{"id":3359,"date":"2011-01-11T12:05:37","date_gmt":"2011-01-11T12:05:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2011\/01\/11\/entrevista-especial-com-ariovaldo-umbelino-uma-mentira-dizer-que-no-brasil-a-terra-produtiva\/"},"modified":"2017-10-03T13:29:22","modified_gmt":"2017-10-03T13:29:22","slug":"entrevista-especial-com-ariovaldo-umbelino-uma-mentira-dizer-que-no-brasil-a-terra-produtiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2011\/01\/11\/entrevista-especial-com-ariovaldo-umbelino-uma-mentira-dizer-que-no-brasil-a-terra-produtiva\/","title":{"rendered":"Entrevista especial com Ariovaldo Umbelino: \u00ab\u00c9 uma mentira dizer que no Brasil a terra \u00e9 produtiva\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><!--[if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]--><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma\">Uma agricultura que, historicamente, produziu &agrave;s custas de m&atilde;o de obra escrava. Essa &eacute; a agricultura brasileira, que hoje quer se chamar de <strong>agroneg&oacute;cio<\/strong>, sin&ocirc;nimo de modernidade e alta produ&ccedil;&atilde;o. Trata-se, na verdade, de uma agricultura capitalista, &ldquo;que agora aparece com essa cara de agroneg&oacute;cio&rdquo;, uma grande fal&aacute;cia, esclarece o ge&oacute;grafo <\/span><strong><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma\"><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=21484\"><span>Ariovaldo Umbelino<\/span><\/a><\/span><\/strong><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma\">, na entrevista que concedeu por telefone &agrave; <strong>IHU On-Line<\/strong>. Para piorar a situa&ccedil;&atilde;o, o Estado brasileiro n&atilde;o fiscaliza e n&atilde;o aplica as leis como deveria, o que gera um sentimento de impunidade e prote&ccedil;&atilde;o.<\/span><br \/><!--[if !mso]> \n\n<style> v:* {behavior:url(#default#VML);} o:* {behavior:url(#default#VML);} w:* {behavior:url(#default#VML);} .shape {behavior:url(#default#VML);} <\/style>\n\n <![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]-->  <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Analisando a rela&ccedil;&atilde;o entre a viol&ecirc;ncia, a concentra&ccedil;&atilde;o de terras e o agroneg&oacute;cio, <\/span><strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=21484\"><span>Umbelino<\/span><\/a><\/strong><span> explicou que <\/span><span>essa viol&ecirc;ncia &eacute; estrutural, uma vez que reside na origem da propriedade privada da terra no Brasil. Para se ter uma ideia, cerca de 60% dos im&oacute;veis rurais n&atilde;o possuem titula&ccedil;&atilde;o de fato. As pessoas cercam a terra, come&ccedil;am (ou n&atilde;o) a produzir e se dizem donas. Muitos propriet&aacute;rios fazem contratos de compra e venda n&atilde;o reconhecidos em cart&oacute;rios e, por vezes, est&atilde;o ocupando terras da uni&atilde;o, como foi o caso da <strong>Cutrale<\/strong>. Em primeiro lugar, a terra deve cumprir sua fun&ccedil;&atilde;o social, conforme&nbsp;estipula a Constitui&ccedil;&atilde;o brasileira. E isso acontece, menciona o ge&oacute;grafo, quando &ldquo;o cultivo respeita a legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista e ambiental e quando nela n&atilde;o se cultivam drogas psicotr&oacute;picas&rdquo;.<\/p>\n<p> Outro tema da conversa com <\/span><strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=21484\"><span>Umbelino<\/span><\/a><\/strong><span> foi a quest&atilde;o da produtividade das terras brasileiras. Segundo o pesquisador, &ldquo;&eacute; uma mentira continuar dizendo que a terra no Brasil &eacute; produtiva. Para come&ccedil;ar a desvelar essa mentira, &eacute; preciso lembrar que, se somarmos toda a &aacute;rea com plantio agr&iacute;cola, ela n&atilde;o chega a 70 milh&otilde;es de hectares. O Brasil tem 850 milh&otilde;es de hectares! O Incra sabe disso e n&atilde;o faz nada. A justi&ccedil;a sabe disso e n&atilde;o faz nada&rdquo;. Na <strong>Amaz&ocirc;nia<\/strong>, por exemplo, h&aacute; o caso de uma pessoa que &eacute; propriet&aacute;ria de 5 milh&otilde;es de hectares. &ldquo;Em pa&iacute;s nenhum do mundo existe esse &lsquo;livre arb&iacute;trio&rsquo; da terra&rdquo;. E completa: &ldquo;Parece que vivemos num pa&iacute;s sem lei. &Eacute; preciso ter clareza de que n&atilde;o haver&aacute; paz no campo no Brasil enquanto o Estado brasileiro, atrav&eacute;s dos seus &oacute;rg&atilde;os competentes, n&atilde;o assumir o controle do territ&oacute;rio e o controle da propriedade privada da terra&rdquo;.<\/p>\n<p> <\/span><strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=21484\"><span>Ariovaldo Umbelino<\/span><\/a><\/strong><span> &eacute; graduado em Geografia, pela Universidade de S&atilde;o Paulo, onde tamb&eacute;m realizou o doutorado em Geografia Humana e obteve o t&iacute;tulo de Livre Doc&ecirc;ncia. &Eacute; professor e chefe do departamento de Geografia da USP, autor de <em>A geografia das lutas no campo<\/em> (S&atilde;o Paulo: Contexto, 1996) e <em>Modo Capitalista de produ&ccedil;&atilde;o, agricultura e Reforma Agr&aacute;ria<\/em> (S&atilde;o Paulo: FFLCU\/Labur Edi&ccedil;&otilde;es, 2007). <\/p>\n<p> Confira a entrevista. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>IHU On-Line <\/span><\/strong><span>&ndash;<strong> Qual &eacute; a sua avalia&ccedil;&atilde;o sobre a viol&ecirc;ncia no campo no Brasil? Como as elites respondem atualmente &agrave;s reivindica&ccedil;&otilde;es dos movimentos populares por terra?<\/p>\n<p> Ariovaldo Umbelino <\/strong>&ndash; A respeito da viol&ecirc;ncia &eacute; preciso afirmar que ela &eacute; estrutural, ou seja, est&aacute; na origem da forma&ccedil;&atilde;o da propriedade privada da terra. Como boa parte dos latifundi&aacute;rios brasileiros n&atilde;o tem documentos legais que os habilitem a se colocarem numa sociedade democr&aacute;tica como propriet&aacute;rios de fato da terra, usam da viol&ecirc;ncia como forma de intimida&ccedil;&atilde;o e press&atilde;o pol&iacute;tica sobre o Estado para que este n&atilde;o crie as leis e n&atilde;o as apliquem. Nos estudos que fa&ccedil;o atrav&eacute;s de um projeto financiado pelo CNPq, chamado <strong>Atlas da Terra Brasil<\/strong>, mostramos, com dados baseados no <strong>Incra<\/strong>, que perto de 60% dos im&oacute;veis existentes aqui n&atilde;o possuem titula&ccedil;&atilde;o de fato. Isso quer dizer que, se subtraio da &aacute;rea total do Brasil a &aacute;rea declarada do cadastro do Incra, que &eacute; um cadastro declarat&oacute;rio similar ao imposto de renda (o Incra n&atilde;o faz averigua&ccedil;&atilde;o se os documentos de uma pessoa que preenche o cadastro possui, de fato, os documentos legais que os habilitem), quase 60% das terras do Brasil ir&atilde;o aparecer como sem propriet&aacute;rios. Assim, a princ&iacute;pio s&atilde;o terras p&uacute;blicas que deveriam, pela legisla&ccedil;&atilde;o brasileira, serem destinadas &agrave; reforma agr&aacute;ria, demarca&ccedil;&atilde;o de terras de ind&iacute;genas e quilombolas ou &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o de unidades de conserva&ccedil;&atilde;o ambiental. No entanto, essas terras est&atilde;o cercadas e o Estado nada faz. &Eacute; a&iacute; que reside a raz&atilde;o estrutural da viol&ecirc;ncia na terra. Isso &eacute; hist&oacute;rico, n&atilde;o &eacute; de hoje. As pessoas cercam &aacute;reas e, pela for&ccedil;a, criam uma situa&ccedil;&atilde;o em que elas est&atilde;o l&aacute; de forma legalizada, quando na verdade isso n&atilde;o est&aacute; correto. O que estou falando &eacute; t&atilde;o verdadeiro que, se olharmos no cadastro do Incra, mesmo aquele cadastro declarat&oacute;rio, uma parte dos que l&aacute; declaram dizem que n&atilde;o tem documentos da terra. Ent&atilde;o, na realidade, o pr&oacute;prio Incra, que &eacute; o &oacute;rg&atilde;o m&aacute;ximo de controle da propriedade privada da terra no Brasil, sabe que uma parte daqueles que se dizem propriet&aacute;rios n&atilde;o s&atilde;o possuidores dos t&iacute;tulos de direito. <\/span><\/p>\n<table border=\"0\" cellpadding=\"0\" class=\"MsoNormalTable\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"padding: 0.75pt\">\n<p class=\"MsoNormal\"><em><span>&nbsp;&ldquo;O Estado brasileiro, infelizmente, n&atilde;o aplica as leis, n&atilde;o   fiscaliza como deveria, ao mesmo tempo em que a justi&ccedil;a, quando detecta uma   infra&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o pune exemplarmente&rdquo;<\/span><\/em><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Os movimentos sociais passaram a fazer a ocupa&ccedil;&atilde;o de terras como instrumento pol&iacute;tico para obrigar os que se dizem propriet&aacute;rios a mostrarem os documentos e fazer com que o Estado averig&uacute;e se esses documentos existem mesmo. Fazer a reforma agr&aacute;ria &eacute; uma obriga&ccedil;&atilde;o, um dever do Estado. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>IHU On-Line <\/span><\/strong><span>&ndash;<strong> Que conex&otilde;es podem ser estabelecidas entre a concentra&ccedil;&atilde;o de terras, o trabalho escravo no campo e o agroneg&oacute;cio em nosso pa&iacute;s? <\/p>\n<p> Ariovaldo Umbelino <\/strong>&ndash;<strong> <\/strong>N&atilde;o podemos pensar que o agroneg&oacute;cio que se faz no Brasil &eacute; diferente do que se pratica no restante do mundo. Temos uma agricultura capitalista que agora aparece com essa cara de agroneg&oacute;cio. Nossa agricultura, historicamente, utilizou-se do trabalho escravo. Ela come&ccedil;ou com a escravid&atilde;o e, no imagin&aacute;rio do capitalista brasileiro, paira a ideia de que se pode abusar dos trabalhadores. Isso faz parte do que chamamos de imagin&aacute;rio coletivo do que esses agricultores praticam. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>N&atilde;o existe agricultor capitalista moderno e agricultor capitalista atrasado. Ambos usam instrumentos que oprimem. O Estado brasileiro, infelizmente, n&atilde;o aplica as leis, n&atilde;o fiscaliza como deveria, ao mesmo tempo em que a justi&ccedil;a, quando detecta uma infra&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o pune exemplarmente. Ent&atilde;o, por se sentirem impunes e protegidos pelo Estado, esses agricultores inventaram a fal&aacute;cia de que o agroneg&oacute;cio &eacute; moderno e n&atilde;o utiliza o trabalho escravo. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>&Aacute;lcool, sangue e suor<\/span><\/strong><span><\/p>\n<p> A maior parte do trabalho escravo ocorre nas <\/span><strong><a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/media\/pdf\/IHUOnlineEdicao188.pdf\"><span>usinas de a&ccedil;&uacute;car<\/span><\/a><\/strong><span>. E se tenta vender uma imagem no exterior de que o &aacute;lcool no Brasil &eacute; puro. Puro? Ele &eacute; misturado com o sangue dos trabalhadores que cortam cana! Outra parte expressiva do trabalho escravo no Brasil aparece na coleta das ra&iacute;zes nas &aacute;reas de produ&ccedil;&atilde;o de gr&atilde;os no cerrado. Esse &eacute; o chamado agroneg&oacute;cio moderno. Esse trabalho escravo &eacute; estrutural como a viol&ecirc;ncia que cerca a quest&atilde;o da terra. Eles fazem parte da g&ecirc;nese da agricultura brasileira.&nbsp;<\/p>\n<p> &Eacute; preciso parar com essa campanha ideol&oacute;gica de que o agroneg&oacute;cio n&atilde;o usa trabalho escravo, que cumpre as leis brasileiras. Parte dos empres&aacute;rios do campo no Brasil at&eacute; cumprem as leis, mas isso n&atilde;o vale para a totalidade. O mesmo se aplica ao setor industrial. Se n&atilde;o fosse assim, a Justi&ccedil;a do Trabalho n&atilde;o estaria abarrotada de a&ccedil;&otilde;es movidas pelos trabalhadores. O descumprimento da legisla&ccedil;&atilde;o brasileira vem de muito tempo e est&aacute; enraizado na mentalidade brasileira. Faz parte desse tipo de capitalismo que se desenvolveu no Brasil, que acha que pode atuar &agrave; revelia da lei. <\/span><\/p>\n<table border=\"0\" cellpadding=\"0\" class=\"MsoNormalTable\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"padding: 0.75pt\">\n<p class=\"MsoNormal\"><em><span>&nbsp;&ldquo;Temos uma agricultura capitalista que agora aparece com essa   cara de agroneg&oacute;cio. <\/span>Nossa agricultura, historicamente, utilizou-se do   trabalho escravo&rdquo;<\/em><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>IHU On-Line <\/span><\/strong><span>&ndash;<strong> Como podemos compreender esse paradoxo do Brasil ultramoderno com o Brasil que segue excluindo, estigmatizando e inclusive <\/strong><\/span><strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=39483\"><span>assassinando as pessoas<\/span><\/a><\/strong><strong><span>, como no caso de homens e mulheres camponeses?<\/p>\n<p> Ariovaldo Umbelino <\/span><\/strong><span>&ndash;<strong> <\/strong>Seria paradoxal se essa atividade moderna n&atilde;o requeresse etapas do processo produtivo que ainda se valem fortemente do trabalhador manual. Na realidade o que os empres&aacute;rios do agroneg&oacute;cio e qualquer empres&aacute;rio brasileiro n&atilde;o querem &eacute; usar intensamente o trabalho humano. &Eacute; exatamente por isso que o trabalho escravo aparece mais em regi&atilde;o de florestas na etapa do desmatamento e na &aacute;rea de produ&ccedil;&atilde;o de gr&atilde;os do cerrado na coleta de ra&iacute;zes, porque isso ainda n&atilde;o pode ser feito por m&aacute;quina alguma. O paradoxo, portanto, &eacute; aparente, porque na realidade o processo produtivo deve ser olhado em sua totalidade, desde o preparo da terra at&eacute; a colheita final. Algumas etapas est&atilde;o fortemente mecanizadas, enquanto outras ainda demandam do bra&ccedil;o humano para serem feitas. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>IHU On-Line <\/span><\/strong><span>&ndash;<strong> Quais as principais viola&ccedil;&otilde;es &agrave; <\/strong><\/span><strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=34179\"><span>fun&ccedil;&atilde;o social da terra<\/span><\/a><\/strong><strong><span>?<\/p>\n<p> Ariovaldo Umbelino <\/span><\/strong><span>&ndash; &Eacute; preciso dizer que os &oacute;rg&atilde;os do governo federal, sobretudo o Incra, respons&aacute;vel pela reforma agr&aacute;ria, deveriam faz&ecirc;-la cotidianamente. &Eacute; preciso chamar o Estado &agrave; responsabilidade, com seus representantes que est&atilde;o no &oacute;rg&atilde;o competente para a distribui&ccedil;&atilde;o de terras. &Eacute; o caso do presidente do Incra, que deve fazer cumprir a <\/span><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=34179\"><span>fun&ccedil;&atilde;o social da terra<\/span><\/a><span>. Se o presidente do Incra n&atilde;o faz isso, cabe &agrave; sociedade civil reclamar &agrave; Promotoria P&uacute;blica, ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico, para que estes fa&ccedil;am com que o presidente do Incra cumpra sua responsabilidade. Como nenhum desses caminhos legais &eacute; seguido, o que fazem os camponeses sem terra? Unem-se em movimentos sociais e ocupam as terras. Os movimentos sociais nascem dessa contradi&ccedil;&atilde;o entre a tarefa do Estado de fazer a reforma agr&aacute;ria e sua n&atilde;o realiza&ccedil;&atilde;o. Ao mesmo tempo, se liga a isso o fato de que muitos dos que cercaram as terras n&atilde;o s&atilde;o, de direito, seus propriet&aacute;rios.<\/span><\/p>\n<table border=\"0\" cellpadding=\"0\" class=\"MsoNormalTable\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"padding: 0.75pt\">\n<p class=\"MsoNormal\"><em><span>&nbsp;&ldquo;O Incra deve divulgar quais s&atilde;o as maiores propriedades no   pa&iacute;s. Ele &eacute; um &oacute;rg&atilde;o governamental, p&uacute;blico, e esconde esse tipo de   informa&ccedil;&atilde;o&rdquo;<\/span><\/em><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>IHU On-Line <\/span><\/strong><span>&ndash;<strong> Como o senhor avalia a quest&atilde;o trabalhista dentro do agroneg&oacute;cio?<\/p>\n<p> Ariovaldo Umbelino <\/strong>&ndash; O caso mais gritante &eacute; aquele que ocorre no <\/span><a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/media\/pdf\/IHUOnlineEdicao188.pdf\"><span>setor sucroenerg&eacute;tico<\/span><\/a><span>, de produ&ccedil;&atilde;o do &aacute;lcool, que vive um processo forte de mecaniza&ccedil;&atilde;o. No ano passado, cerca de 60% do processo de colheita da cana foi feito de forma mecanizada. &Eacute; um setor que caminha nessa dire&ccedil;&atilde;o, diferente do setor de gr&atilde;os, que j&aacute; faz colheitas com m&aacute;quinas h&aacute; tempo. O que ocorre &eacute; uma press&atilde;o brutal por parte dos empres&aacute;rios para que os cortadores de cana aumentem a produtividade de trabalho manual. Isso quer dizer que esses trabalhadores devem aumentar a quantidade de cana cortada por dia. Essa quantia &eacute; expressa em toneladas. Na d&eacute;cada de 1980 um trabalhador cortava de 4 a 6 toneladas de cana por dia, dependendo da produtividade do canavial. Na d&eacute;cada de 1990 o trabalhador foi sendo pressionado a cortar algo em torno de 8 a 12 toneladas de cana por dia. Agora, a press&atilde;o &eacute; para que corte de 12 a 16 toneladas de cana a cada expediente. Isso exige um disp&ecirc;ndio descomunal de energia para o ser humano. Conforme estudos, a quantidade de energia despendida por um cortador de cana num dia equivale &agrave;quele gasto numa corrida de maratona, ou seja, 42 km por dia. <\/p>\n<p> Isso &eacute; algo desumano e faz com que haja perdas absurdas de &aacute;gua, sais e outras subst&acirc;ncias importantes no corpo humano. Por isso, algumas usinas introduziram o uso de isot&ocirc;nicos para seus trabalhadores, a fim de melhorar seu rendimento no servi&ccedil;o. Estamos diante de uma situa&ccedil;&atilde;o cruel que mostra que o que de mais moderno existe na agricultura se assemelha &agrave; barb&aacute;rie do s&eacute;culo XIX. Nem os trabalhadores nas minas de carv&atilde;o, na origem da Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial na Inglaterra, foram submetidos a esse tipo de jornada de trabalho. <\/span><\/p>\n<table border=\"0\" cellpadding=\"0\" class=\"MsoNormalTable\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"padding: 0.75pt\">\n<p class=\"MsoNormal\"><em><span>&nbsp;&ldquo;O agroneg&oacute;cio &eacute; h&aacute;bil ideologicamente. Faz propaganda para   enganar e encobrir que atua na ilegalidade&rdquo;<\/span><\/em><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>IHU On-Line <\/span><\/strong><span>&ndash;<strong> Qual &eacute; a sua avalia&ccedil;&atilde;o a respeito do plebiscito sobre o limite da propriedade da terra que aconteceu em 2010? Que avan&ccedil;os efetivos trouxe essa mobiliza&ccedil;&atilde;o e quais foram suas limita&ccedil;&otilde;es?<\/p>\n<p> Ariovaldo Umbelino <\/strong>&ndash; A campanha pelo limite da propriedade da terra no Brasil &eacute; uma decis&atilde;o tomada de longa data, no <strong>F&oacute;rum Nacional de Luta pela Reforma Agr&aacute;ria e Dignidade e Justi&ccedil;a no Campo.<\/strong> O f&oacute;rum &eacute; uma grande frente que inclui desde os movimentos sociais, as organiza&ccedil;&otilde;es sindicais e outras que interessaram a &aacute;rea rural brasileira. O plebiscito foi amplamente apoiado pela Igreja Cat&oacute;lica atrav&eacute;s da <strong>Comiss&atilde;o Pastoral da Terra<\/strong> (<strong>CPT<\/strong>), sobretudo. No ano passado, o F&oacute;rum decidiu que, junto da campanha, que &eacute; de longo prazo, deveria realizar o plebiscito. Assim, na Semana da P&aacute;tria, junto do <strong>Grito dos Exclu&iacute;dos<\/strong>, foi efetuado o plebiscito. A ideia era chamar a aten&ccedil;&atilde;o da sociedade brasileira de que atualmente a propriedade privada da terra em nosso pa&iacute;s n&atilde;o tem limites. Se tomarmos o Estatuto da Terra de 1964, veremos que h&aacute; uma limita&ccedil;&atilde;o da propriedade. Com a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, esse limite foi retirado. A rigor, no Brasil, pode-se chegar ao absurdo de uma pessoa adquirir todas as terras da Na&ccedil;&atilde;o e estar amparada legalmente caso tenha os documentos. Isso &eacute; um completo absurdo no contexto de uma sociedade moderna e democr&aacute;tica. Em pa&iacute;s nenhum do mundo existe esse &ldquo;livre arb&iacute;trio&rdquo; da terra. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><br \/> <strong>Terra, propriedade sui generis<br \/> <\/strong><br \/> Em segundo lugar, a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 e o Estatuto da Terra de 1964, feito pelos militares, dizem claramente que a terra n&atilde;o &eacute; igual a qualquer outro tipo de propriedade. Se eu tenho um autom&oacute;vel, posso deix&aacute;-lo apodrecendo na garagem. Ningu&eacute;m pode se intrometer nisso exceto se essa atitude gerar problemas de sa&uacute;de p&uacute;blica. Isso quer dizer que eu tenho poder absoluto sobre tal bem. O direito de propriedade prevalece na sua plenitude e totalidade. Com a terra n&atilde;o ocorre isso. A Constitui&ccedil;&atilde;o diz claramente que a terra deve, em primeiro lugar, cumprir sua fun&ccedil;&atilde;o social. Quando a terra cumpre sua fun&ccedil;&atilde;o social? Quando &eacute; produtiva, quando o cultivo respeita a legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista e ambiental e quando nela n&atilde;o se cultivam drogas psicotr&oacute;picas. A partir da&iacute;, temos exatamente a situa&ccedil;&atilde;o de cumprimento da fun&ccedil;&atilde;o social da terra. <\/span><\/p>\n<table border=\"0\" cellpadding=\"0\" class=\"MsoNormalTable\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"padding: 0.75pt\">\n<p class=\"MsoNormal\"><em><span>&ldquo;Em pa&iacute;s nenhum do mundo existe esse &#39;livre arb&iacute;trio&#39; da terra&rdquo;<\/span><\/em><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/p>\n<p> Se uma propriedade &eacute; encontrada pelos fiscais do trabalho valendo-se de trabalho escravo, essa propriedade deveria ser imediatamente desapropriada para a reforma agr&aacute;ria, porque n&atilde;o cumpre sua fun&ccedil;&atilde;o social. Quanto aos problemas ambientais, basta lembrarmos o que est&aacute; ocorrendo na discuss&atilde;o das modifica&ccedil;&otilde;es do C&oacute;digo Florestal, quando querem abolir a preserva&ccedil;&atilde;o ambiental do Brasil em nome da destrui&ccedil;&atilde;o por um pre&ccedil;o que n&atilde;o sabemos qual ser&aacute;. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><br \/> <strong>Informa&ccedil;&otilde;es escondidas<br \/> <\/strong><br \/> A campanha pelo limite da propriedade tem o objetivo de colocar um par&acirc;metro nesse tamanho que as propriedades podem ter em nosso pa&iacute;s. Na Amaz&ocirc;nia h&aacute; senhores que possuem t&iacute;tulos de &aacute;reas com 5 milh&otilde;es de hectares. No site de uma empresa de celulose h&aacute; a informa&ccedil;&atilde;o de que ela tem 1,7 milh&otilde;es de hectares de &aacute;rea. A sociedade e o Congresso precisam discutir isso. N&atilde;o se quer impor nada, mas estabelecer o debate e propor o limite. Por isso &eacute; preciso vir a p&uacute;blico o tamanho das propriedades. O Incra deve divulgar quais s&atilde;o as maiores propriedades no pa&iacute;s. Ele &eacute; um &oacute;rg&atilde;o governamental, p&uacute;blico, e esconde esse tipo de informa&ccedil;&atilde;o. Ali&aacute;s, &eacute; bom que se diga que parte desses dados s&atilde;o escondidos dentro do pr&oacute;prio Incra. S&oacute; quem trabalha no setor de cadastro de im&oacute;veis rurais &eacute; que tem acesso a essas informa&ccedil;&otilde;es.&nbsp; <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><br \/> Por isso digo que a quest&atilde;o da propriedade privada da terra no Brasil n&atilde;o &eacute; completamente explicada &agrave; sociedade. E a sociedade precisa ter a consci&ecirc;ncia de que o fato de uma pessoa cercar a terra e falar que &eacute; sua, n&atilde;o quer dizer que isso esteja correto. &Eacute; preciso provar de forma documental que aquela terra tem um t&iacute;tulo que foi emitido por um &oacute;rg&atilde;o competente. Muitas pessoas fazem uso dos contratos de compra e venda, instrumentos jur&iacute;dicos assinados entre duas pessoas, e que s&oacute; tem validade legal se forem convertidos numa escritura p&uacute;blica registrada em cart&oacute;rio de registro de im&oacute;veis. Fora isso, o contrato de compra e venda n&atilde;o d&aacute; direito a ningu&eacute;m de um t&iacute;tulo de propriedade. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp; <\/span><\/p>\n<table border=\"0\" cellpadding=\"0\" class=\"MsoNormalTable\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"padding: 0.75pt\">\n<p class=\"MsoNormal\"><em><span>&ldquo;Algumas usinas introduziram o uso de isot&ocirc;nicos para seus trabalhadores,   a fim de melhorar seu rendimento no servi&ccedil;o. Estamos diante de uma situa&ccedil;&atilde;o   cruel que mostra que o que de mais moderno existe na agricultura se assemelha   &agrave; barb&aacute;rie do s&eacute;culo XIX&rdquo;<\/span><\/em><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>P&eacute;s de barro<br \/> <\/span><\/strong><span><br \/> Existe uma m&aacute;xima, um imagin&aacute;rio social, de que se voc&ecirc; cercou um peda&ccedil;o de terra e o cultiva, tem direitos sobre ela. Isso &eacute; verdade para os pequenos produtores, que tem at&eacute; 100 hectares de terra. Mas o mesmo princ&iacute;pio &eacute; usado para produtores com centenas de hectares, o que n&atilde;o &eacute; o mesmo caso. No Rio Grande do Sul, por exemplo, h&aacute; aproximadamente 7 milh&otilde;es de hectares cercados, cujos &ldquo;donos&rdquo; n&atilde;o t&ecirc;m documentos legais. Em Minas Gerais, esse n&uacute;mero salta para 9 milh&otilde;es de hectares.<br \/> O Estatuto da Terra diz que &eacute; crime se apossar de terras p&uacute;blicas. A pena prevista &eacute; de tr&ecirc;s anos de reclus&atilde;o. &Eacute; por isso que o agroneg&oacute;cio investe maci&ccedil;amente em propaganda nos &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o, pois sabe que tem os &ldquo;p&eacute;s de barro&rdquo; por n&atilde;o possuir amparo legal. Assim, usa a viol&ecirc;ncia para que a sociedade civil n&atilde;o se posicione contra o uso que faz da terra. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><br \/> <strong>IHU On-Line <\/strong>&ndash;<strong> Quais seriam as principais mudan&ccedil;as trazidas para a agricultura brasileira se a propriedade da terra fosse limitada?<\/p>\n<p> Ariovaldo Umbelino <\/strong>&ndash; N&atilde;o aconteceria nada. A maioria da terra seria posta para produzir. Se olharmos o cadastro do Incra, com os &iacute;ndices de produtividade de 1975, h&aacute; 120 milh&otilde;es de hectares improdutivos das grandes propriedades, fato declarado por aqueles que se dizem seus donos. &Eacute; uma mentira continuar dizendo que a terra no Brasil &eacute; produtiva. Para come&ccedil;ar a desvelar essa mentira, &eacute; preciso lembrar que, se somarmos toda a &aacute;rea com plantio agr&iacute;cola, ela n&atilde;o chega a 70 milh&otilde;es de hectares. O Brasil tem 850 milh&otilde;es de hectares! O Incra sabe disso e n&atilde;o faz nada. A Justi&ccedil;a sabe disso e n&atilde;o faz nada.&nbsp; <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Vejamos o que ocorreu h&aacute; dois anos relativo &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o do <strong>MST<\/strong> na <strong>Fazenda Cutrale<\/strong>, no interior de S&atilde;o Paulo. A m&iacute;dia disse que o <strong>MST<\/strong> invadiu e destruiu a propriedade privada da <\/span><strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=26796\"><span>Cutrale<\/span><\/a><\/strong><span>. A <\/span><strong><a href=\"http:\/\/incra%20de%20sp%20diz%20que%20fazenda%20da%20cutrale%20est%c3%a1%20em%20%c3%a1rea%20da%20uni%c3%a3o\/\"><span>Cutrale<\/span><\/a><\/strong><span> comprou aquelas terras sabendo que <\/span><strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=30735\"><span>eram griladas<\/span><\/a><\/strong><span>, da Uni&atilde;o. Mesmo assim, adquiriu-as e nelas plantou as laranjeiras. &Eacute; um desrespeito sucessivo. A m&iacute;dia disse que aquela terra era da <strong>Cutrale<\/strong>, mas se consultarmos os documentos veremos que isso n&atilde;o &eacute; verdade. A <strong>Cutrale<\/strong> comprou documentos falsos, o que a justi&ccedil;a de S&atilde;o Paulo j&aacute; apurou. Ocorre que h&aacute; uma obsess&atilde;o tamanha entre os propriet&aacute;rios da terra, que eles acham que podem passar por cima da justi&ccedil;a e da legisla&ccedil;&atilde;o. Por isso, foi feito aquilo tudo. A m&iacute;dia foi bem paga para falar o que falou sobre o caso <strong>Cutrale.<\/strong> A sociedade foi enganada. <\/p>\n<p> A terra est&aacute; em processo na Uni&atilde;o, e o Incra vai fazer assentamento de reforma agr&aacute;ria. Sabendo que ir&aacute; perder a terra, a <strong>Cutrale<\/strong> mandou negociadores para o Incra a fim de comprar a terra em outro lugar e ficar com aquela terra do Estado. &Eacute; como se a legisla&ccedil;&atilde;o brasileira permitisse que uma terra p&uacute;blica pudesse passar para o poder de um cidad&atilde;o ou empresa. A legisla&ccedil;&atilde;o brasileira &eacute; clara: aquela &eacute; uma terra p&uacute;blica destinada para a reforma agr&aacute;ria. <\/p>\n<p> Ent&atilde;o, se limitar a propriedade da terra, num primeiro momento, nada ir&aacute; acontecer, porque as grandes propriedades n&atilde;o s&atilde;o produtivas. No Brasil as propriedades produtivas s&atilde;o as m&eacute;dias e pequenas. A m&eacute;dia propriedade est&aacute; protegida pela legisla&ccedil;&atilde;o brasileira e n&atilde;o pode ser desapropriada desde que o propriet&aacute;rio n&atilde;o tenha mais do que uma. J&aacute; os produtores grandes se escondem atr&aacute;s da produtividade dos grandes e pequenos.<\/span><\/p>\n<table border=\"0\" cellpadding=\"0\" class=\"MsoNormalTable\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"padding: 0.75pt\">\n<p class=\"MsoNormal\"><em><span>&ldquo;A m&iacute;dia foi bem paga para falar o que falou sobre o caso Cutrale. <\/span>A   sociedade foi enganada&rdquo;<\/em><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>IHU On-Line <\/span><\/strong><span>&ndash;<strong> Como o governo Dilma ir&aacute; lidar com a quest&atilde;o da reforma agr&aacute;ria e da limita&ccedil;&atilde;o da propriedade da terra?<\/p>\n<p> Ariovaldo Umbelino <\/strong>&ndash; Como ocorreram mudan&ccedil;as no Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Agr&aacute;rio, espero que o novo ministro, imbu&iacute;do do esp&iacute;rito patri&oacute;tico, que todo ministro quando assume jura ter, comece a fazer aquilo o que o ex-ministro n&atilde;o fez. <strong>Guilherme Cassel<\/strong>, antes de sair, divulgou dados dizendo que havia acontecido reforma agr&aacute;ria no pa&iacute;s. N&atilde;o &eacute; verdade. Nos oito anos de <strong>Lula<\/strong>, o Incra assentou 200 mil fam&iacute;lias, e divulga um n&uacute;mero de 600 a 700 mil fam&iacute;lias assentadas. Isso &eacute; mentira. Esses dados divulgados referem-se &agrave; rela&ccedil;&atilde;o de benefici&aacute;rios emitida. O Incra emite uma rela&ccedil;&atilde;o de benefici&aacute;rios para uma fam&iacute;lia assentada nova, mas tamb&eacute;m emite essa rela&ccedil;&atilde;o para reconhecer assentamentos antigos. Isso tudo &eacute; contado como se fosse assentamento novo, o que n&atilde;o &eacute; verdade. Nos dois mandatos de Lula, n&atilde;o foi feita reforma agr&aacute;ria, e o que &eacute; pior: de 2008 para c&aacute;, passou-se a fazer a contrarreforma agr&aacute;ria, que &eacute; o programa <strong>Amaz&ocirc;nia Legal<\/strong>. Esse programa destina terra do Incra para grileiros atrav&eacute;s de <strong>Medidas Provis&oacute;rias 422<\/strong> e <strong>458<\/strong>. O Incra tem 67 milh&otilde;es e 800 mil hectares de terra na Amaz&ocirc;nia Legal, e essas terras v&atilde;o ser destinadas a grileiros atrav&eacute;s do programa que o senhor <strong>Guilherme Cassel<\/strong> fez. <\/p>\n<p> Na realidade, o primeiro mandato de <strong>Lula<\/strong> teve reforma agr&aacute;ria, enquanto no segundo isso n&atilde;o ocorreu. Espero que o novo ministro cesse esse programa, porque s&atilde;o terras da reforma agr&aacute;ria sendo destinadas a grileiros. Como sou um brasileiro esperan&ccedil;oso, espero que o novo governo cumpra a lei e respeite-a, porque se n&atilde;o n&oacute;s teremos que ir atr&aacute;s do Minist&eacute;rio P&uacute;blico para fazer o Estado brasileiro cumprir as leis. Temos que continuar a fazer estudos e mostrar todas essas mazelas. &Eacute; preciso que a nova presidente que acaba de assumir tenha consci&ecirc;ncia disso, e n&atilde;o caia nas mentiras que muitos ministros levam, como foi o caso do <strong>Cassel<\/strong>. <\/span><\/p>\n<table border=\"0\" cellpadding=\"0\" class=\"MsoNormalTable\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"padding: 0.75pt\">\n<p class=\"MsoNormal\"><em><span>&ldquo;&Eacute; preciso parar com essa campanha ideol&oacute;gica de que o agroneg&oacute;cio n&atilde;o   usa trabalho escravo, que cumpre as leis brasileiras&rdquo;<\/span><\/em><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>IHU On-Line <\/span><\/strong><span>&ndash;<strong> E quais s&atilde;o as perspectivas para a demarca&ccedil;&atilde;o de terras ind&iacute;genas e quilombolas no governo que se inicia?<\/p>\n<p> Ariovaldo Umbelino <\/strong>&ndash;<strong> <\/strong>O governo eleito democraticamente deve fazer cumprir a Constitui&ccedil;&atilde;o. Quando se toma posse faz-se um juramento. Demarcar terras ind&iacute;genas, portanto, &eacute; obriga&ccedil;&atilde;o do presidente da Rep&uacute;blica, atrav&eacute;s do &oacute;rg&atilde;o competente, que &eacute; a <strong>Funai<\/strong>. Se esta n&atilde;o o faz, cabe ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico agir para que o presidente da <strong>Funai<\/strong> cumpra. Se mesmo assim a <strong>Funai<\/strong> n&atilde;o cumprir, &eacute; a hora do presidente da Rep&uacute;blica entrar em a&ccedil;&atilde;o. E se nem o presidente tomar atitude, deve ser pedido o impeachment dos dois cargos. Esse &eacute; o procedimento legal. O mesmo vale para as terras de remanescentes de quilombos. No Brasil, no entanto, parece que isso que estou falando faz parte de um discurso vindo do planeta Marte. &Eacute; como se a Constitui&ccedil;&atilde;o brasileira n&atilde;o existisse. Parece que vivemos num pa&iacute;s sem lei. &Eacute; preciso ter clareza de que n&atilde;o haver&aacute; paz no campo no Brasil enquanto o Estado brasileiro, atrav&eacute;s dos seus &oacute;rg&atilde;os competentes, n&atilde;o assumir o controle do territ&oacute;rio e o controle da propriedade privada da terra. Se isso n&atilde;o acontecer, prevalece o desmando, a ilegalidade, que vai aparecer como sendo legalidade. O agroneg&oacute;cio &eacute; h&aacute;bil ideologicamente. Faz propaganda para enganar e encobrir que atua na ilegalidade. &Eacute; isso que o novo governo precisa encarar. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>IHU On-Line <\/span><\/strong><span>&ndash;<strong> Hoje h&aacute; um clamor entre os arrozeiros do RS de que estes ter&atilde;o suas lavouras inviabilizadas caso o Novo C&oacute;digo Florestal n&atilde;o seja aprovado. Dizem que perder&atilde;o suas terras e que ser&aacute; imposs&iacute;vel produzir. O que esse tipo de discurso demonstra sobre o modo como o agroneg&oacute;cio se relaciona com o meio ambiente e inclusive com a intelig&ecirc;ncia da popula&ccedil;&atilde;o brasileira?<\/p>\n<p> Ariovaldo Umbelino <\/strong>&ndash; Diziam a mesma coisa se demarcassem a terra ind&iacute;gena <strong>Raposa Serra do Sol.<\/strong> Falava-se que iria faltar arroz em Roraima. Faltou? N&atilde;o&#8230; Essa &eacute; a fal&aacute;cia do discurso do agroneg&oacute;cio, seja entre os arrozeiros ou no setor sucroenerg&eacute;tico. A cana-de-a&ccedil;&uacute;car &eacute; plantada no Brasil desde o per&iacute;odo colonial, nas &aacute;reas mais pobres de nosso pa&iacute;s. No entanto, quer-se vender a imagem de que s&atilde;o &aacute;reas ricas. A <strong>Zona da Mata<\/strong>, no Nordeste, &eacute; uma das que continuam tendo problema de fome. Na realidade, &eacute; preciso investir contra esse discurso falacioso do agroneg&oacute;cio, de que ele &eacute; a coisa mais produtiva e moderna do pa&iacute;s. Claro que h&aacute; modernidade e mecaniza&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o em seu todo. H&aacute; tamb&eacute;m barb&aacute;rie, algo que deve ser dito com todas as letras.<\/p>\n<p> <\/span><strong>Por:<\/strong> M&aacute;rcia Junges<\/p>\n<p> <strong>Para ler mais:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"margin-top: 0cm\">\n<li class=\"MsoNormal\"><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=21484\"><strong><span>&#39;&#39;1\/5 das terras no Brasil s&atilde;o      de pessoas que n&atilde;o t&ecirc;m documentos h&aacute;beis legais&#39;&#39;. <\/span>Entrevista      especial com Ariovaldo Umbelino<\/strong><\/a><span> <\/span><\/li>\n<li class=\"MsoNormal\"><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=3093\"><strong><span>O latif&uacute;ndio do eucaplipto. A      humanidade &eacute; nada frente &agrave; hist&oacute;ria da natureza. <\/span>Entrevista      especial com o ge&oacute;grafo Ariovaldo Umbelino de Oliveira<\/strong><\/a><span> <\/span><\/li>\n<li class=\"MsoNormal\"><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_entrevistas&amp;Itemid=29&amp;task=entrevista&amp;id=31090\"><span>&#39;Se o MST fosse um movimento      apenas midi&aacute;tico, os p&eacute;s de laranja da Cutrale n&atilde;o seriam derrubados&#39;. <\/span>Entrevista      especial com Joel Guindani<\/a><span> <\/span><\/li>\n<li class=\"MsoNormal\"><strong><span>A propriedade da terra deve ser      limitada? Edi&ccedil;&atilde;o 339 da Revista IHU On-Line<\/span><\/strong><span> <\/span><\/li>\n<li class=\"MsoNormal\"><strong><span>Mais inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica      e&#8230;piores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho. Um paradoxo! Edi&ccedil;&atilde;o 188 da Revista IHU      On-Line<\/span><\/strong><span> <\/span><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma agricultura que, historicamente, produziu &agrave;s custas de m&atilde;o de obra escrava. Essa &eacute; a agricultura brasileira, que hoje quer se chamar de agroneg&oacute;cio, sin&ocirc;nimo de modernidade e alta produ&ccedil;&atilde;o. Trata-se, na verdade, de uma agricultura capitalista, &ldquo;que agora aparece com essa cara de agroneg&oacute;cio&rdquo;, uma grande fal&aacute;cia, esclarece o ge&oacute;grafo Ariovaldo Umbelino, na entrevista [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[6],"class_list":["post-3359","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-publicaciones","tag-articulos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3359","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3359"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3359\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4876,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3359\/revisions\/4876"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3359"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3359"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3359"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}