{"id":3352,"date":"2010-12-17T19:30:24","date_gmt":"2010-12-17T19:30:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2010\/12\/17\/na-enff-o-conhecimento-liberta-conscincias\/"},"modified":"2017-10-03T14:25:52","modified_gmt":"2017-10-03T14:25:52","slug":"na-enff-o-conhecimento-liberta-conscincias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2010\/12\/17\/na-enff-o-conhecimento-liberta-conscincias\/","title":{"rendered":"\u00abNa ENFF o conhecimento liberta consci\u00eancias\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><!-- [if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--><!-- [if gte mso 10]>\n\n\n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]--><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Entre os pilares do MST sempre estiveram a educa\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Por isso, a constru\u00e7\u00e3o da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), que completou cinco anos em 2010, foi comemorada como uma conquista hist\u00f3rica da classe trabalhadora. A hist\u00f3ria da ENFF come\u00e7ou nos idos de 1996, quando surgiu no MST a necessidade de se ter um espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o da milit\u00e2ncia, de troca de experi\u00eancias e de debate sobre a necessidade de transforma\u00e7\u00e3o social. Localizada em Guararema (SP), a escola tem o objetivo de ser um espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o superior plural nas mais diversas \u00e1reas do conhecimento n\u00e3o s\u00f3 para os militantes do MST, como tamb\u00e9m de outros movimentos sociais rurais e urbanos, do Brasil e de outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Por ela, j\u00e1 passaram j\u00e1 mais de 16 mil educandos, cerca de 500 professores volunt\u00e1rios e quase 2 mil visitantes de todo o mundo. Para contar um pouco dessa hist\u00f3ria da ENFF, a Revista Sem Terra conversou com Adelar Jo\u00e3o Pizetta, integrante da coordena\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica da escola e dirigente do MST. Confira a seguir.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><!-- [if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--><!-- [if gte mso 10]><\/p>\n\n\n\n\n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]--><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">por Beatriz Pasqualino e Ma\u00edra Kub\u00edk Mano<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><!-- [if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--><!-- [if gte mso 10]>\n\n\n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]--><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"color: red;\">Revista Sem Terra: Quais s\u00e3o as principais conquistas da ENFF?<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0Adelar Pizetta: O funcionamento da Escola \u2013 de forma ininterrupta e com a quantidade de educandos que tiveram possibilidade de estudar e professores que nela passaram \u2013 se transforma numa importante conquista dada a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica que estamos vivendo. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, nessas condi\u00e7\u00f5es de refluxo dos movimentos e das lutas sociais, de crise econ\u00f4mica mundial que atinge a todos, de crise ideol\u00f3gica que afetou e afeta boa parte dos partidos e movimentos de esquerda, manter uma Escola com essa envergadura. Dessa maneira, as conquistas n\u00e3o s\u00e3o m\u00e9ritos da ENFF em si, mas do conjunto da classe trabalhadora, de amigos, apoiadores, militantes que participam desse importante processo de educa\u00e7\u00e3o da classe, em especial dos camponeses. A conquista dos movimentos sociais \u00e9 tornar a Escola em uma ferramenta transformadora para al\u00e9m dela.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Al\u00e9m disso, a ENFF tem a tarefa de contribuir com a reflex\u00e3o, com a qualifica\u00e7\u00e3o da pr\u00e1xis de dirigentes e militantes de diversos movimentos sociais do Brasil e de outros pa\u00edses, com o intuito de manter viva a chama da transforma\u00e7\u00e3o social. Ou seja, n\u00e3o podemos continuar com essa l\u00f3gica de desenvolvimento capitalista que est\u00e1 destruindo o planeta, as pessoas, a natureza. Por meio do estudo e das lutas, vamos entendendo que continua v\u00e1lida a ideia e a necessidade de transformar a sociedade e construir uma nova civiliza\u00e7\u00e3o. Por isso, outra conquista \u00e9 a de ser um espa\u00e7o onde se alimentam sonhos, se aspira liberdade e vincula teoria com a pr\u00e1tica numa perspectiva emancipat\u00f3ria, com base nos valores socialistas e nas premissas pol\u00edticas de uma sociedade de fato, democr\u00e1tica, fraterna e igual, como sustentava Florestan Fernandes.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"color: red;\">RST: Ela vem cumprindo o papel para que foi pensada? Em que medida?<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0AP: De uma maneira geral, sim, ela cumpre um papel importante no processo de forma\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as e dirigentes de diversos movimentos sociais do Brasil e da Am\u00e9rica Latina. \u00c9 por meio dela que muitos trabalhadores, camponeses conseguem ter acesso a elementos que os permitem entender como, historicamente, vem funcionando a sociedade e que medidas devem ser adotadas, de acordo com cada contexto, para superar as amarras que nos prendem e consolidar um processo, de fato, transformador. J\u00e1 aprendemos na hist\u00f3ria que sem conhecimento sobre a realidade, a hist\u00f3ria, a economia, a organiza\u00e7\u00e3o, os processos de liberta\u00e7\u00e3o e as perspectivas de futuro, \u00e9 dif\u00edcil construir novas alternativas. Assim tamb\u00e9m Florestan nos ensina que, em um pa\u00eds como o Brasil, se a gente n\u00e3o conseguir criar um senso cr\u00edtico generalizado das possibilidades de mudan\u00e7a (e, para tanto, o estudo \u2013 com intencionalidade pol\u00edtica \u2013 \u00e9 fundamental), os trabalhadores n\u00e3o ser\u00e3o capazes de construir instrumentos organizativos, de coletividade e de lutas capazes de implementar essas mudan\u00e7as na sociedade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Ent\u00e3o, na medida em que os trabalhadores economicamente pobres na perspectiva do capital v\u00eam para a Escola, passam a ver o mundo de uma forma diferente e se colocam diante dele como sujeitos capazes de transformar essa realidade de opress\u00e3o e injusti\u00e7a no qual est\u00e3o vivendo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Desde o seu in\u00edcio da conforma\u00e7\u00e3o dos trabalhos da Escola, t\u00ednhamos claro que essa estrutura f\u00edsica n\u00e3o seria uma propriedade do MST, mas, sim, estaria a servi\u00e7o da classe trabalhadora.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"color: red;\">RST: Como a ENFF ajuda a luta pela Reforma Agr\u00e1ria e pelas outras bandeiras de movimentos sociais?<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0AP: A Escola \u00e9 um espa\u00e7o aberto para a reflex\u00e3o, para o estudo, para a elabora\u00e7\u00e3o de novas ideias. \u00c9 um espa\u00e7o onde se busca compreender com mais profundidade as contradi\u00e7\u00f5es da nossa sociedade, dos processos em curso na Am\u00e9rica Latina. Hoje, como tem sido na hist\u00f3ria de maneira geral, organizar a for\u00e7a transformadora da sociedade e construir a unidade na diversidade s\u00e3o grandes desafios. A Escola busca ser esse espa\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o da unidade na interpreta\u00e7\u00e3o da realidade e fortalecer as iniciativas, as bandeiras de lutas comuns por sua transforma\u00e7\u00e3o social. Por exemplo, nesse novo contexto da luta de classes, em que continuamos no processo de ac\u00famulo de for\u00e7as, tendo em vista a luta pela Reforma Agr\u00e1ria, a articula\u00e7\u00e3o com outros setores da sociedade, com a Via Campesina, com os movimentos urbanos \u00e9 fundamental. Compreendemos que sozinhos (os Sem Terra) n\u00e3o teremos for\u00e7a suficiente para enfrentar o agroneg\u00f3cio, as transnacionais, o capital como um todo. Essa leitura e esse sentimento se concretizam nas iniciativas de forma\u00e7\u00e3o que se desenvolvem na Escola Nacional. Assim, a luta pela Reforma Agr\u00e1ria ganha outro sentido e requer a participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores urbanos, dos intelectuais progressistas, da juventude que almeja outras perspectivas que n\u00e3o a marginalidade e o desemprego. Por isso, continuamos defendendo que a Reforma Agr\u00e1ria deve ser uma luta de todos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"color: red;\">RST: Qual a diferen\u00e7a, na pr\u00e1tica, da ENFF com rela\u00e7\u00e3o a uma escola\/universidade tradicional?<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0AP: Procuramos na Escola, trabalhar com sujeitos, n\u00e3o com indiv\u00edduos. Aqui, todos e todas possuem nome, n\u00e3o n\u00fameros. Possuem aptid\u00f5es, que devem se transformar em compromissos coletivos, na constru\u00e7\u00e3o do ambiente educativo da vida cotidiana. Esses sujeitos assumem tarefas de manuten\u00e7\u00e3o da escola, limpeza, lava\u00e7\u00e3o de lou\u00e7as, trabalho na produ\u00e7\u00e3o, enfim, uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es com as quais os estudantes das universidades n\u00e3o precisam se preocupar. Aqui, o funcionamento da Escola exige a contribui\u00e7\u00e3o dos educandos, pois n\u00e3o existem funcion\u00e1rios para deixar tudo limpo e organizado. Logo, a coletividade \u00e9 respons\u00e1vel pela sua exist\u00eancia, manuten\u00e7\u00e3o e continuidade. Portanto, o trabalho \u00e9 uma dimens\u00e3o pedag\u00f3gica, educativa fundamental na ENFF.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Outro diferencial est\u00e1 relacionado \u00e0 forma organizativa dos educandos. Todos participam dos N\u00facleos de Base, com divis\u00e3o de tarefas e responsabilidades internamente, como forma de garantir o cumprimento das atividades pr\u00e1ticas, de estudo, cultura. Enfim, essa organicidade \u00e9 fundamental e tamb\u00e9m passa a ser uma dimens\u00e3o pedag\u00f3gica da ENFF.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Na sua grande maioria, os estudantes que comparecem aos cursos na Escola (camponeses e filhos de trabalhadores pobres) v\u00eam com intencionalidades e integram a parcela da classe que entende a real necessidade de qualifica\u00e7\u00e3o na efetiva\u00e7\u00e3o de uma pr\u00e1xis emancipadora. Portanto, as quest\u00f5es disciplinares, de dedica\u00e7\u00e3o ao estudo, \u00e0 pesquisa e a pr\u00f3pria elabora\u00e7\u00e3o se desenvolvem de forma consciente, sem necessidade de mecanismos como provas, lista de presen\u00e7a, professores autorit\u00e1rios etc.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"color: red;\">RST: E no projeto pol\u00edtico-pedag\u00f3gico?<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0AP: Ainda do ponto de vista metodol\u00f3gico do plano pol\u00edtico-pedag\u00f3gico, a ENFF se diferencia em v\u00e1rios aspectos de uma escola convencional. Primeiro porque todos os cursos s\u00e3o intensivos, isto \u00e9, os educandos vivem por um determinado per\u00edodo na Escola. Isso faz com que a conviv\u00eancia seja mais intensa, as rela\u00e7\u00f5es sociais mais presentes e, ao serem desenvolvidas ao longo do dia, evidenciam uma distribui\u00e7\u00e3o politicamente planejada entre tempo de estudo, tempo de manuten\u00e7\u00e3o de uma pr\u00e1xis transformadora que cuida do ambiente ao mesmo tempo que potencializa o ir al\u00e9m dos sujeitos na forma\u00e7\u00e3o. Segundo: todos os professores s\u00e3o militantes, isto \u00e9, nenhum professor recebe para dar aulas na Escola. Esta composi\u00e7\u00e3o de uma escola centrada na unidade da esquerda, aliada \u00e0 concep\u00e7\u00e3o do intelectual org\u00e2nica, nos tem permitido, na pedagogia do exemplo, contar com um grupo de sujeitos pol\u00edticos que ao se comprometerem com o processo de produ\u00e7\u00e3o do novo, nos ajudam a romper com uma das cercas da exclus\u00e3o: o conhecimento formal universit\u00e1rio do pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Terceiro: o processo de aprendizagem n\u00e3o se restringe \u00e0s aulas expositivas, mas os estudantes s\u00e3o desafiados a pesquisar, a apresentar semin\u00e1rios, debates, s\u00ednteses, que os fortale\u00e7am nos processos de aprendizagem. Quarto: utiliza-se com frequ\u00eancia outros recursos pedag\u00f3gicos, principalmente os audiovisuais e as visitas de estudo, como forma de auxiliar na aprendizagem e na elabora\u00e7\u00e3o de novos conhecimentos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Por \u00faltimo e, n\u00e3o menos importante, aqui, tanto a produ\u00e7\u00e3o como a socializa\u00e7\u00e3o de conhecimentos, os conte\u00fados estudados, visam atender ao crescimento cultural individual e coletivo (organiza\u00e7\u00e3o), mais do que se preocupar com um canudo, com um diploma que os habilitam a trabalhar para o capital. Aqui, o conhecimento serve para libertar as consci\u00eancias e auxiliar no processo de transforma\u00e7\u00e3o da realidade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"color: red;\">RST: Para promover os cursos, a ENFF faz parcerias com universidades. Como isso se d\u00e1 na pr\u00e1tica na sala de aula?<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0AP: Atualmente, existem aproximadamente 25 cursos de gradua\u00e7\u00e3o em andamento, em diferentes Estados, com mais de 20 universidades p\u00fablicas do pa\u00eds. E, quase uma dezena de cursos de Especializa\u00e7\u00e3o (P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o) e Extens\u00e3o Universit\u00e1ria, possibilitando que filhos e filhas de camponeses que vivem do seu trabalho entrem na universidade de forma coletiva, organizada e com o prop\u00f3sito de continuarem vinculados \u00e0s suas comunidades de origem, no campo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Os cursos se desenvolvem por meio da distribui\u00e7\u00e3o do tempo na Altern\u00e2ncia, isto \u00e9, de forma modular contemplando um per\u00edodo intensivo de aula e outro per\u00edodo de estudo, pesquisa e elabora\u00e7\u00e3o (vinculando o conte\u00fado estudado e realidade social), quando o educando convive em sua comunidade. Esses per\u00edodos formam parte de um mesmo processo pedag\u00f3gico, isto \u00e9, o curso, a capacita\u00e7\u00e3o se realiza durante o tempo todo, normalmente s\u00e3o quatro anos de estudo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Nos processos de negocia\u00e7\u00e3o desses cursos, buscamos dialogar com a universidade no sentido de potencializar nossa experi\u00eancia educativa. Discutimos a necessidade e import\u00e2ncia de ir al\u00e9m do que \u00e9 estabelecido pela universidade no curr\u00edculo formal do curso. Esses conhecimentos s\u00e3o importantes e garantidos durante o curso, mas acreditamos serem insuficientes para a capacita\u00e7\u00e3o que almejamos. Por isso, a Escola complementa com uma s\u00e9rie de saberes em diferentes \u00e1reas do conhecimento, cujo acesso \u00e9 importante para os estudantes. Com isso, refor\u00e7a sua intencionalidade pol\u00edtica de ter como fio condutor em todos os cursos a heran\u00e7a dos cl\u00e1ssicos brasileiros, latinos e internacionais, como refer\u00eancias hist\u00f3ricas de um processo de luta que n\u00e3o come\u00e7ou agora, nem pretende se encerrar no imediatismo da l\u00f3gica atual de n\u00e3o priorizar a hist\u00f3ria, os sujeitos, e a luta de classes como motor daquilo que se tem e do que se quer.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"color: red;\">RST: A ideia de se ter Sem Terra na universidade, em cursos superiores, n\u00e3o \u00e9 bem acolhida por setores conservadores da sociedade, que tentam barrar novos cursos e chegam a dizer que a escola \u00e9 doutrin\u00e1ria etc. Como voc\u00eas respondem a esse discurso<\/span>?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0AP: A classe dominante n\u00e3o aceita que pobres, Sem Terra, possam frequentar a escola. No m\u00e1ximo as s\u00e9ries iniciais, mas, quando essa coletividade luta para ultrapassar as barreiras e romper as cercas que os impedem de ter acesso ao ensino superior, a\u00ed, a coisa complica, pois se trata tamb\u00e9m de manter a propriedade privada do conhecimento.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Na nossa proposta, o acesso ao conhecimento \u00e9 uma maneira que os camponeses pobres \u2013 que se entendem como integrantes da classe que vive do trabalho \u2013 conquistaram para buscarem alternativas de liberta\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma maneira de ver melhor a realidade, de se perceberem como sujeitos com potencialidades e capacidades para sair da opress\u00e3o, por meio da constru\u00e7\u00e3o de caminhos alternativos, constru\u00eddos por suas pr\u00f3prias m\u00e3os e reflex\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Esse \u00e9 o temor da classe dominante, que trabalhadores pobres possam ser arquitetos de seus pr\u00f3prios destinos e passem a exigir participa\u00e7\u00e3o nos rumos pol\u00edticos e econ\u00f4micos do pa\u00eds. Por isso, a discrimina\u00e7\u00e3o por ser Sem Terra e por ser pobre. Mais que tudo, por tentar entrar nas universidades de forma coletiva, organizada, exigindo que de fato a universidade seja para todos, numa sociedade em que apenas uma minoria insignificante de jovens tem acesso a ela e, essa minoria na sua grande maioria \u00e9 juventude de classe m\u00e9dia. Mas a teimosia, a persist\u00eancia do MST faz que uma parcela importante da juventude que mora nos assentamentos tenha acesso \u00e0 universidade, de uma forma diferente. Defendemos e lutamos pelo direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o em todos os n\u00edveis. Quando parcelas significativas de trabalhadores exigirem esse direito sagrado que \u00e9 o estudo, ent\u00e3o poderemos romper barreiras, derrubar muros e pintar as universidades com as cores do povo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"color: red;\">RST: A constru\u00e7\u00e3o da estrutura f\u00edsica ENFF foi diferenciada, feita pelas m\u00e3os dos pr\u00f3prios Sem Terra e todos estudando \u201cao mesmo tempo\u201d. Como foi esse processo?<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0AP: Recordar esse processo, depois de praticamente dez anos desde o in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o, \u00e9 um exerc\u00edcio \u00edmpar. \u00c9 sabido que iniciamos esse processo sem que nenhuma experi\u00eancia desse porte tivesse acontecido antes. J\u00e1 t\u00ednhamos muitas experi\u00eancias do trabalho em mutir\u00e3o, tanto nos assentamentos como tamb\u00e9m em processos de constru\u00e7\u00e3o habitacional no meio urbano. Mas esse da ENFF se diferenciava de todos eles. Por isso, o grande desafio foi articular essa nova experi\u00eancia, sem experi\u00eancia. Mas \u00e9 assim que os processos inovadores se constituem, os trabalhadores sendo sujeitos de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, de seus pr\u00f3prios projetos, lateralmente: de constru\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Foram mais de mil camponeses, acampados e assentados, na grande maioria jovens, que participaram desse processo. As 25 brigadas de trabalho volunt\u00e1rio, organizadas por estados, possibilitaram esse processo em que vinculou aprendizagem pr\u00e1tica com os elementos te\u00f3ricos, concretizando um dos nossos princ\u00edpios pedag\u00f3gicos dos processos educativos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Durante o per\u00edodo de constru\u00e7\u00e3o, a Escola proporcionava tamb\u00e9m espa\u00e7os e tempos para os processos de forma\u00e7\u00e3o como: alfabetiza\u00e7\u00e3o (essas aulas eram ministradas por companheiros das pr\u00f3prias brigadas de constru\u00e7\u00e3o que tinham mais conhecimento escolar, durante as noites). Os demais companheiros\/as que integravam as brigadas tinham aulas nas noites, para o estudo de temas organizativos, da hist\u00f3ria, pol\u00edtica com a finalidade de conhecer a realidade, a sociedade que vivemos e entender por que precisamos nos organizar e lutar para transform\u00e1-la.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Al\u00e9m desses espa\u00e7os mais formais de educa\u00e7\u00e3o, o processo de constru\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se constituiu num importante instrumento educativo. Aqui, os trabalhadores eram organizados em frentes de trabalho que abrangiam: fabrica\u00e7\u00e3o de tijolos, alvenaria, hidr\u00e1ulica, el\u00e9trica, madeira etc. Nelas os companheiros recebiam orienta\u00e7\u00f5es e explica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e pedag\u00f3gicas de como e por que fazer dessa forma. Isso possibilitava que os trabalhadores ao retornarem para seus assentamentos conseguissem construir suas casas e de seus vizinhos e assentados. O efeito multiplicador foi imenso.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"color: red;\">RST: Como a ENFF se relaciona com a comunidade ao seu redor, em Guararema?<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0AP: A ENFF \u00e9 parte da comunidade, n\u00e3o \u00e9 uma ilha isolada. \u00c9 claro que essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o, por isso, leva tempo e exige estrat\u00e9gias de aproxima\u00e7\u00e3o, de conhecimento da realidade e de a\u00e7\u00f5es conjuntas que podem ser desenvolvidas. Nesse sentido, temos uma rela\u00e7\u00e3o com a Escola Emilia Leite (Escola Estadual) que funciona no bairro, cujos alunos podem acessar o acervo da nossa biblioteca. Existe tamb\u00e9m um programa no qual os alunos podem frequentar a Escola, todas as sextas-feiras \u00e0 noite, para assistirem filmes. Imaginem que no munic\u00edpio de Guararema o \u00fanico espa\u00e7o de proje\u00e7\u00e3o \u00e9 o da ENFF. Ainda, estamos construindo juntamente com a Escola, a realiza\u00e7\u00e3o de cursos de l\u00ednguas (espanhol e ingl\u00eas); palestras sobre a \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina, aproveitando os pr\u00f3prios estudantes latinos que v\u00eam para os cursos, onde os estudantes e trabalhadores da comunidade possam frequentar. Al\u00e9m dessas iniciativas, h\u00e1 a contribui\u00e7\u00e3o com doa\u00e7\u00f5es de livros para a escola do bairro, que at\u00e9 o ano passado n\u00e3o tinha biblioteca para seus alunos. Ainda, a ENFF disp\u00f5e de espa\u00e7os de capacita\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da inform\u00e1tica e espa\u00e7os de lazer, principalmente o campo de futebol, onde jovens do bairro participam.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"color: red;\">RST: A ENFF est\u00e1 vivendo uma fase de dificuldades financeiras e pedindo apoio \u00e0 sociedade. <\/span><span style=\"color: red;\">Quais s\u00e3o as formas de ajudar a Escola?<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">AP: Manter o funcionamento permanente de uma estrutura coma a ENFF n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil. Os estudantes n\u00e3o pagam nada para estudar, ter alimenta\u00e7\u00e3o, material did\u00e1tico, acesso \u00e0 internet etc. No entanto, contribuem na manuten\u00e7\u00e3o da Escola por meio do trabalho di\u00e1rio, tanto nos servi\u00e7os dom\u00e9sticos, como tamb\u00e9m na parte produtiva (horta, pomar, su\u00ednos, aves, coelhos, vacas de leite). Uma parte do que consumimos na Escola \u00e9 produzido aqui mesmo e outra parte da alimenta\u00e7\u00e3o vem dos pr\u00f3prios assentamentos. Alguns produtos ainda dependemos de comprar no mercado. Mas temos muitos gastos com \u00e1gua, energia, impostos, telefone, g\u00e1s, manuten\u00e7\u00e3o permanente, pois, uma estrutura com mais de cinco anos de uso j\u00e1 requer reparos. Al\u00e9m disso, est\u00e1 posta a necessidade de amplia\u00e7\u00e3o da Escola, por meio da constru\u00e7\u00e3o de novos alojamentos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Por\u00e9m o mais importante \u00e9 a continuidade dos cursos. Para tanto, contamos com a contribui\u00e7\u00e3o militante e volunt\u00e1ria dos professores e agora, recentemente, criou-se \u2013 por iniciativa de amigos professores, estudantes e militantes sociais de outras \u00e1reas \u2013 a Associa\u00e7\u00e3o dos Amigos da ENFF. Portanto, se algu\u00e9m quiser mais informa\u00e7\u00e3o e estiver disposto a contribuir e a se somar nessa causa, deve entrar em contato com ela (<a href=\"mailto:amigosdaenff@enff.org.br\">amigosdaenff@enff.org.br<\/a>).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"color: red;\">ENFF em v\u00eddeo<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"color: red;\">Para conhecer um pouco mais da constru\u00e7\u00e3o e trajet\u00f3ria da Escola Nacional Florestan Fernandes, h\u00e1 um document\u00e1rio dispon\u00edvel na internet, produzido pelo Ponto de Cultura da ENFF, em parceria com o Pont\u00e3o de Cultura Rede Cultural da Terra. O v\u00eddeo, de 15 minutos, chama-se \u201cENFF: um sonho em constru\u00e7\u00e3o\u201d e pode ser assistido no link www.mst.org.br\/node\/9047.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre os pilares do MST sempre estiveram a educa\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. 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