{"id":3387,"date":"2012-01-07T11:49:01","date_gmt":"2012-01-07T11:49:01","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2012\/01\/07\/4-de-janeiro-2012-dois-artigos-analisam-a-conjuntura-economica-e-politica-do-brasil\/"},"modified":"2017-10-02T21:45:16","modified_gmt":"2017-10-02T21:45:16","slug":"4-de-janeiro-2012-dois-artigos-analisam-a-conjuntura-economica-e-politica-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2012\/01\/07\/4-de-janeiro-2012-dois-artigos-analisam-a-conjuntura-economica-e-politica-do-brasil\/","title":{"rendered":"4 de janeiro 2012. Dois artigos analisam a conjuntura economica e politica do Brasil"},"content":{"rendered":"<p><!--[if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]-->  <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a href=\"http:\/\/www.correiocidadania.com.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=6686:pomar040112&amp;catid=14:wladimir-pomar&amp;Itemid=88\">Diante dos desafios, aproveitar as oportunidades<\/a> por Wladimir Pomar &nbsp;&nbsp; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><!--[if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]-->  <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;Perspectivas para a Economia em 2012<\/span> por Guilherme Costa Delgado &nbsp;&nbsp; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p><!--[if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]-->  <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Quarta, 04 de Janeiro de 2012 <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Em grande parte devido &agrave;s nuvens carregadas da situa&ccedil;&atilde;o internacional, as perspectivas para 2012 variam de moderadamente otimistas a moderadamente pessimistas. A suposi&ccedil;&atilde;o de que nos pa&iacute;ses centrais haver&aacute; um capitalismo mais regulamentado pelo Estado, com regras mais severas, sobretudo sobre o setor financeiro, talvez n&atilde;o passe de um sonho em noite de ver&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Al&eacute;m disso, a aus&ecirc;ncia de uni&atilde;o pol&iacute;tica, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, mostra justamente que tal regulamenta&ccedil;&atilde;o se choca contra os mecanismos de eleva&ccedil;&atilde;o da taxa m&eacute;dia de lucro das grandes corpora&ccedil;&otilde;es. E &eacute;, ainda, uma demonstra&ccedil;&atilde;o de quanto o poder dessas mega-empresas sobre o Estado de seus pa&iacute;ses e sobre a economia mundial &eacute; determinante.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Para piorar, nos pa&iacute;ses capitalistas desenvolvidos h&aacute; perseveran&ccedil;a na tentativa de descarregar os custos da crise sobre os sal&aacute;rios e o bem-estar das popula&ccedil;&otilde;es. O problema consiste em saber at&eacute; que ponto suas classes dominantes est&atilde;o dispostas a colocar a nu o formalismo de suas democracias, impedindo pela for&ccedil;a, como j&aacute; faz o governo norte-americano, o desencadeamento de movimentos sociais e a amplia&ccedil;&atilde;o das rea&ccedil;&otilde;es populares que emergiram durante 2011.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">No mesmo caminho de piora da situa&ccedil;&atilde;o, os falc&otilde;es da ind&uacute;stria b&eacute;lica pressionam para combinar as medidas de ajuste fiscal com planos de dissemina&ccedil;&atilde;o de guerras. O enorme or&ccedil;amento militar dos Estados Unidos, assim como os novos planos estrat&eacute;gicos desse pa&iacute;s e da OTAN, indicam que a op&ccedil;&atilde;o armada est&aacute; na mesa dos formuladores pol&iacute;ticos e militares dos pa&iacute;ses centrais. Eles sequer se d&atilde;o conta de que as guerras dos &uacute;ltimos anos talvez tenham mudado de natureza.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Antes, as guerras permitiam lucros exorbitantes aos fabricantes de armas e aos Estados que as promoviam. Os Estados Unidos, em particular, cujo territ&oacute;rio ficou livre das destrui&ccedil;&otilde;es das grandes guerras mundiais, transformaram-se em pot&ecirc;ncia riqu&iacute;ssima e hegem&ocirc;nica gra&ccedil;as a essa combina&ccedil;&atilde;o macabra. No entanto, em especial a partir das invas&otilde;es e guerras do Afeganist&atilde;o e do Iraque, pode-se notar uma mudan&ccedil;a importante nesse processo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&Eacute; l&oacute;gico que os fabricantes e comerciantes de armas continuaram tendo lucros astron&ocirc;micos. Mas os brutais d&eacute;ficits or&ccedil;ament&aacute;rios dos Estados Unidos indicam que essas guerras causaram enormes preju&iacute;zos ao Estado e &agrave; sociedade estadunidenses. Ser&aacute; pedir demais, por&eacute;m, que os belicistas tomem consci&ecirc;ncia dessa invers&atilde;o. Portanto, n&atilde;o se pode descartar que os Estados Unidos, cujo foco estrat&eacute;gico est&aacute; sendo deslocado para a &Aacute;sia, fomentem novas aventuras armadas e novos conflitos militares, tornando a situa&ccedil;&atilde;o internacional ainda mais turbulenta e perigosa, assim como aprofundando sua pr&oacute;pria crise e as demais crises nacionais e internacionais.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">No caso do Brasil, embora ele esteja em condi&ccedil;&otilde;es macroecon&ocirc;micas relativamente boas para enfrentar as ondas de choque dessas crises, sua pauta econ&ocirc;mica, social e pol&iacute;tica se tornou muito mais complexa.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">A quest&atilde;o chave dessa pauta talvez consista em elevar r&aacute;pida e firmemente as taxas de investimento para aumentar a capacidade industrial e t&eacute;cnico-cient&iacute;fica do pa&iacute;s. A rigor, o Brasil necessita alcan&ccedil;ar taxas de 25% a 30% do PIB para realizar um desenvolvimento sustent&aacute;vel. O que s&oacute; pode ser feito se contar com investimentos diretos estrangeiros.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Essa depend&ecirc;ncia de capitais externos para uma industrializa&ccedil;&atilde;o mais r&aacute;pida e sustent&aacute;vel coloca o pa&iacute;s, por outro lado, diante da necessidade de bloquear o fluxo de capitais de curto prazo, incentivar os investimentos externos diretos na produ&ccedil;&atilde;o, estabelecer uma pol&iacute;tica clara dos setores que devem merecer prioridade nos investimentos e trabalhar no sentido de que tais investimentos abram a possibilidade de estruturar empresas nacionais, privadas e estatais, nesses setores.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Em outras palavras, o Brasil pode se aproveitar da crise internacional para for&ccedil;ar os capitais estrangeiros a investirem fundamentalmente nos setores produtivos e para refor&ccedil;ar a presen&ccedil;a de empresas nacionais, em particular nos ramos hoje oligopolizados pelas multinacionais. H&aacute; in&uacute;meros mecanismos pol&iacute;ticos, econ&ocirc;micos e administrativos que podem induzir os capitais externos a realizarem associa&ccedil;&otilde;es com empresas nacionais, de tal forma que estas ganhem autonomia ap&oacute;s algum tempo e constituam um setor industrial nacional.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Essa &eacute; a maneira mais segura de refor&ccedil;ar o mercado interno, seja pelo consumo, ampliando consideravelmente o n&uacute;mero de trabalhadores industriais e comerciais, seja pela produ&ccedil;&atilde;o, refor&ccedil;ando a presen&ccedil;a de capitais brasileiros para ampliar o produto nacional bruto e garantir a perman&ecirc;ncia de parte do produto interno bruto no pa&iacute;s. O que aumenta a capacidade competitiva da verdadeira ind&uacute;stria nacional, aumenta a soberania do pa&iacute;s, reduz o poder interno dos monop&oacute;lios e oligop&oacute;lios e cria um ambiente prop&iacute;cio para a redu&ccedil;&atilde;o de custos e pre&ccedil;os.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Este tamb&eacute;m parece ser o momento hist&oacute;rico mais favor&aacute;vel para resolver a contradi&ccedil;&atilde;o entre uma enorme &aacute;rea territorial aproveit&aacute;vel para a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola e a exist&ecirc;ncia de alguns milh&otilde;es de camponeses sem terra. A popula&ccedil;&atilde;o brasileira j&aacute; deu conta de que a reduzida produ&ccedil;&atilde;o de alimentos destinada ao mercado interno, hoje quase totalmente nas costas das unidades agr&iacute;colas familiares, &eacute; um dos principais fatores de press&atilde;o inflacion&aacute;ria.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Portanto, h&aacute; justificativas de sobra, sociais, econ&ocirc;micas, financeiras e pol&iacute;ticas, para assentar rapidamente os dois a tr&ecirc;s milh&otilde;es de camponeses sem terra e incorpor&aacute;-los &agrave; produ&ccedil;&atilde;o alimentar, ampliando a seguridade alimentar e reduzindo as press&otilde;es inflacion&aacute;rias, estas devidas &agrave; oferta insuficiente de cereais, verduras e legumes.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Por outro lado, &eacute; poss&iacute;vel continuar aproveitando as vantagens competitivas do agroneg&oacute;cio e sua capacidade de exporta&ccedil;&atilde;o para utilizar os saldos comerciais na importa&ccedil;&atilde;o de bens de capital de novas e altas tecnologias, de modo a adensar as cadeias industriais e utilizar as ci&ecirc;ncias e tecnologias como novas for&ccedil;as produtivas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Paralelamente, o quadro complexo da situa&ccedil;&atilde;o internacional, no qual a maioria dos pa&iacute;ses do mundo tende a desvalorizar suas moedas, atrav&eacute;s tanto de medidas econ&ocirc;micas quanto administrativas, pode contribuir para o governo brasileiro abandonar a ortodoxia neoliberal do c&acirc;mbio subordinado &agrave;s intemp&eacute;ries do d&oacute;lar e dos juros elevados e adotar uma pol&iacute;tica de utiliza&ccedil;&atilde;o desses mecanismos macroecon&ocirc;micos como instrumentos de pol&iacute;tica industrial e tecnol&oacute;gica.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&Eacute; prov&aacute;vel, tamb&eacute;m que, no campo pol&iacute;tico, o ano de 2012 assista a um esfor&ccedil;o mais consistente da direita para se reorganizar e tomar a iniciativa contra o governo, em especial se der certo sua estrat&eacute;gia de paralisar o governo Dilma atrav&eacute;s da a&ccedil;&atilde;o continuada e seq&uuml;encial da grande imprensa em torno de casos reais e fict&iacute;cios de corrup&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Diante disso, de duas uma. Ou a esquerda no governo estabelece um programa mais claro de luta, que unifique de modo mais consistente seus diversos partidos e correntes, ou ela continua agindo de forma dispersa e sem foco, numa defensiva geralmente inexplic&aacute;vel, que poder&aacute; lev&aacute;-la a ser atropelada pela direita, tanto nas elei&ccedil;&otilde;es municipais de 2012, quanto nas elei&ccedil;&otilde;es gerais de 2014.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Quest&otilde;es chaves para essa maior unifica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o o crescimento das lutas dos trabalhadores e das camadas populares por melhores condi&ccedil;&otilde;es de renda e de vida, a ado&ccedil;&atilde;o de uma linha definida de combate, ideol&oacute;gica, pol&iacute;tica e administrativa, contra a corrup&ccedil;&atilde;o, os desmandos nos neg&oacute;cios p&uacute;blicos e a morosidade e leni&ecirc;ncia do judici&aacute;rio, e a favor do aumento da participa&ccedil;&atilde;o popular no Estado, da regulamenta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&atilde;o e da invers&atilde;o do sistema tribut&aacute;rio, de regressivo em progressivo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Finalmente, mas sem esgotar o assunto, o Brasil certamente ter&aacute; que continuar se empenhando em refor&ccedil;ar a a&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses emergentes, seja atrav&eacute;s da integra&ccedil;&atilde;o sul-americana e de uma atividade coordenada no grupo dos 20, seja atrav&eacute;s da luta pela regulamenta&ccedil;&atilde;o dos mercados financeiros, pela conten&ccedil;&atilde;o do poder do setor financeiro e pelo aumento da participa&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses em desenvolvimento no Fundo Monet&aacute;rio Internacional e no Banco Mundial.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Para garantir a proje&ccedil;&atilde;o conquistada no plano internacional, o Brasil precisar&aacute; manter com firmeza sua pol&iacute;tica de n&atilde;o inger&ecirc;ncia nos assuntos internos dos demais pa&iacute;ses, de solu&ccedil;&atilde;o das diverg&ecirc;ncias e conflitos atrav&eacute;s de negocia&ccedil;&otilde;es, de se opor a qualquer ato agressivo e de concentrar esfor&ccedil;os na manuten&ccedil;&atilde;o da paz regional e mundial.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Vista em perspectiva, a crise mundial do capitalismo desenvolvido imp&ocirc;s ao Brasil acelerar todos os projetos mais ou menos delineados desde a ascens&atilde;o do PT e de Lula ao governo em 2002. Gra&ccedil;as a ela, as for&ccedil;as democr&aacute;ticas e populares voltaram a discutir as quest&otilde;es estrat&eacute;gicas do desenvolvimento nacional e da luta de classes.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Portanto, se ela traz em seu bojo amea&ccedil;as e desafios imponder&aacute;veis, tamb&eacute;m trouxe oportunidades que n&atilde;o se podem desprezar.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Wladimir Pomar &eacute; escritor e analista pol&iacute;tico. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>&nbsp;Perspectivas para a Economia em 2012<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>por Guilherme Costa Delgado &nbsp;&nbsp; <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Quarta, 04 de Janeiro de 2012 <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Abordagens das tend&ecirc;ncias da produ&ccedil;&atilde;o, do emprego, da infla&ccedil;&atilde;o, do com&eacute;rcio exterior etc. costumam encabe&ccedil;ar os artigos prospectivos da m&iacute;dia especializada. Farei esta an&aacute;lise de outra perspectiva, qual seja, a das prov&aacute;veis causas do desempenho esperado para 2012, que, &agrave; primeira vista, parece um ano at&iacute;pico.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Analisando-se a economia brasileira para o futuro pr&oacute;ximo (2012), parece-nos relevante atentar para tr&ecirc;s vetores chave, no sentido de produ&ccedil;&atilde;o e reparti&ccedil;&atilde;o do excedente econ&ocirc;mico: 1) o contexto atual e esperado de inser&ccedil;&atilde;o externa e da produ&ccedil;&atilde;o de &ldquo;commodities&rdquo; da economia brasileira; 2) o n&iacute;vel e o perfil do investimento p&uacute;blico programado; 3) o papel da pol&iacute;tica social de Estado, simultaneamente como vetor de demanda efetiva e de melhoria distributiva.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Outra abordagem conjuntural, a exemplo da j&aacute; cl&aacute;ssica disputa entre o Banco Central (meta de infla&ccedil;&atilde;o de 4,5% e estimativa de crescimento do PIB de 3,5%) e o Minist&eacute;rio da Fazenda, cuja meta de crescimento fica torno de 5% ao ano, ter&aacute; que considerar necessariamente o arranjo de economia pol&iacute;tica (produ&ccedil;&atilde;o e reparti&ccedil;&atilde;o do excedente econ&ocirc;mico), que ora pretendo destacar para a conjuntura econ&ocirc;mica de 2012.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Situa&ccedil;&atilde;o externa<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">O ciclo de expans&atilde;o da economia mundial puxado pelos asi&aacute;ticos, que j&aacute; dura mais de uma d&eacute;cada, no qual o Brasil se inseriu explicitamente como provedor de &ldquo;commodities&rdquo; somente depois da grave crise cambial de 1999, d&aacute; sinais de esgotamento. Conquanto se discutam ainda as origens e causas dos fatores provocativos da situa&ccedil;&atilde;o de crise global (zona do Euro, a economia norte-americana ou a pr&oacute;pria economia chinesa), o certo &eacute; que, para o ano que vem, n&atilde;o se deve esperar o mesmo desempenho exportador em &ldquo;commodities&rdquo;. Este desempenho, que o pa&iacute;s teve na &uacute;ltima d&eacute;cada e tamb&eacute;m em 2011, tem sido, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, a fonte de solv&ecirc;ncia financeira externa (ingresso de capitais).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Por sua vez, retraindo-se a expans&atilde;o externa dos prim&aacute;rios, pelas mesmas raz&otilde;es causais tamb&eacute;m se retrair&aacute; o ingresso de capitais externos. E como a situa&ccedil;&atilde;o da &ldquo;Conta Corrente com o Exterior&rdquo; pioraria nessas circunst&acirc;ncias, a solv&ecirc;ncia do seu d&eacute;ficit, persistente desde 2008, possivelmente se daria com a utiliza&ccedil;&atilde;o de reservas cambiais.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Em s&iacute;ntese, do ponto de vista externo, o saldo comercial e o investimento externo provavelmente n&atilde;o ir&atilde;o acudir a j&aacute; hist&oacute;rica situa&ccedil;&atilde;o deficit&aacute;ria da &ldquo;Conta de Servi&ccedil;os&rdquo;, que em grande medida reflete a remunera&ccedil;&atilde;o corrente do capital estrangeiro na economia brasileira. E tampouco se pode descartar a hip&oacute;tese de sa&iacute;das l&iacute;quidas de capital em situa&ccedil;&otilde;es de crise externa.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Investimento p&uacute;blico e financiamento da Pol&iacute;tica Social<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Os compromissos em curso com a agenda do PAC-2012, concentrados num determinado perfil de infra-estrutura (energia el&eacute;trica, petr&oacute;leo, obras urbanas de infra-estrutura para a Copa do Mundo), refletir&atilde;o a maior parcela do investimento p&uacute;blico, &agrave; qual possivelmente se adicionar&atilde;o demandas de reequipamento do setor militar, sucessivamente adiado nos &uacute;ltimos 20 anos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Como todos esses setores apresentam defasagens acumuladas, o perfil do investimento p&uacute;blico, que depende de financiamentos do Or&ccedil;amento da Uni&atilde;o (a menor parte), ou aquele financiado pelo Or&ccedil;amento das empresas estatais e das parcerias p&uacute;blico-privadas, sofrer&aacute; o &ocirc;nus da desacelera&ccedil;&atilde;o externa, pelo efeito do encurtamento do investimento direto estrangeiro.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">A pol&iacute;tica social de Estado (Previd&ecirc;ncia, Sa&uacute;de, Assist&ecirc;ncia e Educa&ccedil;&atilde;o principalmente) &eacute; um terceiro componente ultra-relevante da pol&iacute;tica macroecon&ocirc;mica no contexto de crise da demanda efetiva (retra&ccedil;&atilde;o das exporta&ccedil;&otilde;es, do investimento externo e do investimento p&uacute;blico), porque permite proteger ramos importantes da produ&ccedil;&atilde;o de bens-sal&aacute;rio na economia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Concentrada como est&aacute; nos benef&iacute;cios monet&aacute;rios vinculados ao sal&aacute;rio m&iacute;nimo, ou nas remunera&ccedil;&otilde;es de um a tr&ecirc;s sal&aacute;rios m&iacute;nimos (Regime Geral de Previd&ecirc;ncia Social), o fluxo de pagamentos de benef&iacute;cios da seguridade social desempenha simultaneamente fun&ccedil;&otilde;es de demanda efetiva e de melhoria no perfil distributivo da renda.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Infelizmente, tanto os investimentos em infra-estrutura quanto as chamadas despesas de custeio corrente da pol&iacute;tica social correm riscos de redu&ccedil;&atilde;o, posterga&ccedil;&atilde;o, adiamento etc., se prevalecerem os receitu&aacute;rios ortodoxos de conten&ccedil;&atilde;o dos gastos p&uacute;blicos. Mas felizmente n&atilde;o parece ser esta a orienta&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Fazenda, que, ao que tudo indica, usaria em 2012 a mesma pol&iacute;tica fiscal utilizada em final de 2008 e no ano de 2009 para defender-se da contamina&ccedil;&atilde;o da crise externa.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Por outro lado, se a crise externa se caracterizar como estrutural, profunda e duradoura, o receitu&aacute;rio de curto prazo de prote&ccedil;&atilde;o da demanda efetiva revelar-se-&aacute; insuficiente. Isso porque uma crise estrutural do sistema capitalista global provoca mudan&ccedil;as estruturais na produ&ccedil;&atilde;o e na demanda mundiais, nova divis&atilde;o nas especializa&ccedil;&otilde;es regionais e uma grave tend&ecirc;ncia dos mercados &agrave; depress&atilde;o econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Precisamos estar atentos para esta hip&oacute;tese, n&atilde;o por apego ao catastrofismo, mas antes pelo contr&aacute;rio. Um plano B para enfrentar a crise externa, que n&atilde;o se restrinja a pol&iacute;ticas macroecon&ocirc;micas de curto prazo, precisaria desde logo ser objeto de conjecturas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Mudan&ccedil;as de inser&ccedil;&atilde;o externa, de perfil do investimento em bens p&uacute;blicos e do conjunto da pol&iacute;tica social certamente ocorrer&atilde;o de forma n&atilde;o planejada nos pr&oacute;ximos anos. Deixadas ao acaso, essas mudan&ccedil;as correm o risco da regress&atilde;o e do retrocesso. Em tais circunst&acirc;ncias, &eacute; oportuno discutir os novos rumos da inser&ccedil;&atilde;o externa, do atendimento a necessidades b&aacute;sicas da popula&ccedil;&atilde;o e da constru&ccedil;&atilde;o de infra-estrutura de bens p&uacute;blicos, de sorte a ensaiar um padr&atilde;o de desenvolvimento humano que somente nas crises sist&ecirc;micas se pode cogitar seriamente.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Guilherme Costa Delgado &eacute; doutor em Economia pela UNICAMP e consultor da Comiss&atilde;o Brasileira de Justi&ccedil;a e Paz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante dos desafios, aproveitar as oportunidades por Wladimir Pomar &nbsp;&nbsp; &nbsp;Perspectivas para a Economia em 2012 por Guilherme Costa Delgado &nbsp;&nbsp; &nbsp; Quarta, 04 de Janeiro de 2012 Em grande parte devido &agrave;s nuvens carregadas da situa&ccedil;&atilde;o internacional, as perspectivas para 2012 variam de moderadamente otimistas a moderadamente pessimistas. 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