{"id":3420,"date":"2012-07-18T09:21:05","date_gmt":"2012-07-18T09:21:05","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2012\/07\/18\/as-mentiras-paraguaias-das-elites-brasileiras\/"},"modified":"2017-10-02T21:45:05","modified_gmt":"2017-10-02T21:45:05","slug":"as-mentiras-paraguaias-das-elites-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2012\/07\/18\/as-mentiras-paraguaias-das-elites-brasileiras\/","title":{"rendered":"As mentiras paraguaias das elites brasileiras"},"content":{"rendered":"<p><!--[if gte mso 9]><xml>  <o_DocumentProperties>   <o_Author>Teresa P?rez<\/o_Author>   <o_Version>10.6626<\/o_Version>  <\/o_DocumentProperties> <\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]-->  <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">por Jo&atilde;o Pedro Stedile <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">O maior conflito do Paraguai &eacute; reaver a terra usurpada por fazendeiros brasileiros. <span>O pa&iacute;s vizinho &quot;cedeu&quot; a estrangeiros 25% do seu territ&oacute;rio cultivable. Mal havia terminado o golpe de Estado contra o presidente Fernando Lugo e flamantes porta-vozes da burguesia brasileira sa&iacute;ram em coro a defender os golpistas. Seus argumentos eram os mesmos da corrupta oligarquia paraguaia, repetidos tamb&eacute;m de forma articulada por outros direitistas em todo continente. <\/span>O impeachment, apesar de t&atilde;o r&aacute;pido, teria sido legal. N&atilde;o importa se os motivos alegados eram verdadeiros ou justos.<\/p>\n<p><!--[if gte mso 9]><xml>  <o_DocumentProperties>   <o_Author>Teresa P?rez<\/o_Author>   <o_Version>10.6626<\/o_Version>  <\/o_DocumentProperties> <\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]-->  <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Foram repetidos surrados argumentos paranoicos da Guerra Fria: &quot;O Paraguai foi salvo de uma guerra civil&quot; ou &quot;o Paraguai foi salvo do terrorismo dos sem-terra&quot;. Se a sociedade paraguaia estivesse dividida e armada, certamente os defensores do presidente Lugo n&atilde;o aceitariam pacificamente o golpe. Curuguaty, que resultou em sete policiais e 11 sem-terra assassinados, n&atilde;o foi um conflito de terra tradicional. <\/span>Sem que ningu&eacute;m dos dois lados estivesse disposto, houve uma matan&ccedil;a indiscriminada, claramente planejada para criar uma como&ccedil;&atilde;o nacional. H&aacute; ind&iacute;cios de que foi uma emboscada armada pela direita paraguaia para culpar o governo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<span>Foi o conflito o principal argumento utilizado para depor o presidente. <\/span>Se esse crit&eacute;rio fosse utilizado em todos os pa&iacute;ses latino-americanos, FHC seria deposto pelo massacre de Caraj&aacute;s. <span>Ou o governador Alckmin pelo caso Pinheirinho. O Paraguai &eacute; o pa&iacute;s do mundo de maior concentra&ccedil;&atilde;o da terra. <\/span>De seus 40 milh&otilde;es de hectares, 31.086.893 ha s&atilde;o de propriedade privada. <span>Os outros 9 milh&otilde;es s&atilde;o ainda terras p&uacute;blicas no Chaco, regi&atilde;o de baixa fertilidade e incid&ecirc;ncia de &aacute;gua. Apenas 2% dos propriet&aacute;rios s&atilde;o donos de 85% de todas as terras. <\/span>Entre os grandes propriet&aacute;rios de terras no Paraguai, os fazendeiros estrangeiros s&atilde;o donos de 7.889.128 hectares, 25% das fazendas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;N&atilde;o h&aacute; paralelo no mundo: um pa&iacute;s que tenha &quot;cedido&quot; pacificamente para estrangeiros 25% de seu territ&oacute;rio cultiv&aacute;vel. <span>Dessa &aacute;rea total dos estrangeiros, 4,8 milh&otilde;es de hectares pertencem brasileiros. Na base da estrutura fundi&aacute;ria, h&aacute; 350 mil fam&iacute;lias, em sua maioria pequenos camponeses e m&eacute;dios propriet&aacute;rios. Cerca de cem mil fam&iacute;lias s&atilde;o sem-terra. O governo reconhece que desde a ditadura Stroessner (1954-1989) foram entregues a fazendeiros locais e estrangeiros ao redor de 10 milh&otilde;es de hectares de terras p&uacute;blicas, de forma ilegal e corrupta. <\/span>E &eacute; sobre essas terras que os movimentos camponeses do Paraguai exigem a revis&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;Segundo o censo paraguaio, em 2002 existiam 120 mil brasileiros no pa&iacute;s sem cidadania. <span>Desses, 2.000 grandes fazendeiros controlam &aacute;reas superiores a mil ha e se dedicam a produzir soja e algod&atilde;o para empresas transnacionais como Monsanto, Syngenta, Dupont, Cargill, Bungue&#8230; H&aacute; ainda um setor importante de m&eacute;dios propriet&aacute;rios, e um grande n&uacute;mero de sem-terra brasileiros vivem como trabalhadores por l&aacute;. <\/span>S&atilde;o esses brasileiros pobres que a imprensa e a sociologia rural apelidaram de &quot;brasiguaios&quot;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;O conflito maior &eacute; da sociedade paraguaia e dos camponeses paraguaios: reaver os 4,8 milh&otilde;es de hectares usurpados pelos fazendeiros brasileiros. <span>Da&iacute; a solidariedade de classe que os demais ruralistas brasileiros manifestaram imediatamente contra o governo Lugo e a favor de seus colegas usurpadores. O mais engra&ccedil;ado &eacute; que as elites brasileiras nunca reclamaram de, em fun&ccedil;&atilde;o de o Senado paraguaio sempre barrar todas as indica&ccedil;&otilde;es de nomes durante os quatro anos do governo Lugo, a embaixada no Brasil ter ficado sem mandat&aacute;rio durante todo esse per&iacute;odo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;<\/span>JO&Atilde;O PEDRO STEDILE, 58, economista, &eacute; integrante da coordena&ccedil;&atilde;o nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) e da Via Campesina Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Jo&atilde;o Pedro Stedile O maior conflito do Paraguai &eacute; reaver a terra usurpada por fazendeiros brasileiros. O pa&iacute;s vizinho &quot;cedeu&quot; a estrangeiros 25% do seu territ&oacute;rio cultivable. Mal havia terminado o golpe de Estado contra o presidente Fernando Lugo e flamantes porta-vozes da burguesia brasileira sa&iacute;ram em coro a defender os golpistas. Seus argumentos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[6],"class_list":["post-3420","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-publicaciones","tag-articulos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3420","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3420"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3420\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3714,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3420\/revisions\/3714"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3420"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3420"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3420"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}