{"id":3136,"date":"2008-05-02T20:24:22","date_gmt":"2008-05-02T20:24:22","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2008\/05\/02\/cad-o-agronegcio-cad-os-alimentos\/"},"modified":"2017-10-02T21:39:24","modified_gmt":"2017-10-02T21:39:24","slug":"cad-o-agronegcio-cad-os-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2008\/05\/02\/cad-o-agronegcio-cad-os-alimentos\/","title":{"rendered":"Cad? o agroneg\u00f3cio? Cad? os alimentos?"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center; line-height: normal\" class=\"MsoNormal\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">Bernardo Man&ccedil;ano Fernandes<\/span><a name=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><strong><em><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoFootnoteReference\"><strong><\/strong><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/em><\/strong><\/span><\/a><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\"><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">A <strong><u>crise atual<\/u><\/strong> da infla&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os de alimentos na maior parte do mundo derruba dois mitos. 1 &ndash; O agroneg&oacute;cio &eacute; o grande produtor de alimentos; 2 &#8211; A fome e a desnutri&ccedil;&atilde;o s&atilde;o causadas pelo fato da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ter dinheiro para comprar alimentos e n&atilde;o pela falta de alimentos, que estariam sobrando.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">O agroneg&oacute;cio produz apenas uma parte dos alimentos a outra parte &eacute; produzida pela agricultura camponesa ou familiar ou pequenos produtores ou sitiantes, como possam ser chamados os produtores n&atilde;o capitalistas. Essa parte no geral significa metade e no particular significa mais ou menos da metade. O agroneg&oacute;cio pode produzir mais cana, mas s&atilde;o os camponeses que produzem mais caf&eacute; e leite. O agroneg&oacute;cio pode produzir mais soja, mais s&atilde;o os camponeses que produzem mais feij&atilde;o, mandioca, cebola e banana. <\/span><\/p>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<p><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">Para esconder essas diferen&ccedil;as os ide&oacute;logos do agroneg&oacute;cio constru&iacute;ram a imagem do agroneg&oacute;cio como totalidade e, nesta l&oacute;gica, o campesinato seria parte do agroneg&oacute;cio. Nesta l&oacute;gica perversa, o agroneg&oacute;cio controla 70% dos territ&oacute;rios produtivos, 90% dos recursos p&uacute;blicos para financiamento e produz somente 50 %. E se projeta como mais competitivo que o campesinato que controla somente 30% dos territ&oacute;rios produtivos, apenas 10% dos recursos p&uacute;blicos de cr&eacute;dito e produz 50% dos alimentos. Na verdade, agroneg&oacute;cio e campesinato s&atilde;o sistemas distintos definidos por rela&ccedil;&otilde;es sociais diferentes: capitalistas e n&atilde;o capitalistas. Enquanto o agroneg&oacute;cio concentra, o campesinato distribui.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">A <strong><u>crise atual <\/u><\/strong>derruba dois mitos e revela que o agroneg&oacute;cio &eacute; uma farsa. A l&oacute;gica das empresas capitalistas, autodenominada agroneg&oacute;cio, &eacute; produzir mercadorias e n&atilde;o alimentos. Se as mercadorias podem ser tamb&eacute;m alimentos, nem sempre os alimentos podem ser mercadorias. N&atilde;o se pode pensar a soberania alimentar a partir da l&oacute;gica das empresas capitalistas, porque elas n&atilde;o t&ecirc;m a preocupa&ccedil;&atilde;o de garantir o direito &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o. Essa preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; do Estado e da Sociedade.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">A falta de alimentos no mundo tem duas raz&otilde;es, aumento do consumo maior que o aumento da produ&ccedil;&atilde;o de alimentos. N&atilde;o estou ressuscitando a teoria de Malthus da progress&atilde;o geom&eacute;trica do crescimento da popula&ccedil;&atilde;o e da progress&atilde;o aritm&eacute;tica do crescimento da produ&ccedil;&atilde;o de alimentos. Temos terra, gente e tecnologia para produzir alimentos em abund&acirc;ncia para todos. Todavia, o grau de concentra&ccedil;&atilde;o da riqueza, das terras, das tecnologias e dos conhecimentos &eacute; t&atilde;o intenso que produziu a <strong><u>crise atual<\/u><\/strong>.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">A <strong><u>crise atual<\/u><\/strong> &eacute; resultado de quase duas d&eacute;cadas de pol&iacute;ticas neoliberais que controlam o Estado, dominam minist&eacute;rios e defendem os interesses das empresas capitalistas em detrimento dos interesses da sociedade. &Eacute; preciso recuperar o Estado, os minist&eacute;rios e as secretarias das m&atilde;os dos tecnocratas do neoliberalismo para que possamos desenvolver pol&iacute;ticas de interesses da Na&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o as pol&iacute;ticas de interesse do patr&atilde;o. A implanta&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica de soberania alimentar &eacute; urgente para que os efeitos da <strong><u>crise atual<\/u><\/strong> sejam minimizados. O agroneg&oacute;cio controla hoje no Brasil 300 milh&otilde;es de hectares, todavia utiliza apenas 120 milh&otilde;es. Restam 180 milh&otilde;es de hectares para serem utilizados na reforma agr&aacute;ria voltada para a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">A <strong><u>crise atual<\/u><\/strong> tende a aumentar com a amplia&ccedil;&atilde;o das monoculturas para a produ&ccedil;&atilde;o de agrocombust&iacute;veis. O planejamento territorial &eacute; urgente para evitar um colapso. &Eacute; preciso definir limites para as diferentes culturas e garantir o desenvolvimento. Estamos diante de um grande desafio: romper com as pol&iacute;ticas que promovem a concentra&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o nas grandes cidades e concentram as terras no campo; &eacute; preciso defender pol&iacute;ticas que democratizem o acesso &agrave; terra, ao conhecimento e &agrave;s riquezas. Esse desafio possui diferentes escalas. Na escala nacional as pol&iacute;ticas de soberania alimentar garantem o abastecimento interno e na escala internacional as pol&iacute;ticas protecionistas precisam ser equivalentes entre os pa&iacute;ses pobres e os pa&iacute;ses ricos. Isso significa o fim da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio que n&atilde;o tem compet&ecirc;ncia para defender os interesses das na&ccedil;&otilde;es. Os interesses do com&eacute;rcio n&atilde;o podem estar acima dos interesses da soberania.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">A <strong><u>crise atual<\/u><\/strong> &eacute; um indicador de uma nova etapa da hist&oacute;ria. A etapa p&oacute;s neoliberal. Como afirmou o l&iacute;der campon&ecirc;s franc&ecirc;s Jos&eacute; Bov&eacute;: o mundo n&atilde;o &eacute; uma mercadoria. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_ftn1\" href=\"#_ftnref1\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">Bernardo Man&ccedil;ano Fernandes:<\/span><\/a><span style=\"font-size: 10pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;\"> Ge&oacute;grafo, professor do <\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;\">Programa<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;\"> de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Geografia da Universidade Estadual <\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;\">Paulista<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;\"> &ndash; UNESP, <\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;\">campus<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;\"> de <\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;\">Presidente<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;\"> Prudente; coordenador do N&uacute;cleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agr&aacute;ria &ndash; NERA; Pesquisador do Conselho <\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;\">Nacional<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;\"> de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e <\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;\">Tecnol&oacute;gico<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;\"> &ndash; CNPq; coordenador do Grupo Trabalho Desenvolvimento Rural na Am&eacute;rica Latina e Caribe do Conselho Latino-americano de Ci&ecirc;ncias Sociais &ndash; CLACSO.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bernardo Man&ccedil;ano Fernandes A crise atual da infla&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os de alimentos na maior parte do mundo derruba dois mitos. 1 &ndash; O agroneg&oacute;cio &eacute; o grande produtor de alimentos; 2 &#8211; A fome e a desnutri&ccedil;&atilde;o s&atilde;o causadas pelo fato da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ter dinheiro para comprar alimentos e n&atilde;o pela falta de alimentos, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[6],"class_list":["post-3136","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-publicaciones","tag-articulos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3136","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3136"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3136\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4613,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3136\/revisions\/4613"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3136"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3136"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3136"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}