{"id":3389,"date":"2012-01-07T12:19:05","date_gmt":"2012-01-07T12:19:05","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2012\/01\/07\/balano-da-reforma-agraria-realizado-pela-equipe-da-cpt-do-nordeste-objetivo-e-claro-jan-2012\/"},"modified":"2017-10-02T21:45:15","modified_gmt":"2017-10-02T21:45:15","slug":"balano-da-reforma-agraria-realizado-pela-equipe-da-cpt-do-nordeste-objetivo-e-claro-jan-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2012\/01\/07\/balano-da-reforma-agraria-realizado-pela-equipe-da-cpt-do-nordeste-objetivo-e-claro-jan-2012\/","title":{"rendered":"Balan\u00e7o da reforma agraria realizado pela equipe da  CPT do nordeste, objetivo e claro. Jan 2012"},"content":{"rendered":"<p><span>O in&iacute;cio de 2011 foi marcado pela perspectiva de que o governo da Presidenta Dilma pudesse percorrer o caminho para superar os desafios e impasses hist&oacute;ricos da Reforma Agr&aacute;ria no Brasil. Com o apoio da maioria no Congresso Nacional, a nova Presidenta teria, nesse campo estrat&eacute;gico, condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas para impulsionar <strong>um processo de Reforma Agr&aacute;ria, o que nunca foi feito no Brasil<\/strong>.<\/span><br \/><!--[if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]-->    <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Apesar dessas leg&iacute;timas expectativas, o que se configurou na pr&aacute;tica foi que o Estado brasileiro direcionou toda a sua energia para garantir o avan&ccedil;o de um modelo ultrapassado de desenvolvimento para o pa&iacute;s, com um perfil concentrador de renda, prejudicial ao meio-ambiente e &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es tradicionais.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>De fato, as diretrizes pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica do governo s&atilde;o as mesmas do grande capital. Como consequ&ecirc;ncia desta op&ccedil;&atilde;o, os maiores impactados foram os trabalhadores e trabalhadoras rurais, as comunidades tradicionais, ind&iacute;genas, posseiros, ribeirinhos, toda a diversidade de povos que vivem no campo brasileiro e a m&atilde;e Terra.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>De um lado, isso reflete uma viol&ecirc;ncia e o abandono do povo exclu&iacute;do. Do outro, tem provocado um momento de retomada de mobiliza&ccedil;&otilde;es e independ&ecirc;ncia dos pequenos, frente &agrave; trai&ccedil;&atilde;o de quem julgavam ser aliados. Essa importante retomada vem acontecendo em toda Am&eacute;rica Latina.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>No Brasil, a obsess&atilde;o do Governo da Presidenta Dilma pela implanta&ccedil;&atilde;o de grandes projetos e pela produ&ccedil;&atilde;o ilimitada de commodities tem levado as popula&ccedil;&otilde;es tradicionais, ind&iacute;genas e camponeses a retomarem seus originais m&eacute;todos de protesto. Exemplo emblem&aacute;tico disto &eacute; o debate em torno da Hidroel&eacute;trica de Belo Monte e do C&oacute;digo Florestal.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>A Reforma Agr&aacute;ria agoniza<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Os n&uacute;meros da Reforma Agr&aacute;ria deste governo, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s fam&iacute;lias assentadas, foram ainda piores do que o primeiro ano do governo anterior. Em 2011, somente 6.072 fam&iacute;lias foram assentadas pelo Instituto Nacional de Coloniza&ccedil;&atilde;o e Reforma Agr&aacute;ria (Incra). O n&uacute;mero &eacute; p&iacute;fio e insignificante diante da quantidade de fam&iacute;lias acampadas que se encontram do outro lado das cercas do latif&uacute;ndio do agroneg&oacute;cio. <strong>De acordo com estimativas do pr&oacute;prio Incra, existem aproximadamente 180 mil fam&iacute;lias debaixo da lona preta em todo o pa&iacute;s.<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>De um lado, o n&uacute;mero insignificante de desapropria&ccedil;&otilde;es. Do outro, um imenso contingente de fam&iacute;lias sem terras. Esta realidade se choca com outra: a da grande disponibilidade de terras improdutivas e devolutas no pa&iacute;s. Os dados oficiais mostram que mais de dois ter&ccedil;os das propriedades de grande e m&eacute;dio porte n&atilde;o cumprem com sua fun&ccedil;&atilde;o social. Terras improdutivas, assim como as devolutas, deveriam ser destinadas imediatamente para fins de Reforma Agr&aacute;ria, no entanto j&aacute; possuem um destino definido: o agro-hidroneg&oacute;cio e os projetos de desenvolvimento.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Mesmo nas &aacute;reas de assentamentos, continuou faltando pol&iacute;tica de Estado. Neste cen&aacute;rio de total aus&ecirc;ncia de incentivo &agrave; agricultura camponesa, muitas fam&iacute;lias foram mantidas &agrave; merc&ecirc; do capital, de seus interesses e de seus instrumentos de controle e de explora&ccedil;&atilde;o. Nas regi&otilde;es de monocultivo da cana-de-a&ccedil;&uacute;car, por exemplo, as Usinas ocupam o v&aacute;cuo deixado pelo Estado e se apropriam do territ&oacute;rio campon&ecirc;s, oferecendo financiamento, infraestrutura e assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica &agrave;s fam&iacute;lias, tornando-as ref&eacute;ns da l&oacute;gica definida pelo modelo de produ&ccedil;&atilde;o do agroneg&oacute;cio.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Por outro lado, o Governo n&atilde;o mediu esfor&ccedil;os para garantir o avan&ccedil;o do agroneg&oacute;cio e do latif&uacute;ndio, principalmente sob &aacute;reas tradicionalmente ocupadas por camponeses e camponesas. Um dos exemplos mais marcantes aconteceu em maio, quando a presidenta Dilma assinou de uma &uacute;nica vez, o decreto de desapropria&ccedil;&atilde;o de quase 14 mil hectares na Chapada do Apod&iacute;\/RN, para implanta&ccedil;&atilde;o do Projeto de irriga&ccedil;&atilde;o que beneficiar&aacute; meia d&uacute;zia de empresas do agroneg&oacute;cio. Em consequ&ecirc;ncia, ser&atilde;o atingidos e prejudicados milhares de pequenos agricultores que desenvolvem experi&ecirc;ncias de conviv&ecirc;ncia com o semi&aacute;rido, reconhecidas internacionalmente.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&Eacute; espantoso que Lula, em seus &uacute;ltimos anos de governo, n&atilde;o tenha chegado a desapropriar 14 mil hectares para a Reforma Agr&aacute;ria no RN e que Dilma, muito provavelmente, n&atilde;o desaproprie 14 mil hectares para essa finalidade em todo o seu governo. Entretanto, logo no seu primeiro ano de mandato, ela j&aacute; desapropriou essa grande quantidade de terras para atender ao agroneg&oacute;cio. Al&eacute;m deste caso, vimos tamb&eacute;m a desapropria&ccedil;&atilde;o de cerca de 8 mil hectares na regi&atilde;o de Ass&uacute;, tamb&eacute;m no RN, para a Zona de Processamento de Exporta&ccedil;&atilde;o (ZPEs).<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Para os Povos ind&iacute;genas e quilombolas que travam no dia-a-dia um embate pelo direito a terra, enfrentando a chegada do agroneg&oacute;cio e dos projetos governamentais, n&atilde;o h&aacute; o que comemorar em 2011. Foram homologadas apenas tr&ecirc;s terras ind&iacute;genas, sendo duas no estado do Amazonas e uma no Par&aacute;. O Governo n&atilde;o se sensibilizou nem com a situa&ccedil;&atilde;o dos povos ind&iacute;genas de Mato Grosso do Sul, em especial os Kaiow&aacute; e Guarani, que vivem em conflito com fazendeiros e usineiros da regi&atilde;o. Nenhuma a&ccedil;&atilde;o foi feita para homologa&ccedil;&atilde;o das terras neste estado. No caso das popula&ccedil;&otilde;es descendentes de Zumbi dos Palmares, fora a desapropria&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio da comunidade de Brejo dos Crioulos, em Minas Gerais, poucos foram os resultados conseguidos frente &agrave;s reivindica&ccedil;&otilde;es e resist&ecirc;ncias das 3,5 mil comunidades quilombolas existentes no Brasil. De todas, apenas 6% tem a titula&ccedil;&atilde;o de suas terras.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Tamb&eacute;m em 2011 foi dada a concess&atilde;o, pelo Ibama, da licen&ccedil;a de instala&ccedil;&atilde;o para a Usina Hidrel&eacute;trica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), o que possibilitou o in&iacute;cio das constru&ccedil;&otilde;es na regi&atilde;o. Belo Monte &eacute; uma das principais obras do Programa de Acelera&ccedil;&atilde;o do Crescimento (PAC) e a primeira de in&uacute;meras usinas a ser instalada na regi&atilde;o Amaz&ocirc;nica para beneficiar as grandes mineradoras, devastar a floresta e acabar com a forma de viver dos &iacute;ndios. Com ela, expande-se sobre a floresta o modelo de explora&ccedil;&atilde;o e degrada&ccedil;&atilde;o planejado h&aacute; 50 anos pelo grande capital.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Na contram&atilde;o do que reivindicam as popula&ccedil;&otilde;es tradicionais e os sem terras, o Governo ainda anunciou uma redu&ccedil;&atilde;o do or&ccedil;amento da Reforma Agr&aacute;ria para 2012. De acordo com o projeto de lei or&ccedil;ament&aacute;ria previsto para o ano que se avizinha, as a&ccedil;&otilde;es de obten&ccedil;&atilde;o de terras ter&atilde;o uma dr&aacute;stica redu&ccedil;&atilde;o de 28% em rela&ccedil;&atilde;o a 2011 e de 31,2% em rela&ccedil;&atilde;o a 2010. Al&eacute;m disso, a assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica, j&aacute; inviabilizada pelo Governo nos anos anteriores, ainda sofrer&aacute; uma redu&ccedil;&atilde;o de 30% em rela&ccedil;&atilde;o a 2010. Para a implanta&ccedil;&atilde;o de infraestrutura, o or&ccedil;amento prev&ecirc; uma perda de 8% em rela&ccedil;&atilde;o a 2011. J&aacute; a &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o sofreu uma perda de quase R$ 55 milh&otilde;es em compara&ccedil;&atilde;o a 2009, correspondendo a uma redu&ccedil;&atilde;o de 63% de seu or&ccedil;amento.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>O Retrocesso continuou tamb&eacute;m na lei. O ano se encerra com mais uma vit&oacute;ria da Bancada Ruralista. A aprova&ccedil;&atilde;o do C&oacute;digo Florestal no Congresso Nacional ultrapassou as expectativas dos aliados da motoserra no Governo. Com retrocessos hist&oacute;ricos, o C&oacute;digo prev&ecirc;, entre outros exemplos gritantes, a anistia aos desmatadores anteriormente a julho de 2008, no que diz respeito ao dever de recupera&ccedil;&atilde;o ambiental. Posi&ccedil;&atilde;o esta, aqu&eacute;m do entendimento consolidado at&eacute; ent&atilde;o pelo conservador Poder Judici&aacute;rio brasileiro.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Como se n&atilde;o bastasse, a Lei complementar de n&ordm; 140, no que se refere &agrave; gest&atilde;o ambiental, foi sancionada pela presidenta Dilma no final do ano, sem alardes. Com a aprova&ccedil;&atilde;o da lei complementar, as compet&ecirc;ncias de gest&atilde;o ambiental ficam dilu&iacute;das nos Estados e nos Munic&iacute;pios, que s&atilde;o muito mais vulner&aacute;veis a press&otilde;es pol&iacute;ticas e empresariais.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>A nova amea&ccedil;a de retrocesso em curso &eacute; o lobby para um novo C&oacute;digo Mineral, que vem sendo redigido no Governo e no Congresso Nacional, sem o debate e sem a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade e das popula&ccedil;&otilde;es diretamente interessadas e que ser&atilde;o atingidas, em sua grande maioria comunidades tradicionais.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>&nbsp;<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>Enquanto isso, avan&ccedil;am os grandes projetos de forma truculenta<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Em 2011, obras impactantes como a Transposi&ccedil;&atilde;o do Rio S&atilde;o Francisco, a Transnordestina, projetos de minera&ccedil;&atilde;o, constru&ccedil;&otilde;es de BR&#39;s, a especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria, obras da Copa, Porto de Suape, a constru&ccedil;&atilde;o da Hidrel&eacute;trica de Belo Monte e do Rio Madeira, barragens, al&eacute;m de outros mega-projetos, foram um dos principais causadores de conflitos agr&aacute;rios no pa&iacute;s.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Para se ter uma ideia da gravidade desses efeitos sobre as popula&ccedil;&otilde;es tradicionais, no per&iacute;odo de janeiro a setembro de 2011, registramos um total de 17 assassinatos de trabalhadores no campo. Destes assassinatos, pelo menos 8 t&ecirc;m liga&ccedil;&otilde;es com a defesa do meio ambiente, 04 est&atilde;o relacionados com as comunidades origin&aacute;rias ou tradicionais.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Em Alagoas, ocorreu o avan&ccedil;o do projeto de planta&ccedil;&atilde;o de Eucalipto por parte do Grupo Suzano, especializado na fabrica&ccedil;&atilde;o de papel e celulose. O Grupo reivindica uma &aacute;rea de 30 mil hectares para viabilizar o investimento. O Governo do Estado j&aacute; sinalizou positivamente e j&aacute; tem mapeadas as terras que ser&atilde;o destinadas para a planta&ccedil;&atilde;o do monocultivo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Na Para&iacute;ba, outro fato emblem&aacute;tico foi o apoio incondicional do Governo para a implementa&ccedil;&atilde;o de uma F&aacute;brica de Cimentos da Empresa Elizabeth em uma &aacute;rea de assentamento no litoral sul do Estado. A &aacute;rea que ser&aacute; ocupada pela Empresa tamb&eacute;m &eacute; reivindicada pelo povo ind&iacute;gena Tabajara.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Em Pernambuco, a Transnordestina atingiu as comunidades camponesas por onde tem passado, desde o Sert&atilde;o, como o caso do munic&iacute;pio de Bet&acirc;nia at&eacute; a Zona da Mata, como as fam&iacute;lias de Fleixeiras, no munic&iacute;pio de Escada, que resistiram bravamente ao despejo que daria lugar aos trilhos da Ferrovia.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>Lutas e Resist&ecirc;ncia Camponesa em 2011<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Os camponeses e as camponesas continuam lutando pela Reforma Agr&aacute;ria e resistindo ao avan&ccedil;o do latif&uacute;ndio e do agroneg&oacute;cio. Mesmo diante de todas as dificuldades impostas pelo Estado e pelo agroneg&oacute;cio, estes camponeses teimam em reescrever a hist&oacute;ria. Das 789.542 fam&iacute;lias assentadas nos &uacute;ltimos dez anos, 87% permanecem resistindo e produzindo no campo, sem qualquer tipo de incentivo governamental para a agricultura camponesa.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Apesar da diminui&ccedil;&atilde;o das ocorr&ecirc;ncias das ocupa&ccedil;&otilde;es e acampamentos em 2011, aumentou o n&uacute;mero de fam&iacute;lias envolvidas nestes conflitos de luta pela terra. Este ano, de acordo com os dados parciais da CPT, foram 245.420 pessoas envolvidas no per&iacute;odo de janeiro a setembro de 2011, enquanto que no mesmo per&iacute;odo de 2010, foram 234.150 pessoas envolvidas.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Registramos em 2011 mais de 350 mobiliza&ccedil;&otilde;es no pa&iacute;s, protagonizadas pelos povos do campo. &Eacute; como se em cada um dos 365 dias do ano, camponeses e camponesas organizados se mobilizassem em defesa da Reforma Agr&aacute;ria, dos direitos dos povos do campo e pelos territ&oacute;rios dos povos origin&aacute;rios e de uso comum.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Algumas grandes mobiliza&ccedil;&otilde;es marcaram este ano que se encerra. Em agosto, cerca de 70 mil mulheres camponesas ocuparam as ruas de Bras&iacute;lia, reivindicando seus direitos, durante a Marcha das Margaridas.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Naquele mesmo m&ecirc;s, mais de 4 mil trabalhadores rurais sem terra ligados &agrave; Via Campesina montaram acampamento na capital federal, exigindo do Governo o compromisso com a Reforma Agr&aacute;ria. Por sua vez, &ldquo;Aperte a M&atilde;o de Quem te Alimenta&rdquo;, foi o nome da marcha realizada pelo MLST, de Goi&acirc;nia at&eacute; Bras&iacute;lia, e que explicitou a import&acirc;ncia da produ&ccedil;&atilde;o agroecol&oacute;gica e da cria&ccedil;&atilde;o de assentamentos para garantir alimentos saud&aacute;veis, sem utiliza&ccedil;&atilde;o de agrot&oacute;xicos.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Mais recentemente, cerca de 15 mil pessoas foram as ruas em Juazeiro e em Petrolina protestar contra a proposta do Governo de construir cisternas de PVC, que vai contra toda a metodologia de rela&ccedil;&atilde;o com o semi&aacute;rido, constru&iacute;da pelas popula&ccedil;&otilde;es ao longo dos anos.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Al&eacute;m dos trabalhadores e trabalhadoras rurais sem terra, os quilombolas e ind&iacute;genas tamb&eacute;m estiveram firmes em suas manifesta&ccedil;&otilde;es em 2011. Durante o m&ecirc;s de maio, os povos ind&iacute;genas realizaram uma de suas maiores mobiliza&ccedil;&otilde;es, o acampamento Terra Livre, realizado em Bras&iacute;lia e que reuniu centenas de ind&iacute;genas de mais de 230 povos de todo o pa&iacute;s para apresentar suas principais reivindica&ccedil;&otilde;es. J&aacute; no in&iacute;cio de novembro, mais de dois mil quilombolas estiveram reunidos em Bras&iacute;lia, quando ocuparam pela primeira vez o Pal&aacute;cio do Planalto durante a Marcha Nacional em Defesa dos Direitos dos Quilombolas.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>&nbsp;<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>2012: Marcharemos na Luta pela Reforma Agr&aacute;ria<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Apesar do Estado brasileiro e de seus governantes condenarem a Reforma Agr&aacute;ria &agrave; morte, ela segue a cada dia pulsando com mais intensidade nas veias dos camponeses e das camponesas, como se ouvissem os ecos do compromisso de Elizabete Teixeira, na ocasi&atilde;o do sepultamento do seu companheiro: &quot;Continuarei a tua luta&quot;. Este &eacute; o chamado que ecoa para aqueles e aquelas que acreditam e lutam em defesa da vida, da vida plena.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&ldquo;Eu vim para que todos tenham Vida e Vida em abund&acirc;ncia.&rdquo; (Jo&atilde;o 10:10)<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Comiss&atilde;o Pastoral da Terra &#8211; Nordeste II<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O in&iacute;cio de 2011 foi marcado pela perspectiva de que o governo da Presidenta Dilma pudesse percorrer o caminho para superar os desafios e impasses hist&oacute;ricos da Reforma Agr&aacute;ria no Brasil. 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