{"id":2989,"date":"2007-05-03T09:47:15","date_gmt":"2007-05-03T09:47:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2007\/05\/03\/entrevista-a-jos-batista-oliveira-dirigente-mst\/"},"modified":"2017-10-02T21:40:35","modified_gmt":"2017-10-02T21:40:35","slug":"entrevista-a-jos-batista-oliveira-dirigente-mst","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2007\/05\/03\/entrevista-a-jos-batista-oliveira-dirigente-mst\/","title":{"rendered":"Entrevista a Jos\u00e9 Batista Oliveira, dirigente MST"},"content":{"rendered":"<p>1 de mayo 2007&nbsp;<\/p>\n<p>Dirigente do MST fala de alian&ccedil;as, governo Lula e poder popular: Em abril, o MST dobrou a&ccedil;&otilde;es da Jornada pela Reforma Agr&aacute;ria e investiu em articula&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas com outros setores. Alian&ccedil;a com PSTU e PSOL, por&eacute;m, n&atilde;o visam especificamente oposi&ccedil;&atilde;o ao governo, explica Batista. Verena Glass &#8211; Carta Maior<\/p>\n<p>S&Atilde;O PAULO &#8211; No fim desta semana, uma articula&ccedil;&atilde;o de movimentos sociais nacionais deve aprovar a vers&atilde;o final de um novo manifesto contra a pol&iacute;tica econ&ocirc;mica do governo e contra ataques aos direitos trabalhistas. O documento, que tamb&eacute;m critica o agroneg&oacute;cio e exige reforma agr&aacute;ria, moradia, ensino e sa&uacute;de p&uacute;blica de qualidade, conclama a classe trabalhadora a participar de uma jornada nacional de lutas no pr&oacute;ximo dia 23 de maio. Entre os signat&aacute;rios, est&atilde;o Via Campesina, Intersindical, Conlutas, Coordena&ccedil;&atilde;o dos Movimentos Sociais (Conam, CUT, MST, UNE e Marcha Mundial de Mulheres), Assembl&eacute;ia Popular e a Pastoral Oper&aacute;ria.<\/p>\n<p>Bastante similar, no conte&uacute;do, a tantas outras manifesta&ccedil;&otilde;es dos movimentos sociais, este documento merece aten&ccedil;&atilde;o por ser uma esp&eacute;cie de &ldquo;face vis&iacute;vel&rdquo; de uma nova articula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, que tem aproximado for&ccedil;as at&eacute; ent&atilde;o mais ligadas ao PT, como o MST e a Corrente Sindical Classista (CSC, representante o PC do B na CUT), &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o &ldquo;&agrave; esquerda&rdquo; ao governo &ndash; basicamente PSTU e PSOL, atrav&eacute;s dos movimentos sindicais Conlutas e Intersindical, a eles ligados.<\/p>\n<p>Grosso modo, poderia se dizer que a semente do referido manifesto foi o encontro que reuniu cerca de 6 mil representantes de organiza&ccedil;&otilde;es sindicais e movimentos populares majoritariamente ligados ao PSTU e ao PSOL no dia 25 de mar&ccedil;o em S&atilde;o Paulo, e que contou com MST e CSC como convidados. Centrando suas cr&iacute;ticas na poss&iacute;vel flexibiliza&ccedil;&atilde;o de direitos trabalhistas, em abril estas for&ccedil;as fizeram duas novas reuni&otilde;es, &agrave;s quais se juntaram as organiza&ccedil;&otilde;es da Coordena&ccedil;&atilde;o dos Movimentos Sociais, e decidiu-se por uma plataforma conjunta de lutas dos trabalhadores por &ldquo;nenhum direito a menos&rdquo; (mote proposto, ali&aacute;s, pelo dirigente nacional do MST, Gilmar Mauro).<\/p>\n<p>Comemorada pelos dois partidos socialistas como um reconhecimento ao seu poder mobilizador, a disposi&ccedil;&atilde;o &agrave; conversa demonstrada pelo MST e pelo bra&ccedil;o sindical do PC do B causou estranhamento entre outros setores. Em seu blog, o ex-deputado Jos&eacute; Dirceu definiu este movimento como &ldquo;muito preocupante&rdquo;, questionando se estaria ocorrendo um rompimento das duas for&ccedil;as com &ldquo;o bloco democr&aacute;tico-popular forjado nos &uacute;ltimos vinte anos&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Poderia imaginar o MST incentivando, por exemplo, um encontro pelas reformas sociais (&#8230;). Confesso que estou surpreso em ver essa hist&oacute;rica sigla associada a correntes que n&atilde;o hesitaram em se colocar ao lado da direita nos ataques ao governo Lula, na crise deflagrada em 2005 e na campanha eleitoral de 2006&rdquo;, escreveu Dirceu. <\/p>\n<p>O descontentamento do MST com alguns rumos do governo, como o pesado investimento no agroneg&oacute;cio e a manuten&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica econ&ocirc;mica considerada desfavor&aacute;vel ao saneamento estrutural das desigualdades sociais, n&atilde;o &eacute; uma novidade. Tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; de hoje que o movimento vem investindo em articula&ccedil;&otilde;es com outros setores e organiza&ccedil;&otilde;es sociais. Desde 2005, o MST tem liderado a cria&ccedil;&atilde;o e o fortalecimento de f&oacute;runs como a Assembl&eacute;ia Popular, iniciativa que busca articular movimentos de base de todo o pa&iacute;s em torno do debate sobre &ldquo;o Brasil que queremos&rdquo;, ou a pr&oacute;pria Coordena&ccedil;&atilde;o dos Movimentos Sociais (CMS), proposta que busca fortalecer lutas pontuais e consensuais de v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es nacionais.<\/p>\n<p>Por outro lado, apesar da cobran&ccedil;a mais dura de um posicionamento claro do presidente Lula a respeito de suas demandas, n&atilde;o foi propriamente o governo o alvo central da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agr&aacute;ria do MST neste m&ecirc;s de abril. Segundo a dire&ccedil;&atilde;o do movimento, o advers&aacute;rio principal das organiza&ccedil;&otilde;es populares &eacute; o capital financeiro, considerado a maior for&ccedil;a pol&iacute;tica do pa&iacute;s. E contra este e sua estrat&eacute;gia de subordina&ccedil;&atilde;o do poder constitucional, o que resta &eacute; a uni&atilde;o de todas as for&ccedil;as que se contrap&otilde;e &agrave; sua hegemonia, explica Jos&eacute; Batista de Oliveira, dirigente nacional do MST em S&atilde;o Paulo. Batista conversou com Carta Maior sobre a perspectiva do movimento para as lutas pol&iacute;ticas futuras, seus aliados e as rela&ccedil;&otilde;es com o governo. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.<\/p>\n<p>As articula&ccedil;&otilde;es, PSTU e PSOL<br \/>A partir do momento que entendemos que n&atilde;o vamos conseguir fazer a reforma agr&aacute;ria com as for&ccedil;as que temos, desde 1997 come&ccedil;amos a investir na articula&ccedil;&atilde;o com outras organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade. O que estamos avaliando agora &eacute; que temos que fazer a luta conjunta, mesmo com diferen&ccedil;as na an&aacute;lise de conjuntura. Esta avalia&ccedil;&atilde;o n&atilde;o partiu de um segmento ou de outro. N&atilde;o &eacute; o MST que se juntou &agrave; Conlutas (PSTU) ou &agrave; Intersindical (PSOL) e est&aacute; propondo uma ofensiva mais &agrave; esquerda ou contra o governo. Estes termos n&atilde;o ajudam. O que buscamos &eacute; construir a&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o acima de nossas diferen&ccedil;as. A n&atilde;o redu&ccedil;&atilde;o dos direitos dos trabalhadores, &eacute; isso que nos d&aacute; unidade. A avalia&ccedil;&atilde;o que v&aacute;rios movimentos est&atilde;o fazendo &eacute; que, isoladamente, mesmo os mais fortes t&ecirc;m sofrido redu&ccedil;&atilde;o das conquistas. <\/p>\n<p>Estamos tendo um cuidado para n&atilde;o rotular ningu&eacute;m, &lsquo;esse &eacute; mais de esquerda, esse mais de direita&rsquo;. O MST est&aacute; nesse arco de alian&ccedil;a porque cumpre um papel. N&atilde;o est&atilde;o em discuss&atilde;o hegemonismos, nem por parte do MST nem por parte de nenhuma organiza&ccedil;&atilde;o. Para al&eacute;m do &lsquo;fora n&atilde;o sei quem&rsquo;, &lsquo;entra n&atilde;o sei quem&rsquo;, &lsquo;fica n&atilde;o sei quem&rsquo;, o que conseguirmos construir de a&ccedil;&otilde;es que sejam implementadas com uma certa coer&ecirc;ncia vai nos dando autoconfian&ccedil;a para propormos algo mais ousado. O desafio das articula&ccedil;&otilde;es &eacute; potencializar a capacidade de organiza&ccedil;&atilde;o de suas bases para transform&aacute;-las em a&ccedil;&atilde;o. Quem sabe se colocarmos um milh&atilde;o nas ruas, podemos propor nossa pauta.<\/p>\n<p>Rela&ccedil;&atilde;o com o governo<br \/>Em rela&ccedil;&atilde;o ao governo, acreditamos que temos que fazer o enfrentamento &agrave; pol&iacute;tica que est&aacute; a&iacute;. A redu&ccedil;&atilde;o de direitos est&aacute; acontecendo todos os dias, veja a proposta da emenda 3 da Super-receita. Mas n&atilde;o vai ser um discurso mais radical do MST ou da Intersindical que vai mudar esta realidade. Assim, acreditamos que s&oacute; a&ccedil;&otilde;es contundentes &#8211; e n&atilde;o mais vermelhas ou amarelas -, mas contundentes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; quantidade de trabalhadores que n&oacute;s conseguirmos mobilizar pra defender os direitos, poder&atilde;o fazer alguma diferen&ccedil;a. <\/p>\n<p>O objeto do enfrentamento est&aacute; claro: &eacute; o capital e os seus mecanismos. Claro que n&atilde;o vai ter como n&atilde;o discutir o papel do Estado. Os governos est&atilde;o a servi&ccedil;o da hegemonia do capital. O capital est&aacute; se institucionalizando, criando suas pr&oacute;prias regras, e imp&ocirc;s ao governo Lula a manuten&ccedil;&atilde;o do modelo anterior. Se n&atilde;o houver um ascenso dos movimentos, n&atilde;o teremos condi&ccedil;&atilde;o de pensar em mudan&ccedil;a. Estamos tentando construir uma unidade que n&atilde;o seja em torno do paradigma &lsquo;defender ou derrubar o governo Lula&rsquo;. Estamos construindo um processo que precisa descer para os estados, se transformar em organiza&ccedil;&atilde;o local nos v&aacute;rios n&iacute;veis. Para isso precisamos de um pouco de paci&ecirc;ncia. E vai ter que haver muita generosidade entre os movimentos, n&atilde;o pode ser uma disputa de quem &eacute; mais combativo. Estamos em um momento da luta de classe no Brasil que n&atilde;o nos permite dizer &lsquo;essa &eacute; a for&ccedil;a hegem&ocirc;nica, esse &eacute; o melhor projeto&rsquo;. <\/p>\n<p>Novos atores, os partido e os espa&ccedil;os da luta pol&iacute;tica<br \/>Hoje n&oacute;s temos uma situa&ccedil;&atilde;o para as classes sociais diferente da de 20 anos atr&aacute;s. Do ponto de vista da an&aacute;lise marxista cl&aacute;ssica, por exemplo, os ind&iacute;genas nunca seriam uma for&ccedil;a pol&iacute;tica que se mobiliza como tal, se a gente interpretar o marxismo ao p&eacute; da letra. O ch&atilde;o da f&aacute;brica n&atilde;o &eacute; mais o principal espa&ccedil;o de organiza&ccedil;&atilde;o para o enfrentamento, mas n&atilde;o podemos despreza-lo. Hoje, o movimento de moradia consegue articular v&aacute;rias categorias, o empregado, o desempregado, o terceirizado. O movimento social &eacute; outro espa&ccedil;o de organiza&ccedil;&atilde;o. Estamos numa conjuntura em que a esquerda brasileira precisa repensar as suas formas organizativas. N&oacute;s ainda n&atilde;o amadurecemos qual a melhor forma de organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Tem sem-teto, tem os quilombolas, tem os ind&iacute;genas, tem os atingidos por barragens; h&aacute; um processo de reconfigura&ccedil;&atilde;o do sujeito hist&oacute;rico, aquele que &eacute; capaz de mover o processo de transforma&ccedil;&atilde;o. Antes era s&oacute; o oper&aacute;rio. Quem n&atilde;o era oper&aacute;rio&#8230; os camponeses eram contra-revolucion&aacute;rios, os ind&iacute;genas nem eram &quot;civilizados&quot;. Acho que a hist&oacute;ria est&aacute; nos colocando uma nova perspectiva.<\/p>\n<p>Nesse sentido, um novo elemento a se estudar &eacute; a quest&atilde;o do territ&oacute;rio, do pr&oacute;prio poder popular&#8230; n&atilde;o na dire&ccedil;&atilde;o de &lsquo;vamos largar toda a id&eacute;ia de partido, n&atilde;o vamos mais disputar o Estado, vamos s&oacute; organizar o povo no poder popular&rsquo;. Mas h&aacute; uma id&eacute;ia de uma nova estrutura de organiza&ccedil;&atilde;o coletiva. Se voc&ecirc; pensa a quest&atilde;o do territ&oacute;rio: l&aacute; esta o desempregado, est&aacute; o assalariado rural, morando na periferia. N&atilde;o &eacute; s&oacute; o sindicato como forma de organiza&ccedil;&atilde;o, tem outras formas. Por isso a Assembl&eacute;ia Popular vem nesse sentido, de trabalhar a organiza&ccedil;&atilde;o popular atrav&eacute;s da geografia, dos territ&oacute;rios. A id&eacute;ia do poder popular tem esse objetivo, n&atilde;o o de despolitizar ou inventar uma outra roda. Por isso acho que n&atilde;o h&aacute; uma competi&ccedil;&atilde;o entre o movimento social e o partido. Agora, h&aacute; uma metodologia. Por isso apostamos na representa&ccedil;&atilde;o de redes e n&atilde;o de partidos nas nossas articula&ccedil;&otilde;es, &eacute; uma maneira de se discutir tanto a f&oacute;rmula organizativa quanto a capacidade de mobiliza&ccedil;&atilde;o, e de envolver a milit&acirc;ncia num processo mais amplo poss&iacute;vel de luta e participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1 de mayo 2007&nbsp; Dirigente do MST fala de alian&ccedil;as, governo Lula e poder popular: Em abril, o MST dobrou a&ccedil;&otilde;es da Jornada pela Reforma Agr&aacute;ria e investiu em articula&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas com outros setores. Alian&ccedil;a com PSTU e PSOL, por&eacute;m, n&atilde;o visam especificamente oposi&ccedil;&atilde;o ao governo, explica Batista. 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