{"id":3115,"date":"2008-03-19T12:05:46","date_gmt":"2008-03-19T12:05:46","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2008\/03\/19\/frei-betto-critica-assistencialismo-e-pede-reformas-por-democracia-econmica\/"},"modified":"2017-10-02T21:39:30","modified_gmt":"2017-10-02T21:39:30","slug":"frei-betto-critica-assistencialismo-e-pede-reformas-por-democracia-econmica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2008\/03\/19\/frei-betto-critica-assistencialismo-e-pede-reformas-por-democracia-econmica\/","title":{"rendered":"Frei Betto critica assistencialismo e pede reformas por \u00abdemocracia econ\u00f3mica\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma\">15 de marzo de 2008<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Tahoma\">O frade dominicano Carlos Alberto Lib&acirc;nio Christo, o Frei Betto, foi um dos l&iacute;deres do Fome Zero, principal programa social do primeiro mandato do presidente Lula. Durante dois anos, foi assessor especial da presid&ecirc;ncia e coordenador de mobiliza&ccedil;&atilde;o social para o Fome Zero. <\/p>\n<p> Te&oacute;logo e escritor ligado &agrave; esquerda &#8211; foi preso durante a ditadura militar e acusado de apoiar guerrilheiros como Carlos Marighella -, Frei Betto deixou o governo no final de 2004 incomodado com os rumos da pol&iacute;tica econ&ocirc;mica e criticando a burocracia que emperrava o andamento dos programa sociais.&nbsp; <\/span><\/p>\n<p>  <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">De longe, viu o Fome Zero perder o posto de &quot;carro-chefe&quot; para o Bolsa-Fam&iacute;lia, que completou quatro anos nesta semana com direito a comemora&ccedil;&atilde;o em Bras&iacute;lia. Em entrevista ao UOL, Frei Betto lamenta a substitui&ccedil;&atilde;o de um programa &quot;emancipat&oacute;rio&quot; por um &quot;assistencialista&quot; e pede reformas estruturais para que o Brasil alcance a &quot;democracia econ&ocirc;mica&quot;. <\/p>\n<p> UOL &#8211; O governo federal tem motivos para comemorar esse anivers&aacute;rio de quatro anos do Bolsa-Fam&iacute;lia?<br \/> Frei Betto &#8211; Por que o governo federal n&atilde;o comemora cinco anos do Fome Zero e sim quatro do Bolsa Fam&iacute;lia? &Eacute; uma pena que um programa muito mais amplo, e de perfil emancipat&oacute;rio, formatado pelo pr&oacute;prio governo Lula, e tido como priorit&aacute;rio, tenha sido substitu&iacute;do pelo Bolsa Fam&iacute;lia, que tem car&aacute;ter mais assistencialista. &Eacute; claro que o governo tem motivos para comemorar, afinal, depois da Previd&ecirc;ncia Social, o Bolsa Fam&iacute;lia &eacute; o maior programa de distribui&ccedil;&atilde;o de renda existente no Brasil. E tamb&eacute;m a maior usina de votos favor&aacute;veis ao governo. Espero, entretanto, que o resgate de uma importante medida do Fome Zero &#8211; estabelecer prazo para as fam&iacute;lias se emanciparem do programa &#8211; venha a imprimir ao Bolsa Fam&iacute;lia um car&aacute;ter mais educativo, de promo&ccedil;&atilde;o cidad&atilde;. &Eacute; preciso que os benefici&aacute;rios produzam sua pr&oacute;pria renda, sem depender do poder p&uacute;blico nem correr o risco de retornar &agrave; mis&eacute;ria.<\/p>\n<p> UOL &#8211; Quando o senhor deixou o governo, fez cr&iacute;ticas &agrave; burocracia, que atrapalhava o andamento do Fome Zero. De l&aacute; para c&aacute;, mudou alguma coisa? Houve melhoras na execu&ccedil;&atilde;o dos programas sociais? <br \/> FB &#8211; Quanto ao Bolsa Fam&iacute;lia, houve evidente melhora, sem d&uacute;vida, gra&ccedil;as ao empenho do ministro Patrus Ananias. Por&eacute;m, me pergunto pelos outros programas que faziam parte da cesta emancipat&oacute;ria do Fome Zero: onde est&atilde;o os cursos profissionalizantes? A forma&ccedil;&atilde;o de cooperativas? Os restaurantes populares? Os bancos de alimentos? Os comit&ecirc;s gestores? Por que conceder facilidades de acesso ao cr&eacute;dito se j&aacute; existia, no Banco do Brasil e na Caixa Econ&ocirc;mica Federal, iniciativas, como o Banco Popular (que fim levou?) nesse sentido? <\/p>\n<p> UOL &#8211; Que balan&ccedil;o o senhor faz hoje dos programas de combate &agrave; fome e do Bolsa-Fam&iacute;lia?<br \/> FB &#8211; Em geral, positivos, mas provis&oacute;rios enquanto as medidas assistencialistas n&atilde;o forem respaldadas por reformas de estrutura. De que adianta distribuir renda a quem aspira que se distribua terra? Como &eacute; poss&iacute;vel ter &ecirc;xito no combate &agrave; fome sem reforma agr&aacute;ria? Como se explica as fam&iacute;lias pobres terem mais acesso &agrave; renda e ao consumo e, ao mesmo tempo, sofrerem a amea&ccedil;a de dengue e febre amarela? O governo combate, de fato, a mis&eacute;ria, mas n&atilde;o a desigualdade social, pois teme mexer nas estruturas arcaicas do pa&iacute;s e desagradar os que se enriquecem gra&ccedil;as &agrave; injusti&ccedil;a estrutural.<\/p>\n<p> UOL &#8211; Que avalia&ccedil;&atilde;o o senhor faz das medidas anunciadas nesta semana? Qual impacto elas ter&atilde;o sobre a vida dos benefici&aacute;rios? <br \/> FB &#8211; &Eacute; muito cedo para avali&aacute;-las. Quanto ao impacto, &eacute; claro: o governo j&aacute; iniciou sua campanha pelas elei&ccedil;&otilde;es municipais. <\/p>\n<p> UOL &#8211; O senhor v&ecirc; uso eleitoral do Bolsa-Fam&iacute;lia? Acha isso inevit&aacute;vel em ano de elei&ccedil;&atilde;o? <br \/> FB &#8211; Em pol&iacute;tica tudo tem uso eleitoral, do contr&aacute;rio o poder n&atilde;o seria motivo de tanta cobi&ccedil;a. Ainda que haja motiva&ccedil;&atilde;o eleitoreira, importa-me saber se os mais pobres s&atilde;o beneficiados. E isso tem ocorrido, embora sem o car&aacute;ter emancipat&oacute;rio a que me referi.<\/p>\n<p> UOL &#8211; O senhor acredita que o pagamento de renda pelo governo a essas fam&iacute;lias possa causar algum tipo de depend&ecirc;ncia?<br \/> FB &#8211; A depend&ecirc;ncia &eacute; clara, pois onde h&aacute; dinheiro, h&aacute; depend&ecirc;ncia. O pr&oacute;prio governo &eacute; consciente disso, tanto que agora retomou um crit&eacute;rio do Fome Zero: estabelecer prazo de perman&ecirc;ncia no programa. A quest&atilde;o &eacute; saber se, ap&oacute;s os dois anos como benefici&aacute;ria, a fam&iacute;lia encontrar&aacute; de fato sua porta de sa&iacute;da, conquistando autonomia para produzir sua pr&oacute;pria renda.<\/p>\n<p> UOL &#8211; Esse tipo de programa vira um caminho sem volta? Como fazer com que essas pessoas &quot;caminhem com as pr&oacute;prias pernas&quot;?<br \/> FB &#8211; S&oacute; se pode &quot;caminhar com as pr&oacute;prias pernas&quot; quando se vive num pa&iacute;s cujas estruturas s&oacute;cio-econ&ocirc;micas n&atilde;o produzem tanta desigualdade e, portanto, oferecem &agrave; maioria acesso razoavelmente igualit&aacute;rio aos direitos de cidadania. O povo brasileiro, em sua maioria, jamais &quot;caminhar&aacute; com as pr&oacute;prias pernas&quot;, sem ter que apelar ao poder p&uacute;blico, &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es filantr&oacute;picas, ao trabalho informal, &agrave; contraven&ccedil;&atilde;o como o narcotr&aacute;fico, enquanto n&atilde;o houver aqui reforma agr&aacute;ria e leis que, de um lado, impe&ccedil;am que se criem as condi&ccedil;&otilde;es de mis&eacute;ria e, de outro, o enriquecimento abusivo. N&atilde;o temos ainda democracia econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p> UOL &#8211; Por fim, o senhor considera o programa vulner&aacute;vel a fraudes?<br \/> FB &#8211; Lamento que o programa seja monitorado pelas prefeituras, onde h&aacute; freq&uuml;entes ind&iacute;cios de corrup&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o pelos comit&ecirc;s gestores, formados por representantes da sociedade civil, como se prop&ocirc;s na fase inicial do Fome Zero. Sem a sociedade civil fiscalizar, pressionar e cobrar, o poder p&uacute;blico costuma cair em tenta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>15 de marzo de 2008 O frade dominicano Carlos Alberto Lib&acirc;nio Christo, o Frei Betto, foi um dos l&iacute;deres do Fome Zero, principal programa social do primeiro mandato do presidente Lula. Durante dois anos, foi assessor especial da presid&ecirc;ncia e coordenador de mobiliza&ccedil;&atilde;o social para o Fome Zero. 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