{"id":3183,"date":"2008-10-16T19:28:12","date_gmt":"2008-10-16T19:28:12","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2008\/10\/16\/soberania-alimentar-e-a-agricultura\/"},"modified":"2017-10-02T21:38:36","modified_gmt":"2017-10-02T21:38:36","slug":"soberania-alimentar-e-a-agricultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2008\/10\/16\/soberania-alimentar-e-a-agricultura\/","title":{"rendered":"Soberania alimentar e a agricultura"},"content":{"rendered":"<p><font size=\"2\">Jo&atilde;o Pedro St&eacute;dile,&nbsp;economista, integrante da        coordena&ccedil;&atilde;o nacional do MST e da Via Campesina, e Dom <a href=\"http:\/\/www.unisinos.br\/ihu\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=1732\">Tom&aacute;s        Balduino<\/a>,&nbsp;bispo em&eacute;rito da Diocese de Goi&aacute;s, conselheiro        permanente da CPT (Comiss&atilde;o da Pastoral da Terra), &oacute;rg&atilde;o vinculado &agrave; CNBB        (Confer&ecirc;ncia Nacional dos Bispos do Brasil),<\/font><\/p>\n<p>(artigo publicado no jornal <strong>Folha de S. Paulo<\/strong>,        16-10-2008.)<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em 1960 , havia 80 milh&otilde;es de seres humanos que passavam fome em todo o        mundo. Um esc&acirc;ndalo! Naquela &eacute;poca, <strong><a href=\"http:\/\/www.unisinos.br\/ihuonline\/index.php?option=com_tema_capa&amp;Itemid=23\">Josu&eacute;        de Castro<\/a><\/strong>, que agora completaria 100 anos, marcava posi&ccedil;&atilde;o        com suas teses, defendendo que a fome era conseq&uuml;&ecirc;ncia das rela&ccedil;&otilde;es        sociais, n&atilde;o resultado de problemas clim&aacute;ticos ou da fertilidade do        solo.<\/p>\n<p>O capital, com as suas empresas transnacionais e o seu governo imperial        dos Estados Unidos, procurou dar uma resposta ao problema: criou a chamada        Revolu&ccedil;&atilde;o Verde. Ela foi uma grande campanha de propaganda para justificar        &agrave; sociedade que bastava &quot;modernizar&quot; a agricultura, com uso intensivo de        m&aacute;quinas, fertilizantes qu&iacute;micos e venenos. Com isso, a produ&ccedil;&atilde;o        aumentaria, e a humanidade acabaria com a fome.<\/p>\n<p>Passaram-se 50 anos, a produtividade f&iacute;sica por hectare aumentou muito        e a produ&ccedil;&atilde;o total quadruplicou em n&iacute;vel mundial. Mas as empresas        transnacionais tomaram conta da agricultura com suas m&aacute;quinas, venenos e        fertilizantes qu&iacute;micos. Ganharam muito dinheiro, acumularam bastante        capital e, com isso, houve uma concentra&ccedil;&atilde;o e centraliza&ccedil;&atilde;o das empresas.        Atualmente, n&atilde;o mais do que 30 conglomerados transnacionais controlam toda        a produ&ccedil;&atilde;o e com&eacute;rcio agr&iacute;cola.<\/p>\n<p>Quais foram os resultados sociais?<\/p>\n<p>Os seres humanos que passam fome aumentaram de 80 milh&otilde;es para 800        milh&otilde;es. S&oacute; nos &uacute;ltimos dois anos, em fun&ccedil;&atilde;o da substitui&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o        de alimentos por agrocombust&iacute;veis, de acordo com a <strong>FAO<\/strong>        (Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para Agricultura e Alimenta&ccedil;&atilde;o), aumentou        em mais 80 milh&otilde;es o n&uacute;mero de famintos. Ou seja, agora s&atilde;o 880        milh&otilde;es.<\/p>\n<p>Nunca a propriedade da terra esteve t&atilde;o concentrada e houve tantos        migrantes camponeses saindo do interior e indo para as metr&oacute;poles e        mudando de pa&iacute;ses pobres para a Europa e os Estados Unidos. Somente neste        ano, a Europa prendeu e extraditou 200 mil imigrantes africanos, a maioria        camponeses. <\/p>\n<p>H&aacute; oito milh&otilde;es de trabalhadores agr&iacute;colas mexicanos nos Estados        Unidos. Setenta pa&iacute;ses do hemisf&eacute;rio sul n&atilde;o conseguem mais alimentar seus        povos e est&atilde;o totalmente dependentes de importa&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas. Perderam a        auto-sufici&ecirc;ncia alimentar, perderam sua autonomia pol&iacute;tica e        econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p>O pior &eacute; que, em todos os pa&iacute;ses do mundo, os alimentos chegam aos        supermercados cada vez mais envenenados pelo elevado uso de agrot&oacute;xicos,        provocando enfermidades, alterando a biodiversidade e causando o        aquecimento global. Isso acontece porque as empresas transnacionais        padronizaram os alimentos para ganhar em escala e lucros. Os alimentos        devem ser produzidos de acordo com a natureza, com a energia do        habitat.<\/p>\n<p>A comida n&atilde;o pode ser padronizada, uma vez que faz parte de nossa        cultura e de nossos h&aacute;bitos. Diante disso, qual &eacute; a sa&iacute;da? O Estado, em        nome da sociedade, deve desenvolver pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para proteger a        agricultura, priorizando a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos. Cada munic&iacute;pio, regi&atilde;o e        povo precisa produzir seus pr&oacute;prios alimentos, que devem ser sadios e para        todos. Assim nos ensina toda a historia da humanidade. A l&oacute;gica do        com&eacute;rcio e interc&acirc;mbio dos alimentos n&atilde;o pode se basear nas regras do        livre mercado e no lucro, como pretende impor a <strong>OMC<\/strong>.<\/p>\n<p>Por isso, consideramos o alimento um direito de todo ser humano, e n&atilde;o        uma mercadoria, como, ali&aacute;s, j&aacute; defende a Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos        Direitos Humanos. Cada povo e todos os povos devem ter o direito de        produzir seus pr&oacute;prios alimentos. Isso se chama soberania alimentar. N&atilde;o        basta dar cesta b&aacute;sica, dar o peixe. Isso &eacute; a seguran&ccedil;a alimentar, mas n&atilde;o        &eacute; soberania alimentar. &Eacute; preciso que o povo saiba pescar!<\/p>\n<p>No Brasil, com um territ&oacute;rio e condi&ccedil;&otilde;es edafoclim&aacute;ticas t&atilde;o prop&iacute;cias,        n&atilde;o temos soberania alimentar. Importamos muitos alimentos, do exterior e        entre as regi&otilde;es do pa&iacute;s. Mesmo em nossas &quot;ricas&quot; metr&oacute;poles, o povo        depende de programas assistenciais do governo para se alimentar. A &uacute;nica        forma &eacute; fortalecer a produ&ccedil;&atilde;o dos camponeses, dos pequenos e m&eacute;dios        agricultores, que demandam muita m&atilde;o-de-obra e t&ecirc;m conhecimento hist&oacute;rico        acumulado.<\/p>\n<p>A chamada agricultura industrial &eacute; predadora do ambiente, s&oacute; produz com        agrot&oacute;xicos. &Eacute; insustent&aacute;vel a longo prazo. Por isso, neste 16 de outubro,        <strong><a href=\"http:\/\/www.unisinos.br\/ihu\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=17449\">Dia        Mundial da Alimenta&ccedil;&atilde;o<\/a><\/strong>, as organiza&ccedil;&otilde;es camponesas,        movimentos de mulheres, ambientalistas e consumidores faremos        manifesta&ccedil;&otilde;es em o todo mundo para denunciar problemas e apresentar        propostas para que a humanidade, enfim, resolva o problema da fome no        mundo. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo&atilde;o Pedro St&eacute;dile,&nbsp;economista, integrante da coordena&ccedil;&atilde;o nacional do MST e da Via Campesina, e Dom Tom&aacute;s Balduino,&nbsp;bispo em&eacute;rito da Diocese de Goi&aacute;s, conselheiro permanente da CPT (Comiss&atilde;o da Pastoral da Terra), &oacute;rg&atilde;o vinculado &agrave; CNBB (Confer&ecirc;ncia Nacional dos Bispos do Brasil), (artigo publicado no jornal Folha de S. 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