{"id":3000,"date":"2007-05-24T09:07:55","date_gmt":"2007-05-24T09:07:55","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2007\/05\/24\/monocultura-de-eucalipto-crimes-ambientais-pobreza-e-desemprego\/"},"modified":"2017-10-02T21:40:32","modified_gmt":"2017-10-02T21:40:32","slug":"monocultura-de-eucalipto-crimes-ambientais-pobreza-e-desemprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2007\/05\/24\/monocultura-de-eucalipto-crimes-ambientais-pobreza-e-desemprego\/","title":{"rendered":"Monocultura de eucalipto: Crimes ambientais, pobreza e desemprego"},"content":{"rendered":"<p> 15 de mayo de 2007. A monocultura &eacute; vista pelos ambientalistas como uma das principais causas da destrui&ccedil;&atilde;o do meio ambiente. No caso do eucalipto, muitos produtos qu&iacute;micos s&atilde;o utilizados para acelerar o crescimento e as &aacute;rvores sugam uma quantidade enorme de &aacute;gua do solo. Isso enfraquece a terra e acaba com a biodiversidade local. Grandes empresas de celulose, como por exemplo a multinacional Aracruz, al&eacute;m de cometerem crimes ambientais, geram pobreza e desemprego, e s&atilde;o respons&aacute;veis pelo aumento do &ecirc;xodo rural em muitos estados. <\/p>\n<p>Escuchalo en: http:\/\/www.radioagencianp.com.br\/images\/stories\/notplan\/mp3\/2007\/maio\/150507debateeucalipto.mp3&nbsp;<\/p>\n<p>No caso da regi&atilde;o de Eun&aacute;polis (BA), onde a Aracruz e suas acionistas t&ecirc;m mais de 43 mil hectares de terras, 60% dos agricultores j&aacute; deixaram a &aacute;rea rural. No estado, a empresa tamb&eacute;m j&aacute; foi multada em quase R$ 1 milh&atilde;o por plantio ilegal. J&aacute; no Esp&iacute;rito Santo, a empresa est&aacute; sendo acusada na Justi&ccedil;a de invadir 11 mil hectares de terras dos povos ind&iacute;genas Tupinkim e Guarani. Mas mesmo assim, a Aracruz recebe financiamento p&uacute;blico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social (BNDES). <\/p>\n<p>   Em entrevista <strong>&agrave; Radio&acirc;gencia NP,<\/strong> o <strong>coordenador da Federa&ccedil;&atilde;o de &Oacute;rg&atilde;os para Assist&ecirc;ncia Social e Educacional (FASE), Marcelo Calazans<\/strong> nos fala sobre os riscos dessa cultura e as estrat&eacute;gias das empresas. Ou&ccedil;am agora a entrevista. <\/p>\n<p>    <strong>Radioag&ecirc;ncia NP: Para iniciar, voc&ecirc; pode nos explicar quais s&atilde;o os danos que a monocultura de eucalipto tr&aacute;s especificamente para os agricultores?<\/strong><\/p>\n<p>  <strong>Marcelo Calazans:<\/strong> O primeiro dano &eacute; a perda dos recursos naturais que antes permitiam as sub-exist&ecirc;ncias de v&aacute;rios grupos sociais. Ent&atilde;o, quando essas empresas entram, elas n&atilde;o apenas destroem as condi&ccedil;&otilde;es dos meios que permitiam a vida de popula&ccedil;&otilde;es. Por outro lado, elas tamb&eacute;m n&atilde;o oferecem em contra parte nenhum tipo de emprego, porque esse tipo de trabalho desemprega em massa. Onde entra eucalipto os &iacute;ndices de empregos s&atilde;o baixos, e as empresas mentem quando dizem que geram muito emprego. Essas planta&ccedil;&otilde;es geram poucos empregos e em per&iacute;odos muito reduzidos o que provoca uma clara expuls&atilde;o do homem do campo.<\/p>\n<p>  <strong>Radioag&ecirc;ncia NP: E como essas empresas, que na maioria das vezes s&atilde;o multinacionais, conseguem adquirir grandes propriedades de terras para o plantio?<\/strong><\/p>\n<p>  <strong>MC:<\/strong> A estrat&eacute;gia da empresa de adquirir terras &eacute; o chamado fomento florestal. O que &eacute; isso? &Eacute; um aluguel de terras. A empresa aluga a terra do campon&ecirc;s, e paga para ele o valor da madeira que ele produz nesta terra. Essa &eacute; uma forma que as empresas est&atilde;o utilizando para dizer que n&atilde;o aumenta o latif&uacute;ndio, de que n&atilde;o contribui com a concentra&ccedil;&atilde;o de terra e que ajuda a fixa&ccedil;&atilde;o do campon&ecirc;s no campo, mas sabemos que tudo isso &eacute; mentira. Ent&atilde;o muitos camponeses acabam caindo nesta hist&oacute;ria, se submetendo a l&oacute;gica da empresa. Elas t&ecirc;m no fomento florestal, uma forma de se manter expandido mesmo sem comprar terra, &eacute; uma forma de terceirizar parte da sua produ&ccedil;&atilde;o. Isso tem sido usado como estrat&eacute;gia de expans&atilde;o deste setor. Infelizmente, muitos camponeses, por falta de alternativas, t&ecirc;m se subordinado a esse tipo de rela&ccedil;&atilde;o com a empresa. <\/p>\n<p>   <strong>Radioag&ecirc;ncia NP: E quais s&atilde;o as perdas que o agricultor pode ter com essa rela&ccedil;&atilde;o?<\/strong><\/p>\n<p>  <strong>MC:<\/strong> O problema do eucalipto &eacute; que uma vez plantado n&atilde;o d&aacute; para extra&iacute;-lo t&atilde;o facilmente como a cana e a soja. O eucalipto &eacute; uma &aacute;rvore com ra&iacute;zes profundas. A reconvers&atilde;o desta &aacute;rea &eacute; de custo alt&iacute;ssimo e de tempo muito demorado. Esse &eacute; um grande problema que o campon&ecirc;s deve refletir &eacute; como depois ele poder&aacute; migrar para outra cultura?. O que ele vai fazer com &aacute; &aacute;rea? Vai ter uma &aacute;rea toda cortada, cortes rasos, milhares de tocos sobre est&aacute; &aacute;rea, o que ele vai plantar sobre isso? &Eacute; uma l&oacute;gica que no primeiro momento aparece uma alternativa, mas &eacute; uma alternativa do desespero &eacute; uma alternativa por falta de outras pol&iacute;ticas agr&iacute;colas e agr&aacute;rias do governo. Na medida em que o governo n&atilde;o oferece essas alternativas, n&atilde;o diversifica, n&atilde;o pensa a comercializa&ccedil;&atilde;o da agricultura camponesa, a&iacute; o eucalipto aparece como alternativa, mas &eacute; uma alternativa por falta de pol&iacute;tica. <\/p>\n<p>  <strong>Radiag&ecirc;ncia NP:  E porque essas empresas se instalam  aqui no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>  <strong>MC:<\/strong> Aqui se faz o trabalho sujo. N&oacute;s aqui somos apenas um lugar de passagem, por acaso passa aqui. Poderia ser na Tail&acirc;ndia, &Aacute;frica do Sul ou Chile, certamente em qualquer outro pa&iacute;s onde a legisla&ccedil;&atilde;o ambiental pode ser facilmente driblada, onde os estados n&atilde;o fazem regulariza&ccedil;&otilde;es. A quest&atilde;o do territ&oacute;rio nacional &eacute; complexa de dif&iacute;cil solu&ccedil;&atilde;o, mas o que eu percebo no atual cen&aacute;rio &eacute; uma enorme privatiza&ccedil;&atilde;o e internacionaliza&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio brasileiro. Esse processo na verdade &eacute; um processo simb&oacute;lico de um cen&aacute;rio global de privativatiza&ccedil;&atilde;o de todos os recursos naturais. <\/p>\n<p>   Voc&ecirc;s acabaram de ouvir a entrevista com o <strong>coordenador da Federa&ccedil;&atilde;o de &Oacute;rg&atilde;os para Assist&ecirc;ncia Social e Educacional (FASE), Marcelo Calazans.<\/strong><\/p>\n<p>  De S&atilde;o Paulo, da R&aacute;dioag&ecirc;ncia NP, Danilo Augusto. <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>15 de mayo de 2007. A monocultura &eacute; vista pelos ambientalistas como uma das principais causas da destrui&ccedil;&atilde;o do meio ambiente. No caso do eucalipto, muitos produtos qu&iacute;micos s&atilde;o utilizados para acelerar o crescimento e as &aacute;rvores sugam uma quantidade enorme de &aacute;gua do solo. Isso enfraquece a terra e acaba com a biodiversidade local. 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