{"id":3253,"date":"2009-09-27T19:42:43","date_gmt":"2009-09-27T19:42:43","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2009\/09\/27\/manifesto-em-defesa-do-mst\/"},"modified":"2017-10-02T21:38:15","modified_gmt":"2017-10-02T21:38:15","slug":"manifesto-em-defesa-do-mst","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2009\/09\/27\/manifesto-em-defesa-do-mst\/","title":{"rendered":"Manifesto em defesa do MST"},"content":{"rendered":"<pre>Estimados amigos e amigas,<\/pre>\n<pre>Voces devem estar acompanhando a ofensiva que a direita troglodita esta<br \/>fazendo contra o MST.&nbsp;&nbsp; Est&atilde;o usando todas suas &quot;armas&quot;, :a repress&atilde;o<br \/>policial&nbsp;de governos estaduais direitistas (como Yeda crusius)&nbsp; no<br \/>judiciario, na imprensa burguesa (como veja,estada&atilde;o, jornal Globo), em<br \/>alguns setores do ministerio publico, e agora querem instalar uma comissao<br \/>parlamentar de inquerito para investigar o MST.<\/pre>\n<p><\/p>\n<pre>Tudo em defesa do direito &quot;absoluto&quot; a manter seus latifundios intocaveis...<br \/><br \/>Diante disso, alguns intelectuais amigos tomaram a iniciativa de preparar um<br \/>manifesto publico em defesa do MST.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para ser publicado em jornais,&nbsp;<br \/>distribuido entre os parlamentares e na opiniao publica.<br \/><br \/>Pedimos que os que quiserem aderir, nos confirmem adesao,&nbsp; ate segunda<br \/>feira(21 set) 18 hs,&nbsp; pois colocaremos na nossa pagina da internet e<br \/>enviaremos aos parlamentares logo na ter&ccedil;a, com as adesoes obtidas, e depois<br \/>deixaremos a disposi&ccedil;ao na pagina.<br \/><br \/>Veja abaixo o texto e os signatarios que tomaram a iniciativa<br \/><br \/>abra&ccedil;os<br \/><br \/>Joao pedro<br \/><br \/>&nbsp;<br \/><br \/>&nbsp;<br \/>&nbsp;<br \/>Manifesto em defesa do MST<br \/><br \/>&nbsp;<br \/>&nbsp;&sup3;...Legitimam-se n&atilde;o pela propriedade, mas pelo trabalho,<br \/>nesse mundo em que o trabalho est&aacute; em extin&ccedil;&atilde;o.<br \/>Legitimam-se porque fazem Hist&oacute;ria,<br \/>num mundo que j&aacute; proclamou o fim da Hist&oacute;ria.<br \/>Esses homens e mulheres s&atilde;o um contra-senso<br \/>&nbsp;porque restituem &agrave; vida um sentido que se perdeu...&sup2;<br \/>(&sup3;Not&iacute;cias dos sobreviventes&sup2;, Eldorado dos Caraj&aacute;s, 1996).<br \/><br \/>&nbsp;<br \/><br \/>A reconstru&ccedil;&atilde;o da democracia no Brasil tem exigido, h&aacute; trinta anos, enormes<br \/>sacrif&iacute;cios dos trabalhadores. Desde a reconstru&ccedil;&atilde;o de suas organiza&ccedil;&otilde;es,<br \/>destru&iacute;das por duas d&eacute;cadas de repress&atilde;o da ditadura militar, at&eacute; a inven&ccedil;&atilde;o<br \/>de novas formas de movimentos e de lutas capazes de responder ao desafio de<br \/>enfrentar uma das sociedades mais desiguais do mundo. Isto tem implicado,<br \/>tamb&eacute;m, apresentar aos herdeiros da cultura escravocrata de cinco s&eacute;culos,<br \/>os trabalhadores da cidade e do campo como cidad&atilde;os e como participantes<br \/>leg&iacute;timos n&atilde;o apenas da produ&ccedil;&atilde;o da riqueza do Pa&iacute;s (como ocorreu desde<br \/>sempre), mas igualmente como benefici&aacute;rios da partilha da riqueza produzida.<br \/><br \/>&nbsp;<br \/><br \/>O &oacute;dio das oligarquias rurais e urbanas n&atilde;o perde de vista um &uacute;nico dia, um<br \/>desses novos instrumentos de organiza&ccedil;&atilde;o e luta criados pelos trabalhadores<br \/>brasileiros a partir de 1984: o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra<br \/>&shy; MST. E esse Movimento paga diariamente com suor e sangue &shy; como ocorreu h&aacute;<br \/>pouco no Rio Grande do Sul, por sua ousadia de questionar um dos pilares da<br \/>desigualdade social no Brasil: o monop&oacute;lio da terra. O gesto de levantar sua<br \/>bandeira numa ocupa&ccedil;&atilde;o, se traduz numa frase simples de entender e, por<br \/>isso, intoler&aacute;vel aos ouvidos dos senhores da terra e do agroneg&oacute;cio. Um<br \/>Pa&iacute;s, onde 1% da popula&ccedil;&atilde;o tem a propriedade de 46% do territ&oacute;rio, defendida<br \/>por cercas, agentes do Estado e matadores de aluguel, n&atilde;o podemos considerar<br \/>uma Rep&uacute;blica. Menos ainda, uma democracia.<br \/><br \/>&nbsp;<br \/><br \/>A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 determina que os latif&uacute;ndios improdutivos e terras<br \/>usadas para a planta&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;rias primas para a produ&ccedil;&atilde;o de drogas, devem<br \/>ser destinados &agrave; Reforma Agr&aacute;ria. Mas, desde a assinatura da nova Carta,&nbsp; os<br \/>sucessivos Governos t&ecirc;m negligenciado o seu cumprimento. &Agrave; ousadia do MST de<br \/>garantir esses direitos conquistados na Constitui&ccedil;&atilde;o, pressionando as<br \/>autoridades atrav&eacute;s de ocupa&ccedil;&otilde;es pac&iacute;ficas, soma-se outra ousadia,<br \/>igualmente intoler&aacute;vel para os senhores do grande capital do campo e das<br \/>cidades: a disputa leg&iacute;tima e legal do Or&ccedil;amento P&uacute;blico.<br \/><br \/>&nbsp;<br \/><br \/>Em quarenta anos, desde a cria&ccedil;&atilde;o do INCRA (1970), cerca de um milh&atilde;o de<br \/>fam&iacute;lias rurais foram assentadas. Mais da metade, entre 2003 e 2008. Para<br \/>viabilizar a atividade econ&ocirc;mica dessas fam&iacute;lias, para integr&aacute;-las ao<br \/>processo produtivo de alimentos e divisas no novo ciclo de desenvolvimento,<br \/>&eacute; necess&aacute;rio travar a disputa di&aacute;ria pelos recursos p&uacute;blicos. Da&iacute; resulta o<br \/>&oacute;dio dos ruralistas e outros setores do grande capital, habituados desde<br \/>sempre ao acesso exclusivo aos cr&eacute;ditos, subs&iacute;dios e ao perd&atilde;o peri&oacute;dico de<br \/>suas d&iacute;vidas.<br \/><br \/>&nbsp;<br \/><br \/>O compromisso do Governo de rever os crit&eacute;rios de produtividade para a<br \/>agricultura brasileira, responde a uma bandeira de quatro d&eacute;cadas de lutas<br \/>dos movimentos dos trabalhadores do campo. Ao exigir a atualiza&ccedil;&atilde;o desses<br \/>&iacute;ndices, os trabalhadores do campo est&atilde;o apenas exigindo o cumprimento da<br \/>Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, e que os avan&ccedil;os cient&iacute;ficos e tecnol&oacute;gicos ocorridos<br \/>nas &uacute;ltimas quatro d&eacute;cadas, sejam incorporados aos m&eacute;todos de medir a<br \/>produtividade agr&iacute;cola do nosso Pa&iacute;s.<br \/><br \/>&nbsp;<br \/><br \/>&Eacute; contra essa bandeira que a bancada ruralista do Congresso Nacional reage,<br \/>e ataca o MST. Como repres&aacute;lia, buscam, mais uma vez,&nbsp; articular a forma&ccedil;&atilde;o<br \/>de uma CPI (Comiss&atilde;o Parlamentar de Inqu&eacute;rito) contra o MST. Seria a<br \/>terceira em cinco anos. Se a agricultura brasileira &eacute; t&atilde;o moderna e<br \/>produtiva &shy; como alardeia o agroneg&oacute;cio, por que&nbsp; temem tanto a atualiza&ccedil;&atilde;o<br \/>desses &iacute;ndices? <br \/><br \/>&nbsp;<br \/><br \/>E, por que n&atilde;o &eacute; criada uma &uacute;nica CPI para analisar os recursos p&uacute;blicos<br \/>destinados &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es da classe patronal rural? Uma CPI que desse<br \/>conta, por exemplo, de responder a algumas perguntas, t&atilde;o simples como: O<br \/>que ocorreu ao longo desses quarenta anos no campo brasileiro em termos de<br \/>ganho de produtividade? Quanto a sociedade brasileira investiu para que uma<br \/>verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o &shy; do ponto de vista de incorpora&ccedil;&atilde;o de novas<br \/>tecnologias &shy; tornasse a agricultura brasileira capaz de alimentar nosso<br \/>povo e se afirmar como uma das maiores exportadoras de alimentos? Quantos<br \/>perd&otilde;es da d&iacute;vida agr&iacute;cola foram oferecidos pelos cofres p&uacute;blicos aos<br \/>grandes propriet&aacute;rios de terra, nesse per&iacute;odo?&nbsp;<br \/><br \/>&nbsp;&nbsp;<br \/><br \/>O ataque ao MST extrapola a luta pela Reforma Agr&aacute;ria. &Eacute; um ataque contra os<br \/>avan&ccedil;os democr&aacute;ticos conquistados na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 &shy; como o que<br \/>estabelece a fun&ccedil;&atilde;o social da propriedade agr&iacute;cola &shy;&nbsp; e contra os direitos<br \/>imprescind&iacute;veis para a reconstru&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica do nosso Pa&iacute;s. &Eacute;, portanto,<br \/>contra essa reconstru&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica que se levantam as lideran&ccedil;as do<br \/>agroneg&oacute;cio e seus aliados no campo e nas cidades. E isso &eacute; grave. E isso &eacute;<br \/>uma amea&ccedil;a n&atilde;o apenas contra os movimentos dos trabalhadores rurais e<br \/>urbanos, como para toda a sociedade. &Eacute; a pr&oacute;pria reconstru&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica do<br \/>Brasil, que custou os esfor&ccedil;os e mesmo a vida de muitos brasileiros, que<br \/>est&aacute; sendo posta em xeque. &Eacute; a pr&oacute;pria reconstru&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica do Brasil,<br \/>que est&aacute; sendo violentada.<br \/><br \/>&nbsp;<br \/><br \/>&Eacute; por essa raz&atilde;o que se arma, hoje, uma nova ofensiva dos setores mais<br \/>conservadores da sociedade contra o Movimento dos Sem Terra &shy; seja no<br \/>Congresso Nacional, seja nos monop&oacute;lios de comunica&ccedil;&atilde;o, seja nos lobbies de<br \/>press&atilde;o em todas as esferas de Poder. Trata-se, assim, ainda uma vez, de<br \/>criminalizar um movimento que se mant&eacute;m como uma bandeira acesa, inquietando<br \/>a consci&ecirc;ncia democr&aacute;tica do pa&iacute;s: a nossa democracia s&oacute; ser&aacute; digna desse<br \/>nome, quando incorporar todos os brasileiros e lhes conferir, como cidad&atilde;os<br \/>e cidad&atilde;s, o direito a participar da partilha da riqueza que produzem ao<br \/>longo de suas vidas, com suas m&atilde;os, o seu talento, o seu amor pela p&aacute;tria de<br \/>todos n&oacute;s. <br \/><br \/>&nbsp;<br \/><br \/>CONTRA A CRIMINALIZAC&Atilde;O DO MOVIMENTO DOS SEM TERRA.<br \/><br \/>&nbsp;<br \/><br \/>PELO CUMPRIMENTO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS QUE DEFINEM AS TERRAS DESTINADAS<br \/>&Agrave; REFORMA AGR&Aacute;RIA.<br \/><br \/>&nbsp;<br \/><br \/>PELA ADOC&Atilde;O IMEDIATA DOS NOVOS CRIT&Eacute;RIOS DE PRODUTIVIDADE PARA FINS DE<br \/>REFORMA AGR&Aacute;RIA. <br \/><br \/>&nbsp;<br \/><br \/>&nbsp; <br \/>&nbsp; <br \/><br \/>Bras&iacute;lia, 21 de setembro de 2009<br \/>&nbsp;<br \/>P&Eacute;DRO TIERRA<br \/>OSVALDO RUSSO<br \/>PLINIO ARRUDA SAMPAIO<br \/>EDUARDO GALEANO<br \/>HELOISA FERNANDES<br \/>ALIPIO FREIRE<br \/><\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estimados amigos e amigas, Voces devem estar acompanhando a ofensiva que a direita troglodita estafazendo contra o MST.&nbsp;&nbsp; Est&atilde;o usando todas suas &quot;armas&quot;, :a repress&atilde;opolicial&nbsp;de governos estaduais direitistas (como Yeda crusius)&nbsp; nojudiciario, na imprensa burguesa (como veja,estada&atilde;o, jornal Globo), emalguns setores do ministerio publico, e agora querem instalar uma comissaoparlamentar de inquerito para investigar o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[6],"class_list":["post-3253","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-publicaciones","tag-articulos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3253","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3253"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3253\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3881,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3253\/revisions\/3881"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}