{"id":3265,"date":"2009-10-19T10:38:24","date_gmt":"2009-10-19T10:38:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2009\/10\/19\/mst-vai-s-ruas-para-garantir-novos-ndices\/"},"modified":"2017-10-03T14:25:14","modified_gmt":"2017-10-03T14:25:14","slug":"mst-vai-s-ruas-para-garantir-novos-ndices","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2009\/10\/19\/mst-vai-s-ruas-para-garantir-novos-ndices\/","title":{"rendered":"MST vai  \u00e0s ruas para garantir novos \u00edndices"},"content":{"rendered":"<p><!-- [if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]-->&nbsp;<\/p>\n<p><!--  \/* Font Definitions *\/  @font-face \t{font-family:Tahoma; \tpanose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; \tmso-font-charset:0; \tmso-generic-font-family:swiss; \tmso-font-pitch:variable; \tmso-font-signature:1627421319 -2147483648 8 0 66047 0;}  \/* Style Definitions *\/  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal \t{mso-style-parent:\"\"; \tmargin:0cm; \tmargin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:Tahoma; \tmso-fareast-font-family:\"Times New Roman\";} @page Section1 \t{size:612.0pt 792.0pt; \tmargin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; \tmso-header-margin:36.0pt; \tmso-footer-margin:36.0pt; \tmso-paper-source:0;} div.Section1 \t{page:Section1;} -->&nbsp;<\/p>\n<p><!-- [if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]--><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Vasconcelo Quadros, Jornal do Brasil<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma;\">BRAS\u00cdLIA &#8211; Mentor e principal dirigente do MST, o economista Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile reconhece que a destrui\u00e7\u00e3o do laranjal, em uma fazenda no interior de S\u00e3o Paulo, \u201cfoi negativa\u201d para o movimento e demonstra estar consciente de que a CPI que investigar\u00e1 os repasses de dinheiro p\u00fablico para a organiza\u00e7\u00e3o deve ser instalada, mas avisa que os sem-terra est\u00e3o atentos e reagir\u00e3o caso o governo se dobre \u00e0 press\u00e3o dos ruralistas e n\u00e3o mexa na estrutura da propriedade da terra no Brasil. \u2013 Vamos \u00e0s ruas para garantir a atualiza\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de produtividade \u2013 afirma St\u00e9dile nessa entrevista ao Jornal do Brasil ao tocar na quest\u00e3o principal da fase atual da luta pela terra. A ado\u00e7\u00e3o dos novos \u00edndices, compromisso do governo com o MST, deve gerar desapropria\u00e7\u00f5es e aumentar os estoques de terra dispon\u00edveis para a reforma agr\u00e1ria. Ainda assim, o dirigente diz que, \u201cinfelizmente\u201d, o presidente Lula perdeu a \u201coportunidade hist\u00f3rica de fazer a reforma\u201d. Sobre a acusa\u00e7\u00e3o de que o MST utiliza ONGs de fachada para receber recursos p\u00fablicos, St\u00e9dile lembra que o repasse de recursos s\u00e3o feitos atrav\u00e9s de um sistema de conv\u00eanios desenhado por Fernando Henrique Cardoso e garante que o MST n\u00e3o usa dinheiro p\u00fablico para invadir terras. \u2013 As ONGs fazem o papel que deveria ser do governo \u2013 afirma.<br \/>\n<!-- [if !supportLineBreakNewLine]--><br \/>\n<!--[endif]--><\/span><\/p>\n<p><!-- [if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]-->&nbsp;<\/p>\n<p><!--  \/* Font Definitions *\/  @font-face \t{font-family:Tahoma; \tpanose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; \tmso-font-charset:0; \tmso-generic-font-family:swiss; \tmso-font-pitch:variable; \tmso-font-signature:1627421319 -2147483648 8 0 66047 0;}  \/* Style Definitions *\/  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal \t{mso-style-parent:\"\"; \tmargin:0cm; \tmargin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:Tahoma; \tmso-fareast-font-family:\"Times New Roman\";} @page Section1 \t{size:612.0pt 792.0pt; \tmargin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; \tmso-header-margin:36.0pt; \tmso-footer-margin:36.0pt; \tmso-paper-source:0;} div.Section1 \t{page:Section1;} -->&nbsp;<\/p>\n<p><!-- [if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]--><strong><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma;\">O governo deve tomar uma decis\u00e3o em breve sobre os novos \u00edndices de produtividade para as grandes propriedades rurais. Que impacto a mudan\u00e7a pode provocar na estrutura fundi\u00e1ria?<br \/>\n<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma;\"><br \/>\n&#8211; O impacto \u00e9 pequeno. Mesmo assim, os latifundi\u00e1rios, o agroneg\u00f3cio e a m\u00eddia conservadora n\u00e3o admitem que se cumpra a Lei agr\u00e1ria, que determina a atualiza\u00e7\u00e3o regular dos \u00edndices de produtividade. Os dados utilizados atualmente s\u00e3o de 1975. Por que eles t\u00eam tanto medo? Fora isso, n\u00e3o basta apenas atualiza\u00e7\u00e3o dos \u00edndices para fazer a Reforma Agr\u00e1ria. \u00c9 preciso mudar o modelo agr\u00edcola e cumprir a Constitui\u00e7\u00e3o, que determina que sejam desapropriadas as grandes \u00e1reas que n\u00e3o tem fun\u00e7\u00e3o social e n\u00e3o cumprem a lei trabalhista, agridam o ambiente e estejam abaixo da m\u00e9dia da produtividade. O censo do IBGE concluiu que temos menos de 15 mil latifundi\u00e1rios com \u00e1reas maiores de 2.500 hectares, com um total de 98 milh\u00f5es de hectares. \u00c9 muita terra nas m\u00e3os de pouca gente, que nem mora no campo.<\/p>\n<p><strong>O MST est\u00e1 confiante numa decis\u00e3o favor\u00e1vel \u00e0 revis\u00e3o dos \u00edndices, ou h\u00e1 o receio de que o governo recue do compromisso assumido? Como o senhor imagina que o governo vai administrar a resist\u00eancia do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes?<br \/>\n<\/strong><br \/>\n&#8211; Quando o governo fez o an\u00fancio da atualiza\u00e7\u00e3o dos \u00edndices, j\u00e1 sabia da rea\u00e7\u00e3o dos setores conservadores e da posi\u00e7\u00e3o do ministro do agroneg\u00f3cio. N\u00e3o \u00e9 uma surpresa. Quem ganhou a elei\u00e7\u00e3o foi o Lula, n\u00e3o o ministro. N\u00e3o acreditamos que o governo volte atr\u00e1s. A mudan\u00e7a dos \u00edndices \u00e9 uma reivindica\u00e7\u00e3o dos camponeses e dos setores progressistas da sociedade. Somente com a for\u00e7a do apoio popular ao governo Lula poder\u00e3o ser modificados. E estamos atentos e vamos voltar \u00e0s ruas para denunciar a ofensiva do latif\u00fandio e garantir a atualiza\u00e7\u00e3o dos \u00edndices.<\/p>\n<p><strong>De que maneira o fato do governo oscilar politicamente entre o agroneg\u00f3cio e a agricultura familiar afeta as a\u00e7\u00f5es do MST? E como o senhor resumiria a vis\u00e3o que o MST tem hoje do que foram esses sete anos de governo Lula? Qual \u00e9 o aspecto mais positivo e qual o mais negativo?<br \/>\n<\/strong><br \/>\n&#8211; Infelizmente, o governo n\u00e3o fez a Reforma Agr\u00e1ria e perdemos mais uma oportunidade hist\u00f3rica. O censo agropecu\u00e1rio demonstra que aumentou a concentra\u00e7\u00e3o de terras no Brasil, que \u00e9 l\u00edder nesse vergonhoso ranking mundial. Temos fam\u00edlias acampadas h\u00e1 seis anos. O governo \u00e9 de composi\u00e7\u00e3o de interesses, sob hegemonia dos bancos, das transnacionais e do agroneg\u00f3cio. A agricultura familiar e camponesa \u00e9 mais eficiente, produz alimentos em menor \u00e1rea, gera mais empregos, embora receba menos recursos do que o agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p><strong>A repercuss\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o de parte do laranjal na \u00e1rea ocupada pela Cutrale e a conjuntura podem impor alguma mudan\u00e7a de t\u00e1tica do MST? O movimento repetiria as a\u00e7\u00f5es no local?<br \/>\n<\/strong><br \/>\n&#8211; A repercuss\u00e3o foi negativa. Foi uma manipula\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica e ideol\u00f3gica, a partir de uma atitude desesperada das fam\u00edlias acampadas. Viver em um acampamento por anos e anos leva a uma situa\u00e7\u00e3o limite. H\u00e1 muitos vandalismos que o agroneg\u00f3cio e o latif\u00fandio cometem que s\u00e3o consentidos pela m\u00eddia. N\u00e3o podemos aceitar o vandalismo do agroneg\u00f3cio de usar 713 milh\u00f5es de litros de venenos agr\u00edcolas por ano, que degradam o ambiente, envenenam as \u00e1guas e os alimentos. Depois de diversas ocupa\u00e7\u00f5es na fazenda da Cutrale, conseguimos denunciar que a maior empresa do setor de suco de laranja do mundo usa um artif\u00edcio arcaico da grilagem de terras. Por conta do monop\u00f3lio da Cutrale no com\u00e9rcio de suco e da imposi\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os, agricultores que plantam laranjas foram obrigados a destruir entre 1996 a 2006 cerca de 280 mil hectares de laranjais.<\/p>\n<p><strong>A a\u00e7\u00e3o contribuiu para aumentar o apoio de parlamentares \u00e0 CPI do MST? Como o movimento reagir\u00e1 \u00e0 sua poss\u00edvel instala\u00e7\u00e3o? O senhor teria algum problema para comparecer ao Congresso e prestar esclarecimentos?<br \/>\n<\/strong><br \/>\n&#8211; Essa CPI \u00e9 contra o MST. A Rede Globo forjou um esc\u00e2ndalo contra a Reforma Agr\u00e1ria. As imagens foram utilizadas pela direita, pela bancada ruralista e pela m\u00eddia para desgastar o MST e for\u00e7ar uma CPI que j\u00e1 tinha sido derrotada. J\u00e1 foram criadas as CPI da Terra e das Ongs contra o nosso movimento, com investiga\u00e7\u00f5es exaustivas sobre os temas requentados atualmente. Podemos prestar todo e qualquer esclarecimento. J\u00e1 existem institui\u00e7\u00f5es que fazem o controle dos conv\u00eanios do governo com entidades da Reforma Agr\u00e1ria, como o CGU, TCU e o MP. Esses parlamentares n\u00e3o confiam nesses \u00f3rg\u00e3os? O tanto de CPI instaladas no \u00faltimo per\u00edodo levaram esse instrumento importante a uma banaliza\u00e7\u00e3o. A CPI contra o MST, por exemplo, tem motiva\u00e7\u00e3o eleitoral. O demo Ronaldo Caiado, que \u00e9 fundador da UDR, confessou que o verdadeiro objetivo da CPI \u00e9 comprovar que o governo repassa dinheiro para o MST fazer campanha para a Dilma. Essa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 no m\u00ednimo rid\u00edcula para qualquer sujeito bem informado, se n\u00e3o viesse de uma mente improdutiva e reacion\u00e1ria como todo latif\u00fandio.<\/p>\n<p><strong>Qual a rela\u00e7\u00e3o que o MST mant\u00e9m com as ONGs que receberam verbas do governo e s\u00e3o apontadas como entidades de fachada do movimento?<br \/>\n<\/strong><br \/>\n&#8211; As entidades da Reforma Agr\u00e1ria atuam em assentamentos do MST e de outros movimentos sociais e sindicais, prestam servi\u00e7os nas \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, assist\u00eancia t\u00e9cnica e educa\u00e7\u00e3o. Contratam professores e agr\u00f4nomos para atuar nos assentamentos. Fazem o papel que deveria ser do Estado. O Estado foi dilapidado pelo governo FHC, que inventou essa hist\u00f3ria de conv\u00eanios com Ongs. N\u00f3s sempre defendemos que o Estado retome os servi\u00e7os de natureza p\u00fablica, tanto nos assentamentos como em todo pa\u00eds. Nunca utilizamos dinheiro p\u00fablico para fazer ocupa\u00e7\u00e3o de terra. Os inimigos da reforma agr\u00e1ria atacam essas entidades porque querem que os assentamentos d\u00eaem errado. Se est\u00e3o preocupados com o dinheiro p\u00fablico, por que n\u00e3o fazem investiga\u00e7\u00f5es sobre os recursos destinados aos empres\u00e1rios do sistema S, do SENAR e SESCOOP? E essas feiras de agroexposi\u00e7\u00e3o para fazer propaganda e tantos outros utilizados sempre em beneficio do latif\u00fandio e dos ricos? Voc\u00ea tem id\u00e9ia de quanto o Tesouro Nacional paga por ano das diferen\u00e7as de juros das renegocia\u00e7\u00f5es de d\u00edvidas dos ruralistas? S\u00e3o mais de 2 bilh\u00f5es de reais!<\/p>\n<p><strong>Como o senhor avalia a rea\u00e7\u00e3o de autoridades do governo, especialmente do presidente Lula condenando e classificando o ato de \u201cvandalismo\u201d? Surpreendeu a maneira veemente como figuras que trabalham pela reforma agr\u00e1ria dentro do governo, a exemplo do ministro Guilherme Cassel e do presidente do Incra, Rolf Hackbart, criticaram a a\u00e7\u00e3o?<br \/>\n<\/strong><br \/>\n&#8211; N\u00f3s tamb\u00e9m condenamos vandalismo. O presidente Lula e os ministros n\u00e3o tinham conhecimento da vers\u00e3o das fam\u00edlias acampadas e do ministro de Seguran\u00e7a Institucional general F\u00e9lix. As fam\u00edlias nos disseram que n\u00e3o roubaram nem depredaram nada. Da sa\u00edda das fam\u00edlias at\u00e9 a entrada da imprensa, o espa\u00e7o da fazenda foi preparado para produzir imagens de impacto. A direita utilizou repetidamente por meio da m\u00eddia as imagens contra a Reforma Agr\u00e1ria. N\u00e3o vimos nunca a imprensa denunciar a grilagem nem a super-explora\u00e7\u00e3o que a Cutrale imp\u00f5e aos agricultores. O vandalismo da viol\u00eancia social nas grandes cidades provocadas pelo \u00eaxodo rural parece n\u00e3o escandalizar a m\u00eddia. Voc\u00eas do Rio n\u00e3o assistem os vandalismos provocados pelas for\u00e7as de repress\u00e3o em despejos de fam\u00edlias sem teto. A pol\u00edcia de S\u00e3o Paulo usou trator de esteira para destruir barracos em uma favela. Isso sim \u00e9 vandalismo contra o povo brasileiro.<\/p>\n<p><strong>Que an\u00e1lise o senhor faz do censo agropecu\u00e1rio do IBGE?<br \/>\n<\/strong><br \/>\n&#8211; \u00c9 um retrato da realidade agr\u00e1ria brasileira, uma vez que os pesquisadores v\u00e3o pessoalmente a todos os estabelecimentos agr\u00e1rios. Os dados demonstram o que j\u00e1 est\u00e1vamos denunciando e sentindo no dia a dia: nos \u00faltimos dez anos, houve uma brutal concentra\u00e7\u00e3o da propriedade da terra no Brasil. As propriedades acima de mil hectares controlam nada menos que 43% de todas as terras do pa\u00eds. J\u00e1 as propriedades com menos de 10 hectares det\u00eam apenas 2,7% das terras. Por outro lado, comprovou que a agricultura familiar e camponesa emprega 75% da m\u00e3o-de-obra e produz 75% de todos os alimentos, embora receba menos financiamento p\u00fablico. Demonstrou que o agroneg\u00f3cio \u00e9 um modelo para produzir commodities, \u00e0s custas da concentra\u00e7\u00e3o de terras, do \u00eaxodo rural, do aumento da pobreza e do envenenamento dos alimentos e da nossa natureza. \u00c9 um esc\u00e2ndalo!<\/p>\n<p><strong>E da pesquisa da CNA\/Ibope sobre os assentamentos?<br \/>\n<\/strong><br \/>\n&#8211; Foi uma pesquisinha de opini\u00e3o em nove assentamentos, que n\u00e3o tem relev\u00e2ncia nenhuma. \u00c9 uma perda de tempo. Nos surpreende o Ibope e a imprensa gastar tempo com isso. Um estudo relevante e necess\u00e1rio faria a compara\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea antes e depois da cria\u00e7\u00e3o do assentamento, mesmo nesse quadro desfavor\u00e1vel para a pequena agricultura e para os assentamentos.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a realidade dos assentamentos rurais em geral, em especial daqueles que resultaram da luta organizada pelo MST? Qual a maior dificuldade enfrentada hoje pelas fam\u00edlias assentadas?<br \/>\n<\/strong><br \/>\n&#8211; Muitos assentamentos ainda enfrentam muitas dificuldades nas \u00e1reas de infra-estrutura p\u00fablica e cr\u00e9dito para produ\u00e7\u00e3o. No entanto, os assentados deixam de ser explorados, t\u00eam trabalho, comida e escola para os filhos. A maioria j\u00e1 tem uma casa pr\u00f3pria melhor de quando eram sem-terra. A maior dificuldade \u00e9 que os assentamentos sozinhos n\u00e3o se viabilizam, sem que haja uma prioridade para um novo modelo agr\u00edcola. Precisamos de um programa para a implanta\u00e7\u00e3o de agroind\u00fastrias, na forma de cooperativas, para que se agregue valor e os trabalhadores aumentem a renda e d\u00eaem emprego aos jovens. \u00c9 preciso construir escolas e capacitar professores em todos os n\u00edveis, para os jovens n\u00e3o irem para a cidade. \u00c9 necess\u00e1rio um programa para o desenvolvimento de t\u00e9cnicas agroecol\u00f3gicas, que permitem aumentar a produtividade sem usar veneno, produzindo assim alimentos sadios e baratos para a cidade.<\/p>\n<p><strong>Entre os \u00abpresidenci\u00e1veis\u00bb, quem mais agrada ao MST e seus militantes? Mais especificamente, a ministra Dilma Rousseff pode contar com o apoio do movimento em 2010? E a conjuntura pol\u00edtica p\u00f3s-Lula pode for\u00e7ar alguma mudan\u00e7a t\u00e1tica do movimento?<br \/>\n<\/strong><br \/>\n&#8211; Sempre preservamos a nossa autonomia. Os nossos militantes participam das elei\u00e7\u00f5es como cidad\u00e3os brasileiros. Claro que sempre votam em candidatos que sejam a favor da reforma agr\u00e1ria e de mudan\u00e7as sociais. Nossa vontade pol\u00edtica \u00e9 impedir a volta do neoliberalismo e discutir um projeto popular de desenvolvimento para o pa\u00eds, que fa\u00e7a mudan\u00e7as estruturais para resolver os problemas do povo. Infelizmente, cada vez que chega o per\u00edodo eleitoral, a direita se assanha e passa usar todos expedientes para tentar impedir qualquer mudan\u00e7a.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Vasconcelo Quadros, Jornal do Brasil \u00a0 BRAS\u00cdLIA &#8211; Mentor e principal dirigente do MST, o economista Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile reconhece que a destrui\u00e7\u00e3o do laranjal, em uma fazenda no interior de S\u00e3o Paulo, \u201cfoi negativa\u201d para o movimento e demonstra estar consciente de que a CPI que investigar\u00e1 os repasses de dinheiro p\u00fablico [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[6],"class_list":["post-3265","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-publicaciones","tag-articulos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3265","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3265"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3265\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4905,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3265\/revisions\/4905"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3265"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3265"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3265"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}