{"id":3363,"date":"2011-03-21T15:34:56","date_gmt":"2011-03-21T15:34:56","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2011\/03\/21\/sobre-a-visita-de-obama-ao-brasil\/"},"modified":"2017-10-02T21:45:23","modified_gmt":"2017-10-02T21:45:23","slug":"sobre-a-visita-de-obama-ao-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2011\/03\/21\/sobre-a-visita-de-obama-ao-brasil\/","title":{"rendered":"Sobre a visita de Obama ao Brasil"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\">Wladimir Pomar <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Rio de janeiro,21\/03\/2001<\/p>\n<p> Mr. Obama aterrisou no Brasil cheio de simpatia. Afinal, boa parte da popula&ccedil;&atilde;o brasileira ainda n&atilde;o est&aacute; informada de que o eleitorado americano foi v&iacute;tima de um embuste, e a grande imprensa fez tudo a seu alcance para promover a simpatia do casal e o charme de Mrs. Michele.<\/p>\n<p><!--[if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]-->A grande m&iacute;dia n&atilde;o mediu esfor&ccedil;os para encobrir a grave crise econ&ocirc;mica e social que assola aquele grande pa&iacute;s, omitir a manuten&ccedil;&atilde;o da mesma pol&iacute;tica externa que levou os Estados Unidos ao atoleiro do Afeganist&atilde;o e do Iraque, e encobrir o apoio do governo norte-americano aos governos ditatoriais da &Aacute;frica do Norte e da Ar&aacute;bia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"> Em resumo, fez de tudo para dourar a p&iacute;lula do que deseja realmente Mr. Obama em sua viagem ao Brasil. E tem sido incapaz de mostrar sua afronta ao Brasil, tipo Bush filho, ao ordenar o bombardeamento da L&iacute;bia em seu primeiro dia de visita ao governo brasileiro.<\/p>\n<p> Apesar de falar em paz e coopera&ccedil;&atilde;o, Mr. Obama demonstrou que pratica guerra e imposi&ccedil;&atilde;o. Embora tenha dito ter apre&ccedil;o pela pretens&atilde;o brasileira de participar do Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU, n&atilde;o avan&ccedil;ou um til sequer na promessa vaga de continuar trabalhando com todos pela reforma daquele &oacute;rg&atilde;o multilateral. E n&atilde;o deu qualquer sinal de que afrouxar&aacute; as barreiras &agrave; entrada dos produtos brasileiros no mercado estadonidense.<\/p>\n<p> Em outras palavras, Mr. Obama esbanjou simpatia, tanto a pr&oacute;pria quanto a fabricada, mas n&atilde;o se mostrou disposto a pagar nem um cafezinho. Isso n&atilde;o acontece por acaso. J&aacute; antes da cat&aacute;strofe que assola o Jap&atilde;o, os Estados Unidos enfrentavam uma crescente dificuldade para colocar seus b&ocirc;nus do Tesouro, indispens&aacute;veis para financiar seus diferentes d&eacute;ficits e para salvar seus bancos da bancarrota.<\/p>\n<p> O Jap&atilde;o interrompera a aquisi&ccedil;&atilde;o daqueles t&iacute;tulos, a China procurava outras formas de aplicar seus excedentes financeiros, os pa&iacute;ses &aacute;rabes produtores de petr&oacute;leo se resguardavam diante dos levantes populares, e at&eacute; a Gr&atilde;-Bretanha, fiel aliada dos EUA, se via obrigada a direcionar seus recursos financeiros para pagar a d&iacute;vida p&uacute;blica. Diante desses movimentos, o FED j&aacute; se via constrangido a comprar mais de 70% das emiss&otilde;es dos b&ocirc;nus de seu pr&oacute;prio Tesouro.<\/p>\n<p> A tr&iacute;plice cat&aacute;strofe que se abateu sobre o povo japon&ecirc;s pressionar&aacute; o governo do Jap&atilde;o a despejar seus recursos financeiros na reconstru&ccedil;&atilde;o das regi&otilde;es destru&iacute;das, na ado&ccedil;&atilde;o de medidas radicais para substituir alimentos e outros bens contaminados pelas radia&ccedil;&otilde;es nucleares, e na reativa&ccedil;&atilde;o da economia japonesa. Nessas condi&ccedil;&otilde;es, o Jap&atilde;o pode se transformar de grande comprador de b&ocirc;nus do Tesouro americano em vendedor desses b&ocirc;nus no mercado internacional. Combinada aos demais fatores que j&aacute; afetavam o mercado desses t&iacute;tulos, a situa&ccedil;&atilde;o japonesa pode representar um golpe destruidor sobre o principal mecanismo utilizado pelos Estados Unidos para financiar a continuidade de sua economia.<\/p>\n<p> Nessas condi&ccedil;&otilde;es, ser&aacute; muito dif&iacute;cil ao governo de Mr. Obama tratar adequadamente seus d&eacute;bitos internos e internacionais, manter suas taxas de juros no atual patamar pr&oacute;ximo de zero, utilizar eficientemente a desvaloriza&ccedil;&atilde;o do d&oacute;lar como fator de eleva&ccedil;&atilde;o da competitividade de seus produtos e de reativa&ccedil;&atilde;o de sua economia, e resolver a favor dos Democratas a disputa fratricida que est&atilde;o mantendo com os radicais Republicanos. Na verdade, o We Can de Mr. Obama est&aacute; se tornando, cada vez mais, em We Cannot. Afinal, n&atilde;o &eacute; preciso ser um analista arguto para notar que nenhum de seus compromissos eleitorais foi cumprido.<\/p>\n<p> Para agravar o quadro geral da crise norte-americana, a decis&atilde;o do governo Obama de estimular seus aliados sauditas e de outros pa&iacute;ses &aacute;rabes a intervir no Bahrein e reprimir as manifesta&ccedil;&otilde;es populares dos povos &aacute;rabes por melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida, reformas democr&aacute;ticas e soberania nacional, j&aacute; representavam medidas perigosas que podiam tornar ainda mais ca&oacute;tica a situa&ccedil;&atilde;o das regi&otilde;es do Norte da &Aacute;frica e da Pen&iacute;nsula Ar&aacute;bica, tanto do ponto de vista pol&iacute;tico, quanto social e econ&ocirc;mica. O que, inevitavelmente, rebater&aacute; desfavoravelmente sobre a crise norte-americana.<\/p>\n<p> A decis&atilde;o, em conjunto com a Fran&ccedil;a, Inglaterra e It&aacute;lia, de intervir nos neg&oacute;cios internos da L&iacute;bia, com pretextos id&ecirc;nticos aos utilizados no Afeganist&atilde;o e no Iraque, pode agravar ainda mais, exponencialmente, todos os fatores de instabilidade e caos presentes no cen&aacute;rio mundial e no cen&aacute;rio interno americano, a come&ccedil;ar pelo potencial fator de eleva&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o do petr&oacute;leo, a principal fonte energ&eacute;tica da economia dos Estados Unidos.<\/p>\n<p> Mas podemos agregar a tudo isso outros fatores de crise. Os pre&ccedil;os das demais commodities minerais e agr&iacute;colas devem continuar se elevando. O Jap&atilde;o ter&aacute; grandes dificuldades para continuar abastecendo o mercado mundial de componentes eletr&ocirc;nicos vitais para o funcionando da economia global altamente informatizada. Haver&aacute; uma parada obrigat&oacute;ria, mesmo moment&acirc;nea, para a revis&atilde;o dos projetos de energia nuclear, agravando os problemas produtivos em pa&iacute;ses, como a Fran&ccedil;a, que possuem fortes cadeias industriais voltadas para esse setor.<\/p>\n<p> Talvez por isso, com a Fran&ccedil;a tendo uma forte ind&uacute;stria b&eacute;lica, o governo Sarkozi tenha se mostrado t&atilde;o belicista em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; L&iacute;bia. Sup&otilde;e, como os antigos imperialistas, que a guerra pode ser um instrumento de reativa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica. Nem se deu conta de que os custos astron&ocirc;micos dos atuais equipamentos b&eacute;licos v&atilde;o agravar ainda mais a crise financeira da zona do euro. E que os custos de reconstru&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas destru&iacute;das pesar&atilde;o consideravelmente, seja sobre os or&ccedil;amentos j&aacute; em crise, seja sobre a posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica desses falc&otilde;es.<\/p>\n<p> Por tudo isso, talvez possamos afirmar que os Estados Unidos, assim como seus aliados europeus, n&atilde;o est&atilde;o em condi&ccedil;&otilde;es de transformar simpatia em projetos positivos. Para comprovar isso, basta examinar a posi&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos diante da tr&iacute;plice trag&eacute;dia japonesa. Eles est&atilde;o sem qualquer condi&ccedil;&atilde;o de contribuir com qualquer ajuda financeira ou com a abertura de seus mercados. Depois, v&atilde;o reclamar da China que, segundo muitos analistas, &eacute; a &uacute;nica que se acha em condi&ccedil;&otilde;es de oferecer uma ajuda financeira real ao Jap&atilde;o e abrir seu mercado para a recupera&ccedil;&atilde;o das empresas e da economia japonesa.<\/p>\n<p> O mesmo em rela&ccedil;&atilde;o ao Brasil. Mr. Obama quer maior abertura para os produtos norte-americanos, sem reduzir em nada os entraves &agrave; entrada da carne, etanol, sucos, algod&atilde;o e outros produtos brasileiros no mercado norte-americano. Tamb&eacute;m n&atilde;o quer equilibrar a balan&ccedil;a comercial entre os dois pa&iacute;ses. Mas Mr. Obama ofereceu financiamentos de um bilh&atilde;o de d&oacute;lares, como se estivesse ofertando a maior fortuna do mundo.<\/p>\n<p> A presidenta Dilma poderia ter dito a ele que o Brasil est&aacute; financiando os Estados Unidos em cerca de 8 bilh&otilde;es de d&oacute;lares anuais, que &eacute; o saldo dos EUA no com&eacute;rcio com o Brasil. Tamb&eacute;m poderia ter dito que os chineses, apenas para a explora&ccedil;&atilde;o do pr&eacute;-sal, financiaram 10 bilh&otilde;es de d&oacute;lares. Talvez n&atilde;o o tenha feito, por educa&ccedil;&atilde;o. E tamb&eacute;m porque, afinal, mesmo n&atilde;o pagando nem o cafezinho, a simpatia &nbsp;do casal Obama &eacute; ineg&aacute;vel. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Wladimir Pomar Rio de janeiro,21\/03\/2001 Mr. Obama aterrisou no Brasil cheio de simpatia. Afinal, boa parte da popula&ccedil;&atilde;o brasileira ainda n&atilde;o est&aacute; informada de que o eleitorado americano foi v&iacute;tima de um embuste, e a grande imprensa fez tudo a seu alcance para promover a simpatia do casal e o charme de Mrs. Michele. 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