{"id":3026,"date":"2007-07-20T10:35:46","date_gmt":"2007-07-20T10:35:46","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2007\/07\/20\/continuam-presos-14-cortadores-de-cana-da-destilaria-araguaia\/"},"modified":"2017-10-02T21:40:23","modified_gmt":"2017-10-02T21:40:23","slug":"continuam-presos-14-cortadores-de-cana-da-destilaria-araguaia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2007\/07\/20\/continuam-presos-14-cortadores-de-cana-da-destilaria-araguaia\/","title":{"rendered":"Continuam presos 14 cortadores de cana da Destilaria Araguaia"},"content":{"rendered":"<p>Em pronunciamento &agrave; Confer&ecirc;ncia Internacional sobre Bio-combust&iacute;veis, na sede da Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia, em Bruxelas, no dia 4 de julho, o presidente Lula defendeu ardorosamente o etanol e tentou rebater as cr&iacute;ticas ao programa brasileiro. Uma das cr&iacute;ticas mais comuns &eacute; de que a amplia&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o brasileira de etanol poder&aacute; acelerar o desmatamento da floresta Amaz&ocirc;nica. O presidente respondeu a cr&iacute;tica afirmando &ldquo;que apenas 0,4% do territ&oacute;rio brasileiro &eacute; usado para a planta&ccedil;&atilde;o de cana-de-a&ccedil;&uacute;car&rdquo;. &quot;E fica muito distante da Amaz&ocirc;nia, regi&atilde;o que n&atilde;o se presta para o cultivo da cana&quot;. &quot;Se a Amaz&ocirc;nia fosse importante para plantar a cana, os portugueses que a introduziram no Brasil a tantos s&eacute;culos atr&aacute;s, j&aacute; teriam feito e levado para l&aacute;.&quot; <\/p>\n<p>Infelizmente o presidente n&atilde;o deve ter sido informado de que poucos dias antes, no dia 30 de junho, o Grupo M&oacute;vel de Fiscaliza&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego (MTE) flagrara e libertara 1108 trabalhadores que se encontravam em condi&ccedil;&otilde;es an&aacute;logas &agrave; escravid&atilde;o, na fazenda Pagrisa (Par&aacute; Pastoril e Agr&iacute;cola S.A.), no munic&iacute;pio de Ulian&oacute;polis (PA), a 390 km de Bel&eacute;m, que produz cana. Foi a a&ccedil;&atilde;o com o maior n&uacute;mero de trabalhadores libertados desde a cria&ccedil;&atilde;o do grupo.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m o presidente n&atilde;o foi informado de que 14 trabalhadores da Destilaria Araguaia, munic&iacute;pio de Confresa, no Estado de Mato Grosso, estavam presos desde o dia 23 de junho, no pres&iacute;dio de Porto Alegre do Norte, MT.&nbsp; Os trabalhadores foram presos ap&oacute;s manifesta&ccedil;&atilde;o nas depend&ecirc;ncias da destilaria pelo atraso no pagamento de seus sal&aacute;rios.<\/p>\n<p>S&oacute; estes dois fatos mostram que na Amaz&ocirc;nia se desenvolve e cresce o cultivo de cana, com produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car e de &aacute;lcool. Mas al&eacute;m disto estes fatos deixam claro em que condi&ccedil;&otilde;es os trabalhadores s&atilde;o tratados pelas empresas.<\/p>\n<p>&nbsp;Pssados mais de 20 dias, os trabalhadores da Destilaria Araguaia continuam presos, por terem ateado fogo em pneus, durante a manifesta&ccedil;&atilde;o, e incursos no artigo 202 do C&oacute;digo Penal, acusados de invas&atilde;o de estabelecimento industrial com a finalidade de paralisar suas atividades.<\/p>\n<p>A Destilaria Araguaia &eacute; a mesma destilaria Gameleira que no ano passado trocou de nome e de raz&atilde;o social, na expectativa de limpar sua imagem depois de sucessivas a&ccedil;&otilde;es do Grupo M&oacute;vel do Minist&eacute;rio do Trabalho que encontrou e libertou centenas de trabalhadores em situa&ccedil;&otilde;es an&aacute;logas ao trabalho escravo. A esta destilaria pertencia o recorde anterior de liberta&ccedil;&atilde;o de trabalhadores, quando em junho de 2005, 1003 trabalhadores foram resgatados pelo Grupo M&oacute;vel. &Aacute; reinaugura&ccedil;&atilde;o, ou melhor, &agrave; troca de raz&atilde;o social para continuar recebendo financiamento p&uacute;blico e vendendo &aacute;lcool &agrave; Petrobr&aacute;s, compareceram dois governadores, o do Mato Grosso, Sr. Blairo Maggy, e o de Pernambuco, Sr. Jarbas Vasconcellos. <\/p>\n<p>&nbsp;Mas mesmo que na Amaz&ocirc;nia n&atilde;o se produzisse cana-de-a&ccedil;&uacute;car, a expans&atilde;o do etanol se torna respons&aacute;vel pela manuten&ccedil;&atilde;o de altos n&iacute;veis de desmatamento da regi&atilde;o. Diversas reportagens de importantes &oacute;rg&atilde;os da imprensa nacional t&ecirc;m demonstrado que o pre&ccedil;o da terra tem tido um aumento consider&aacute;vel devido &agrave; intensa procura em estados do Sudeste brasileiro para o cultivo de cana-de-a&ccedil;&uacute;car. &Aacute;reas destinadas a pastagens est&atilde;o se transformando rapidamente em canaviais empurrando os criadores de gado para &aacute;reas mais baratas na Amaz&ocirc;nia.&nbsp; <\/p>\n<p>Pesquisa realizada neste m&ecirc;s de julho pelo ge&oacute;grafo Carlos Walter Porto-Gon&ccedil;alves da Universidade Federal Fluminense (UFF), no munic&iacute;pio de Luciara, MT, mostrou a repercuss&atilde;o de como este deslocamento se faz sentir na regi&atilde;o. O valor do arrendamento de pastagens teve, no &uacute;ltimo ano, um aumento que variou entre 25 e 30%. <\/p>\n<p>A pol&iacute;tica do governo federal &eacute; de total apoio ao agroneg&oacute;cio, com destaque particular nos &uacute;ltimos meses, ao etanol. Esta pol&iacute;tica refor&ccedil;a sobretudo os usineiros, que no in&iacute;cio deste ano foram qualificados de her&oacute;is pelo presidente Lula, e deixa em situa&ccedil;&atilde;o cada vez mais prec&aacute;ria os trabalhadores. A pris&atilde;o dos 14 cortadores de cana da Destilaria Araguaia &eacute; o sinal claro de que n&atilde;o v&atilde;o se tolerar a&ccedil;&otilde;es de trabalhadores mesmo as que reivindiquem direitos, por mais simples que sejam, que possam paralisar ainda que momentaneamente as atividades da empresa. At&eacute; o dia 19 de julho os trabalhadores continuam presos. <\/p>\n<p>Goi&acirc;nia, 19 de julho de 2007<br \/>Antonio Canuto<br \/>Secret&aacute;rio da Coordena&ccedil;&atilde;o Nacional da CPT<\/p>\n<p>Carlos Walter Porto-Gon&ccedil;alves<br \/>Ge&oacute;grafo e Pesquisador do LEMTO-UFF<\/p>\n<p>Assessoria de Comunica&ccedil;&atilde;o<br \/>Comiss&atilde;o Pastoral da Terra<br \/>Secretaria Nacional &#8211; Goi&acirc;nia, Goi&aacute;s.<br \/>Fone: 62 4008-6406\/6412\/6200<br \/>www.cptnacional.org.br <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em pronunciamento &agrave; Confer&ecirc;ncia Internacional sobre Bio-combust&iacute;veis, na sede da Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia, em Bruxelas, no dia 4 de julho, o presidente Lula defendeu ardorosamente o etanol e tentou rebater as cr&iacute;ticas ao programa brasileiro. 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