{"id":3137,"date":"2008-05-05T19:09:20","date_gmt":"2008-05-05T19:09:20","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2008\/05\/05\/nova-onda-de-criminalizao-do-mst\/"},"modified":"2017-10-02T21:39:23","modified_gmt":"2017-10-02T21:39:23","slug":"nova-onda-de-criminalizao-do-mst","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2008\/05\/05\/nova-onda-de-criminalizao-do-mst\/","title":{"rendered":"Nova onda de criminaliza??o do MST"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">Altamiro Borges&nbsp; 5 de maio 08<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">&nbsp;J&aacute; virou rotina o m&ecirc;s de abril ser marcado por furiosos ataques da direita fascista e de sua m&iacute;dia venal contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra. Neste per&iacute;odo, em homenagem aos 19 camponeses mortos impunemente no Massacre de Eldorado do Caraj&aacute;s, em 17 de abril de 1996, o MST realiza a &ldquo;jornada de luta pela reforma agr&aacute;ria&rdquo;, com ocupa&ccedil;&otilde;es de terras ociosas, bloqueios de estradas e marchas de protesto no pa&iacute;s inteiro. Para desqualificar os manifestantes e criar o clima de p&acirc;nico na sociedade, a m&iacute;dia j&aacute; rotulou este m&ecirc;s como o &ldquo;abril vermelho&rdquo;. Nem sequer os motivos e as reivindica&ccedil;&otilde;es dos sem-terra s&atilde;o apresentados &agrave; popula&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 9pt\"> <\/span><span style=\"font-size: 9pt\">Neste ano, no texto &ldquo;porque estamos em luta&rdquo;, o MST explica as raz&otilde;es da jornada. &ldquo;A reforma agr&aacute;ria est&aacute; parada. Cresce a concentra&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria, os assentados n&atilde;o recebem apoio efetivo, aumenta a viol&ecirc;ncia contra os sem-terra e a impunidade dos latifundi&aacute;rios e do agroneg&oacute;cio. 150 mil fam&iacute;lias rurais continuam acampadas, as empresas de agroneg&oacute;cio avan&ccedil;am sobre o territ&oacute;rio brasileiro, conquistando terras que deveriam ser destinadas aos trabalhadores rurais. O governo tem dado prioridade ao agroneg&oacute;cio. S&oacute; o Banco do Banco emprestou 7 bilh&otilde;es de d&oacute;lares para 13 grupos econ&ocirc;micos, enquanto nossos assentamentos n&atilde;o recebem investimento suficiente&rdquo;.<\/span>    <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">&nbsp;Al&eacute;m das cr&iacute;ticas, a jornada apresenta suas exig&ecirc;ncias. &ldquo;Retomada das desapropria&ccedil;&otilde;es de terra; plano emergencial de assentamento de todas as 150 mil fam&iacute;lias acampadas; altera&ccedil;&atilde;o do &iacute;ndice de produtividade rural; cria&ccedil;&atilde;o de mecanismo que acelere os tr&acirc;mites internos para os processos de desapropria&ccedil;&atilde;o; aprova&ccedil;&atilde;o do projeto que determina que as fazendas que exploram trabalho escravo sejam destinadas &agrave; reforma agr&aacute;ria; destina&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas hipotecadas no Banco do Brasil e na Caixa Econ&ocirc;mica Federal para a reforma agr&aacute;ria; cria&ccedil;&atilde;o de uma linha de cr&eacute;dito especifica para assentamentos, que viabilize a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos para a popula&ccedil;&atilde;o das cidades&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">Censura e discursos despropositados<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">&nbsp;Estas e outras justas reivindica&ccedil;&otilde;es simplesmente s&atilde;o omitidas pela m&iacute;dia venal. Todo o esfor&ccedil;o da direita e dos seus jornalistas de aluguel &eacute; para satanizar e isolar o MST. Neste ano, o processo de criminaliza&ccedil;&atilde;o atingiu &agrave;s raias do absurdo. Antes mesmo do &ldquo;abril vermelho&rdquo;, os ricos donos da Vale, que participaram da lesiva privatiza&ccedil;&atilde;o da ex-estatal, acionaram a Justi&ccedil;a e arrancaram algo inusitado fora dos tempos de ditadura: a censura de um dos coordenadores do MST, Jo&atilde;o Pedro Stedile. A ju&iacute;za Patr&iacute;cia Whately extrapolou a fixar multa de R$ 5 mil caso o dirigente &ldquo;incite&rdquo; atos pela reestatiza&ccedil;&atilde;o da empresa &ndash; algo que ainda hoje &eacute; analisado pela pr&oacute;pria Justi&ccedil;a.&nbsp; &nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">J&aacute; em abril, a cada ocupa&ccedil;&atilde;o de terra ou protesto diante do Incra ou Banco do Brasil, um senador se revezava no plen&aacute;rio para desferir ataques hidr&oacute;fobos ao MST. Artur Virgilio (PSDB-AM) e Gerson Camata (PMDB-ES) foram os mais hist&eacute;ricos, acusando os manifestantes de &ldquo;bandidos&rdquo; e &ldquo;terroristas&rdquo;. Na seq&uuml;&ecirc;ncia, o novo presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, aproveitou a sua posse para, segundo leitura da m&iacute;dia, atacar os sem-terra. O ministro elogiou a democracia nativa, &ldquo;ainda que alguns movimentos sociais de car&aacute;ter fortemente reivindicat&oacute;rio atuem, &agrave;s vezes, na fronteira da legalidade&#8230; Nesses casos, &eacute; preciso que haja firmeza por parte das autoridades&rdquo;, aconselhou, quase que num recado ao presidente Lula, presente na solenidade.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">Terrorismo midi&aacute;tico da TV Globo<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">A criminaliza&ccedil;&atilde;o maior do MST, por&eacute;m, partiu novamente da m&iacute;dia burguesa. Jornais, revistas, r&aacute;dios e telejornais destilaram veneno contra a &ldquo;jornada de luta pela reforma agr&aacute;ria&rdquo;. O &ldquo;abril vermelho&rdquo; ocupou os principais notici&aacute;rios sempre com abordagens negativas. Os manifestantes foram execrados como arruaceiros, violentos e inimigos da sagrada propriedade privada. Como registrou Marcelo Salles, editor do Fazendo M&eacute;dia, o ataque mais virulento coube &agrave; TV Globo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">Numa das v&aacute;rias &ldquo;reportagens&rdquo; do Jornal Nacional, &ldquo;nos dois minutos e vinte quatro segundos da mat&eacute;ria busca-se a criminaliza&ccedil;&atilde;o do MST. Para tanto, as imagens e palavras s&atilde;o articuladas para transmitir ao telespectador a id&eacute;ia de que seus militantes s&atilde;o respons&aacute;veis por todo o medo que ronda o Par&aacute;. Logo na abertura, o fundo escurecido por tr&aacute;s do apresentador exibe a sombra de tr&ecirc;s camponeses portando ferramentas de trabalho em posi&ccedil;&otilde;es amea&ccedil;adoras, como a destruir a cerca cuidadosamente iluminada pelo departamento de arte da emissora&#8230; Em nenhum momento os dirigentes do MST s&atilde;o ouvidos, o que contraria o pr&oacute;prio manual de jornalismo da Globo&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">Obsess&atilde;o editorial da revista Veja<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">Quanto &agrave; asquerosa revista Veja, desta vez ela n&atilde;o deu capa para demonizar o MST &ndash; como uma em que Jo&atilde;o Pedro Stedile aparece como o pr&oacute;prio molock. Mas nem precisava. O seu &oacute;dio &agrave; luta pela reforma agr&aacute;ria j&aacute; &eacute; not&oacute;rio. Um excelente estudo de C&aacute;ssio Guilherme, intitulado &ldquo;Revista Veja e o MST durante o governo Lula&rdquo;, comprova que a publica&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;glia Civita tem como obsess&atilde;o editorial atacar os sem-terra. Ele acompanhou a cobertura da revista desde a cria&ccedil;&atilde;o do movimento, em janeiro de 1984. Num primeiro momento, ela at&eacute; tentou cooptar o MST, tratando seus militantes como &ldquo;coitadinhos, p&eacute;s-descal&ccedil;os, analfabetos, que lutam por um simples peda&ccedil;o de ch&atilde;o. Tal atitude por parte da revista teve a deliberada inten&ccedil;&atilde;o de neutralizar as suas for&ccedil;as&rdquo;. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">Como n&atilde;o conseguiu o seu intento, ela passou a atacar sistematicamente o movimento. &ldquo;Como o MST sobreviveu e continuou crescendo, a alternativa foi satanizar o movimento. Passou-se a dar destaque para toda e qualquer conseq&uuml;&ecirc;ncia negativas das suas a&ccedil;&otilde;es. A revista usou de diversos clich&ecirc;s preconceituosos, fazendo o julgamento social de seus integrantes. Termos como invas&atilde;o, baderna e arcaico passaram a ser correntes nas reportagens. Visavam esteriotipar o movimento como atrasado e antidemocr&aacute;tico, inclusive associando-a a figura de Lula, o principal advers&aacute;rio nas corridas presidenciais&rdquo;. A detalhada pesquisa, de quem teve est&ocirc;mago para acompanhar suas edi&ccedil;&otilde;es, confirma que a criminaliza&ccedil;&atilde;o do MST &eacute; um dos principais objetivos da direita fascista. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">Conforme constatou C&aacute;ssio Guilherme, para a revista Veja &ldquo;o MST n&atilde;o quer apenas terras, mas principalmente a tomada do poder; os sem-terra s&atilde;o massa de manobra de seus l&iacute;deres; as figuras de Che, Fidel e Mao Tse Tung sempre s&atilde;o ligadas de forma pejorativa; confrontos com mortos s&atilde;o culpa &uacute;nica e exclusiva do MST que promove invas&otilde;es; a reforma agr&aacute;ria &eacute; uma utopia do s&eacute;culo passado; e n&atilde;o existem mais latif&uacute;ndios improdutivos no Brasil. Enfim, o MST invade, seq&uuml;estra, saqueia, vandaliza, tortura, mata&rdquo;. N&atilde;o h&aacute; nada de jornalismo imparcial, mas sim pura ideologiza&ccedil;&atilde;o visando criminalizar um dos principais movimentos sociais do pa&iacute;s.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>  <span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">Altamiro Borges &eacute; jornalista, membro do Comit&ecirc; Central do PCdoB e autor do livro rec&eacute;m-lan&ccedil;ado &ldquo;Sindicalismo, resist&ecirc;ncia e alternativas&rdquo; (Editora Anita Garibaldi)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Altamiro Borges&nbsp; 5 de maio 08 &nbsp;J&aacute; virou rotina o m&ecirc;s de abril ser marcado por furiosos ataques da direita fascista e de sua m&iacute;dia venal contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra. 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