{"id":3385,"date":"2012-01-07T11:43:36","date_gmt":"2012-01-07T11:43:36","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2012\/01\/07\/entrevista-com-elemar-cezimbra-mst-pr-analisando-a-conjuntura-agraria-e-os-desafios-do-mst\/"},"modified":"2017-10-02T21:45:16","modified_gmt":"2017-10-02T21:45:16","slug":"entrevista-com-elemar-cezimbra-mst-pr-analisando-a-conjuntura-agraria-e-os-desafios-do-mst","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2012\/01\/07\/entrevista-com-elemar-cezimbra-mst-pr-analisando-a-conjuntura-agraria-e-os-desafios-do-mst\/","title":{"rendered":"entrevista com Elemar Cezimbra- MST-PR  analisando a conjuntura agraria e os desafios do MST"},"content":{"rendered":"<p><!--[if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]-->  <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&quot;Precisamos dar um salto de qualidade na luta pela reforma agr&aacute;ria&quot;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Por Luiz Felipe Albuquerque<br \/> Da P&aacute;gina do MST<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">A agricultura passou por uma grande transforma&ccedil;&atilde;o no Brasil nos &uacute;ltimos 10 anos, com o avan&ccedil;o do modelo do agroneg&oacute;cio. Esse modelo est&aacute; baseado na produ&ccedil;&atilde;o de monoculturas em latif&uacute;ndios, em uma alian&ccedil;a dos fazendeiros capitalistas com empresas transnacionais e capital financeiro, promove uma mecaniza&ccedil;&atilde;o que expulsa as fam&iacute;lias do campo e utiliza de forma excessiva venenos, os agrot&oacute;xicos.<\/p>\n<p>  <!--[if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]-->  <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Essas mudan&ccedil;as operaram transforma&ccedil;&otilde;es na base material na agricultura, que imp&otilde;em novos desafios para os movimentos que lutam pela Reforma Agr&aacute;ria e pela agricultura familiar e camponesa. &ldquo;A din&acirc;mica da luta mudou muito e isso tamb&eacute;m nos obriga a rever todo o processo. A conjuntura da d&eacute;cada de 1980 era uma. Hoje &eacute; completamente diferente e muito mais complexa. O inimigo de classes &eacute; muito mais poderoso&rdquo;, avalia o integrante da Coordena&ccedil;&atilde;o Nacional do MST, Elemar do Nascimento Cezimbra.<\/p>\n<p>  <span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma\">  <\/span><br \/><!--[if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]-->  <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Nesta entrevista, Elemar avalia a Reforma Agr&aacute;ria sob o governo Dilma, os avan&ccedil;os necess&aacute;rios para o MST e as perspectivas para o pr&oacute;ximo per&iacute;odo. <\/span>Confira:<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<strong><span>Qual o balan&ccedil;o da Reforma Agr&aacute;ria?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<span>Em termos de desapropria&ccedil;&otilde;es de &aacute;reas, o balan&ccedil;o foi extremamente negativo. <\/span>Nenhuma &aacute;rea foi desapropriada no governo Dilma. As medidas para desenvolver os assentamentos tampouco avan&ccedil;aram. O programa para agroind&uacute;stria, a negocia&ccedil;&atilde;o das d&iacute;vidas e a assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica at&eacute; tiveram alguns avan&ccedil;os, mas, a pol&iacute;tica como um todo &eacute; extremamente negativa. O governo entrou na l&oacute;gica triunfalista do agroneg&oacute;cio. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<span>Insistem em manter a invisibilidade do campesinato por esse Brasil afora e todas as contradi&ccedil;&otilde;es criadas por esse modelo, sem levar em conta toda a complexidade, o desenvolvimento cultural, educacional e social do campo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<strong><span>O governo tinha margem para fazer mais?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<span>O governo podia muito ter outras pol&iacute;ticas. <\/span>N&atilde;o &eacute; s&oacute; porque h&aacute; uma correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as desfavor&aacute;vel que n&atilde;o poderia ter alguns avan&ccedil;os. Os avan&ccedil;os que reconhecemos que aconteceram nos &uacute;ltimos anos se devem &agrave; nossa luta. Mas, o agroneg&oacute;cio fez uma contra-ofensiva muito forte e o governo se rendeu muito r&aacute;pido. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<span>O governo atendeu prontamente todas as demandas do agroneg&oacute;cio, como o retrocesso na quest&atilde;o do C&oacute;digo Florestal e a libera&ccedil;&atilde;o dos transg&ecirc;nicos. <\/span>O governo comunga dessa vis&atilde;o de desenvolvimento, de m&atilde;o &uacute;nica, baseado no latif&uacute;ndio e no agroneg&oacute;cio. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<span>N&atilde;o tem uma vis&atilde;o do imenso n&uacute;mero de camponeses que podem ir parar nas favelas, caso n&atilde;o consigam ficar no campo. <\/span>Esse &eacute; o resultado desse modelo. <span>O contraponto da n&atilde;o realiza&ccedil;&atilde;o da Reforma Agr&aacute;ria &eacute; a militariza&ccedil;&atilde;o das periferias do Rio de Janeiro e a viol&ecirc;ncia desraigada. <\/span>O governo n&atilde;o olha esse outro aspecto. N&atilde;o ouve-se o que est&aacute; sendo dito por muitos intelectuais. &Eacute; um governo surdo.<br \/>&nbsp; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>E qual o porqu&ecirc; dessa posi&ccedil;&atilde;o do governo?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>&nbsp;<\/span><\/strong>Primeiro, as alian&ccedil;as. Mas o pr&oacute;prio governo defendia que essas alian&ccedil;as, com setores centristas e do agroneg&oacute;cio, n&atilde;o impediria que fossem trabalhadas duas vis&otilde;es de agricultura, a familiar e o agroneg&oacute;cio. No entanto, o que se coloca da estrutura do Estado para o agroneg&oacute;cio, os grandes projetos e as transnacionais &eacute; imensuravelmente maior do que se destina &agrave; pequena agricultura, que &eacute; amplamente majorit&aacute;ria. S&atilde;o quase 5 milh&otilde;es de fam&iacute;lias de pequenos e m&eacute;dios agricultores, al&eacute;m dos sem-terra, que n&atilde;o s&atilde;o beneficiados. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<span>Essa alian&ccedil;a parece estranha num primeiro momento, por vir de um setor que tem uma trajet&oacute;ria de esquerda popular. <\/span>Mas &eacute; por isso que nos governos Lula e Dilma o agroneg&oacute;cio teve avan&ccedil;os como nunca na hist&oacute;ria deste pa&iacute;s, pois houve uma jun&ccedil;&atilde;o. Quando era oposi&ccedil;&atilde;o, essas for&ccedil;as barravam um monte de coisas. Agora n&atilde;o h&aacute; quem barre. Foi muito f&aacute;cil passar os transg&ecirc;nicos. Agora est&atilde;o levando de vento em poupa a quest&atilde;o do C&oacute;digo Florestal. Aumentou o n&uacute;mero de cr&eacute;dito para o agroneg&oacute;cio, que est&aacute; ganhando uma s&eacute;rie de outras benesses. &Eacute; um governo que tamb&eacute;m se entusiasmou com essa l&oacute;gica de que o Brasil tem uma voca&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola por natureza.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>Desde o in&iacute;cio, o governo Dilma nunca deu sinais de que investiria na cria&ccedil;&atilde;o de novos assentamentos, mas que daria prioridade ao fortalecimento dos j&aacute; existentes. <\/span>Como avalia essa posi&ccedil;&atilde;o? <\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<span>Cumpriram &agrave; risca a ideia de n&atilde;o investir na cria&ccedil;&atilde;o de novos assentamentos. <\/span>Tanto que n&atilde;o desapropriaram nenhuma &aacute;rea. Havia, inclusive, mais de 100 processos de desapropria&ccedil;&otilde;es que j&aacute; estavam prontos e na mesa da presidenta Dilma, mas ela mandou voltar. Isso &eacute; impactante para quem esperava algum avan&ccedil;o de um governo com car&aacute;ter mais popular. Toda a estrutura do Estado, quando se trata de interesses populares, &eacute; emperrada. O governo n&atilde;o faz muito para agilizar e acelerar. As pol&iacute;ticas para melhorar os assentamentos foi muito t&iacute;mida. Avan&ccedil;ou muito pouco. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<span>As nossas lutas conseguiram acrescentar alguns pontos, colocando alguns recursos para uma coisa ou outra, mas, at&eacute; agora n&atilde;o se tornaram realidade &#8211; pelo menos na rapidez que se esperava e que era poss&iacute;vel. <\/span>Se compararmos o or&ccedil;amento dos governos anteriores com o governo atual em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Reforma Agr&aacute;ria, vemos uma grande diminui&ccedil;&atilde;o. Ou seja, &eacute; um Estado que j&aacute; n&atilde;o ajuda muito sob um governo com pouca vontade de atender esses setores sociais.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<strong><span>Nesse quadro, qual balan&ccedil;o das atividades do Movimento?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;Nossa organiza&ccedil;&atilde;o j&aacute; tem quase 30 anos. <\/span>O Brasil passa por uma conjuntura de grandes transforma&ccedil;&otilde;es no campo. O capital financeiro globalizado chegou pesad&iacute;ssimo no Brasil nos &uacute;ltimos anos. Tudo isso causa muitas mudan&ccedil;as. O MST agora est&aacute; em uma fase de se reposicionar nesse cen&aacute;rio da luta de classes. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<span>Para isso, vamos nos reorganizar, recompor for&ccedil;as e nos reorientar em v&aacute;rios aspectos. <\/span>Esse &eacute; o grande debate que estamos preparando at&eacute; o nosso 6&ordm; Congresso Nacional. Estamos fazendo uma avalia&ccedil;&atilde;o, procurando entender essa conjuntura complexa com todas suas implica&ccedil;&otilde;es, dentro do quadro da esquerda no Brasil e do descenso da luta de massas. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<span>Tudo isso tamb&eacute;m afeta a nossa luta, porque &eacute; uma parte desse todo e sofre as influ&ecirc;ncias do que acontece na sociedade. <\/span>Precisamos avan&ccedil;ar enquanto refer&ecirc;ncia de organiza&ccedil;&atilde;o de luta. At&eacute; o Movimento ser criado, por exemplo, foram seis anos de articula&ccedil;&otilde;es. Inicia-se em 1979 e o 1&ordm; Congresso aconteceu s&oacute; em 85. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<span>Agora, quase 30 anos depois, precisamos avan&ccedil;ar para corresponder &agrave;s mudan&ccedil;as pelas quais o pa&iacute;s passou. <\/span>J&aacute; estamos h&aacute; quatro anos discutindo e vamos continuar esse debate por mais dois anos. Ao mesmo tempo, vamos continuar fazendo as lutas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<strong><span>Quais os desafios do Movimento no pr&oacute;ximo per&iacute;odo?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;Depois de 30 anos, o MST se territorializou nesse pa&iacute;s. <\/span>Estamos em 1200 munic&iacute;pios. Nossa primeira tarefa na luta &eacute; olhar para dentro, para os nossos assentamentos. Temos que nos reorganizar para apontar uma perspectiva de agricultura diferente, um novo projeto, nos nossos assentamentos. Queremos produzir alimentos, levando em conta o meio ambiente, ter outra rela&ccedil;&atilde;o com a sociedade, recriar comunidades rurais, trabalhar a perspectiva de que o campo tem um lugar, sim, na hist&oacute;ria do desenvolvimento desse pa&iacute;s e que n&atilde;o pode ser um vazio de gente. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<span>Al&eacute;m de organizar nossa casa, temos que olhar para o nosso entorno: dialogar com as comunidades vizinhas, com os munic&iacute;pios. <\/span>Aprofundar as articula&ccedil;&otilde;es com a classe trabalhadora, com outras organiza&ccedil;&otilde;es, aliados e com articula&ccedil;&otilde;es internacionais.<br \/> Isso nunca poder&aacute; ser abandonado. A partir daquilo que o Movimento j&aacute; conquistou, teremos que nos relan&ccedil;ar. Em 1985, n&atilde;o t&iacute;nhamos quase nada. Os assentamentos estavam come&ccedil;ando. Hoje, temos mais de 1 milh&atilde;o de pessoas na base. S&atilde;o mais de 500 mil fam&iacute;lias. H&aacute; toda uma refer&ecirc;ncia que se construiu. <span>E tudo isso se mant&eacute;m.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;<\/span><strong><span>&Eacute; hora de dar um salto de qualidade?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;Nessa din&acirc;mica de transforma&ccedil;&atilde;o, h&aacute; momentos em que se exige saltos de qualidade. O MST est&aacute; nesse momento. A din&acirc;mica da luta mudou muito e isso tamb&eacute;m nos obriga a rever todo o processo. A conjuntura da d&eacute;cada de 1980 era uma. Hoje &eacute; completamente diferente e muito mais complexa. O inimigo de classes &eacute; muito mais poderoso. Isso exige do MST um trabalho de base muito mais forte. E nisso temos que dialogar, ouvir, saber das demandas e nos organizar para respond&ecirc;-las, o que deriva de uma s&eacute;rie de outras mudan&ccedil;as.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;<\/span><strong><span>O que o Movimento precisa fazer para aprofundar esse processo?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>&nbsp;<\/span><\/strong><span>Em primeiro lugar, levar esse debate a toda nossa base. Precisamos avan&ccedil;ar no trabalho de base para ter maior solidez no pr&oacute;ximo per&iacute;odo. A milit&acirc;ncia vai ter que estudar, entender esse momento e aprofundar nesse debate. &Eacute; a primeira tarefa que j&aacute; est&aacute; sendo feita. Nossa base vai ter que entender esse novo per&iacute;odo e como &eacute; que temos que nos posicionar dentro desse contexto. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;Enquanto se faz o trabalho de base, vamos tamb&eacute;m nos reorganizar. Tamb&eacute;m temos de seguir, com mais qualidade, na forma&ccedil;&atilde;o de quadros. Qual &eacute; a cabe&ccedil;a e o estilo do militante que vamos precisar nesse novo per&iacute;odo? Se n&atilde;o tiver gente preparada n&atilde;o conseguiremos conduzir a luta. Os dirigentes que v&atilde;o conduzir t&ecirc;m que estar colados com a base e bem preparados para essa nova conjuntura. A luta pela terra continua. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Temos que trabalhar melhor com a nossa base a ideia de que a Reforma Agr&aacute;ria cl&aacute;ssica, baseada apenas na distribui&ccedil;&atilde;o de terras, est&aacute; ultrapassada. A perspectiva &eacute; retomar com mais for&ccedil;a o trabalho de ocupa&ccedil;&atilde;o de terras e latif&uacute;ndios.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;<\/span><strong><span>E o trabalho de base nos assentamentos?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;Temos que aprofundar a discuss&atilde;o sobre o tipo de assentamento que queremos, levando em conta a organiza&ccedil;&atilde;o, a agroecologia, assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica, a coopera&ccedil;&atilde;o e a agroind&uacute;stria. E estamos pressionando o governo para liberar mais investimentos. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;Temos uma vis&atilde;o de um campon&ecirc;s desenvolvido, avan&ccedil;ado, que busca uma coopera&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o &eacute; o fim em si mesma, mas o meio. Esse &eacute; outro desafio. Temos que desenvolver os assentamentos buscando uma finalidade social na luta de classes, na perspectiva de uma transforma&ccedil;&atilde;o mais profunda. Tudo isso s&atilde;o meios, mecanismos e instrumentos para essa perspectiva maior, a perspectiva da utopia. Quem perde a utopia est&aacute; perdido. Essas tarefas s&atilde;o grandes, mas temos que avan&ccedil;ar.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;<\/span><strong><span>Qual o papel de juventude nesse debate?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;Precisamos fazer uma discuss&atilde;o forte sobre o que n&oacute;s queremos com as nossas crian&ccedil;as e nossa juventude. Qual &eacute; o lugar deles e como fazer com que participem? &Eacute; um trabalho que vamos retomar com mais for&ccedil;a. O setor de g&ecirc;nero, as quest&otilde;es das mulheres, tamb&eacute;m &eacute; outro ponto. Temos que acelerar o processo de participa&ccedil;&atilde;o das mulheres na base, com mais efetividade, clareza e intencionalidade. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;Temos que tra&ccedil;ar metas, aprender a nos organizar com menos espontaneidade. Junto &agrave; utopia, temos que tra&ccedil;ar a estrat&eacute;gia e suas diretrizes. Tra&ccedil;ar a&ccedil;&otilde;es e avali&aacute;-las. Trabalhar planejadamente &eacute; algo muito dif&iacute;cil em uma organiza&ccedil;&atilde;o camponesa, mas temos que nos organizar. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;Essa qualidade n&atilde;o &eacute; s&oacute; pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica, &eacute; tamb&eacute;m t&eacute;cnica e administrativa. Organizar bem os recursos, viabilizar as finan&ccedil;as e qualificar a rela&ccedil;&atilde;o com o Estado. Temos que trabalhar seriamente o lado da autossustenta&ccedil;&atilde;o, com muito mais efetividade para podermos nos colocar com mais for&ccedil;a no pr&oacute;ximo per&iacute;odo.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Precisamos dar um salto de qualidade na luta pela reforma agr&aacute;ria&quot; &nbsp; Por Luiz Felipe Albuquerque Da P&aacute;gina do MST A agricultura passou por uma grande transforma&ccedil;&atilde;o no Brasil nos &uacute;ltimos 10 anos, com o avan&ccedil;o do modelo do agroneg&oacute;cio. 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