{"id":3171,"date":"2008-08-01T07:00:03","date_gmt":"2008-08-01T07:00:03","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2008\/08\/01\/entrevista-gilmar-mauro-lula-no-tem-poltica-de-reforma-agrria\/"},"modified":"2017-10-02T21:38:40","modified_gmt":"2017-10-02T21:38:40","slug":"entrevista-gilmar-mauro-lula-no-tem-poltica-de-reforma-agrria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2008\/08\/01\/entrevista-gilmar-mauro-lula-no-tem-poltica-de-reforma-agrria\/","title":{"rendered":"Entrevista Gilmar Mauro \u00bbLula n\u00e3o tem pol\u00edtica de reforma agr\u00e1ria\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><!--[if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--> <!--  \/* Font Definitions *\/  @font-face \t{font-family:Tahoma; \tpanose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; \tmso-font-charset:0; \tmso-generic-font-family:swiss; \tmso-font-pitch:variable; \tmso-font-signature:1627421319 -2147483648 8 0 66047 0;}  \/* Style Definitions *\/  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal \t{mso-style-parent:\"\"; \tmargin:0cm; \tmargin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:Tahoma; \tmso-fareast-font-family:\"Times New Roman\";} @page Section1 \t{size:612.0pt 792.0pt; \tmargin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; \tmso-header-margin:36.0pt; \tmso-footer-margin:36.0pt; \tmso-paper-source:0;} div.Section1 \t{page:Section1;} --> <!--[if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]--><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma\">Segunda-feira, 21 de julho de 2008 <\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma\">P&aacute;g.&nbsp; <br \/> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma\">Considerado um dos principais te&oacute;ricos e segundo homem do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), Gilmar Mauro, 41 anos, entrou para o movimento ainda nos primeiros anos de exist&ecirc;ncia da organiza&ccedil;&atilde;o. Hoje, membro da coordena&ccedil;&atilde;o nacional, passa a maior parte de seu tempo em S&atilde;o Paulo, de onde se dedica &agrave;s &aacute;reas de forma&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&otilde;es da entidade.<br \/> <!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br \/> <!--[endif]--><\/span><\/p>\n<p><!--[if gte mso 9]><xml>  <w_WordDocument>   <w_View>Normal<\/w_View>   <w_Zoom>0<\/w_Zoom>   <w_HyphenationZone>21<\/w_HyphenationZone>   <w_Compatibility>    <w_BreakWrappedTables\/>    <w_SnapToGridInCell\/>    <w_WrapTextWithPunct\/>    <w_UseAsianBreakRules\/>   <\/w_Compatibility>   <w_BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w_BrowserLevel>  <\/w_WordDocument> <\/xml><![endif]--> <!--  \/* Font Definitions *\/  @font-face \t{font-family:Tahoma; \tpanose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; \tmso-font-charset:0; \tmso-generic-font-family:swiss; \tmso-font-pitch:variable; \tmso-font-signature:1627421319 -2147483648 8 0 66047 0;}  \/* Style Definitions *\/  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal \t{mso-style-parent:\"\"; \tmargin:0cm; \tmargin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:Tahoma; \tmso-fareast-font-family:\"Times New Roman\";} @page Section1 \t{size:595.3pt 841.9pt; \tmargin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; \tmso-header-margin:35.4pt; \tmso-footer-margin:35.4pt; \tmso-paper-source:0;} div.Section1 \t{page:Section1;} --> <!--[if gte mso 10]> \n\n<style>  \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:\"Tabla normal\"; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin:0cm; \tmso-para-margin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:10.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\";} <\/style>\n\n <![endif]-->  <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span>Nesta entrevista ao JB, o ativista nega que a entidade mantenha qualquer rela&ccedil;&atilde;o com as Farc, mas admite que o MST atua nos &quot;limites da legalidade&quot;. As cr&iacute;ticas ao agroneg&oacute;cio s&atilde;o fartas. As direcionadas ao governo Lula, nunca foram t&atilde;o duras.<\/p>\n<p> O MST vem retirando a &ecirc;nfase na quest&atilde;o da reforma agr&aacute;ria e do latif&uacute;ndio e questionando o modelo de agroneg&oacute;cio brasileiro como um todo, promovendo inclusive a&ccedil;&otilde;es contra empresas consideradas altamente produtivas. Por qu&ecirc; a mudan&ccedil;a de estrat&eacute;gia?<\/p>\n<p> &ndash; O MST coloca como objetivo principal a luta pela terra e reforma agr&aacute;ria. E n&atilde;o deixou de fazer essa luta. O que mudou foram as condi&ccedil;&otilde;es objetivas. Hoje a inser&ccedil;&atilde;o do Brasil no mercado internacional passa, em grande medida, pela exporta&ccedil;&atilde;o de commodities. Grandes empresas ligadas ao capital internacional passam a investir na agricultura, principalmente com a crise do petr&oacute;leo e com a introdu&ccedil;&atilde;o do etanol como fonte energ&eacute;tica substituta. Com a crise imobili&aacute;ria nos Estados Unidos, parte dos recursos financeiros internacionais passou a ser investida na Bolsa de Mercadorias e Futuros, principalmente em commodities. Ent&atilde;o o pre&ccedil;o internacional desses produtos est&aacute; subindo porque est&atilde;o especulando em cima deles.<\/p>\n<p> Essa seria a conseq&uuml;&ecirc;ncia mais nociva desse modelo de agroneg&oacute;cio?<\/p>\n<p> &ndash; Com certeza. O segundo grande aspecto &eacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; natureza. A l&oacute;gica do capital &eacute; de produ&ccedil;&atilde;o de mercadorias que precisam ser vendidas. Entretanto, isso gera um impacto ambiental terrivelmente grande que s&oacute; uma parcela da humanidade est&aacute; se dando conta.<\/p>\n<p> No caso da agricultura, um frango, do nascimento ao abate, leva hoje 38 dias, &agrave;s custas de muito horm&ocirc;nio e antibi&oacute;tico. A mesma coisa ocorre na carne bovina e su&iacute;na. Despejam-se milhares de toneladas de agrot&oacute;xicos de avi&atilde;o. Os len&ccedil;&oacute;is fre&aacute;ticos est&atilde;o sendo contaminados. Um eucalipto, do primeiro ao s&eacute;timo ano, consome 30 litros de &aacute;gua por dia. Faz o c&aacute;lculo. Um milh&atilde;o de p&eacute;s de eucalipto plantados. Ao exportar pasta e celulose, estamos exportando &aacute;gua. Isto est&aacute; gerando desequil&iacute;brios ambientais grav&iacute;ssimos. Estudos mostram que se a humanidade toda consumisse como a classe m&eacute;dia alta brasileira, precisar&iacute;amos de tr&ecirc;s planetas para sustentar este consumo. Se consumisse igual aos norte-americanos, precisar&iacute;amos de sete ou oito.<\/p>\n<p> Mas quando o questionamento era mais restrito ao latif&uacute;ndio improdutivo, aquilo tinha um apelo moral grande, era algo com base constitucional. Como o MST pretende dar a a&ccedil;&otilde;es contra empresas produtivas o mesmo apelo?<\/p>\n<p> &ndash; &Eacute; muito natural esse processo. Toda a l&oacute;gica da m&iacute;dia e do Estado trabalha essa dimens&atilde;o econ&ocirc;mica pura e simplesmente. N&atilde;o interessa ao grande capital se ele est&aacute; destruindo o ambiente ou o ser humano, interessa que est&aacute; produzindo. Esse &eacute; o aspecto principal destacado. Queremos questionar isso. Esse caos social e ambiental que chamam de desenvolvimento. A pr&oacute;pria Constitui&ccedil;&atilde;o brasileira estabelece a fun&ccedil;&atilde;o social da terra com tr&ecirc;s ingredientes interessantes: produ&ccedil;&atilde;o, respeito &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o ambiental e trabalhista. Ora, no corte da produ&ccedil;&atilde;o de cana, n&atilde;o se respeita nem a legisla&ccedil;&atilde;o ambiental nem a trabalhista. No entanto, n&atilde;o se aplica a lei maior do pa&iacute;s, que &eacute; desapropriar essas empresas por descumprirem isso.<\/p>\n<p> E o governo Lula prioriza esse modelo de agroneg&oacute;cio?<\/p>\n<p> &ndash; Com certeza. Insere o pa&iacute;s internacionalmente com esse modelo e com isso sustenta-se a balan&ccedil;a comercial. O governo Lula n&atilde;o tem pol&iacute;tica de reforma agr&aacute;ria. Nunca tivemos uma no Brasil. O que temos s&atilde;o pol&iacute;ticas de compensa&ccedil;&atilde;o social, de assentamentos aqui e acol&aacute;. N&atilde;o h&aacute; pol&iacute;tica agr&aacute;ria que altere a estrutura fundi&aacute;ria brasileira extremamente concentrada. O ritmo de assentamentos &eacute; pequeno e n&atilde;o resolve. Voc&ecirc; assenta 50 mil fam&iacute;lias mas desassenta 60 mil. O que melhorou foram os cr&eacute;ditos, em termos de volume.<\/p>\n<p> O segundo mandato de Lula, ent&atilde;o, estaria sendo pior que o primeiro?<\/p>\n<p> &ndash; O governo Lula adotou como continuidade a pol&iacute;tica neoliberal do Fernando Henrique Cardoso, com mudan&ccedil;as pequenas como pol&iacute;ticas de compensa&ccedil;&atilde;o social e investimentos em determinados ramos produtivos, mas dentro dessa l&oacute;gica da exporta&ccedil;&atilde;o de commodities e de construir uma infra-estrutura para o grande capital.<\/p>\n<p> Mas durante muito tempo o MST caminhou junto com o PT. N&atilde;o &eacute; dolorido ver o presidente chamar grandes usineiros de her&oacute;is?<\/p>\n<p> &ndash; Claro. Essa declara&ccedil;&atilde;o reflete o que &eacute; o governo Lula. Um governo violino. Agarra com a esquerda mas toca com a direita. Se tu pegar o grande projeto estrat&eacute;gico do PT, a constru&ccedil;&atilde;o do projeto democr&aacute;tico e popular, que previa medidas anti-latifundi&aacute;rias, anti-monopolistas, anti-imperialistas, nenhuma dessas t&ecirc;m sido aplicadas. N&atilde;o s&oacute; o Lula, mas parte do PT abandonou esse projeto faz algum tempo. Isso n&atilde;o significa que n&atilde;o tenha dentro do PT muita gente s&eacute;ria e o MST obviamente mant&eacute;m rela&ccedil;&otilde;es com esses setores.<\/p>\n<p> Essas rela&ccedil;&otilde;es n&atilde;o alimentam as cr&iacute;ticas ao governo de que ele &eacute; muito tolerante com o MST?<\/p>\n<p> &ndash; Essas cr&iacute;ticas sempre houveram, n&atilde;o s&atilde;o desse governo. De que precisa acabar com o MST, de que &eacute; fora da lei, de que desviou o rumo.<\/p>\n<p> Mesmo essas a&ccedil;&otilde;es mais recentes ainda estariam, na sua vis&atilde;o, dentro da lei?<\/p>\n<p> &ndash; Claro, &eacute; um processo de debate com a sociedade. Nos limites da legalidade vamos indo. Tensionando. Essa &eacute; a tarefa do movimento social.<\/p>\n<p> O MST tem alguma esp&eacute;cie de contato com as Farcs?<\/p>\n<p> &ndash; N&atilde;o tem nada. H&aacute; uns dez anos atr&aacute;s, v&aacute;rias pessoas queriam que nos encontr&aacute;ssemos, mas nunca aconteceu a n&iacute;vel de dire&ccedil;&otilde;es. As realidades s&atilde;o diferentes. N&atilde;o enxergamos as Farcs nem com simpatia nem com antipatia. <\/span>Respeitamos os processos de cada povo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segunda-feira, 21 de julho de 2008 P&aacute;g.&nbsp; Considerado um dos principais te&oacute;ricos e segundo homem do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), Gilmar Mauro, 41 anos, entrou para o movimento ainda nos primeiros anos de exist&ecirc;ncia da organiza&ccedil;&atilde;o. 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