{"id":3377,"date":"2011-07-15T10:16:16","date_gmt":"2011-07-15T10:16:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2011\/07\/15\/a-concentrao-de-terras-no-brasil-entrevista-especial-com-gerson-luiz-mendes-teixeira\/"},"modified":"2017-10-02T21:45:19","modified_gmt":"2017-10-02T21:45:19","slug":"a-concentrao-de-terras-no-brasil-entrevista-especial-com-gerson-luiz-mendes-teixeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2011\/07\/15\/a-concentrao-de-terras-no-brasil-entrevista-especial-com-gerson-luiz-mendes-teixeira\/","title":{"rendered":"A concentra\u00e7\u00e3o de terras no Brasil. Entrevista especial com Gerson Luiz Mendes Teixeira"},"content":{"rendered":"<p><span>Segundo dados recentes do Incra, a regi&atilde;o sul do Brasil (e n&atilde;o a Amaz&ocirc;nia) foi a que apresentou o maior incremento no n&uacute;mero de grandes propriedades improdutivas. A informa&ccedil;&atilde;o &eacute; do engenheiro agr&ocirc;nomo <strong>Gerson Luiz Mendes Teixeira<\/strong>, que desenvolveu um estudo com o objetivo de realizar um cotejo entre os perfis das estruturas fundi&aacute;rias do Brasil de 2003 e de 2010, retratados nas respectivas atualiza&ccedil;&otilde;es das Estat&iacute;sticas Cadastrais do Incra. Os dados obtidos, segundo Gerson, &ldquo;demonstram a fal&aacute;cia dos argumentos dos ruralistas sobre a necessidade de mudan&ccedil;as no <\/span><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_entrevistas&amp;Itemid=29&amp;task=entrevista&amp;id=42756\"><strong><span>C&oacute;digo Florestal<\/span><\/strong><\/a><span>&nbsp;para&nbsp;libera&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas para a expans&atilde;o do agroneg&oacute;cio&rdquo;. E continua: &ldquo;uma vez atualizados os &iacute;ndices de produtividade, conforme determina a lei, teremos uma enorme amplia&ccedil;&atilde;o do estoque de im&oacute;veis pass&iacute;veis de desapropria&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, <strong>Gerson <\/strong>traz dados alarmantes sobre a quest&atilde;o da terra no pa&iacute;s, entre eles a informa&ccedil;&atilde;o de que &ldquo;contabilizamos, no Brasil, 69,2 mil grandes propriedades improdutivas, com &aacute;rea equivalente a 228,5 milh&otilde;es de hectares&rdquo;. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<span><br \/> Engenheiro agr&ocirc;nomo, <strong>Gerson Teixeira<\/strong> &eacute; ex-presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Reforma Agr&aacute;ria <strong><span style=\"font-family: Tahoma\">&ndash;<\/span><\/strong> ABRA e integrante do n&uacute;cleo agr&aacute;rio do Partido dos Trabalhadores.<\/span><\/p>\n<p><!--[if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]-->    <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 12pt\" class=\"MsoNormal\"><strong><\/strong><span><br \/><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 12pt\" class=\"MsoNormal\"><strong><span>IHU On-Line &ndash; O que de principal aconteceu na estrutura fundi&aacute;ria brasileira nessa d&eacute;cada a partir do seu estudo dos dados cadastrais 2010 do Incra?<\/p>\n<p> Gerson Luiz Mendes Teixeira &ndash;<\/span><\/strong><span> O estudo visou realizar um cotejo entre os perfis das estruturas fundi&aacute;rias do pa&iacute;s de 2003 e de 2010, retratados nas respectivas atualiza&ccedil;&otilde;es das Estat&iacute;sticas Cadastrais do Incra. Confiando nas apura&ccedil;&otilde;es dessa autarquia, cada vez mais qualificadas e livres de inconsist&ecirc;ncias, os dados apontam a possibilidade de ter ocorrido, nesse per&iacute;odo, um importante, ainda que localizado, processo de agravamento da concentra&ccedil;&atilde;o de terra, acompanhado do incremento dos n&iacute;veis de ociosidade da grande propriedade. Esse ind&iacute;cio de agravamento da concentra&ccedil;&atilde;o &eacute; percebido fundamentalmente (mas n&atilde;o exclusivamente) na Amaz&ocirc;nia Legal, regi&atilde;o de expans&atilde;o das fronteiras agropecu&aacute;ria, mineral e energ&eacute;tica. Contudo, o aumento de <strong>18,7%<\/strong> verificado no n&uacute;mero de grandes propriedades improdutivas &ndash; aquelas pass&iacute;veis de desapropria&ccedil;&atilde;o para reforma agr&aacute;ria <strong>&ndash;<\/strong> ocorreu em todo o pa&iacute;s. E mais: ao contr&aacute;rio do que se poderia supor, a regi&atilde;o sul do Brasil (e n&atilde;o a Amaz&ocirc;nia) foi a que apresentou o maior incremento no n&uacute;mero de grandes improdutivas, no per&iacute;odo, com <strong>32%.<\/strong> No Norte, foi de 30%.<\/p>\n<p> Esses dados demonstram a fal&aacute;cia dos argumentos dos ruralistas sobre a necessidade de mudan&ccedil;as no C&oacute;digo Florestal para&nbsp;libera&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas para a expans&atilde;o do agroneg&oacute;cio. E, tamb&eacute;m, que o instrumento de desapropria&ccedil;&atilde;o para fins de reforma agr&aacute;ria &eacute; aplic&aacute;vel em qualquer regi&atilde;o do pa&iacute;s, a despeito da enorme e injustific&aacute;vel defasagem dos par&acirc;metros que orientam os c&aacute;lculos dos graus de utiliza&ccedil;&atilde;o e de efici&ecirc;ncia dessas &aacute;reas. Uma vez atualizados os &iacute;ndices de produtividade, conforme determina a lei, teremos uma enorme amplia&ccedil;&atilde;o do estoque de im&oacute;veis pass&iacute;veis de desapropria&ccedil;&atilde;o. Para que se tenha ideia, tomando-se os dados de 2010, contabilizamos no Brasil, <strong>69,2 mil <\/strong>grandes propriedades improdutivas, com &aacute;rea equivalente a <strong>228,5 milh&otilde;es de hectares<\/strong>. De acordo com o Censo Agropecu&aacute;rio de 2006, h&aacute; 94 milh&otilde;es de hectares com matas e ou florestas naturais (incluindo-se 50,2 milh&otilde;es de terras destinadas &agrave;s &Aacute;reas de Prote&ccedil;&atilde;o Permanentes e Reservas Legais). Subtraindo-se toda a &aacute;rea com matas e florestas naturais (n&atilde;o apenas das grandes) da &aacute;rea total das grandes por&ccedil;&otilde;es improdutivas, conclui-se que haveria no Brasil uma &aacute;rea improdutiva, dentro das grandes propriedades improdutivas,&nbsp;pelo menos <strong>134 milh&otilde;es de hectares<\/strong>.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 12pt\" class=\"MsoNormal\"><strong><span>IHU On-Line &ndash; O senhor afirma que se agravou a concentra&ccedil;&atilde;o de terras&nbsp;no Norte do pa&iacute;s, particularmente na Amaz&ocirc;nia, mas nessa regi&atilde;o o hist&oacute;rico j&aacute; n&atilde;o &eacute; de grande concentra&ccedil;&atilde;o. Como, e a partir de que din&acirc;mica, isso se agravou ainda mais?<\/p>\n<p> Gerson Luiz Mendes Teixeira &ndash;<\/span><\/strong><span> Regra geral no Brasil como um todo, o hist&oacute;rico &eacute; de concentra&ccedil;&atilde;o. Na <strong>Amaz&ocirc;nia<\/strong>, o quadro &eacute; superlativo em fun&ccedil;&atilde;o da combina&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios fatores, tais como as dimens&otilde;es geogr&aacute;ficas; as particularidades hist&oacute;ricas dos padr&otilde;es de ocupa&ccedil;&atilde;o ditados at&eacute; por raz&otilde;es da geopol&iacute;tica dos governos militares do ciclo de 1964; a inexist&ecirc;ncia hist&oacute;rica de regula&ccedil;&atilde;o e controle p&uacute;blicos; e, no per&iacute;odo recente, as circunst&acirc;ncias internas e externas que balizam a expans&atilde;o da fronteira agropecu&aacute;ria naquela regi&atilde;o.<\/p>\n<p> De 2003 para 2010 houve uma verdadeira corrida pelo cadastro de terras na regi&atilde;o norte, no caso. A &aacute;rea total cadastrada saltou de 89 milh&otilde;es para 170 milh&otilde;es de hectares. Nesse processo, enquanto as &aacute;reas cadastradas das pequenas e m&eacute;dias propriedades cresceram, respectivamente, 16% e 33%, a &aacute;rea das grandes propriedades subiu 133%. Estas detinham 61% da &aacute;rea total dos im&oacute;veis da regi&atilde;o, em 2003, e passaram a controlar 75% em 2010. E, teoricamente, era para ter sido o contr&aacute;rio, pois o <strong>Programa Terra Legal <\/strong>seria um est&iacute;mulo ao cadastramento das &aacute;reas de posse, porque, em tese, s&oacute; alcan&ccedil;a as pequenas e m&eacute;dias. Por tr&aacute;s desse fen&ocirc;meno, destacaria fatores espec&iacute;ficos e gerais. Entre os particulares apontaria a fragilidade da presen&ccedil;a p&uacute;blica e dos controles sociais que facilitariam a apropria&ccedil;&atilde;o pelo grande capital de terras p&uacute;blicas e privadas, e a import&acirc;ncia estrat&eacute;gica da regi&atilde;o na esfera global.<\/p>\n<p> Ao mesmo tempo, alimenta esse processo o rebatimento, naquela regi&atilde;o, da &quot;op&ccedil;&atilde;o brasileira&quot;, refor&ccedil;ada nos anos recentes, pela transforma&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s em um grande protagonista no com&eacute;rcio internacional de commodities minerais e agr&iacute;colas, incluindo os agrocombust&iacute;veis. No caso agr&iacute;cola, integram as medidas nessa dire&ccedil;&atilde;o o expressivo refor&ccedil;o &agrave;s pol&iacute;ticas de est&iacute;mulos credit&iacute;cios, tribut&aacute;rios e fiscais para a agricultura produtivista; os incentivos para a atra&ccedil;&atilde;o de capital externo para segmentos nobres do agroneg&oacute;cio; e os est&iacute;mulos para a cria&ccedil;&atilde;o de empresas brasileiras de &ldquo;classe mundial&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Ao mesmo tempo e associadamente, o referido processo incita as repercuss&otilde;es fundi&aacute;rias da procura de terras no pa&iacute;s pelo capital externo, movida (I) pela aposta no mercado global do etanol; (II) para os investimentos das &quot;papeleiras&quot;; (III) pelo estado de vulnerabilidade da oferta alimentar por conta de sistem&aacute;ticas quebras de safra em todo o mundo, provavelmente j&aacute; refletindo os efeitos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas; e (IV) pelas apostas na atratividade dos instrumentos de mercado decorrentes dos acordos no &acirc;mbito da COP do Clima.<\/p>\n<p> Particularmente, penso que o capital externo tem tido participa&ccedil;&atilde;o not&aacute;vel nesse processo de reconcentra&ccedil;&atilde;o. Infelizmente, n&atilde;o temos dados concretos para sustentar essa impress&atilde;o, por culpa, principalmente da Advocacia Geral da Uni&atilde;o &ndash; AGU. Em 1994, a AGU emitiu parecer concluindo pela recep&ccedil;&atilde;o parcial, pela Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, da Lei n. 5.709\/71, que regula a aquisi&ccedil;&atilde;o de terras por estrangeiros. Desde ent&atilde;o, at&eacute; 2010, com a revis&atilde;o desse parecer, determinada pelo presidente Lula, o pa&iacute;s teve um apag&atilde;o no controle do processo de apropria&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio do pa&iacute;s por grupos estrangeiros. N&atilde;o temos ideia da dimens&atilde;o da estrangeiriza&ccedil;&atilde;o da terra no Brasil.<\/p>\n<p> <strong>IHU On-Line &ndash; O senhor diz que se assiste a uma corrida pela terra e pelos bens ambientais por parte do capital estrangeiro. Exatamente, que tipo de terra interessa a esse capital e quais s&atilde;o os bens ambientais que procuram? <br \/> <\/strong><br \/> Gerson Luiz Mendes Teixeira &ndash; Com a crise clim&aacute;tica e ambiental, biodiversidade, terra e &aacute;gua assumem significados cada vez mais estrat&eacute;gicos em escala global. O Brasil, em especial a Amaz&ocirc;nia, &eacute; abundante nesses recursos, cujos controles passam pelo controle da terra. O pr&oacute;prio Banco Mundial alertou os pa&iacute;ses da &Aacute;frica e Am&eacute;rica Latina sobre a tomada de terras em curso pelo capital internacional nessas regi&otilde;es, com forte presen&ccedil;a do capital financeiro. Mais ostensivamente, a China, por meio de estatais, tem adquirido milh&otilde;es de hectares de terra no Brasil (e em outros pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina e &Aacute;frica), ou efetivado contratos com produtores locais, para garantir a seguran&ccedil;a alimentar da sua popula&ccedil;&atilde;o. Fornecemos terra, &aacute;gua, e alimento, com subs&iacute;dios da Lei Kandir, para garantir a oferta de alimentos aos chineses. Nada contra dispormos das nossas riquezas naturais para contribuir com a seguran&ccedil;a alimentar mundial, desde que priorizando as rela&ccedil;&otilde;es com as na&ccedil;&otilde;es mais pobres e, sob condi&ccedil;&otilde;es internas de sustentabilidade, controle soberano do nosso territ&oacute;rio e sem alimentar a especula&ccedil;&atilde;o e a concentra&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria, entre outras anomalias.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>&nbsp;<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>IHU On-Line &ndash; O modelo econ&ocirc;mico determina tamb&eacute;m a din&acirc;mica da estrutura agr&aacute;ria no pa&iacute;s?<\/p>\n<p> <\/span><\/strong><span>Gerson Luiz Mendes Teixeira &ndash; &Eacute; o determinante de &uacute;ltima inst&acirc;ncia, principalmente quando o modelo est&aacute; direcionado para a sustenta&ccedil;&atilde;o de uma economia de base excessivamente prim&aacute;rio-exportadora.<strong><\/p>\n<p> IHU On-Line &ndash; Os ruralistas afirmam que o estoque de terras para fins de Reforma Agr&aacute;ria no Sul e no Sudeste se esgotou. Os dados das Estat&iacute;sticas Cadastrais do Incra de 2010 corroboram essa afirma&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p> <\/strong>Gerson Luiz Mendes Teixeira &ndash; Tentei demonstrar o equ&iacute;voco, ou manipula&ccedil;&atilde;o, dessa afirma&ccedil;&atilde;o. <br \/> A ideia de que a pequena propriedade est&aacute; perdendo for&ccedil;a e espa&ccedil;o na estrutura agr&aacute;ria brasileira n&atilde;o se confirma pela an&aacute;lise dos dados.<strong><\/p>\n<p> IHU On-Line &ndash; Quais s&atilde;o as principais conclus&otilde;es sobre os dados do minif&uacute;ndio e da pequena propriedade, tendo-se o quadro comparativo 2003\/2010?<\/p>\n<p> <\/strong>Gerson Luiz Mendes Teixeira &ndash; Especificamente pelos dados do Cadastro do Incra, tem-se que, em todo o Brasil, comparando 2003 com 2010, somente as grandes propriedades ampliaram a participa&ccedil;&atilde;o das suas &aacute;reas nas &aacute;reas totais dos im&oacute;veis rurais. Passaram de 51%, para 58%. A participa&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea das pequenas declinou de 18% para 15,6%; e das m&eacute;dias, de 21% para 20%. A participa&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea dos minif&uacute;ndios tamb&eacute;m diminuiu de 9,4% para 8,2%, mas o n&uacute;mero dessa categoria aumentou 21%. Na s&iacute;ntese, temos elementos para suspeitar que a quest&atilde;o agr&aacute;ria brasileira foi exacerbada. Os ind&iacute;cios de fragiliza&ccedil;&atilde;o da pequena propriedade nos levam a indagar a raz&atilde;o para tal. Avalio como de singularidade hist&oacute;rica, em termos internacionais, a obstina&ccedil;&atilde;o dos governos Lula para a inclus&atilde;o da agricultura familiar entre os objetivos das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Ap&oacute;s s&eacute;culos de exclus&atilde;o, foi preciso um trabalhador na presid&ecirc;ncia para dar um basta nessa segrega&ccedil;&atilde;o. Somas fabulosas de recursos passaram a ser destinadas pelo governo para o fortalecimento da agricultura familiar, em cr&eacute;dito &agrave; produ&ccedil;&atilde;o, sustenta&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os, mercados institucionais, etc. Todavia, entre as aspira&ccedil;&otilde;es do presidente e o seu objeto final, tivemos formuladores e operadores das pol&iacute;ticas com as cabe&ccedil;as voltadas para um processo de moderniza&ccedil;&atilde;o conservadora desse segmento, nos mesm&iacute;ssimos padr&otilde;es daquele que balizou a moderniza&ccedil;&atilde;o do latif&uacute;ndio, e em absoluto antagonismo com as especificidades de organiza&ccedil;&atilde;o e cultura da agricultura camponesa. N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que a taxa de inadimpl&ecirc;ncia dos miniprodutores na regi&atilde;o norte do Brasil exceda aos 90%.<strong><\/p>\n<p> IHU On-Line &ndash; &Eacute; correta a afirma&ccedil;&atilde;o de que o agroneg&oacute;cio cada vez mais se concentra principalmente na m&eacute;dia propriedade? As inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas t&ecirc;m sido decisivas para essa din&acirc;mica? Produzir mais depende cada vez menos da &aacute;rea agricult&aacute;vel?<\/p>\n<p> <\/strong>Gerson Luiz Mendes Teixeira &ndash; Para a confirma&ccedil;&atilde;o da previs&atilde;o contida no seu questionamento, ainda temos que demonstrar, de fato, a excel&ecirc;ncia produtiva do agroneg&oacute;cio. Os dados da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para Agricultura e Alimenta&ccedil;&atilde;o &ndash; FAO, referentes ao ano de 2009, n&atilde;o confirmam as prega&ccedil;&otilde;es acerca da excel&ecirc;ncia dos padr&otilde;es t&eacute;cnicos do agroneg&oacute;cio brasileiro. Na m&eacute;dia de todos os cereais, a produtividade no Brasil em 2009 foi de 3.526 Kg\/Ha, o que colocou o pa&iacute;s no 56&ordm; posto em termos globais. Na pecu&aacute;ria de corte, o nosso &iacute;ndice m&eacute;dio de produtividade, expresso em peso da carca&ccedil;a, de 220 Kg\/Animal, posiciona o pa&iacute;s na 48&ordf; coloca&ccedil;&atilde;o em todo o mundo.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo dados recentes do Incra, a regi&atilde;o sul do Brasil (e n&atilde;o a Amaz&ocirc;nia) foi a que apresentou o maior incremento no n&uacute;mero de grandes propriedades improdutivas. 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