{"id":3406,"date":"2012-04-17T10:10:04","date_gmt":"2012-04-17T10:10:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2012\/04\/17\/joo-paulo-capobianco-o-governo-pr-histrico-na-questo-ambiental\/"},"modified":"2017-10-03T13:19:39","modified_gmt":"2017-10-03T13:19:39","slug":"joo-paulo-capobianco-o-governo-pr-histrico-na-questo-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2012\/04\/17\/joo-paulo-capobianco-o-governo-pr-histrico-na-questo-ambiental\/","title":{"rendered":"Jo\u00e3o Paulo Capobianco: \u00abO governo \u00e9 pr\u00e9-hist\u00f3rico na quest\u00e3o ambiental\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><!--[if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]-->  <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">O ex-secret&aacute;rio-executivo do minist&eacute;rio do Meio Ambiente critica o governo Dilma, diz que a legisla&ccedil;&atilde;o est&aacute; perdendo for&ccedil;a e prev&ecirc; aumento do desmatamento<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">O ambientalista Capobianco, em seu escrit&oacute;rio em S&atilde;o Paulo. Ele se diz preocupado com o papel do Brasil na confer&ecirc;ncia Rio+20, que ser&aacute; realizada em junho (Foto: Let&iacute;cia Moreira\/&Eacute;POCA) <\/span><\/p>\n<p><!--[if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]-->  <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">H&aacute; alguns dias, importantes organiza&ccedil;&otilde;es da &aacute;rea ambiental divulgaram um documento com severas cr&iacute;ticas ao primeiro ano do governo Dilma Rousseff no setor. Instituto Socioambiental, Funda&ccedil;&atilde;o SOS Mata Atl&acirc;ntica e WWF, entre outras, classificam o atual per&iacute;odo como o de &ldquo;maior retrocesso da agenda socioambiental desde o fim da ditadura&rdquo;. A acusa&ccedil;&atilde;o &eacute; endossada pelo bi&oacute;logo e consultor Jo&atilde;o Paulo Capobianco, um dos mais respeitados ambientalistas do pa&iacute;s. No governo Lula, Capobianco ocupou o segundo cargo mais importante do Minist&eacute;rio do Meio Ambiente, o de secret&aacute;rio-executivo. Saiu junto com a ministra Marina Silva e depois participou de sua campanha pela Presid&ecirc;ncia. Nesta entrevista, ele explica porque avalia t&atilde;o mal os primeiros atos de Dilma no setor.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; As organiza&ccedil;&otilde;es que militam na &aacute;rea de meio ambiente classificaram o primeiro ano do governo Dilma como &ldquo;o maior retrocesso da agenda socioambiental desde o fim da ditadura&rdquo;. O senhor concorda com isso?<br \/> Jo&atilde;o Paulo Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> Concordo completamente. A agenda que envolve meio ambiente e a quest&atilde;o social do ponto de vista dos direitos de minorias, como &iacute;ndios e quilombolas, tem evolu&iacute;do desde o fim da ditadura militar. &Eacute; uma evolu&ccedil;&atilde;o permanente. Claro que as coisas nem sempre andaram como gostar&iacute;amos. A Lei da Mata Atl&acirc;ntica demorou 14 anos para ser aprovada. A Lei de Crimes Ambientais demorou 12 anos. Foi um conjunto de avan&ccedil;os sempre muito morosos. Mas foi uma agenda crescente. N&oacute;s n&atilde;o tivemos nesse per&iacute;odo nenhum retrocesso na legisla&ccedil;&atilde;o. Tivemos demoras, dificuldades de implementa&ccedil;&atilde;o, mas invers&atilde;o n&oacute;s nunca tivemos. Estamos tendo agora. S&atilde;o modifica&ccedil;&otilde;es na legisla&ccedil;&atilde;o por iniciativa ou omiss&atilde;o do Executivo. Um exemplo &eacute; esse novo C&oacute;digo Florestal.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; A aprova&ccedil;&atilde;o dos transg&ecirc;nicos no governo Lula n&atilde;o foi considerado um retrocesso pelo movimento ambientalista?<br \/> Capobianco &ndash; <\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\">Ali foi diferente porque n&atilde;o havia uma legisla&ccedil;&atilde;o anterior para tratar desse assunto. Foi assim: na &eacute;poca do presidente Fernando Henrique Cardoso o governo fazia vista grossa e o transg&ecirc;nico cresceu de forma descontrolada. Aquilo estava sendo usado sem legisla&ccedil;&atilde;o, sem nenhum procedimento de bioseguran&ccedil;a. Ent&atilde;o no come&ccedil;o do governo Lula n&oacute;s envolvemos oito minist&eacute;rios para propor uma lei. A lei que foi enviada pelo governo para o Congresso foi elaborada em acordo com o Minist&eacute;rio do Meio Ambiente. Na C&acirc;mara, o deputado Aldo Rebelo alterou completamente o texto, mas o governo reagiu e tivemos uma grande vit&oacute;ria. No Senado, as mudan&ccedil;as voltaram e l&aacute; o governo n&atilde;o agiu acabou perdendo. Foi uma perda, sim. Mas &eacute; diferente da situa&ccedil;&atilde;o atual porque a quest&atilde;o do transg&ecirc;nico n&atilde;o era algo que j&aacute; estivesse ajustado na legisla&ccedil;&atilde;o e andou para tr&aacute;s.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; Ent&atilde;o nunca houve retrocesso?<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> Na &eacute;poca do governo Collor (1990-1992) houve uma tentativa. Quiseram fazer uma consolida&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o ambiental. De fato, a legisla&ccedil;&atilde;o ambiental tem um leque muito grande de resolu&ccedil;&otilde;es, leis, decretos, normas constitucionais. E quando isso come&ccedil;ou a ganhar forma, ficou claro que, na verdade, queriam aproveitar a oportunidade para eliminar v&aacute;rios avan&ccedil;os. Naquele momento as organiza&ccedil;&otilde;es todas se mobilizaram e o governo retirou a proposta. Tivemos tamb&eacute;m a iniciativa do Congresso de modificar o C&oacute;digo Florestal em 2000. Isso foi at&eacute; 2001, 2002, o famoso Relat&oacute;rio Micheletto (do deputado Moacir Micheletto), que quase foi para vota&ccedil;&atilde;o em plen&aacute;rio com muita chance de ganhar. Mas foi retirado pelo governo. O governo bancou (a retirada da proposta) e depois editou uma Medida Provis&oacute;ria para resolver alguns problemas do C&oacute;digo. Ent&atilde;o o que acontecia claramente eram tentativas de modificar a legisla&ccedil;&atilde;o ambiental. Isso ocorria. Mas ou o governo atuava para ajust&aacute;-las, ou impedia o avan&ccedil;o dessas tentativas no Congresso. O que est&aacute; acontecendo agora &eacute; o oposto disso.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA &#8211; Os analistas pol&iacute;ticos classificam a aprova&ccedil;&atilde;o do novo C&oacute;digo Florestal na C&acirc;mara como a maior derrota pol&iacute;tica do governo Dilma no Congresso at&eacute; aqui. Se o governo perdeu, como &eacute; poss&iacute;vel responsabiliz&aacute;-lo pelo m&eacute;rito? Por uma medida que foi aprovada a sua revelia?<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> O governo Dilma possui a maior base de apoio da hist&oacute;ria democr&aacute;tica. Nenhum presidente da Rep&uacute;blica teve uma base como a atual. E, objetivamente, o governo n&atilde;o operou essa base. Ele opera essa base em todos os projetos que lhe interessam. O governo n&atilde;o atuou de forma adequada em rela&ccedil;&atilde;o ao C&oacute;digo Florestal, n&atilde;o ouviu os alarmes e as diversas manifesta&ccedil;&otilde;es preocupadas com o assunto. Quando o governo percebeu que seria criado um problema pol&iacute;tico, resolveu agir. S&oacute; que muito tardiamente, o relat&oacute;rio j&aacute; estava pronto. O relat&oacute;rio foi costurado pelo deputado Aldo Rebelo, que &eacute; um pol&iacute;tico com muita experi&ecirc;ncia legislativa, foi ministro, presidente da C&acirc;mara. O governo tentou barrar e n&atilde;o conseguiu. Ent&atilde;o, de fato, o governo perdeu. Mas ele perdeu ap&oacute;s uma letargia enorme, uma omiss&atilde;o muito grande, permitindo, durante mais de um ano, que esse projeto fosse constru&iacute;do.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; O senhor disse que o governo s&oacute; tentou reagir contra o novo C&oacute;digo Florestal porque percebeu que seria criado um problema pol&iacute;tico. Que problema seria esse?<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> Na campanha de 2010, a presidente Dilma Rousseff se comprometeu, de pr&oacute;prio punho, em vetar qualquer dispositivo que implicasse em anistia, est&iacute;mulo ao desmatamento ou redu&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas de preserva&ccedil;&atilde;o permanente. Quando ficou claro que essa proposta de C&oacute;digo Florestal continha esses elementos, viram que iria sobrar para ela. Al&eacute;m disso, o movimento contr&aacute;rio ao C&oacute;digo cresceu. Um conjunto muito grande de formadores de opini&atilde;o foi &agrave; Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica alertar sobre os retrocessos do C&oacute;digo.<\/p>\n<p> <strong>&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; Mas o senhor diria que a essa letargia do governo contra o C&oacute;digo foi proposital?<br \/> Capobianco &ndash;<\/strong> Certamente. Dizer que o governo tem uma vis&atilde;o anti-ambiental talvez seja muito forte. Mas uma coisa &eacute; evidente: a sensibilidade do atual governo com a quest&atilde;o ambiental &eacute; m&iacute;nima. Houve uma omiss&atilde;o completa do governo nesse processo, o que &eacute; inadmiss&iacute;vel, pois voc&ecirc; tem no governo pelo menos um minist&eacute;rio, no m&iacute;nimo um, que &eacute; o do Meio Ambiente, que tem como uma das fun&ccedil;&otilde;es institucionais acompanhar os processos legislativos e, em nome do governo, atuar no Congresso. Ele n&atilde;o fez isso. O Minist&eacute;rio se omitiu, o governo como um todo se omitiu. E quando perceberam que o dano para a imagem do governo seria importante, resolveram entrar, mas de forma atabalhoada, desorganizada. Perdeu.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; E no Senado, como foi a postura do governo?<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> No Senado, sim, o governo agiu de forma objetivamente anti-ambiental. Depois de perder na C&acirc;mara, o governo saiu dizendo assim: &ldquo;no Senado n&oacute;s vamos reverter isso&rdquo;. S&oacute; que o primeiro ato do governo no Senado foi permitir a escolha do mesmo relator em tr&ecirc;s comiss&otilde;es, uma coisa in&eacute;dita. A mat&eacute;ria precisa passar em quatro comiss&otilde;es: Constitui&ccedil;&atilde;o e Justi&ccedil;a, que &eacute; obrigat&oacute;ria, Agricultura, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia e Meio Ambiente. O governo tem papel fundamental nesse processo, &eacute; um ente extremamente forte. E a&iacute; ele permitiu que o projeto fosse analisado nas comiss&otilde;es de Constitui&ccedil;&atilde;o e Justi&ccedil;a, Agricultura e Ci&ecirc;ncia e Tecnologia pelo mesmo relator. Quem foi esse relator? O senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB), que, enquanto governador de Santa Catarina, aprovou um C&oacute;digo Ambiental local que &eacute; o &uacute;nico contr&aacute;rio ao C&oacute;digo Florestal nacional. O C&oacute;digo de Santa Catarina &eacute; mais permissivo e desrespeita frontalmente o C&oacute;digo Florestal nacional. &Eacute; objeto de uma Adin (A&ccedil;&atilde;o Direta de Inconstitucionalidade) no Supremo Tribunal Federal. Ent&atilde;o o governo aceita o Luiz Henrique em tr&ecirc;s comiss&otilde;es. Tr&ecirc;s. Em fun&ccedil;&atilde;o do seu curr&iacute;culo, era a pessoa mais inadequada para isso.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; A outra comiss&atilde;o foi para o senador Jorge Viana, do PT do Acre.<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> Que foi a nossa grande decep&ccedil;&atilde;o. Esperava-se que ele fizesse um relat&oacute;rio mais correto, mas ele n&atilde;o fez. Ele fez um praticamente id&ecirc;ntico ao do senador Luiz Henrique.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; Qual a diferen&ccedil;a entre os textos da C&acirc;mara e do Senado?<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> O relat&oacute;rio do Senado &eacute;, na sua estrutura, igualzinho ao da C&acirc;mara. &Eacute; um projeto melhor, mais bem organizado. &Eacute; melhor como pe&ccedil;a legal. Mas para o meio ambiente &eacute; igual. Ele continua com a anistia para quem desmatou, mant&eacute;m a redu&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas de preserva&ccedil;&atilde;o permanente, mant&eacute;m a redu&ccedil;&atilde;o da reserva legal (que cada propriedade &eacute; obrigada a ter) e estimula novos desmatamentos.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; Estimula como, objetivamente?<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> Primeiro, pela anistia para quem desmatou. Cria uma sensa&ccedil;&atilde;o de impunidade, evidentemente. Tamb&eacute;m porque reduz o c&aacute;lculo das &aacute;reas de preserva&ccedil;&atilde;o permanente. O que &eacute; isso? S&atilde;o &aacute;reas extremamente fr&aacute;geis que s&atilde;o protegidas pela legisla&ccedil;&atilde;o desde 1934: topo de morro, mata ciliar, encostas. Hoje, para voc&ecirc; calcular a &aacute;rea de preserva&ccedil;&atilde;o na beira de rio, voc&ecirc; tem de contar a partir da maior cheia sazonal. Pegue um rio de plan&iacute;cie na Amaz&ocirc;nia, no Pantanal ou na Mata Atl&acirc;ntica litor&acirc;nea, por exemplo. Se voc&ecirc; olhar para o leito regular, pode ter 12 metros, 15 metros. Mas todo ano, na cheia, ele sai dessa margem e atinge at&eacute; 100 metros. Hoje, voc&ecirc; calcula a &aacute;rea de prote&ccedil;&atilde;o a partir desse limite maior, de 100 metros. N&atilde;o estou falando da grande cheia excepcional, que pode ocorrer eventualmente, mas da cheia sazonal, que ocorre todo ano. O que fizeram? No projeto do novo C&oacute;digo eles colocaram que voc&ecirc; deve calcular a &aacute;rea de prote&ccedil;&atilde;o a partir do leito regular. Significa que vai reduzir brutalmente a &aacute;reas de preserva&ccedil;&atilde;o. Na Amaz&ocirc;nia, igap&oacute;s e igarap&eacute;s perdem, ficam todos de fora. No Pantanal ser&aacute; uma trag&eacute;dia.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; A legisla&ccedil;&atilde;o n&atilde;o precisaria de nenhum retoque?<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> Precisa. H&aacute; um pressuposto que todo mundo concorda: voc&ecirc; precisa criar oportunidades para regularizar as propriedades que est&atilde;o irregulares. Todo mundo concorda com isso. Mas como fazer? Para quem atua na &aacute;rea ambiental, resolver isso significa criar incentivos, facilidades e condi&ccedil;&otilde;es para estimular a recupera&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas. O que a bancada ruralista faz? Eles querem eliminar a recupera&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o voc&ecirc; parte de um consenso, mas com pontos de vista totalmente diferentes para a solu&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; Qual tem sido a estrat&eacute;gia do governo?<br \/> Capobianco &#8211;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> No Senado o governo atuou de forma clara. Ali ele exp&ocirc;s, de forma objetiva, qual &eacute; a sua vis&atilde;o. &Eacute; por um c&oacute;digo que faz anistia, estimula desmatamento e reduz prote&ccedil;&atilde;o. Quando esse projeto foi aprovado no Senado, tentaram passar para a sociedade que havia um consenso. &ldquo;Ah, resolvemos os problemas da C&acirc;mara, os absurdos da C&acirc;mara&rdquo;. Houve uma contra-informa&ccedil;&atilde;o importante. A&iacute; as informa&ccedil;&otilde;es come&ccedil;aram a circular, as organiza&ccedil;&otilde;es fizeram uma discuss&atilde;o e ficou provado que aquilo n&atilde;o era verdade. Ficou claro que, na sua ess&ecirc;ncia, o projeto do Senado era t&atilde;o ruim quanto o da C&acirc;mara. E a&iacute; o governo montou o que a Marina Silva muito bem chamou de telequete, aquela luta livre falsa, marmelada, em que os dois caras ficam se batendo e se jogando no ch&atilde;o. O governo permitiu que o projeto, ao voltar para a C&acirc;mara, fosse relatado pelo deputado ruralista Paulo Piau (PMDB-MG). Quem &eacute; Paulo Piau? Ele foi o autor das piores emendas no in&iacute;cio, quando a mat&eacute;ria estava na C&acirc;mara. Na nossa avalia&ccedil;&atilde;o o governo estimulou que fosse o Paulo Piau. Para qu&ecirc;? &Eacute; para acontecer exatamente isso que est&aacute; acontecendo. &Eacute; para que ele modifique o texto novamente, recuse v&aacute;rias mudan&ccedil;as do Senado, encha o texto de retrocessos e retorne com as piores coisas que tinha antes. A&iacute; o governo entra com tudo, obriga a base a votar o texto do Senado e vende para a sociedade a ideia de que salvou o C&oacute;digo Florestal. Essa foi a jogada. Mas isso foi denunciado e agora virou um problema. O fato concreto &eacute; que essa quest&atilde;o do C&oacute;digo &eacute; o exemplo mais acabado daquilo que n&oacute;s estamos chamado, no governo Dilma, de maior retrocesso desde a ditadura.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA &ndash; O que mais as organiza&ccedil;&otilde;es classificam como retrocesso?<br \/> Capobianco &#8211; <\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\">A Lei Complementar 140. Esse era um projeto que visava organizar as atribui&ccedil;&otilde;es das diferentes esferas da Uni&atilde;o para tornar os processos de licenciamento mais eficientes. Era um projeto ambiental na sua origem, n&oacute;s trabalhamos nele. O que a C&acirc;mara fez, com o benepl&aacute;cito do governo, foi aproveitar esse projeto para reduzir o papel do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) e para reduzir o papel do Ibama. Virou um projeto anti-ambiental. O governo tamb&eacute;m deixou andar, n&atilde;o colocou sua base para impedir a aprova&ccedil;&atilde;o. O que a gente pensou? &ldquo;Bem, o governo vai vetar&rdquo;. Mas n&atilde;o vetou, sancionou. Ent&atilde;o ali ficou patente que n&atilde;o houve oposi&ccedil;&atilde;o ao projeto.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&#8211; O desmatamento na Amaz&ocirc;nia Legal em 2011 foi de 6.238 quil&ocirc;metros quadrados. &Eacute; o menor &iacute;ndice da s&eacute;rie hist&oacute;rica, 11% menor que o de 2010. N&atilde;o &eacute; uma boa not&iacute;cia?<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> Claro que &eacute;. A redu&ccedil;&atilde;o do desmatamento foi uma decis&atilde;o pol&iacute;tica, tomada em 2004 com um plano interministerial para essa finalidade. Alguns dizem que o desmatamento caiu no governo Lula porque teve a queda dos pre&ccedil;os das commodities, a soja perdeu pre&ccedil;o e outros fatores. Eu sempre digo o seguinte: &eacute; verdade, o governo soube usar um ambiente favor&aacute;vel para apertar as pol&iacute;ticas para redu&ccedil;&atilde;o de desmatamento. Foram criados 23 milh&otilde;es de hectares de unidades de conserva&ccedil;&atilde;o na Amaz&ocirc;nia nas &aacute;reas de expans&atilde;o do desmatamento; houve um processo de cancelamento de t&iacute;tulos de milh&otilde;es de hectares, pois havia uma grilagem monumental; teve uma a&ccedil;&atilde;o pela primeira vez integrada com Ex&eacute;rcito, Ibama e Pol&iacute;cia Federal, que atuou de forma extremamente forte; teve a modifica&ccedil;&atilde;o do sistema de monitoramento por sat&eacute;lite, que era anual a passou a ser em tempo real. Foi, enfim, uma s&eacute;rie de medidas. Agora, a base fundamental para atua&ccedil;&atilde;o do governo foi sempre o C&oacute;digo Florestal. O C&oacute;digo &eacute; que permitia imputar ao propriet&aacute;rio a obriga&ccedil;&atilde;o da prote&ccedil;&atilde;o, pois ele dizia &ldquo;em &aacute;rea de floresta, na Amaz&ocirc;nia, voc&ecirc; s&oacute; pode desmatar 20%&rdquo;. Antes ele era letra morta. O governo resolveu implementar isso a&iacute;. Agora tem a in&eacute;rcia. Ela &eacute; muito grande. Voc&ecirc; n&atilde;o aumenta o desmatamento repentinamente. Assim como n&atilde;o reduz repentinamente. Ent&atilde;o o atual governo &eacute; herdeiro desse processo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; E o que vai acontecer a partir de agora?<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> Antes, toda a postura do governo federal era de preserva&ccedil;&atilde;o, de implanta&ccedil;&atilde;o do C&oacute;digo, de controle. Qual &eacute; a pol&iacute;tica do atual governo? Permitir que um novo C&oacute;digo avance, redu&ccedil;&atilde;o de prote&ccedil;&atilde;o, anistia para quem desmatou irregularmente, uma s&eacute;rie de sinais completamente contradit&oacute;rios em rela&ccedil;&atilde;o ao que estava sendo feito desde 2004. Ent&atilde;o eu diria que a tend&ecirc;ncia &eacute; de um retorno do desmatamento. Essa &eacute; a perspectiva. Voc&ecirc; est&aacute; mudando a legisla&ccedil;&atilde;o e est&aacute; passando um sinal para a sociedade de menos controle, de menor valoriza&ccedil;&atilde;o do tema. Eu acredito que a redu&ccedil;&atilde;o do desmatamento, que &eacute; a grande vitrine do governo, est&aacute; condenada. Est&aacute; condenada se o governo aprovar esse novo C&oacute;digo Florestal.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; Quando isso ser&aacute; percebido no &iacute;ndice? D&aacute; para prever?<br \/> Capobianco &ndash; <\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\">Como eu disse, a in&eacute;rcia &eacute; grande. Mas no ano passado voc&ecirc; j&aacute; teve alguns meses at&iacute;picos. Teve uma explos&atilde;o do desmatamento e o governo foi obrigado a ir para campo e correr com opera&ccedil;&otilde;es tremendamente para tentar segurar. Segurou, foi importante. Agora, como voc&ecirc; vai segurar isso se mudar a legisla&ccedil;&atilde;o? Como vai segurar isso se quem desmatou a reserva legal n&atilde;o ser&aacute; punido? Eu preservei, meu vizinho desmatou e agora tudo bem? Eu mantive a &aacute;rea de preserva&ccedil;&atilde;o permanente, mas esse cara passou por mim, riu da minha cara e desmatou a &aacute;rea dele. Agora vem a lei e anistia o sujeito? E eu que preservei? &Eacute; um sinal totalmente equivocado, que jamais o governo poderia passar para a sociedade.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; O senhor acredita na possibilidade de veto do novo C&oacute;digo Florestal por parte da Presid&ecirc;ncia?<br \/> Capobianco &ndash; <\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\">Veto parcial n&atilde;o adianta. H&aacute; uma armadilha. O projeto foi escrito de uma forma para que vetos parciais ficassem invi&aacute;veis. Ela (Dilma) pode vetar alguns dispositivos, algumas coisinhas, mas a estrutura n&atilde;o d&aacute; para vetar. Um exemplo &eacute; essa quest&atilde;o do c&aacute;lculo da &aacute;rea de preserva&ccedil;&atilde;o permanente: isso est&aacute; no caput do par&aacute;grafo de todo o artigo que define a &aacute;rea de prote&ccedil;&atilde;o permanente. Ent&atilde;o se vetar isso, veta tudo, toda a prote&ccedil;&atilde;o. O texto foi feito de uma forma para que voc&ecirc; n&atilde;o possa vetar. Assim, do meu ponto de vista, n&atilde;o existe possibilidade do veto parcial. Mesmo que ela vete alguns pontos, se vetar, n&atilde;o vai resolver o problema estrutural.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; &Eacute; essa avalia&ccedil;&atilde;o que est&aacute; por tr&aacute;s da campanha que as entidades est&atilde;o fazendo pelo veto total?<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> Sim. Tem de vetar tudo e criar um outro projeto. Na verdade, o certo seria ter um projeto com origem no Executivo. E n&atilde;o permitir que a bancada ruralista fizesse um projeto que prosperasse.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; E Belo Monte, a outra grande pol&ecirc;mica do governo Dilma?<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> Belo Monte n&atilde;o &eacute; uma pol&ecirc;mica. N&atilde;o vejo pol&ecirc;mica ali. O problema de Belo Monte &eacute; o processo de licenciamento que n&atilde;o seguiu a tramita&ccedil;&atilde;o adequada. O que um licenciamento ambiental obrigatoriamente tem de fazer? Tem de identificar todos os impactos e avaliar se esses impactos s&atilde;o mitig&aacute;veis ou n&atilde;o. Tem empreendimentos em que os impactos s&atilde;o t&atilde;o absurdos, que n&atilde;o tem como resolver. Belo Monte est&aacute; nessa linha. Mas vamos supor que, no caso de Belo Monte, tivesse como resolver. O que aconteceu? O processo n&atilde;o teve todos os impactos adequadamente levantados, as comunidades afetadas n&atilde;o foram adequadamente ouvidas, como exige a lei, e as medidas mitigadoras n&atilde;o foram adequadamente planejadas e implementadas. Ent&atilde;o voc&ecirc; tem um processo onde prevaleceu uma decis&atilde;o pol&iacute;tica de licenciar e fazer essa obra de qualquer forma. Todo licenciamento ambiental foi tratado como um &ocirc;nus necess&aacute;rio s&oacute; porque a lei obriga. N&atilde;o foi tratado como uma oportunidade para voc&ecirc;, de fato, equacionar todos os problemas e compor um acordo sobre o empreendimento com as popula&ccedil;&otilde;es afetadas. Belo Monte foi um processo goela abaixo. E agora est&atilde;o aparecendo os problemas.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; Se o problema est&aacute; na condu&ccedil;&atilde;o do processo, n&atilde;o seria mais f&aacute;cil fazer tudo certinho, at&eacute; para evitar os preju&iacute;zos com todos esses conflitos? Por que, na sua opini&atilde;o, o governo faz dessa forma?<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> Minha interpreta&ccedil;&atilde;o: h&aacute; uma concep&ccedil;&atilde;o no atual governo de que a quest&atilde;o ambiental &eacute; secund&aacute;ria, &eacute; menor, ela n&atilde;o justificaria. Ent&atilde;o se voc&ecirc; tem essa vis&atilde;o, essa ideia de que a quest&atilde;o ambiental &eacute; secund&aacute;ria, qualquer discuss&atilde;o vira um neg&oacute;cio&#8230; A&iacute; algu&eacute;m diz: &ldquo;&eacute; um absurdo esse processo de licenciamento, demora anos&rdquo;. Sim. &Eacute; assim. Voc&ecirc; tem obras em outros pa&iacute;ses relevantes que demoram dez anos para licenciar. Porque &eacute; um processo onde voc&ecirc; deve, de fato, esgotar o problema. Voc&ecirc; tem de resolver o problema. N&atilde;o adianta voc&ecirc; achar que &eacute; uma quest&atilde;o cujo objetivo &eacute; atrasar a obra. O objetivo &eacute; o seguinte: voc&ecirc; tem de resolver o problema. S&oacute; que para isso voc&ecirc; tem de ter compromisso. E considerar que esses s&atilde;o problemas de fato. Olha s&oacute;, voltando &agrave; linha dos retrocessos: o governo editou um conjunto de portarias para normatizar o licenciamento ambiental. Uma delas define uma quilometragem para dizer se a comunidade &eacute; afetada ou n&atilde;o pela obra. Ent&atilde;o diz l&aacute;: &ldquo;comunidades at&eacute; X quil&ocirc;metros s&atilde;o afetadas e precisam ser ouvidas&rdquo;. Mas e a comunidade que estiver X quil&ocirc;metros mais um, n&atilde;o ser&aacute; ouvida? N&atilde;o, n&atilde;o ser&aacute; ouvida.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; Mas precisa ter um crit&eacute;rio objetivo, n&atilde;o?<br \/> Capobianco &ndash; <\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\">Claro. Mas qual tem de ser esse crit&eacute;rio? Antes, as comunidades que comprovadamente eram afetadas, atrav&eacute;s de estudos ambientais, laudos, eram ouvidas. Os laudos diziam: &ldquo;olha, essa comunidade ser&aacute; afetada por A, B ou C problema&rdquo;, independentemente se estiver a um quil&ocirc;metro ou a 20 quil&ocirc;metros. Outro exemplo incr&iacute;vel: quando voc&ecirc; tem um licenciamento, v&aacute;rios &oacute;rg&atilde;o t&ecirc;m de opinar. Se afeta terra ind&iacute;gena, a Funai tem de opinar; se afeta patrim&ocirc;nio arqueol&oacute;gico, o Iphan tem de opinar; se afeta &aacute;rea de conserva&ccedil;&atilde;o, o Instituto Chico Mendes tem de opinar; e o Ibama tem de opinar sobre tudo. A&iacute; o &oacute;rg&atilde;o demora para opinar. &Eacute; um problema. Por que o &oacute;rg&atilde;o est&aacute; demorando para opinar? &Eacute; corpo mole? &Eacute; oposi&ccedil;&atilde;o ao empreendimento? Mas pode ser que o &oacute;rg&atilde;o esteja desaparelhado, n&atilde;o consegue. O que o governo fez? Deu um prazo: se o &oacute;rg&atilde;o n&atilde;o opinar naquele prazo, significa que ele aprovou o empreendimento por decurso de prazo. &Eacute; uma coisa absurda. Criou-se o licenciamento por decurso de prazo. &Eacute; como se fosse por WO. N&atilde;o importa se foi uma dificuldade para consultar a comunidade -algumas s&atilde;o isoladas, de dific&iacute;limo acesso-, ou se foi incapacidade f&iacute;sica para atingir o local. O Brasil n&atilde;o &eacute; uma Su&iacute;&ccedil;a em que voc&ecirc; pega o carro, anda um pouco e encontra qualquer comunidade. Estamos falando de Amaz&ocirc;nia, onde est&atilde;o as grandes obras. Para voc&ecirc; consultar uma comunidade ind&iacute;gena, muitas vezes voc&ecirc; precisa entrar com avi&atilde;o, barco, jipe, s&atilde;o dificuldades inerentes a um pa&iacute;s continental como o nosso.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; Mas n&atilde;o d&aacute; para n&atilde;o ter prazo algum, certo? Vai ficar solto, sem prazo?<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> Mas j&aacute; existe prazo. A lei prev&ecirc; prazo, claro. O que eles fizeram foi dizer que se n&atilde;o cumprir, acabou tudo, est&aacute; aprovado. O que o governo deveria fazer? Quando h&aacute; problema de atraso, deveria chamar o &oacute;rg&atilde;o e perguntar. Por que atrasou? O que aconteceu? Qual &eacute; a justificativa para n&atilde;o ter feito essa manifesta&ccedil;&atilde;o no prazo? Se o &oacute;rg&atilde;o n&atilde;o tiver justificativa, fa&ccedil;a a a&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria, substitua o executivo. Mas n&atilde;o pode dizer &ldquo;se n&atilde;o cumpriu o prazo, azar o seu&rdquo;. Nesse caso, o que o governo est&aacute; privilegiando? N&atilde;o est&aacute; privilegiando o conte&uacute;do, mas o prazo. Que prazo? O prazo da obra. A pergunta &eacute;: o governo est&aacute; privilegiando a qualidade do empreendimento ou est&aacute; privilegiando a agenda do empreendedor? No governo Dilma, a decis&atilde;o, claramente, &eacute; privilegiar a agenda do empreendedor. Faz isso em detrimento da quest&atilde;o ambiental, das popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas, das comunidades tradicionais.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; Como o senhor avalia a quest&atilde;o das &aacute;reas de prote&ccedil;&atilde;o?<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> O governo n&atilde;o criou nenhum hectare de &aacute;rea de prote&ccedil;&atilde;o ambiental. Ao contr&aacute;rio. Pela primeira vez desde a Constitui&ccedil;&atilde;o um governo reduz a &aacute;rea protegida. Reduziu na Amaz&ocirc;nia para fazer hidrel&eacute;tricas no rio Tapaj&oacute;s. Pode reduzir? Legalmente pode, mas voc&ecirc; compensa com outra &aacute;rea para n&atilde;o ter perda. Isso &eacute; comum. Para isso &eacute; preciso fazer um projeto de lei e encaminh&aacute;-lo para o Congresso, onde tem audi&ecirc;ncia p&uacute;blica, debate, consultas, tem o contradit&oacute;rio. O que o governo fez agora? Fez por Medida Provis&oacute;ria. &Eacute; o &aacute;pice da loucura, porque &eacute; uma decis&atilde;o unilateral do poder Executivo. Qual &eacute; a urg&ecirc;ncia e relev&acirc;ncia de reduzir um parque nacional para o canteiro de uma obra que n&atilde;o nem sequer foi licenciada?<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; Qual &eacute;?<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> Essa hist&oacute;ria da redu&ccedil;&atilde;o do parque para fazer hidrel&eacute;trica no rio Tapaj&oacute;s &eacute; reveladora da vis&atilde;o do atual governo. Ele n&atilde;o submete a obra ao licenciamento, nem sabe se a obra vai ser aprovada do ponto de vista ambiental, mas ele j&aacute; reduziu o parque. J&aacute; provocou um dano permanente. Qual &eacute; a leitura disso? A leitura &eacute; que o governo j&aacute; decidiu que vai fazer a hidrel&eacute;trica, que o licenciamento &eacute; favas contadas, vir&aacute; de qualquer jeito. Eu n&atilde;o diria que &eacute; uma postura anti-ambiental. Mas &eacute; uma vis&atilde;o em que a quest&atilde;o ambiental est&aacute; em 14&ordm; plano.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; A presidente Dilma disse que as pessoas contr&aacute;rias a hidrel&eacute;tricas na Amaz&ocirc;nia vivem num estado de &ldquo;fantasia&rdquo;.<br \/> Capobianco &ndash; <\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\">Fantasia &eacute; viver num mundo onde voc&ecirc; acha que apenas as hidrel&eacute;tricas v&atilde;o responder &agrave; quest&atilde;o energ&eacute;tica. Se ela tivesse dito que a energia e&oacute;lica nunca ser&aacute; capaz de suprir a demanda crescente, todos n&oacute;s concordar&iacute;amos. Porque n&atilde;o &eacute; nem a e&oacute;lica, nem a solar, nem a hidrel&eacute;trica, nem a nuclear e nem a t&eacute;rmica que vai, individualmente, suprir a demanda. Nenhum pa&iacute;s tem mais isso. Todos, a come&ccedil;ar pela China, que &eacute; o mais emblem&aacute;tico, passando pelos Estados Unidos e pela a Europa inteira, est&atilde;o investindo pesadamente nas fontes m&uacute;ltiplas. A quest&atilde;o &eacute; o conjunto atuando sinergicamente. Na e&oacute;lica, o Brasil tem potencial enorme. Se utilizasse tudo, teria mais que toda a energia somada que o Brasil gera hoje. Ent&atilde;o a grande fantasia &eacute; dela, achando que vai convencer os l&iacute;deres que estar&atilde;o aqui na Rio+20 de que essa tese de dar &ecirc;nfase s&oacute; na hidrel&eacute;trica &eacute; vi&aacute;vel. Ela acha que algu&eacute;m vai acreditar nisso? Todos j&aacute; abandonaram essa tese.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; E o Minist&eacute;rio do Meio Ambiente, como tem agido?<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> Para nossa surpresa, &eacute; a primeira vez que a gente v&ecirc; uma opera&ccedil;&atilde;o de desmonte da legisla&ccedil;&atilde;o, de fragiliza&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os ambientais, sem que o ministro se insurja contra. &Eacute; a primeira vez, desde a &eacute;poca do Paulo Nogueira Neto, ainda no governo militar. N&oacute;s tivemos v&aacute;rios epis&oacute;dios no passado em que o ministro do Meio Ambiente tomou a iniciativa, se manifestou, amea&ccedil;ou se demitir. Faziam o que a gente chama de contraponto no centro do governo. Qual &eacute; o papel do ministro do Meio Ambiente dentro governo? &Eacute; fazer a cr&iacute;tica interna, inclusive em benef&iacute;cio do pr&oacute;prio governo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; Mas o senhor tem essa informa&ccedil;&atilde;o de dentro? A ministra Izabella Teixeira faz essas cr&iacute;ticas internas e &eacute; derrotada ou nem faz? O senhor est&aacute; dizendo que ela n&atilde;o faz.<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> Ela se pronuncia na imprensa defendendo essas medidas. Ela defende o C&oacute;digo Florestal do Senado, diz que ele &eacute; excelente, que vai promover o maior programa de recupera&ccedil;&atilde;o florestal do mundo. N&atilde;o sei de onde tirou isso. Ela n&atilde;o est&aacute; posicionada fazendo o contraponto. Ela est&aacute; apoiando institucionalmente essas coisas.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&#8211; Depois de surpreender o pa&iacute;s com 20 milh&otilde;es de votos em 2010, a ex-senadora Marina Silva optou pela neutralidade no segundo turno. Se ela tivesse apoiado Dilma no segundo turno, naquela fase decisiva, n&atilde;o teria agora melhores condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas para influenciar o governo nesses assuntos?<br \/> Capobianco &ndash; <\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\">Analisar fatos passados &agrave; luz dos atuais d&aacute; errado. O que eu posso dizer &eacute; o seguinte: a campanha Marina Silva trabalhou verdadeiramente a quest&atilde;o da defesa de uma proposta de governo, apesar do partido. Foi uma campanha de propostas. A mensagem era &ldquo;eu n&atilde;o vou para o embate, vou para o debate&rdquo;. E os 20 milh&otilde;es de votos foram dados a ela, na minha opini&atilde;o, porque ela manteve uma coer&ecirc;ncia, em todo o processo, de insistir nisso, de dizer que o Brasil precisava e merecia uma discuss&atilde;o de propostas. Ent&atilde;o quando a campanha acabou, qual foi a avalia&ccedil;&atilde;o? Ela tem uma capacidade muito grande de sintetizar. Perguntaram o que ela iria fazer com os 20 milh&otilde;es de votos. Ela respondeu assim: &ldquo;Eu n&atilde;o tenho votos, quem tem voto &eacute; o eleitor. Ele votou em mim e em uma proposta que inclu&iacute;a uma cr&iacute;tica aos dois advers&aacute;rios&rdquo;. A Marina fez uma cr&iacute;tica permanente aos dois candidatos, o Serra e a Dilma, dizendo que eles tinham desrespeitado a elei&ccedil;&atilde;o. Fizeram um embate entre eles, uma baixaria, em detrimento ao eleitor. Ent&atilde;o como &eacute; que ela poderia apoiar um ou outro depois daquilo?<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; Os dois queriam apoio. N&atilde;o era o momento pol&iacute;tico ideal para amarrar uma pauta?<br \/> Capobianco &ndash; <\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\">N&oacute;s colocamos a pauta. Dissemos &ldquo;n&atilde;o, n&atilde;o tem apoio, mas vamos fazer um documento com quest&otilde;es fundamentais e apresent&aacute;-lo para os dois, vamos ver como eles respondem&rdquo;. A Dilma respondeu muito corretamente. Foi a&iacute; que ela disse que vetaria qualquer iniciativa que implicasse em anistia, redu&ccedil;&atilde;o de prote&ccedil;&atilde;o ou incentivo ao desmatamento. O Serra respondeu de maneira mais evasiva. Ali&aacute;s, nem respondeu, foi o S&eacute;rgio Guerra (presidente do PSDB) que respondeu. O que n&oacute;s fizemos? Colocamos no site as duas manifesta&ccedil;&otilde;es. Ficou claro que a Dilma assumiu aqueles compromissos. Acho que foi uma decis&atilde;o pol&iacute;tica perfeitamente correta. Voc&ecirc; pergunta agora se foi um erro da Marina. N&atilde;o d&aacute; para avaliar assim. E se a Marina tivesse apoiado a Dilma naquele momento e agora estivesse acontecendo tudo isso a&iacute; do mesmo jeito, o que voc&ecirc; me perguntaria? Voc&ecirc; iria dizer assim: &ldquo;N&atilde;o foi um erro apoiar a Dilma? Esse apoio n&atilde;o acabou legitimando esse desmonte no setor de meio ambiente?&rdquo; A Marina fez o certo. Ela preservou sua credibilidade e agora n&atilde;o tem responsabilidade por isso que est&aacute; sendo feito.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&#8211; O que podemos esperar do Brasil na Rio+20?<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> &Eacute; mais um bom exemplo da mudan&ccedil;a da perspectiva do governo no Brasil. Na Rio 92 eu era membro, participei de todas as reuni&otilde;es de organiza&ccedil;&atilde;o, de toda discuss&atilde;o da agenda, de todas as reuni&otilde;es interministeriais. Tamb&eacute;m participei da Rio+5 e da Rio+10. Digo o seguinte: &eacute; surpreendente como a Rio+20 est&aacute; virando o anti, do anti, do anti. A Rio 92 era diferente. &Eacute; a ONU que coordena tudo, mas o pa&iacute;s sede tem uma import&acirc;ncia enorme nesse tipo de evento. A receptividade dele, a forma como ele interage com a agenda &eacute; decisiva para tornar o ambiente favor&aacute;vel ao avan&ccedil;o. Da mesma forma, voc&ecirc; n&atilde;o pode fazer uma confer&ecirc;ncia para discutir direitos humanos num pa&iacute;s que desrespeita direitos humanos. Por que n&atilde;o pode? Ora, qual &eacute; o ambiente para a discuss&atilde;o? Na Rio 92 o Brasil agiu com extrema compet&ecirc;ncia, apoiou as conven&ccedil;&otilde;es, apoiou o debate ambiental, teve iniciativas internas, criou a terra Yanomami, fechou o Serra do Cachimbo, uma s&eacute;rie de medidas. Foi pr&oacute;-ativo. O Brasil favoreceu a agenda ambiental no processo da Rio 92. E criou um ambiente positivo apesar dos problemas pol&iacute;ticos daquela &eacute;poca, impeachment do Collor e tudo aquilo. Tanto foi positivo que a Rio+20 agora &eacute; novamente no Brasil. Mas como &eacute; que o Brasil recebe a Rio+20 agora? Primeiro, uma desorganiza&ccedil;&atilde;o, um despreparo para a recep&ccedil;&atilde;o. Segundo, uma agenda totalmente anti-ambiental. O que o Brasil fez de relevante na &aacute;rea ambiental nos &uacute;ltimos meses? Terceiro: o que o Brasil est&aacute; fazendo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; agenda do evento?<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; O que est&aacute; fazendo?<br \/> Capobianco &#8211;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> Pegue a entrevista do respons&aacute;vel pela Rio+20 e leia. Ele diz assim: &ldquo;voc&ecirc;s est&atilde;o equivocados, a quest&atilde;o ambiental n&atilde;o &eacute; s&oacute; meio ambiente strictu senso, tem de ter o econ&ocirc;mico e o social&rdquo;. &Eacute; verdade, mas achar que a Bolsa Fam&iacute;lia &eacute; o grande exemplo do Brasil para o mundo nisso? &Eacute; o grande exemplo social, claro. Mas do ponto de vista ambiental &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o muito t&ecirc;nue. A Bolsa Fam&iacute;lia deve entrar no debate, sim. Mas esse &eacute; o tema principal do Brasil? Acho que n&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; Qual deveria ser a quest&atilde;o central?<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> A quest&atilde;o central da Rio+20 &eacute; a crise ambiental. Temos clareza dos riscos, indicadores precisos, mas existe um problema de implementa&ccedil;&atilde;o da agenda das grandes conven&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas. A Rio+20 n&atilde;o vai discutir isso? N&atilde;o vai fazer uma avalia&ccedil;&atilde;o disso? O papel do Brasil seria se insistir nisso, numa agenda desse tipo, uma agenda internacional que coloque o dedo na ferida. &Eacute; preciso fazer uma reflex&atilde;o real que gere resultados. Ent&atilde;o o risco &eacute; a Rio+20 ser uma infind&aacute;vel reuni&atilde;o de boas inten&ccedil;&otilde;es que s&oacute; gere bl&aacute;-bl&aacute;-bl&aacute;. A pauta ficou gen&eacute;rica, esvaziada. O Brasil tem atributos incr&iacute;veis, uma patrim&ocirc;nio natural incr&iacute;vel. Mas o que o governo est&aacute; fazendo? O que est&aacute; fazendo em rela&ccedil;&atilde;o ao etanol, por exemplo? Para defend&ecirc;-lo? Para promov&ecirc;-lo? Qual &eacute; o investimento em energia renov&aacute;vel? O Brasil est&aacute; construindo Belo Monte, construindo no rio Madeira, no Tapaj&oacute;s. Est&aacute; fazendo hidrel&eacute;trica em terra ind&iacute;gena com licenciamento por decurso de prazo. &Eacute; inacredit&aacute;vel.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; As usinas e&oacute;licas est&atilde;o crescendo, o ritmo &eacute; bem forte.<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> Apesar do governo. A e&oacute;lica est&aacute; crescendo no Brasil apesar do governo. N&atilde;o existe uma linha de apoio em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; energia e&oacute;lica. Est&aacute; crescendo para surpresa do governo. O governo se surpreendeu com o interesse dos investidores. Porque na vis&atilde;o do governo &eacute; hidrel&eacute;trica e termoel&eacute;trica. Uma loucura. E termonuclear. Uma vis&atilde;o totalmente no outro caminho. A Rio+20 est&aacute; ocorrendo num momento em que o mundo inteiro est&aacute; com dificuldades para implementar agenda, n&atilde;o &eacute; um privil&eacute;gio do Brasil. Mas no Brasil n&atilde;o &eacute; s&oacute; dificuldade, &eacute; retrocesso. E o Brasil vai sediar a Rio+20 num ambiente extremamente negativo, com uma avalia&ccedil;&atilde;o muito ruim e com uma agenda fraca. Corre o risco de ter uma Rio+20 esvaziada, o que seria muito ruim para o pa&iacute;s.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; Que pa&iacute;s, hoje, tem uma agenda ambiental forte?<br \/> Capobianco &ndash; <\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\">Muitos. Os pa&iacute;ses da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, apesar da crise do Euro e das dificuldades, t&ecirc;m. A China tem. Est&aacute; fazendo investimentos na chamada economia verde e em zonas tecnol&oacute;gicas de uma forma absurda. A China tem hoje o maior programa de reflorestamento do mundo, a China tem o maior programa de parque e&oacute;lico e de investimentos em energia solar do mundo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; E tem os rios mais polu&iacute;dos do mundo, uma das maiores emiss&otilde;es do mundo, carv&atilde;o, o ar mais estragado do mundo&#8230;<br \/> Capobianco &ndash; <\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\">Tem, claro que tem. Mas a quest&atilde;o &eacute; a seguinte: como &eacute; que voc&ecirc; faz a convers&atilde;o? Ela &eacute; feita a partir de solu&ccedil;&otilde;es. Como &eacute; que voc&ecirc; vai resolver o problema de produ&ccedil;&atilde;o de energia? Primeiro, pela efici&ecirc;ncia, pela redu&ccedil;&atilde;o de consumo. Depois, pela quest&atilde;o das energias renov&aacute;veis. Se voc&ecirc; n&atilde;o tem um investimento pesado em renov&aacute;veis, voc&ecirc; nunca vai sair do ciclo vicioso. Se voc&ecirc; pegar o valor de investimento em pesquisa e desenvolvimento no Brasil nos pr&oacute;ximos anos, vai ver que o investimento em derivados do petr&oacute;leo &eacute; a enorme maioria. <\/span><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute; na contram&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; Ent&atilde;o o Brasil &eacute; o vil&atilde;o do meio ambiente?<br \/> Capobianco &ndash;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> N&atilde;o &eacute; isso. O Brasil n&atilde;o &eacute; o vil&atilde;o da hist&oacute;ria. O vil&atilde;o na conven&ccedil;&atilde;o de clima n&atilde;o &eacute; o Brasil, &eacute; a China e os Estados Unidos. O problema &eacute; como voc&ecirc; trata a perspectiva. &Eacute; isso que chama a aten&ccedil;&atilde;o hoje no Brasil. O Brasil vinha de uma agenda crescente, cumulativa e importante na &aacute;rea ambiental. O Brasil fez uma op&ccedil;&atilde;o de se comprometer com metas de redu&ccedil;&atilde;o de emiss&atilde;o. Foi o primeiro pa&iacute;s em desenvolvimento a fazer isso, gerou um impacto pol&iacute;tico positivo. Voc&ecirc; vinha num processo. E o que tem agora? Tem um refluxo. E esse refluxo vai custar caro para o Brasil. Caro porque o pa&iacute;s vai retardar sua adapta&ccedil;&atilde;o e sua prepara&ccedil;&atilde;o para o acirramento desse debate. Vai custar caro porque o Brasil vai encontrar dificuldade no plano internacional para obter apoio para suas propostas. Vai custar caro porque o Brasil vai encontrar dificuldade para se manter na lideran&ccedil;a pol&iacute;tica que ele vinha conquistando. Caro porque o Brasil vai deixar de aproveitar as oportunidades econ&ocirc;micas da chamada economia verde.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt\">&Eacute;POCA&nbsp;&ndash; Na sua opini&atilde;o, o que o Brasil deveria estar fazendo?<br \/> Capobianco &#8211;<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt\"> O Brasil poderia estar aproveitando suas possibilidades com etanol, por exemplo, para estimular a redu&ccedil;&atilde;o da emiss&atilde;o de carbono. Hoje, por&eacute;m, o cidad&atilde;o vai no posto e se o pre&ccedil;o do &aacute;lcool n&atilde;o compensa, ele n&atilde;o usa. Mas e o ganho ambiental do &aacute;lcool? &Eacute; um processo limpo, voc&ecirc; tem v&aacute;rias vantagens para a economia verde. Mas o governo n&atilde;o tem nem campanha para mostrar esses ganhos. Ali&aacute;s, ocorre o contr&aacute;rio: o governo segura artificialmente o pre&ccedil;o da gasolina, numa atitude populista, em detrimento de um de seus grandes ativos na chamada economia verde. &Eacute; uma concep&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-1992. Eu diria que &eacute; um governo primitivo na quest&atilde;o da percep&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia estrat&eacute;gica disso tudo. N&atilde;o adianta ter as pessoas com melhor renda, melhor sal&aacute;rio, podendo comprar, se o ambiente for todo degradado, sem qualidade de vida. A vis&atilde;o do governo &eacute; essa: tem de aumentar o consumo. O consumo pelo consumo. Repare: o programa do governo &eacute; de Acelera&ccedil;&atilde;o do Crescimento, PAC. N&atilde;o &eacute; um programa de Acelera&ccedil;&atilde;o do Desenvolvimento, PAD. Ent&atilde;o o governo &eacute; pr&eacute;-hist&oacute;rico na quest&atilde;o ambiental. E ao ser pr&eacute;-hist&oacute;rico, acaba, por omiss&atilde;o e por a&ccedil;&atilde;o, permitindo que o que h&aacute; de mais atrasado no Brasil fa&ccedil;a valer sua agenda. &Eacute; um governo mais para milagre econ&ocirc;mico, d&eacute;cada de 70, do que para terceiro mil&ecirc;nio.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ex-secret&aacute;rio-executivo do minist&eacute;rio do Meio Ambiente critica o governo Dilma, diz que a legisla&ccedil;&atilde;o est&aacute; perdendo for&ccedil;a e prev&ecirc; aumento do desmatamento O ambientalista Capobianco, em seu escrit&oacute;rio em S&atilde;o Paulo. Ele se diz preocupado com o papel do Brasil na confer&ecirc;ncia Rio+20, que ser&aacute; realizada em junho (Foto: Let&iacute;cia Moreira\/&Eacute;POCA) H&aacute; alguns dias, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[6],"class_list":["post-3406","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-publicaciones","tag-articulos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3406","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3406"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3406\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4864,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3406\/revisions\/4864"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3406"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3406"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3406"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}