposta em 2000 por Fernando Henrique Cardoso \u2013 que via o sistema como parte indispens\u00e1vel do tal grande \u201clivre mercado\u201d das Am\u00e9ricas. Mas n\u00e3o conseguiu convencer Ch\u00e1vez: em reuni\u00e3o de chefes de Estado em 2006, Ch\u00e1vez demoliu o projeto, criticando-o por vir carregado de \u201cl\u00f3gica neocolonial\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">Muitos com que conversei disseram que as coisas mudaram muito, depois de 2000. J\u00e1 n\u00e3o se trata de construir uma \u00fanica economia sul-americana, mas de trabalhar pelo \u201cdesenvolvimento interno\u201d e pela \u201csustentabilidade do ponto de vista ambiental\u201d, tratando a infraestrutura como \u201cuma ferramenta para inclus\u00e3o social\u201d, segundo Mar\u00eda Emma Mej\u00eda, secret\u00e1ria (colombiana) da Unasur, de maio de 2011 a maio de 2012.<a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftnref15\"><\/a>[15] A car\u00eancia de infraestrutura \u00e9 grande, na Am\u00e9rica do Sul. Em tentativa para acalmar os ecologistas, o vice-presidente da Bol\u00edvia Alvaro Garc\u00eda Linera assegurou que a explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais do pa\u00eds \u00e9 indispens\u00e1vel para industrializar a Bol\u00edvia, mas a falta de capacidade tecnol\u00f3gica amea\u00e7a impedir isso. O Peru e a Venezuela precisam de novos portos e novas estradas. A produ\u00e7\u00e3o de cereais no Brasil cresceu quase 220% entre 1992 e\u00a02012, mas a rede de estradas n\u00e3o melhorou. Em abril passado, a estrada BR-364, que leva at\u00e9 o terminal ferrovi\u00e1rio que serve o porto de Santos, ficou paralisada num engarrafamento de 100-km, que provocou atraso de 60 dias nas exporta\u00e7\u00f5es. \u201cO setor do agroneg\u00f3cio no Brasil seria muito beneficiado com um acesso \u00e0 costa do Pac\u00edfico\u201d \u2013 disse Barbosa. \u2013 \u201cChina \u00e9 agora nosso maior parceiro comercial.\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">A IIRSA, concebida num momento em que o neoliberalismo era cultuado, deveria, originalmente, ser financiada pelos mercados e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O bilion\u00e1rio argentino Eduardo Eurnekian admite que foi um erro: \u201cN\u00e3o suponho, nem de longe, que alguma empresa privada se interesse por assumir a responsabilidade de desenvolver linhas de transporte internacional.\u201d Nessa ponto, a responsabilidade de ter de completar o trabalho recai sobre \u201cos governos, n\u00e3o sobre o setor privado\u201d.<a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftnref16\"><\/a>[16]<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">Por tudo isso, a integra\u00e7\u00e3o f\u00edsica da Am\u00e9rica do Sul est\u00e1 sendo sustentada por v\u00e1rios esquemas nacionais de financiamento. O Brasil tem o mais rico banco de desenvolvimento do mundo: O Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). Em 2010, distribuiu mais de $100 bilh\u00f5es em empr\u00e9stimos, comparados aos $15 bilh\u00f5es emprestados pelo IDB e aos $40 bilh\u00f5es emprestados pelo Banco Mundial. E o BNDES s\u00f3 financia empresas brasileiras, o que \u00e9 vantagem consider\u00e1vel para Odebrecht, Camargo Corr\u00eaa e outras \u201cgrandes\u201d, que o governo trabalha para promover.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">Essas multinacionais da constru\u00e7\u00e3o devem ter aplaudido a Unasur, em novembro de 2011, quando adotou seu primeiro Projeto Prioridade para a Agenda da Integra\u00e7\u00e3o (API) para construir 1.500 km de gasodutos; 3.490 km de estrutura em vias de transporte fluvial e mar\u00edtimo; 5.142 km de rodovias; e 9.739 km de ferrovias. O investimento total \u00e9 de $116 bilh\u00f5es, para 531\u00a0projetos, incluindo mais de $21 bilh\u00f5es para projetos priorit\u00e1rios. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">Os vizinhos do Brasil entusiasmaram-se menos. Em abril passado, na primeira reuni\u00e3o dos Estados Latino-americanos Afetados por Interesses Transnacionais, Bol\u00edvia, Cuba, Equador, Nicar\u00e1gua, Rep\u00fablica Dominicana, S\u00e3o Vicente e as Granadinas e a Venezuela criticaram o poder econ\u00f4mico de \u201calgumas empresas\u201d, que amea\u00e7am a soberania de \u201calguns estados\u201d. A terminologia \u00e9 vaga, mas todos sabiam do que estavam falando.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">O escritor uruguaio Ra\u00fal Zibechi compara a abordagem do governo brasileiro, na quest\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o, a uma troca de bast\u00e3o: o capital do norte, entrega o bast\u00e3o ao capital do sul. \u201cOs ingleses constru\u00edram a primeira estrada de ferro para exportar min\u00e9rios; os EUA financiaram a estrada Cochabamba-Santa Cruz, como parte do projeto de avan\u00e7ar para o oeste. Agora, o Brasil constr\u00f3i suas pr\u00f3prias vias de integra\u00e7\u00e3o.\u201d<a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftnref17\"><\/a>[17] Mas para Pinheiro Guimar\u00e3es, o problema \u00e9, sobretudo, geogr\u00e1fico: o Brasil tem metade da \u00e1rea terrestre da Am\u00e9rica do Sul, metade da popula\u00e7\u00e3o e metade do PIB continental; em 2011, o PIB do Brasil foi cinco vezes maior que o da Argentina, o segundo pa\u00eds mais rico; e 100 vezes o PIB da Bol\u00edvia. \u201cE v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul s\u00f3 recentemente introduziram o Imposto de Renda. Eles n\u00e3o t\u00eam os recursos indispens\u00e1veis para fazer avan\u00e7ar o desenvolvimento, se n\u00e3o forem ajudados. \u00c9 indispens\u00e1vel ajud\u00e1-los.\u201d <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">E ent\u00e3o? Explora\u00e7\u00e3o ou solidariedade? A pergunta ecoa por toda a Am\u00e9rica Latina e tamb\u00e9m dentro do Brasil. A resposta pode ser: as duas coisas.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">Em abril, Pinheiro Guimar\u00e3es deu um exemplo de solidariedade regional: \u201cSob o governo Lula, aconteceu uma coisa extraordin\u00e1ria. Um subs\u00eddio do Brasil tornou poss\u00edvel come\u00e7ar a construir uma linha de transmiss\u00e3o entre a usina hidrel\u00e9trica de Itaipu e Assun\u00e7\u00e3o\u201d,<a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftnref18\"><\/a>[18] pondo fim aos \u2018apag\u00f5es\u2019 de energia na capital do Paraguai. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">Empres\u00e1rios da Fiesp extra\u00edram da\u00ed outras conclus\u00f5es: \u201cSetores que empregam muita m\u00e3o de obra no Brasil, como o setor t\u00eaxtil e a ind\u00fastria do vestu\u00e1rio, melhorariam suas condi\u00e7\u00f5es de competitividade face aos concorrentes asi\u00e1ticos, pelo mercado interno brasileiro, se pudessem exportar a opera\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o para o Paraguai\u201d, onde \u201co custo da m\u00e3o de obra \u00e9 cerca de 35% menor.\u201d<a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftnref19\"><\/a>[19]<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<div class=\"MsoNormal\">\n<hr \/>\n<\/div>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">NOTAS<\/p>\n<p>[1]<a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftn1\"><\/a> 21\/1\/2000, Carta ao presidente Fernando Henrique Cardoso (arquivos pessoais de Rubens Barbosa).<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftn2\"><\/a><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">[2]<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> O prof. Armando Boito Jr. \u00e9 um dos principais propagandistas do Partido Comunista Brasileiro, PCB (em a\u00e7\u00e3o, por exemplo, em <\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"><a href=\"http:\/\/goo.gl\/1VnKP\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/goo.gl\/1VnKP<\/a><\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> ) [NTs].<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftn3\"><\/a><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">[3]<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> Essa afirma\u00e7\u00e3o, no Brasil, hoje, detonaria protesto furioso, menos pelos intelectuais e cientistas pol\u00edticos dos dois lados, mas, muito mais, pelos eleitores dos dois governos a\u00ed referidos (de FHC, at\u00e9 2001, e Lula-Dilma, de 2002 at\u00e9 hoje). A impress\u00e3o que se tem, dentro do Brasil, \u00e9 que os eleitores sabem mais e melhor que os mestres soci\u00f3logos e cientistas pol\u00edticos e fil\u00f3sofos e outros, da Unicamp e da USP [NTs].<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftn4\"><\/a><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">[4]<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> Essa ideia seduz a elite brasileira, de fato, pelo menos, desde 1952, quando o general Golbery da Costa e Silva escreveu, numa monografia (esgotada e hoje inencontr\u00e1vel) para uso da Escola Superior de Guerra o mesmo que, em 1967 repetiu em seu <em>Geopol\u00edtica<\/em><em>\u00a0e Poder<\/em>: que o Brasil s\u00f3 teria futuro se se desenvolvesse \u201cancorado aos pa\u00edses desenvolvidos\u201d (no p\u00f3s-guerra, significava, claro, \u2018ancorar o Brasil\u2019 aos EUA). \u00c9 a mesma ideia-projeto que est\u00e1 por tr\u00e1s do golpe militar de 1964 \u2013 do qual o general Golbery foi um dos principais \u2018te\u00f3ricos\u2019, que levou o Brasil a quase meio s\u00e9culo de ditadura militar, da qual ainda subsiste hoje muito \u201centulho autorit\u00e1rio\u201d [NTs].<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftn5\"><\/a><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">[5]<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> O processo de privatiza\u00e7\u00f5es no Brasil, durante os governos neoliberais do PSDB \u00e9 objeto de pelo menos um livro importante, de um jornalista investigativo, Amaury Ribeiro Jr., que re\u00fane e oferece vasta documenta\u00e7\u00e3o: <strong><em>A privataria tucana<\/em><\/strong>. Sobre o livro, h\u00e1 bom guia de leitura em <\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"><a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/A_Privataria_Tucana\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/A_Privataria_Tucana<\/a><\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">. E o livro pode ser baixado, em PDF, em <\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"><a href=\"http:\/\/lelivros.com\/book\/download-a-privataria-tucana-ribeiro-jr-amaury-epub-mobi-pdf\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/lelivros.com\/book\/download-a-privataria-tucana-ribeiro-jr-amaury-epub-mobi-pdf\/<\/a><\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> [NTs].<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftn6\"><\/a><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">[6]<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> A revista <em>Forbes<\/em>, esse m\u00eas, fez, da revista <em>Veja<\/em>, retrato bem menos condescendente: \u201cVeja \u00e9 a revista mais odiada do Brasil\u201d (em <\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"><a href=\"http:\/\/www.forbes.com\/sites\/andersonantunes\/2013\/05\/27\/billionaire-roberto-civita-brazilian-media-baron-dies-at-76\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.forbes.com\/sites\/andersonantunes\/2013\/05\/27\/billionaire-roberto-civita-brazilian-media-baron-dies-at-76\/<\/a><\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">) <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftn7\"><\/a><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">[7]<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> Citado em <em>New Left Review<\/em>, n. 16, Londres, jul.-ago. 2002, em ROCHA, Geisa Maria, <strong><em>Neo-dependency in Brasil<\/em><\/strong>, em <\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"><a href=\"http:\/\/newleftreview.org\/II\/16\/geisa-maria-rocha-neo-dependency-in-brazil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/newleftreview.org\/II\/16\/geisa-maria-rocha-neo-dependency-in-brazil<\/a><\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> (ing.) (e em <\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"><a href=\"http:\/\/www.rcci.net\/globalizacion\/2002\/fg275.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.rcci.net\/globalizacion\/2002\/fg275.htm<\/a><\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> (esp.) [NT]).<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftn8\"><\/a><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">[8]<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> \u201cEstudo da Fiesp mostra que Alca \u00e9 mais risco que oportunidade\u201d,\u00a0<em>Valor Econ\u00f4mico,<\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo, 26\/7\/2002, em <\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"><a href=\"http:\/\/clippingmp.planejamento.gov.br\/cadastros\/noticias\/2002\/7\/26\/noticia.4350\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/clippingmp.planejamento.gov.br\/cadastros\/noticias\/2002\/7\/26\/noticia.4350<\/a><\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftn9\"><\/a><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">[9]<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> Sobre o mesmo assunto, ver \u201cSantos, a conjura contra Venezuela e a Alian\u00e7a do Pac\u00edfico\u201d<br \/>\n6\/1\/2013, Atilio Bor\u00f3n, <em>Contrainjerencia <\/em>\u2013 <\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"><a href=\"http:\/\/goo.gl\/EwyNp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/goo.gl\/EwyNp<\/a><\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> [NTs].<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftn10\"><\/a><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">[10]<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> \u201c<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"><a href=\"http:\/\/www.bbc.co.uk\/news\/world-latin-america-22370494\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">US protests against Bolivia\u2019s decision to expel USAID<\/a><\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u201d, <em>BBC News<\/em>, Londres, 1\/5\/2013. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftn11\"><\/a><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">[11]<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> \u201c<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"><a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ilustrissima\/102442-maduro-no-volante.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Maduro no volante<\/a><\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u201d,\u00a0<em>Folha de S. Paulo,<\/em>\u00a07\/4\/2013.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftn12\"><\/a><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">[12]<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> Talvez haja outras exce\u00e7\u00f5es, mas deve-se registrar aqui, por obrigat\u00f3ria, a exce\u00e7\u00e3o dos empres\u00e1rios da ind\u00fastria com\u00e9rcio da imprensa-empresa brasileira, os quais, esses, s\u00e3o os mais conservadores e reacion\u00e1rios do sistema solar, ativos desde antes do golpe militar de 1964 e ativos at\u00e9 hoje, sempre contra a democracia brasileira. [NTs]<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftn13\"><\/a><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">[13]<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> \u201c<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"><a href=\"http:\/\/www.fiesp.com.br\/indices-pesquisas-e-publicacoes\/8-eixos-de-integracao-da-infraestrutura-da-america-do-sul\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">8 Eixos de Integra\u00e7\u00e3o da Infraestrutura da Am\u00e9rica do Sul<\/a><\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u201d, Fiesp, S\u00e3o Paulo, 24\/4\/2012.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftn14\"><\/a><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">[14]<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> Plano de trabalho do Conselho Sul-americano para Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan) para 2012.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftn15\"><\/a><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">[15]<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> \u201c8 Eixos de Integra\u00e7\u00e3o da Infraestrutura da Am\u00e9rica do Sul\u201d, op cit.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftn16\"><\/a><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">[16]<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> \u201c<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"><a href=\"https:\/\/conteudoclippingmp.planejamento.gov.br\/cadastros\/noticias\/2013\/4\/19\/integracao-depende-de-governos-afirma-bilionario\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Integra\u00e7\u00e3o depende de governos, afirma bilion\u00e1rio<\/a><\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u201d,\u00a0<em>Valor Econ\u00f4mico,<\/em>\u00a019, 20 e 21\/4\/2013. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftn17\"><\/a><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">[17]<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> ZIBECHI, Ra\u00fal. <em>Brasil Potencia<\/em>, 2012, Bogot\u00e1: Ed. <\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">Desde Abajo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftn18\"><\/a><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">[18]<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> 1\/4\/2013, Entrevista a Val\u00e9ria Nader e Gabriel Brito, <em>Correio da Cidadania<\/em>, <\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"><a href=\"http:\/\/www.correiocidadania.com.br\/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=8228&amp;Itemid=79\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.correiocidadania.com.br\/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=8228&amp;Itemid=79<\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a name=\"13f067e7f1b46a9b__ftn19\"><\/a><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">[19]<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"> 3\/4\/2013, \u201c<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\"><a href=\"https:\/\/conteudoclippingmp.planejamento.gov.br\/cadastros\/noticias\/2013\/4\/3\/fiesp-mostra-vantagens-de-se-levar-industrias-ao-paraguai\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fiesp Mostra vantagens de se levar ind\u00fastrias ao Paraguai<\/a><\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma;\">\u201d,\u00a0<em>Valor Econ\u00f4mico<\/em>.<\/span><\/p>\n<p><!-- [if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_PunctuationKerning\/>   <w_ValidateAgainstSchemas\/>   <w_SaveIfXMLInvalid>false<\/w_SaveIfXMLInvalid>   <w_IgnoreMixedContent>false<\/w_IgnoreMixedContent>   <w_AlwaysShowPlaceholderText>false<\/w_AlwaysShowPlaceholderText>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>    <w_DontGrowAutofit\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--><!-- [if gte mso 9]><xml>  <w_LatentStyles DefLockedState=\"false\" LatentStyleCount=\"156\">  <\/w_LatentStyles> <\/xml><![endif]--><!-- [if !mso]><object  classid=\"clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D\" id=ieooui><\/object> \n\n<style> st1:*{behavior:url(#ieooui) } <\/style>\n\n <![endif]--><!-- [if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; 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