{"id":3117,"date":"2008-03-23T10:03:56","date_gmt":"2008-03-23T10:03:56","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2008\/03\/23\/milho-transgnico-a-quem-interessa\/"},"modified":"2017-10-02T21:39:30","modified_gmt":"2017-10-02T21:39:30","slug":"milho-transgnico-a-quem-interessa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2008\/03\/23\/milho-transgnico-a-quem-interessa\/","title":{"rendered":"Milho transg\u00e9nico: a quem interessa?"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\"><span class=\"fieldLabel\">Revista Caros Amigos, mar&ccedil;o 07<\/span>.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">Caros amigos, para evitar que minha incontrol&aacute;vel indigna&ccedil;&atilde;o interfira sobre a clareza dos fatos que vou narrar, por si s&oacute; contundentes, vou alinh&aacute;-los em t&oacute;picos e da forma mais enxuta poss&iacute;vel. <\/span><\/p>\n<p>  <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">1. Em julho de 2002, o candidato Lula publicou seu programa de governo, assinado pelo coordenador de sua campanha, Antonio Palloci. No cap&iacute;tulo&nbsp;agricultura, item dos transg&ecirc;nicos, h&aacute; um compromisso claro: que o governo Lula assumiria a responsabilidade pela&nbsp;precau&ccedil;&atilde;o. Ou seja, n&atilde;o liberaria nenhuma semente transg&ecirc;nica sem absoluta seguran&ccedil;a. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">2. Durante o ano de 2007, a CTN-BIO, Comiss&atilde;o T&eacute;cnica Nacional de Biotecnologia, aprovou sem nenhum estudo cient&iacute;fico de impactos na natureza e na sa&uacute;de humana, como manda a lei, o uso comercial de duas variedades de milho transg&ecirc;nico: o milho MON 810, da empresa americana Monsanto, e o milho Liberty Link, da alem&atilde; Bayer.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">3. N&atilde;o tendo sido cumpridas as regras de seguran&ccedil;a previstas na lei, o Ibama, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e a Anvisa, Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria, recorreram ao conselho de ministros&nbsp;denunciando o perigo que isso significa para o meio ambiente e para a sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">4. No dia 12 de fevereiro, o conselho se reuniu. Sua coordenadora, a ministra Dilma Rousseff, advertiu que a libera&ccedil;&atilde;o era uma quest&atilde;o de interesse do governo (ou de empresas transnacionais?) e exigiu fidelidade dos ministros. <\/span><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">N&atilde;o conseguiu a de todos, mas mesmo assim as novas &ldquo;variedades&rdquo; de milho foram aprovadas por sete votos a favor e quatro contra.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">5. Entre os que votaram a favor est&atilde;o o Itamaraty e o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a. Al&eacute;m dos que tradicionalmente se manifestam a favor das empresas transnacionais, como Agricultura, Desenvolvimento e Ind&uacute;stria, Defesa, e Ci&ecirc;ncia e Tecnologia. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">6. O Itamaraty foi questionado: como explicar que em reuni&otilde;es internacionais assina acordos pelo direito da precau&ccedil;&atilde;o e em n&iacute;vel interno vota contra? Explica&ccedil;&atilde;o: o subsecret&aacute;rio que foi &agrave; reuni&atilde;o e votou n&atilde;o obedeceu &agrave; linha do minist&eacute;rio!<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">7. O ministro Tarso Genro, tamb&eacute;m questionado, tirou o corpo fora, alegando que o chefe de gabinete tamb&eacute;m n&atilde;o espelhava sua opini&atilde;o&#8230; Ent&atilde;o, espelha a opini&atilde;o de quem?<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">&nbsp;8. Terminada a reuni&atilde;o, o ministro S&eacute;rgio Rezende comemorou descaradamente, na imprensa, a vit&oacute;ria da Bayer e da Monsanto. E saber que o rapaz &eacute; filiado ao Partido Socialista. Deveria mudar para o partido Sou-da-lista&#8230; <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">9. Os movimentos sociais advertiram o governo. Dezenas de intelectuais, pastores, bispos, cientistas enviaram carta aberta aos ministros pedindo a manuten&ccedil;&atilde;o da precau&ccedil;&atilde;o, conforme recomenda&ccedil;&atilde;o do Ibama e Anvisa, os dois &oacute;rg&atilde;os diretamente ligados ao assunto. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">10. A ci&ecirc;ncia j&aacute; comprovou: as sementes de milho transg&ecirc;nicas n&atilde;o convivem com as outras variedades. Elas afetam geneticamente todas as demais em imensas extens&otilde;es de lavouras. Nos anos oitenta, os norte-americanos cobriram com adesivos a fuselagem de um avi&atilde;o que sobrevoou, a grande altitude, o Corn Belt (o Cintur&atilde;o do Milho) do pa&iacute;s. Colheram desse adesivo material gen&eacute;tico de milhares de variedades do cereal. &Eacute; a gl&oacute;ria e maldi&ccedil;&atilde;o do milho: a poliniza&ccedil;&atilde;o &eacute; aberta, promovida pelo pr&oacute;prio vento. Deve-se esclarecer, tamb&eacute;m, que a pesquisa gen&eacute;tica com essas sementes n&atilde;o visa selecionar caracter&iacute;sticas que as tornem resistentes &agrave;s pragas e doen&ccedil;as, mas sim aos herbicidas e venenos fabricados por seus pr&oacute;prios desenvolvedores. E, pior, n&atilde;o h&aacute; estudo comprobat&oacute;rio de sua seguran&ccedil;a. Nenhum. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">11. O sistema de acompanhamento de contamina&ccedil;&atilde;o de transg&ecirc;nicos do Greenpeace, uma das mais importantes organiza&ccedil;&otilde;es ambientalistas do mundo, j&aacute; recolheu den&uacute;ncias de &ldquo;contamina&ccedil;&atilde;o&rdquo; gen&eacute;tica por essas variedades de milho em dezesseis pa&iacute;ses. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">12. Nos Estados Unidos, a variedade da Bayer est&aacute; proibida, pois apresentou problemas na alimenta&ccedil;&atilde;o dos porcos. Em janeiro passado, o presidente da Fran&ccedil;a, Nicolas Sarkozy, que n&atilde;o &eacute; nenhum fan&aacute;tico-ambientalista, proibiu o cultivo comercial do milho da Monsanto. Talvez por isso as duas empresas transnacionais tenham aumentado a press&atilde;o pela aprova&ccedil;&atilde;o do seu milho no Brasil. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">13. Lembre-se ainda que a difus&atilde;o dessas variedades de milho no M&eacute;xico acabou com todas as variedades locais, crioulas, que eram controladas pelos camponeses e usadas no preparo da tortilla, o prato nacional do pa&iacute;s.&nbsp; e levou &agrave; fal&ecirc;ncia&nbsp; milhares de fam&iacute;lias de camponeses pobres.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">13. As empresas alegam que v&atilde;o diminuir a dosagem dos venenos. O mesmo diziam sobre a soja transg&ecirc;nica da Monsanto. No Rio Grande do Sul, depois de consolidado o uso da soja transg&ecirc;nica, a utiliza&ccedil;&atilde;o de veneno subiu 7,5 quilos para cada quilo usado antes (750%).&nbsp; Por isso, o Brasil &eacute; hoje o maior consumidor de venenos agr&iacute;colas do mundo! <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">14. Os movimentos camponeses do Brasil n&atilde;o ficar&atilde;o calados. Buscaremos todas as formas poss&iacute;veis para defender nossas variedades e a sa&uacute;de de nossos cultivos. Dos ministros defensores das transnacionais, s&oacute; esperamos que tenham vergonha na cara. Porque a hist&oacute;ria de um povo &eacute; um pouquinho mais longa do que quatro anos de governo &ndash; e um dia o povo brasileiro vai cobr&aacute;-los.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>  <span style=\"font-size: 9pt; font-family: Tahoma\">Jo&atilde;o Pedro Stedile &eacute; do MST e da coordena&ccedil;&atilde;o nacional da Via Campesina Brasil.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revista Caros Amigos, mar&ccedil;o 07. Caros amigos, para evitar que minha incontrol&aacute;vel indigna&ccedil;&atilde;o interfira sobre a clareza dos fatos que vou narrar, por si s&oacute; contundentes, vou alinh&aacute;-los em t&oacute;picos e da forma mais enxuta poss&iacute;vel. 1. 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