{"id":3263,"date":"2009-10-19T10:35:17","date_gmt":"2009-10-19T10:35:17","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2009\/10\/19\/cese-apia-mst-e-condena-criminalizao\/"},"modified":"2017-10-03T14:25:48","modified_gmt":"2017-10-03T14:25:48","slug":"cese-apia-mst-e-condena-criminalizao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2009\/10\/19\/cese-apia-mst-e-condena-criminalizao\/","title":{"rendered":"CESE apoia MST e condena criminaliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><!-- [if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]-->&nbsp;<\/p>\n<p><!--  \/* Font Definitions *\/  @font-face \t{font-family:Tahoma; \tpanose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; \tmso-font-charset:0; \tmso-generic-font-family:swiss; \tmso-font-pitch:variable; \tmso-font-signature:1627421319 -2147483648 8 0 66047 0;}  \/* Style Definitions *\/  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal \t{mso-style-parent:\"\"; \tmargin:0cm; \tmargin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:Tahoma; \tmso-fareast-font-family:\"Times New Roman\";} @page Section1 \t{size:612.0pt 792.0pt; \tmargin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; \tmso-header-margin:36.0pt; \tmso-footer-margin:36.0pt; \tmso-paper-source:0;} div.Section1 \t{page:Section1;} -->&nbsp;<\/p>\n<p><!-- [if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]--><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt;\">16 de outubro de 2009<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt;\">A Coordenadoria Ecum\u00eanica de Servi\u00e7o \u2013 CESE, organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental sediada em Salvador, que congrega v\u00e1rias igrejas evang\u00e9licas e tamb\u00e9m a Igreja Cat\u00f3lica, divulgou nota de apoio ao MST, em defesa da revis\u00e3o dos \u00edndices de produtividade e contra a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais. Leia a nota:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><!-- [if !mso]> \n\n<style> v:* {behavior:url(#default#VML);} o:* {behavior:url(#default#VML);} w:* {behavior:url(#default#VML);} .shape {behavior:url(#default#VML);} <\/style>\n\n <![endif]--><!-- [if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]-->&nbsp;<\/p>\n<p><!--  \/* Font Definitions *\/  @font-face \t{font-family:\"Arial Unicode MS\"; \tpanose-1:2 11 6 4 2 2 2 2 2 4; \tmso-font-charset:128; \tmso-generic-font-family:swiss; \tmso-font-pitch:variable; \tmso-font-signature:-1 -369098753 63 0 4129279 0;} @font-face \t{font-family:Tahoma; \tpanose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; \tmso-font-charset:0; \tmso-generic-font-family:swiss; \tmso-font-pitch:variable; \tmso-font-signature:1627421319 -2147483648 8 0 66047 0;} @font-face \t{font-family:\"@Arial Unicode MS\"; \tpanose-1:2 11 6 4 2 2 2 2 2 4; \tmso-font-charset:128; \tmso-generic-font-family:swiss; \tmso-font-pitch:variable; \tmso-font-signature:-1 -369098753 63 0 4129279 0;}  \/* Style Definitions *\/  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal \t{mso-style-parent:\"\"; \tmargin:0cm; \tmargin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:Tahoma; \tmso-fareast-font-family:\"Times New Roman\";} @page Section1 \t{size:595.3pt 841.9pt; \tmargin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; \tmso-header-margin:35.4pt; \tmso-footer-margin:35.4pt; \tmso-paper-source:0;} div.Section1 \t{page:Section1;} -->&nbsp;<\/p>\n<p><!-- [if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]--><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt;\">APOIO AO MST<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Em defesa da revis\u00e3o dos \u00edndices de produtividade e contra a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt;\">\u00abRecentemente, comemoramos uma importante vit\u00f3ria dos movimentos sociais. Gra\u00e7as \u00e0 ades\u00e3o de entidades de defesa de direitos, intelectuais, professores, juristas, escritores, artistas e cidad\u00e3os do pa\u00eds e exterior, foram reunidas mais de quatro mil assinaturas para o Manifesto em Defesa da Democracia e do MST.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt;\">O documento mobilizou a sociedade para apoiar o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e conseguiu impedir a instala\u00e7\u00e3o de uma CPI proposta pela bancada ruralista, com apoio da grande m\u00eddia, que tentava criminalizar o Movimento. Para o MST, a CPI seria uma repres\u00e1lia \u00e0 press\u00e3o que a entidade vem fazendo para a revis\u00e3o dos \u00edndices de produtividade, defasados desde 1975.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt;\">A Comiss\u00e3o Parlamentar Mista de Inqu\u00e9rito contra o MST foi arquivada por n\u00famero insuficiente de assinaturas. Ao todo, 45 deputados federais desistiram de assinar a proposta protocolada por tr\u00eas pol\u00edticos do DEM: a senadora K\u00e1tia Abreu (DEM-TO) e os deputados federais Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Onyx Lorenzoni (DEM-RS), l\u00edderes da bancada ruralista no Congresso Nacional.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt;\">A CESE assinou o Manifesto e continua apoiando os trabalhadores rurais na campanha pela revis\u00e3o dos \u00edndices de produtividade. Principalmente num momento como este, em que foram divulgados dados do Censo Agropecu\u00e1rio pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), comprovando o que o Movimento vinha denunciando: a concentra\u00e7\u00e3o de terras aumentou no Brasil nos \u00faltimos 10 anos!\u00bb<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt;\">GRILAGEM DO LARANJAL<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Segundo Eliana Rolemberg, Diretora Executiva da CESE, \u00e9 impressionante como a justi\u00e7a, o congresso e a m\u00eddia tratam de maneira absolutamente diferente as quest\u00f5es que envolvem o conflito de terras. \u201cDe um lado, vemos uma impunidade absurda no caso de assassinatos de trabalhadores rurais, de defensores dos direitos humanos e at\u00e9 de religiosos que defendem a reforma agr\u00e1ria e a posse de terras por agricultores e popula\u00e7\u00f5es tradicionais.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Por outro, \u00e9 imediato o julgamento das a\u00e7\u00f5es do MST, numa atitude quase generalizada de criminalizar o Movimento, sem antes descobrir as causas, apurar os fatos\u201d, afirma Eliana, que cita o caso ocorrido na fazenda Cutrale, em S\u00e3o Paulo, uma das maiores empresas do agroneg\u00f3cio brasileiro, que planta laranjas para exporta\u00e7\u00e3o em terreno ocupado irregularmente, grilando terras p\u00fablicas.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\n<p class=\"MsoNormal\">\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt;\">Relator da ONU defende a\u00e7\u00e3o do MST no Brasil<br \/>\n<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 9pt;\"><br \/>\nAE &#8211; Agencia Estado, 17 de outubro de 2009<\/p>\n<p>S\u00c3O PAULO &#8211; O advogado belga Olivier De Schutter, relator especial da<br \/>\nOrganiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para o Direito \u00e0 Alimenta\u00e7\u00e3o, defendeu<br \/>\nontem em Bras\u00edlia a estrat\u00e9gia do Movimento dos Sem-Terra (MST) de ocupar<br \/>\nterras e exigir sua destina\u00e7\u00e3o para a reforma agr\u00e1ria. \u00ab\u00c9 uma forma de<br \/>\nchamar a aten\u00e7\u00e3o para o problema\u00bb, disse De Schutter em entrevista<br \/>\ncoletiva, segundo informa\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>O relator tamb\u00e9m fez refer\u00eancias \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria no Pa\u00eds, que,<br \/>\nal\u00e9m de ser alta na compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses, aumentou nos \u00faltimos<br \/>\nanos, conforme levantamento estat\u00edstico divulgado pelo Instituto<br \/>\nBrasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) em setembro. \u00abA concentra\u00e7\u00e3o<br \/>\nfundi\u00e1ria \u00e9 um problema no Brasil\u00bb, apontou De Schutter.<\/p>\n<p>O relator da ONU veio ao Brasil para participar de um semin\u00e1rio<br \/>\ninternacional sobre direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, organizado pelo Minist\u00e9rio do<br \/>\nDesenvolvimento Social, e para coletar dados para um estudo sobre<br \/>\nproblemas relacionados \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o ao redor do mundo. Segundo suas<br \/>\ndeclara\u00e7\u00f5es, o acesso \u00e0 terra \u00e9 uma das quest\u00f5es centrais no debate sobre<br \/>\na produ\u00e7\u00e3o de alimentos. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal O Estado de S.<br \/>\nPaulo.<\/p>\n<p><strong>DISCURSO DA DEPUTADA\u00a0 IRINY LOPES (pt-es)\u00a0 Na CAMARA DOS DEPUTADOS<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt;\">15 de outubro de 2009<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">A tentativa de criminaliza\u00e7\u00e3o do MST por parte de ruralistas n\u00e3o \u00e9 recente. Uma lideran\u00e7a sem terra do Esp\u00edrito Santo costuma dizer que para os latifundi\u00e1rios \u201cpior do que pobre \u00e9 pobre organizado\u201d.\u00a0 Essa \u00e9 a hist\u00f3ria do escravismo reprisada num moto-cont\u00ednuo desde o Brasil colonial. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Os sem terra de hoje s\u00e3o os negros do passado (e do presente tamb\u00e9m). Os assentamentos s\u00e3o os quilombos que os senhores de engenho da atualidade pretendem dizimar, usando, como outrora, for\u00e7as policiais, pol\u00edticas, judici\u00e1rias, al\u00e9m do aparato midi\u00e1tico.\u00a0 S\u00f3 isso justifica a \u00faltima investida da CNA contra o MST, ao encomendar ao Ibope uma pesquisa deliberadamente direcionada e com amostragem fr\u00e1gil, para demonstrar o fracasso da reforma agr\u00e1ria. Nenhum pesquisador mais atento consideraria significativo generalizar a realidade de mais de oito mil assentamentos, onde vivem 870 mil fam\u00edlias, em uma pesquisa feita em apenas nove assentamentos, envolvendo mil fam\u00edlias. Isso significa 0,1% do total. Um dos locais escolhidos pela CNA\/Ibope para o levantamento \u00e9 um assentamento da d\u00e9cada de 70, dentro do Projeto Integrado de Coloniza\u00e7\u00e3o, portanto, da ditadura militar, e que j\u00e1 est\u00e1 incorporado \u00e0 regi\u00e3o metropolitana de Recife. \u00c9 curioso que tenha sido escolhido um exemplo que n\u00e3o pode sequer se considerado assentamento. Esse \u00e9 apenas um dos fatos question\u00e1veis nesse trabalho.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">\u00c9 no m\u00ednimo desonesto querer analisar a Reforma Agr\u00e1ria sob a \u00f3tica do capitalismo e colocar como par\u00e2metro de produtividade o agroneg\u00f3cio que a CNA defende. Reforma Agr\u00e1ria para os sem terra, assim como para quilombolas e \u00edndios, igualmente v\u00edtimas da invas\u00e3o de terras, da grilagem desmedida dos grandes neg\u00f3cios, n\u00e3o \u00e9 apenas ocupa\u00e7\u00e3o territorial. \u00c9 quest\u00e3o de vida, de cidadania, de seguran\u00e7a alimentar, de cultura e hist\u00f3ria de um povo. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Em 1988, a sociedade brasileira, calada e oprimida por um regime militar que durou duas d\u00e9cadas, foi \u00e0s ruas e exigiu que os parlamentares constituintes garantissem na lei m\u00e1xima do pa\u00eds direitos negados h\u00e1 mais de 500 anos por uma elite que continua, como antes, voraz, violenta e, para ser redundante, antidemocr\u00e1tica. A Constitui\u00e7\u00e3o de 88 \u00e9 o retrato do que n\u00f3s brasileiros consideramos o m\u00ednimo de repara\u00e7\u00e3o. Terras devolutas, griladas, improdutivas devem ser, necessariamente, destinadas \u00e0 Reforma Agr\u00e1ria. Comunidades quilombolas e ind\u00edgenas t\u00eam direito ao reconhecimento de suas \u00e1reas. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Em qualquer lugar do mundo lei \u00e9 para ser cumprida. No Brasil, desde a invas\u00e3o portuguesa, existe para ser \u201cinterpretada\u201d e aplicada conforme o interesse de latifundi\u00e1rios, dos grandes projetos, da elite, com anu\u00eancia do Judici\u00e1rio. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Um exemplo clar\u00edssimo \u00e9 o da transnacional de sucos Cutrale, em S\u00e3o Paulo, que a TV repetiu exaustivamente imagens de sem terra destruindo p\u00e9s de laranja. A Comiss\u00e3o Pastoral da Terra lembra que a \u00e1rea faz parte de um complexo de 30 mil hectares divididos em v\u00e1rias fazendas e que pertencem \u00e0 Uni\u00e3o. \u201cA fazenda Capim, com mais de 2,7 mil hectares, foi grilada pela Sucoc\u00edtrico Cutrale\u201d h\u00e1 quase cinco anos, sabendo que se tratava de invas\u00e3o de terra p\u00fablica.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Diz a CPT: \u201ca a\u00e7\u00e3o dos sem terra tinha inten\u00e7\u00e3o de chamar a aten\u00e7\u00e3o para o fato de uma terra p\u00fablica ter sido grilada por uma grande empresa e pressionar o Judici\u00e1rio, j\u00e1 que, h\u00e1 anos, o Incra entrou com a\u00e7\u00e3o para ser imitido na posse destas terras que s\u00e3o da Uni\u00e3o. As primeiras ocupa\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o aconteceram em 1995. Passados mais de 10 anos, algumas \u00e1reas foram arrecadadas e hoje s\u00e3o assentamentos. A maioria das terras, por\u00e9m, ainda est\u00e1 nas m\u00e3os de grandes grupos econ\u00f4micos\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Quem foi criminoso nessa hist\u00f3ria: a multinacional que invadiu deliberadamente uma \u00e1rea p\u00fablica, contando que ter\u00e1 uma regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria a seu favor, ou 450 fam\u00edlias que aguardam h\u00e1 mais de 10 anos, acampadas em lonas na beira de estrada, debaixo de sol e chuva, que o governo e o Judici\u00e1rio cumpram a Constitui\u00e7\u00e3o e destinem as terras para reforma agr\u00e1ria? <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Temos no Esp\u00edrito Santo situa\u00e7\u00e3o semelhante com a Fazenda Ipiranga, em Ponto Belo. H\u00e1 nove anos, as fam\u00edlias esperam acampadas pela resolu\u00e7\u00e3o do caso.\u00a0 O processo j\u00e1 concluiu pela destina\u00e7\u00e3o da \u00e1rea para fins de reforma agr\u00e1ria, faltando apenas uma assinatura para conclus\u00e3o. Reconhecer direitos significa efetiv\u00e1-los na pr\u00e1tica. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Os ataques do que o MST tem sido v\u00edtima nos \u00faltimos anos n\u00e3o \u00e9 gratuito. A criminaliza\u00e7\u00e3o faz parte de uma estrat\u00e9gia para dizimar resist\u00eancias. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">O que \u00e9 crime neste pa\u00eds, cuja lei existe para ser ignorada pelo pr\u00f3prio Judici\u00e1rio: \u00e9 1% de todos os propriet\u00e1rios controlarem 46% das terras (cerca de 98 milh\u00f5es de hectares), ou mantermos durante d\u00e9cadas 130 mil fam\u00edlias brasileiras acampadas \u00e0 beira da estrada, \u00e0 espera de um peda\u00e7o de terra para plantar e sobreviver?<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Esse par\u00e2metro cruel e desigual faz com que o pa\u00eds, a despeito dos avan\u00e7os sociais do governo Lula, n\u00e3o consiga reverter sua sina, a hereditariedade, as sesmarias de antigamente e suas viol\u00eancias di\u00e1rias contra os pobres desse lugar.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt; line-height: 16pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">N\u00e3o s\u00e3o esses poucos latifundi\u00e1rios que colocam alimento na mesa do brasileiro. Isso, o Censo agropecu\u00e1rio de 2006, divulgado recentemente, revelou. A agricultura familiar (na qual se inclui assentamentos), embora ocupe apenas 24,3% da \u00e1rea total dos estabelecimentos agropecu\u00e1rios, \u00e9 respons\u00e1vel por 40% do Valor Bruto da Produ\u00e7\u00e3o gerado. E \u00e9 ela tamb\u00e9m quem mais emprega: \u00e9 respons\u00e1vel por 75% da m\u00e3o-de-obra no campo. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">O Censo nos diz ainda algo que devemos analisar com a responsabilidade que a nossa fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica exige: o Brasil \u00e9 o pa\u00eds com maior concentra\u00e7\u00e3o de terras do planeta. Tanta desigualdade \u00e9, por si mesma, uma viol\u00eancia que n\u00f3s parlamentares n\u00e3o podemos assistir passivamente. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">E aqui, evoco a mem\u00f3ria do amigo, companheiro campon\u00eas Ad\u00e3o Pretto, que como deputado federal defendeu durante anos os sem terra dos ataques da imensa bancada ruralista, que queria, inclusive, classificar o MST como entidade terrorista, na CPMI da Terra. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Ad\u00e3o era um, mas quando defendia seu povo parecia um ex\u00e9rcito. Como se centenas de ancestrais estivessem a lhe dar for\u00e7a necess\u00e1ria para encarar a maior bancada do Congresso. Meu querido companheiro se foi nesse in\u00edcio de ano. Ad\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 mais aqui, mas a sua luta n\u00e3o morreu. E \u00e9 em nome dela que conclamo todos os companheiros de esquerda do Legislativo, \u00e0queles que n\u00e3o toleram a injusti\u00e7a, a desigualdade, que n\u00e3o conseguem assistir indiferentes a fome e a mis\u00e9ria de um povo constru\u00edda pelos lucros das grandes empresas, dos latifundi\u00e1rios, que levantem a voz contra a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais. Porque eles s\u00e3o maioria de direito e de fato nesse pa\u00eds. E \u00e9 em nome deles e em mem\u00f3ria de Ad\u00e3o Pretto que eu respondo aos que nos julgam distantes da luta: \u201cpresente\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 10pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt;\">Colunas<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><em><span style=\"font-size: 9pt;\">16 de Outubro de 2009 &#8211; 0h31<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt;\">\u00a0Viva o MST!<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><em><span style=\"font-size: 9pt;\">Jo\u00e3o Guilherme Vargas Netto *<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt;\">\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt;\">Voc\u00eas podem n\u00e3o concordar comigo, mas admiro, apoio e defendo o MST. Ou, como eles dizem, sou amigo do MST.<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Em seus 25 anos de lutas, o movimento conseguiu fazer de sua plataforma- a reforma agr\u00e1ria e a posse da terra pelo trabalhador- um tema essencial da vida brasileira.<\/p>\n<p>Na dureza das condi\u00e7\u00f5es em que vivem milh\u00f5es de camponeses, mesmo os rec\u00e9m-chegados nas cidades e os assentados, o MST tem conseguido desempenhar um papel civilizador que emociona quem deseja o progresso social, a democracia e o fortalecimento da sociedade brasileira como um todo.<\/p>\n<p>Seus inimigos, os reacion\u00e1rios, os latifundi\u00e1rios e a grande imprensa, s\u00e3o cru\u00e9is e bem articulados. Por d\u00e1 c\u00e1 aquela palha, tentam incendiar o ambiente e isolar, derrotar, desmoralizar e destruir o MST. \u00c0s vezes ap\u00f3iam-se em erros cometidos; mas na maioria dos casos escondem-se atr\u00e1s dos assassinatos, das provoca\u00e7\u00f5es e da repress\u00e3o brutal.<\/p>\n<p>O movimento sindical dos trabalhadores tem muito a aprender com o MST. Destaco tr\u00eas aspectos:<\/p>\n<p>1) A const\u00e2ncia dos objetivos- uma vez estabelecida sua pauta, o MST persegue a sua realiza\u00e7\u00e3o com v\u00e1rias t\u00e1ticas- ocupar, resistir, produzir- que se desdobram no tempo e se adaptam \u00e0s condi\u00e7\u00f5es em todas as regi\u00f5es do Brasil;<\/p>\n<p>2) A qualifica\u00e7\u00e3o dos dirigentes e ativistas- o esfor\u00e7o permanente \u00e9 o da forma\u00e7\u00e3o, desde as crian\u00e7as at\u00e9 fam\u00edlias inteiras. As escolas do MST s\u00e3o exemplares e o seu sistema de ensino, baseado na m\u00edstica e educa\u00e7\u00e3o de qualidade, ultrapassa com folga as necessidades imediatas do movimento;<\/p>\n<p>3) O esp\u00edrito de milit\u00e2ncia- as bandeiras do MST, as mais amplas ou as mais restritas, s\u00e3o ardorosamente levantadas, junto com as foices, em todas as manifesta\u00e7\u00f5es realizadas, com<br \/>\nconst\u00e2ncia e consci\u00eancia.<\/p>\n<p>O movimento sindical dos trabalhadores, com sua experi\u00eancia unit\u00e1ria e respeitando as diferen\u00e7as, deveria fazer um esfor\u00e7o urgente de aproxima\u00e7\u00e3o com o MST e escut\u00e1-lo com mais aten\u00e7\u00e3o e assiduidade.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><span style=\"font-size: 9pt;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt;\"><!-- [if gte vml 1]><v_shapetype  id=\"_x0000_t75\" coordsize=\"21600,21600\" o_spt=\"75\" o_preferrelative=\"t\"  path=\"m@4@5l@4@11@9@11@9@5xe\" filled=\"f\" stroked=\"f\">  <v_stroke joinstyle=\"miter\"\/>  <v_formulas>   <v_f eqn=\"if lineDrawn pixelLineWidth 0\"\/>   <v_f eqn=\"sum @0 1 0\"\/>   <v_f eqn=\"sum 0 0 @1\"\/>   <v_f eqn=\"prod @2 1 2\"\/>   <v_f eqn=\"prod @3 21600 pixelWidth\"\/>   <v_f eqn=\"prod @3 21600 pixelHeight\"\/>   <v_f eqn=\"sum @0 0 1\"\/>   <v_f eqn=\"prod @6 1 2\"\/>   <v_f eqn=\"prod @7 21600 pixelWidth\"\/>   <v_f eqn=\"sum @8 21600 0\"\/>   <v_f eqn=\"prod @7 21600 pixelHeight\"\/>   <v_f eqn=\"sum @10 21600 0\"\/>  <\/v_formulas>  <v_path o_extrusionok=\"f\" gradientshapeok=\"t\" o_connecttype=\"rect\"\/>  <o_lock v_ext=\"edit\" aspectratio=\"t\"\/> <\/v_shapetype><v_shape id=\"_x0000_i1025\" type=\"#_x0000_t75\" alt=\"\" style='width:41.25pt;  height:45pt'\/><![endif]--><!-- [if !vml]--><br \/>\n<!--[endif]--><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt;\">* \u00c9 consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em S\u00e3o Paulo<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 9pt;\">16.10.2009<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><strong><u><span style=\"font-size: 9pt;\">MST X CUTRALE<\/span><\/u><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><strong><span style=\"font-size: 9pt;\">\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><strong><span style=\"font-size: 9pt;\">O que \u00e9 <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><strong><span style=\"font-size: 9pt;\">mais chocante?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 9pt;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><strong><u><span style=\"font-size: 9pt;\">Hamilton Octavio de Souza<\/span><\/u><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Na \u00faltima semana, primeiro a TV Globo, depois os demais ve\u00edculos da grande imprensa neoliberal, exploraram ao m\u00e1ximo \u2013 com sensacionalismo e forte dose de criminaliza\u00e7\u00e3o \u2013 a imagem de trabalhadores sem terra arrancando p\u00e9s de laranja numa \u00e1rea grilada da empresa multinacional Cutrale, no munic\u00edpio de Iaras, interior de S\u00e3o Paulo. Evidentemente o assunto teve grande repercuss\u00e3o p\u00fablica e foi alvo de manifesta\u00e7\u00f5es precipitadas e raivosas de setores da direita \u2013 muito mais por afirma\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica do que pela relev\u00e2ncia dos fatos.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent: 35.4pt;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Pouco se falou que a terra invadida pela empresa Cutrale pertence \u00e0 Uni\u00e3o, \u00e9 terra p\u00fablica, e que deveria ter sido usada para assentamento da reforma agr\u00e1ria h\u00e1 muitos anos, conforme projeto do INCRA, mas que foi grilada e vendida para particulares de forma ilegal. Tanto \u00e9 que a \u00e1rea \u00e9 ainda hoje objeto de in\u00fameras a\u00e7\u00f5es e pend\u00eancias judiciais. O crime original \u2013 grilagem \u2013 foi ignorado pela m\u00eddia.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Portanto, a ocupa\u00e7\u00e3o feita pelas fam\u00edlias e trabalhadores rurais sem terra foi leg\u00edtima e estrat\u00e9gica, na medida em que reafirmou a defesa do patrim\u00f4nio da Uni\u00e3o e chamou a aten\u00e7\u00e3o das autoridades para a destina\u00e7\u00e3o inicial da \u00e1rea, que \u00e9 o projeto de assentamento de fam\u00edlias empenhadas em viver, trabalhar e produzir no campo. Chamou a aten\u00e7\u00e3o da sociedade tamb\u00e9m para a necess\u00e1ria e urgente planta\u00e7\u00e3o de alimentos, j\u00e1 que o Brasil tem sido obrigado a importar arroz, feij\u00e3o e trigo \u2013 enquanto o agroneg\u00f3cio s\u00f3 se preocupa com produtos de exporta\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">L\u00e1 mesmo em Iaras, mais de 400 fam\u00edlias est\u00e3o acampadas e aguardam, h\u00e1 anos, uma decis\u00e3o da Justi\u00e7a sobre aquelas terras. Se tivessem sido regularizadas pela reforma agr\u00e1ria, com certeza estariam rendendo alimentos mais baratos para o povo brasileiro.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">O que \u00e9 mais chocante: p\u00e9s de laranja arrancados em protesto ou mais de 400 fam\u00edlias \u2013mulheres, velhos e crian\u00e7as \u2013 vivendo em acampamentos prec\u00e1rios?<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Na pressa para criminalizar os trabalhadores sem terra pela ocupa\u00e7\u00e3o em Iaras, a grande imprensa corporativa n\u00e3o fez qualquer associa\u00e7\u00e3o com a destrui\u00e7\u00e3o dos laranjais ocorrida nos \u00faltimos dois anos, pelos pr\u00f3prios produtores, especialmente no Estado de S\u00e3o Paulo, porque os pre\u00e7os impostos pelas ind\u00fastrias do suco eram insuficientes para a manuten\u00e7\u00e3o dessas planta\u00e7\u00f5es. A \u00e1rea total de plantio da laranja foi reduzida em milhares de hectares por obra dos pr\u00f3prios produtores, em especial dos pequenos produtores, que preferiram migrar para outras lavouras ao inv\u00e9s de trabalhar de gra\u00e7a para o oligop\u00f3lio industrial do suco de laranja.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">O que \u00e9 mais chocante: p\u00e9s de laranja arrancados pelo protesto dos sem terra ou laranjais inteiros destru\u00eddos porque o cartel do suco inviabilizou a atividade dos produtores, desempregou os trabalhadores e provocou a eleva\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o da fruta vendida no mercado consumidor brasileiro?<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Antes mesmo de investigar e apurar corretamente o que aconteceu em Iaras, antes mesmo de ouvir todos os lados envolvidos no caso da \u00e1rea grilada da Cutrale, como mandam as regras b\u00e1sicas do bom jornalismo, a imprensa corporativa deu grande destaque ao v\u00eddeo e \u00e0 vers\u00e3o da policia estadual, a qual, todo mundo sabe, tem posi\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, atua sempre contra os movimentos sociais (urbanos e rurais) e \u00e9 conhecida por difundir vers\u00f5es mentirosas e distorcidas sobre os fatos, como nos epis\u00f3dios da Escola Base, nos assassinatos de maio de 2006 no Estado de S\u00e3o Paulo e, mais recentemente, no assassinato de uma jovem na favela de Heli\u00f3polis, na capital paulista.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Agora no caso de Iaras, mais uma vez a grande imprensa neoliberal conservadora aceitou sem vacilar a vers\u00e3o de \u201cvandalismo\u201d dada pela pol\u00edcia e n\u00e3o se preocupou em checar, <em>in loco<\/em>, com as fam\u00edlias de sem terra e com os trabalhadores rurais da Cutrale, a verdadeira hist\u00f3ria sobre o ocorrido. Entre fazer jornalismo e comprometer-se com a verdade, a grande imprensa corporativa preferiu ficar com a vers\u00e3o mais adequada aos seus interesses ideol\u00f3gicos. Mais uma vez essa m\u00eddia deu guarida e proje\u00e7\u00e3o para as posi\u00e7\u00f5es mais atrasadas e reacion\u00e1rias da sociedade brasileira, que s\u00e3o reconhecidamente contra a reforma agr\u00e1ria e contra as lutas dos movimentos sociais do campo e da cidade.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">O que \u00e9 mais chocante: p\u00e9s de laranja arrancados pelo protesto dos sem terra, em \u00e1rea p\u00fablica grilada por empresa multinacional ou a exist\u00eancia de uma imprensa e de uma pol\u00edcia que mentem para defender os interesses das elites econ\u00f4micas e pol\u00edticas, as mesmas que impedem o Brasil de ser um pa\u00eds mais justo e mais igualit\u00e1rio, que est\u00e1 em 75\u00ba lugar no \u00cdndice de Desenvolvimento Humano da ONU?<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 9pt;\">Voc\u00ea decide.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><strong><span style=\"font-size: 9pt;\">Hamilton Octavio de Souza \u00e9 jornalista e professor da PUC-SP.<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt;\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; 16 de outubro de 2009 A Coordenadoria Ecum\u00eanica de Servi\u00e7o \u2013 CESE, organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental sediada em Salvador, que congrega v\u00e1rias igrejas evang\u00e9licas e tamb\u00e9m a Igreja Cat\u00f3lica, divulgou nota de apoio ao MST, em defesa da revis\u00e3o dos \u00edndices de produtividade e contra a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais. Leia a nota: &nbsp; &nbsp; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[6],"class_list":["post-3263","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-publicaciones","tag-articulos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3263","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3263"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3263\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4907,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3263\/revisions\/4907"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3263"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3263"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3263"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}