{"id":3381,"date":"2011-10-14T16:37:59","date_gmt":"2011-10-14T16:37:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2011\/10\/14\/trabalhador-rural-ex-escravo-agora-ocupa-e-luta-pela-terra-no-tocantins\/"},"modified":"2017-10-02T21:45:17","modified_gmt":"2017-10-02T21:45:17","slug":"trabalhador-rural-ex-escravo-agora-ocupa-e-luta-pela-terra-no-tocantins","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2011\/10\/14\/trabalhador-rural-ex-escravo-agora-ocupa-e-luta-pela-terra-no-tocantins\/","title":{"rendered":"Trabalhador rural ex-escravo, agora ocupa e luta pela terra no Tocantins."},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>&nbsp;Saiu da escravid&atilde;o, &#39;&#39;nasceu&#39;&#39; de novo, e hoje &#39;&#39;vive a vida&#39;&#39;<\/span><\/strong><span> <\/span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"file:\/\/\/C:\/DOCUME%7E1\/ucm\/CONFIG%7E1\/Temp\/msohtml1\/01\/clip_image001.gif\" alt=\"\" width=\"417\" height=\"1\" \/><span>&nbsp; <strong>Valdeni da Silva Medeiros <\/strong>j&aacute; foi escravizado diversas vezes.&nbsp; Depois de muito sofrimento, &quot;renasceu&quot; na luta pela terra, junto com outras fam&iacute;lias, no assentamento <strong>Santo Antonio do Bom Sossego<\/strong>, em Palmeirante (TO)<\/span><\/p>\n<p><!--[if !mso]> \n\n<style> v:* {behavior:url(#default#VML);} o:* {behavior:url(#default#VML);} w:* {behavior:url(#default#VML);} .shape {behavior:url(#default#VML);} <\/style>\n\n <![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; 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<strong>Valdeni<\/strong>, nasci em Colinas, norte do estado do Tocantins.&nbsp; S&oacute; tive m&atilde;e.&nbsp; N&atilde;o conheci meu pai.&nbsp; Tenho oito irm&atilde;os.&nbsp; Morei na terra de um padrasto durante um bom tempo, at&eacute; chegar uma idade de 18 a 20 anos.&nbsp; Ent&atilde;o, aconteceu que minha m&atilde;e teve que separar.&nbsp; A gente n&atilde;o tinha pra onde ir e teve que ir pra um bairro da cidade, construir barrac&atilde;o de palha e morar l&aacute;.&nbsp; N&atilde;o tinha estudo, ent&atilde;o comecei a trabalhar na juquira [&quot;limpeza&quot; de terreno para a forma&ccedil;&atilde;o de pastagem para a pecu&aacute;ria] pra poder manter a despesa da cidade, pois n&atilde;o tinha mais onde plantar.&nbsp; Os &quot;gatos&quot; [aliciadores de trabalhadores] vinham, contratavam a gente, abonavam, levavam pra trabalhar e a gente ia fazer ro&ccedil;ado ou servi&ccedil;o que fosse combinado.&nbsp; Fiquei impossibilitado de ter algum conhecimento, nem de direito, nem de autoridade.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;Rocei muita juquira, me desgastei, senti que n&atilde;o aguentava mais fazer o servi&ccedil;o adequado que os fazendeiros exigiam.&nbsp; Os patr&otilde;es eram muito dur&otilde;es.&nbsp; Se n&atilde;o aguentasse trabalhar da forma que eles exigiam, ent&atilde;o era dispensado e terminava ou trabalhando sujeito sem aguentar ou tinha que passar fome, necessidade.&nbsp; Eu fui trabalhar uma certa vez para um fazendeiro.&nbsp; Depois que eu tinha feito todo o servi&ccedil;o, me pagou menos da metade do prometido, ainda cobrando as passagens de ida e volta.&nbsp; E disse que n&atilde;o pagava mais porque eu j&aacute; tinha ganhado muito, e que n&atilde;o adiantaria eu ir procurar Justi&ccedil;a ou advogado porque advogado n&atilde;o ia advogar pra gente pobre.&nbsp; N&atilde;o tinha conhecimento dos meus direitos, recebi o pouco que ele quis pagar e fiquei quieto.&nbsp; Minha esposa teve uma perca [aborto], ent&atilde;o eu fui conversar com ele que queria um tempo pra cuidar dela.&nbsp; Ele virou pra mim e disse que vaca velha com aftosa n&atilde;o segurava cria.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Eu simplesmente ficava calado.&nbsp; Sentia um pouco de raiva, mas n&atilde;o poderia fazer nada.&nbsp; Tamb&eacute;m tinha medo de falar mais s&eacute;rio pra ele.&nbsp; Falava algumas vezes pra gente que pe&atilde;o era do jeito dele.&nbsp; Ent&atilde;o, devido n&atilde;o ter conhecimento, terminava me humilhando e ficando quieto.&nbsp; Assim n&atilde;o foi s&oacute; pra um, mas pra v&aacute;rios fazendeiros.&nbsp; Fui muito, muito escravizado na &eacute;poca.&nbsp; Mas eu n&atilde;o sabia.&nbsp; Pra mim viver naquele tipo era a maneira que tinha que viver mesmo.&nbsp; N&atilde;o tinha no&ccedil;&atilde;o do trabalho escravo.&nbsp; Pra mim, era normal viver aquilo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Naquele tempo, eu bebia muito.&nbsp; Sempre que ia receber as presta&ccedil;&otilde;es de conta, eu ia b&ecirc;bado.&nbsp; Eu sempre devia, eu nunca tinha saldo.&nbsp; Devido eu ter sido criado naquele regimento dos pais &#8211; &oacute;, meu filho, a gente tem que ser homem, tem que pagar o que deve, n&atilde;o pode sujar o nome -, achava que a pinga pra mim poderia ser uma derrota, mas nem tanto como meu nome sujo.&nbsp; Minha preocupa&ccedil;&atilde;o era pagar as contas e partir de uma fazenda pra outra.&nbsp; Na &eacute;poca, pra mim era o normal.&nbsp; Eles est&atilde;o me devendo um bom dinheiro, n&atilde;o &eacute;?&nbsp; Se for juntar tudinho que eles tiraram de mim&#8230;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Eu estava com 32 anos, eu casei.&nbsp; Minha esposa teve tr&ecirc;s percas.&nbsp; Na &uacute;ltima, teve que operar.&nbsp; Foi na &eacute;poca que aconteceu esse fato com aquele fazendeiro, ele tratou ela como vaca.&nbsp; E, da&iacute; por diante ,eu decidi n&atilde;o trabalhar mais pra fazendeiro.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Comecei a procurar outra maneira de viver: fazer salgado, vender pipoca, depois vender picol&eacute;&#8230; Em final de 2007, ingressei numa constru&ccedil;&atilde;o civil l&aacute; em <strong>Colinas <\/strong>(TO), trabalhando de servente.&nbsp; O meu interesse era aprender a ser um pedreiro pra exercer uma profiss&atilde;o melhor.&nbsp; Trabalhei seis meses nessa constru&ccedil;&atilde;o, o patr&atilde;o n&atilde;o quis assinar minha carteira.&nbsp; Num certo dia, carregando umas vigas de cimento, me baqueei muito.&nbsp; Foi no s&aacute;bado, n&atilde;o aguentei de dor, n&atilde;o aguentei ir trabalhar.&nbsp; Feriu meu ombro.&nbsp; Eu fiquei debilitado.&nbsp; Fui na parte da tarde pra receber.&nbsp; O patr&atilde;o ficou bravo um pouco, expliquei pra ele porque num pude ir.&nbsp; Foi quando ele falou umas coisas, como se eu fosse um cabra mole: se eu n&atilde;o aguentava trabalhar, eu tinha que procurar outro rumo.&nbsp; E fez o pagamento pra mim.&nbsp; Eu recebi e dali eu voltei pra casa assim com uma mente j&aacute; virada pra procurar outro rumo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>A&iacute;, por &uacute;ltimo agora, em 2008, a gente descobriu o assentamento <strong>Santo Antonio do Bom Sossego<\/strong>, terra p&uacute;blica da Uni&atilde;o.&nbsp; Foi criado em 2003, teve a portaria do Incra, pra 19 fam&iacute;lias.&nbsp; O Incra fez uma negocia&ccedil;&atilde;o estranha tirando dez fam&iacute;lias para dividir esses lotes entre tr&ecirc;s dos grileiros.&nbsp; Os grileiros alegam que pagaram pra eles regularizando no nome deles.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Eu j&aacute; tinha sido informado desse assentamento pelos vizinhos, s&oacute; que era perigoso.&nbsp; Mas tinha oportunidade, lotes vagos.&nbsp; Falei pra minha esposa: olha, n&atilde;o vou trabalhar mais pra ningu&eacute;m daqui em diante.&nbsp; Vou observar essas posses, porque se a gente conseguir um ch&atilde;o pra gente trabalhar, eu n&atilde;o aguento mais trabalhar pros outros.&nbsp; Vou procurar uma maneira da gente viver por conta, mais livre, procurar viver aquela maneira que eu fui criado.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Eu fui com um vizinho, observamos o assentamento, agradei da terra, onde estou hoje.&nbsp; Eu reconheci que j&aacute; tinha sido um local onde trabalhei sendo v&iacute;tima do trabalho escravo.&nbsp; Cheguei a trabalhar l&aacute; pra esse fazendeiro, esse grileiro.&nbsp; Naquele mesmo local.&nbsp; Conheci pela cancela, conheci pela estrada velha, pelo local que a gente tinha trabalhado.&nbsp; Inclusive at&eacute; hoje aquele trabalho ele nunca pagou pra gente.&nbsp; Estou recebendo agora que vou receber a terra.&nbsp; L&aacute; foi ro&ccedil;o de juquira e bater veneno.&nbsp; Eu conheci e disse: j&aacute; tive nesse local aqui, mo&ccedil;o.&nbsp; J&aacute; trabalhei aqui!&nbsp; Essas posses s&atilde;o aqui?&nbsp; Ent&atilde;o, n&oacute;s vamos enfrentar de verdade!&nbsp; Se precisar correr uma hora, a gente corre.&nbsp; Se precisar enfrentar, n&oacute;s vamos ter que enfrentar.&nbsp; J&aacute; trabalhei l&aacute; mesmo, j&aacute; tem suor meu derramado, eu vou enfrentar isso.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Da&iacute; por diante come&ccedil;aram as amea&ccedil;as, eu continuei l&aacute; com os companheiros.&nbsp; De repente, eles perceberam que a gente tamb&eacute;m ia conversando, que a gente n&atilde;o queria abrir m&atilde;o, e fomos nos fortalecendo no local.&nbsp; E individualmente cada quem foi fazendo plantio: uma mandioca, milho, subsist&ecirc;ncia.&nbsp; A gente foi plantando ro&ccedil;a e isso foi crescendo com agress&otilde;es.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Dentro desse per&iacute;odo mais pra tr&aacute;s a gente teve conhecimento de acompanhamento da <strong>CPT [Comiss&atilde;o Pastoral da Terra<\/strong>], na pessoa do <strong>Silvano <\/strong>[Lima Rezende].&nbsp; Teve mais o conhecimento da luta pela terra.&nbsp; Ent&atilde;o, isso foi nos fortalecendo a lutar pelo nosso direito, porque a gente tinha certeza de que tinha esse direito.&nbsp; Era nosso direito lutar.&nbsp; Que n&atilde;o era errado lutar por aquilo porque era uma terra p&uacute;blica, considerada terra do governo e terra do governo &eacute; pra ser destinada pra reforma agr&aacute;ria, pra pessoas que n&atilde;o t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es, trabalhadores.&nbsp; A gente foi tomando conhecimento dos direitos da gente.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Quando foi agosto do ano passado, a gente foi surpreendido por esse grileiro.&nbsp; Chegou armado, espingarda nas costas, rev&oacute;lver na cintura, sozinho, montado a cavalo.&nbsp; Falei pra ele o seguinte: voc&ecirc; sabe que a gente est&aacute; esperando essa decis&atilde;o judicial, que o Incra ou a Justi&ccedil;a resolva o problema.&nbsp; Ele referiu pra mim que mesmo que o Incra desse direito pra n&oacute;s, eu n&atilde;o ia morar naquela parcela, porque a qualquer momento minha boca poderia amanhecer cheia de formiga.&nbsp; Tranquilo, eu s&oacute; nasci uma vez e com certeza eu vou morrer, mas tem uma coisa: desistir do meu direito que eu j&aacute; tenho conhecimento eu n&atilde;o vou desistir.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>A gente v&ecirc; porque eles s&atilde;o t&atilde;o justiceiros, querem ser acima de tudo, porque eles n&atilde;o s&atilde;o punidos pelos seus atos.&nbsp; Por isso que eles continuam dessa maneira.&nbsp; Porque as autoridades n&atilde;o t&ecirc;m tomado suas provid&ecirc;ncias para averiguar essas situa&ccedil;&otilde;es dando direito ao trabalhador, &agrave; trabalhadora, ou seja, ao cidad&atilde;o.&nbsp; A gente v&ecirc; que as autoridades s&atilde;o muito lentas e terminam dando oportunidade para que aconte&ccedil;am atos como muitos assassinatos de fam&iacute;lias de trabalhadores.&nbsp; Porque os ricos, os fazendeiros, os que dizem fazer justi&ccedil;a com as pr&oacute;prias m&atilde;os, n&atilde;o t&ecirc;m puni&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>A &aacute;rea hoje encontra-se num conflito feio.&nbsp; As fam&iacute;lias encontram-se amedrontadas porque tem v&aacute;rios pistoleiros dentro da &aacute;rea.&nbsp; S&atilde;o v&aacute;rios disparos de arma, v&aacute;rias queimas de barraco, v&aacute;rios preju&iacute;zos, v&aacute;rias persegui&ccedil;&otilde;es.&nbsp; As crian&ccedil;as todas sofrem terrores, s&atilde;o atemorizadas, porque constantemente s&atilde;o assustadas com disparo de armas.&nbsp; E eles andam bem armados.&nbsp; Ent&atilde;o, a gente fica l&aacute; protegido somente por deus.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>A gente vive l&aacute; sabendo que tem o direito de viver, mas correndo risco de vida.&nbsp; A gente tem muito medo, a gente teme pela vida da fam&iacute;lia.&nbsp; Algumas vezes, dependendo do acontecido, a gente pensa em desistir e voltar pra cidade, porque n&atilde;o tem aonde ir.&nbsp; A gente pensa duas vezes porque voltar pra cidade &eacute; voltar pra juquira, voltar pras m&atilde;os dos fazendeiros novamente.&nbsp; &Eacute; voltar pras m&atilde;os da escravid&atilde;o, do trabalho escravo.&nbsp; Ent&atilde;o a gente pensa em n&atilde;o desistir, a gente volta atr&aacute;s, porque l&aacute; &eacute; onde a gente consegue criar, plantar e colher e sobreviver.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>A luta pela terra pra mim hoje &eacute; um direito do trabalhador.&nbsp; Direito de dignidade, direito de viver, de trabalhar e tamb&eacute;m da liberta&ccedil;&atilde;o, ser liberto do trabalho escravo, viver uma vida digna, poder plantar, colher, sobreviver, sem precisar de estar sendo obrigado, sendo mandado, sendo gritado, trabalhando sem poder.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Hoje eu tenho meu paiol de arroz, tenho meu paiol de feij&atilde;o, tenho minha cria&ccedil;&atilde;o de galinha.&nbsp; Hoje, a gente j&aacute; vive 90% independente da cidade.&nbsp; Hoje, s&oacute; depende do a&ccedil;&uacute;car, do caf&eacute;, do &oacute;leo e outros temperos, outras coisas m&iacute;nimas.&nbsp; Mas, numa linguagem sertaneja, o grosso da ro&ccedil;a a gente j&aacute; tem no paiol.&nbsp; Isso sem nenhum apoio do governo, simplesmente com o esfor&ccedil;o da gente, esfor&ccedil;o que a gente mesmo trabalha.&nbsp; Mesmo com todas as amea&ccedil;as.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Apesar de ser v&iacute;tima de um alvo perigoso de morte, eu considero minha vida melhor porque eu trabalho &agrave; vontade.&nbsp; Conforme a minha necessidade, eu tenho pra comer &agrave; vontade, tenho com sobra, com fartura.&nbsp; O dia que n&atilde;o posso trabalhar porque estou sentindo uma dor de cabe&ccedil;a, hoje minha coluna est&aacute; zangada, eu posso ficar em casa.&nbsp; Tenho o que comer em casa, tenho o que beber em casa.&nbsp; N&atilde;o preciso me preocupar que tenho que pagar o armaz&eacute;m, o armaz&eacute;m n&atilde;o quer mais me vender, ou o arroz est&aacute; acabando tem que ir comprar.&nbsp; N&atilde;o me preocupo com esta parte.&nbsp; Ent&atilde;o eu tenho achado grande mudan&ccedil;a na minha vida.&nbsp; Apesar de todo conflito, tenho achado grande melhoria.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>O <strong>Valdeni <\/strong>realmente foi um personagem que antes era uma figura, ou seja, um desenho, e hoje se tornou realidade.&nbsp; Porque antes ele passava pela vida.&nbsp; Hoje, o <strong>Valdeni <\/strong>vive a vida.&nbsp; Hoje, tem um conhecimento mais amplo.&nbsp; Hoje, j&aacute; tem o conhecimento do que &eacute; viver a vida, que a vida n&atilde;o &eacute; s&oacute; passar por ela.&nbsp; A vida foi feita pra viver, com liberdade, com direitos.&nbsp; A vida foi feita pra viver ela disponivelmente, ter seu direito de viver tranquilo.&nbsp; A vida n&atilde;o foi feita pra viver escravizado.&nbsp; Porque, segundo as escrituras, a vida &eacute; uma d&aacute;diva de Deus.&nbsp; A vida foi dada por Deus e Deus deu a vida de gra&ccedil;a.&nbsp; Ent&atilde;o, se ela foi dada de gra&ccedil;a, &eacute; pra viver em liberdade.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Eu posso contar como um novo nascimento a partir primeiro da minha cura, da minha liberta&ccedil;&atilde;o: deus me libertou.&nbsp; Tive esse novo nascimento, acompanhado depois que tive conhecimento dos meus direitos.&nbsp; Eu fui conhecedor que tinha direito de viver tranquilo, meu direito de trabalhar pra viver, viver igualmente qualquer outro cidad&atilde;o.&nbsp; Eu tinha esse direito.&nbsp; A vida n&atilde;o era normal viver daquela maneira.&nbsp; <\/span>&Eacute; um pouco assim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;Saiu da escravid&atilde;o, &#39;&#39;nasceu&#39;&#39; de novo, e hoje &#39;&#39;vive a vida&#39;&#39; &nbsp; Valdeni da Silva Medeiros j&aacute; foi escravizado diversas vezes.&nbsp; Depois de muito sofrimento, &quot;renasceu&quot; na luta pela terra, junto com outras fam&iacute;lias, no assentamento Santo Antonio do Bom Sossego, em Palmeirante (TO) &nbsp;Valdeni da Silva Medeiros &eacute; 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