{"id":3260,"date":"2009-10-08T08:54:08","date_gmt":"2009-10-08T08:54:08","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2009\/10\/08\/aumenta-a-concentrao-da-propriedade-da-terra-no-brasil\/"},"modified":"2017-10-02T21:35:31","modified_gmt":"2017-10-02T21:35:31","slug":"aumenta-a-concentrao-da-propriedade-da-terra-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2009\/10\/08\/aumenta-a-concentrao-da-propriedade-da-terra-no-brasil\/","title":{"rendered":"Aumenta a concentra\u00e7\u00e3o da propriedade da terra no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><!--[if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--> <!--  \/* Font Definitions *\/  @font-face \t{font-family:Tahoma; \tpanose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; \tmso-font-charset:0; \tmso-generic-font-family:swiss; \tmso-font-pitch:variable; \tmso-font-signature:1627421319 -2147483648 8 0 66047 0;}  \/* Style Definitions *\/  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal \t{mso-style-parent:\"\"; \tmargin:0cm; \tmargin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:Tahoma; \tmso-fareast-font-family:\"Times New Roman\";} @page Section1 \t{size:612.0pt 792.0pt; \tmargin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; \tmso-header-margin:36.0pt; \tmso-footer-margin:36.0pt; \tmso-paper-source:0;} div.Section1 \t{page:Section1;} --> <!--[if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]-->  <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">07\/10\/2009 12:15 <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Editorial do BRASIL DE FATO, sao paulo, ed. 345<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Esperamos que o governo e as diversas institui&ccedil;&otilde;es que atuam no campo tomem em conta a dramaticidade dos dados que movimentos sociais j&aacute; vinham denunciando<\/p>\n<p><!--[if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--> <!--  \/* Font Definitions *\/  @font-face \t{font-family:Tahoma; \tpanose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; \tmso-font-charset:0; \tmso-generic-font-family:swiss; \tmso-font-pitch:variable; \tmso-font-signature:1627421319 -2147483648 8 0 66047 0;}  \/* Style Definitions *\/  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal \t{mso-style-parent:\"\"; \tmargin:0cm; \tmargin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:Tahoma; \tmso-fareast-font-family:\"Times New Roman\";} @page Section1 \t{size:612.0pt 792.0pt; \tmargin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; \tmso-header-margin:36.0pt; \tmso-footer-margin:36.0pt; \tmso-paper-source:0;} div.Section1 \t{page:Section1;} --> <!--[if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]-->  <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Na semana passada, o IBGE divulgou com algum atraso, os resultados do Censo Agropecu&aacute;rio relativos a 2006. Os dados s&atilde;o um retrato estat&iacute;stico da realidade agr&aacute;ria brasileira, medida pela visita dos pesquisadores em todos os estabelecimentos rurais do pa&iacute;s, e tomando depoimentos dos seus titulares. A sua publica&ccedil;&atilde;o ensejou muitos coment&aacute;rios em toda imprensa. E somente com estudos mais apurados e cuidadosos poderemos ter, a partir de agora, in&uacute;meras an&aacute;lises, que possam nos explicar melhor a realidade do meio rural e suas tend&ecirc;ncias.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Enquanto isso, um olhar sobre as principais tabelas divulgadas j&aacute; nos permite tirar diversas conclus&otilde;es, algumas delas apresentadas, inclusive, pelos comentaristas do pr&oacute;prio IBGE, que s&atilde;o de suma import&acirc;ncia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">1- A propriedade da terra no Brasil continua se concentrando cada vez mais, comparando os dados do &uacute;ltimo de censo de 1996 com o atual de 2006. Diminuiu o n&uacute;mero de estabelecimentos com menos de 10 hectares. Eles representam os pobres do campo, e eram em 2006 cerca de 2,5 milh&otilde;es de fam&iacute;lias. A &aacute;rea ocupada por eles baixou de 9,9 milh&otilde;es de hectares para apenas 7,7 milh&otilde;es, correspondendo a apenas 2,7% da &aacute;rea total brasileira. No outro lado, temos apenas 31.899 fazendeiros que dominam 48 milh&otilde;es de hectares em &aacute;reas acima de mil hectares. E outros 15.012 fazendeiros com &aacute;reas superiores a 2.500 hectares, que totalizam 98 milh&otilde;es de hectares. S&atilde;o os fazendeiros do agroneg&oacute;cio, que representam menos de 1% dos estabelecimentos, mas controlam 46% de todas as terras.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">2 &#8211; Esse dado fez com que a concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade da terra medida pelo &iacute;ndice de Gini pulasse de 0,852, em 1996, para 0,872 em 2006. Assim, o Brasil ultrapassou o Paraguai, e hoje, certamente, somos o pa&iacute;s de maior concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade rural.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">3 &#8211; A produ&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m se concentrou e se diferenciou. De um lado, a grande propriedade do agroneg&oacute;cio se especializou em produtos para exporta&ccedil;&atilde;o, como soja, milho, cana e pecu&aacute;ria, que dominam a maior parte das terras. Esses tr&ecirc;s produtos usam 32 milh&otilde;es de hectares, enquanto os principais alimentos da dieta brasileira usa apenas 7 milh&otilde;es de hectares para plantar arroz, feij&atilde;o, mandioca e trigo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">4 &#8211; A agricultura capitalista do agroneg&oacute;cio ficou mais dependente do capital financeiro e das empresas transnacionais. <span>O valor bruto da produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola (PIB agr&iacute;cola) foi de 141 bilh&otilde;es de reais, em 2006. Destes, 91 bilh&otilde;es produzidos pelo agroneg&oacute;cio, mas precisou de 80 bilh&otilde;es de reais de credito rural dos bancos e da poupan&ccedil;a nacional para poder produzir. J&aacute; a agricultura familiar, produziu 50 bilh&otilde;es de reais, e utilizou apenas 6 bilh&otilde;es de reais.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>5 &#8211; A agricultura familiar produziu comida, e para o mercado interno. O agroneg&oacute;cio produziu commodities, d&oacute;lares, para o mercado externo. Por isso &eacute; dominada pelo controle das grandes empresas transnacionais que controlam o mercado e os pre&ccedil;os. As 20 maiores empresas que atuam na agricultura tiveram um PIB de 112 bilh&otilde;es no ano de 2007. Ou seja, praticamente toda produ&ccedil;&atilde;o do agroneg&oacute;cio &eacute; controlada na verdade por apenas 20 grandes empresas. <\/span>E, em sua maioria, estrangeiras.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">6 &#8211; O rosto social do povo que vive no meio rural. H&aacute; tamb&eacute;m no censo um retrato da realidade social do meio rural. E a dura realidade emerge nos indicativos de educa&ccedil;&atilde;o. Cerca de 35% de todos os homens adultos e 45% das mulheres, que moram e trabalham no meio rural, n&atilde;o sabem ler e escrever. Apenas 7% da popula&ccedil;&atilde;o que mora no meio rural tem o ensino fundamental (8 anos de escola) completos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Esses dados e outros que n&atilde;o pudemos comentar aqui, por quest&atilde;o de espa&ccedil;o, s&atilde;o reveladores das graves conseq&uuml;&ecirc;ncias desse modelo do capital financeiro e das transnacionais sobre a nossa agricultura, que produziu essa dicotomia entre o modelo do agroneg&oacute;cio e a agricultura familiar. <span>Revela, como as pol&iacute;ticas publicas paliativas do Pronaf, Bolsa Fam&iacute;lia, Luz para Todos, e algum apoio para moradia, s&atilde;o insuficientes para corrigir as graves distor&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas e sociais, resultantes da concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade da terra e da produ&ccedil;&atilde;o. Da&iacute; a atualidade e urg&ecirc;ncia de uma verdadeira pol&iacute;tica de reforma agr&aacute;ria, que n&atilde;o seja mais apenas distribuir terras, como o capitalismo industrial cl&aacute;ssico fez, mas sim um processo de reestrutura&ccedil;&atilde;o e democratiza&ccedil;&atilde;o amplo, do acesso a terra e da reorganiza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o, para abastecimento de alimentos saud&aacute;veis, respeitando o meio ambiente, e para o mercado interno. A chamada reforma agr&aacute;ria popular.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Esperamos que o governo e as diversas institui&ccedil;&otilde;es que atuam no campo, tomem em conta a dramaticidade dos dados, que os movimentos da Via Campesina e as pastorais sociais j&aacute; vinham denunciando, pois est&aacute; em curso no Brasil, na verdade, uma contra-reforma agr&aacute;ria, um processo de maior concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade e da produ&ccedil;&atilde;o, nas m&atilde;os de apenas um por cento de fazendeiros capitalistas, subordinados aos bancos e as empresas transnacionais.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>07\/10\/2009 12:15 &nbsp; Editorial do BRASIL DE FATO, sao paulo, ed. 345 &nbsp; Esperamos que o governo e as diversas institui&ccedil;&otilde;es que atuam no campo tomem em conta a dramaticidade dos dados que movimentos sociais j&aacute; vinham denunciando Na semana passada, o IBGE divulgou com algum atraso, os resultados do Censo Agropecu&aacute;rio relativos a 2006. 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