{"id":2986,"date":"2007-04-19T18:30:20","date_gmt":"2007-04-19T18:30:20","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2007\/04\/19\/relatorio-anual-comissao-pastoral-da-terra-cpt-violencia-e-menor-onde-hay-movimento-organizado\/"},"modified":"2017-10-02T21:40:36","modified_gmt":"2017-10-02T21:40:36","slug":"relatorio-anual-comissao-pastoral-da-terra-cpt-violencia-e-menor-onde-hay-movimento-organizado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2007\/04\/19\/relatorio-anual-comissao-pastoral-da-terra-cpt-violencia-e-menor-onde-hay-movimento-organizado\/","title":{"rendered":"Relatorio anual Comissao Pastoral da Terra (CPT): violencia e menor onde hay movimento organizado"},"content":{"rendered":"<p>Relat&oacute;rio anual da Comiss&atilde;o Pastoral da Terra (CPT): mais crimes contra comunidades tradicionais e maior incid&ecirc;ncia de viol&ecirc;ncia ao Norte do pa&iacute;s; viol&ecirc;ncia &eacute; menor onde h&aacute; movimento organizado<\/p>\n<p class=\"western\"><em>17\/04\/2007 &#8211; Pedro Carrano, de Curitiba (Paran&aacute;)<\/em><\/p>\n<p class=\"western\">A Comiss&atilde;o Pastoral da Terra (CPT) lan&ccedil;ou nacionalmente na segunda-feira (16) o relat&oacute;rio de Conflitos no Campo no Brasil do ano de 2006. O documento, elaborado a partir do trabalho de cada regional, &eacute; um material de apoio &agrave;s den&uacute;ncias de viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos no campo. O primeiro levantamento da pastoral data do ano de 1985, e desde ent&atilde;o a investiga&ccedil;&atilde;o tornou-se reconhecida pelo valor cient&iacute;fico.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Apesar de em 2006 ter diminu&iacute;do o n&uacute;mero total de incid&ecirc;ncias de conflitos no campo, outros indicativos apontam a repress&atilde;o sobre o trabalhador do campo. O n&uacute;mero de assassinatos aumentou de 38 para 39 mortes. No mesmo sentido, tamb&eacute;m cresceram as tentativas de assassinato de trabalhadores, com um aumento de 176% em rela&ccedil;&atilde;o a 2005. Foram registradas 72 tentativas em 2006, contra 26 do ano anterior.<\/p>\n<p class=\"western\"><strong>Organiza&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\">Este ano, o documento da CPT desperta a seguinte reflex&atilde;o: nas regi&otilde;es com maior mobiliza&ccedil;&atilde;o dos movimentos sociais (caso da regi&atilde;o Centro Sul), o &iacute;ndice de viol&ecirc;ncia &eacute; menor, se comparado ao da regi&atilde;o Norte, onde n&atilde;o houve o mesmo n&uacute;mero de a&ccedil;&otilde;es dos movimentos sociais. Na opini&atilde;o dos assessores da CPT, ao contr&aacute;rio do que prega o senso comum, este dado revela que a a&ccedil;&atilde;o dos movimentos sociais contribui para o di&aacute;logo. A viol&ecirc;ncia, por outro lado, ocorre onde n&atilde;o h&aacute; organiza&ccedil;&atilde;o social. <\/p>\n<p class=\"western\">O relat&oacute;rio aponta que a Amaz&ocirc;nia, por exemplo, &eacute; respons&aacute;vel por 15,3 % entre as a&ccedil;&otilde;es organizadas em todo o pa&iacute;s, enquanto a regi&atilde;o Centro-Sul chega a 44,5% do total. Pela l&oacute;gica, se os conflitos fossem causados pela ocupa&ccedil;&atilde;o de terras, a regi&atilde;o Centro-Sul seria a de maior incid&ecirc;ncia de conflitos. Por&eacute;m, &eacute; respons&aacute;vel por apenas 25,2% do total do pa&iacute;s. A Amaz&ocirc;nia, por&eacute;m, foi o foco de 45,6%. <\/p>\n<p class=\"western\">No centro da viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos no campo est&aacute; o modelo do agroneg&oacute;cio e da expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola. Na an&aacute;lise do assessor da CPT-Paran&aacute;, Jelson Oliveira, &ldquo;A viola&ccedil;&atilde;o de direitos trabalhistas, como o trabalho escravo, est&aacute; conectada com a expans&atilde;o do agroneg&oacute;cio, e esta provoca o desgaste do meio-ambiente&rdquo;, afirma. <\/p>\n<p class=\"western\">Para a CPT, a mudan&ccedil;a come&ccedil;a com uma atualiza&ccedil;&atilde;o dos &iacute;ndices de produtividade no campo, que datam da d&eacute;cada de 70. Mas isto ainda &eacute; pouco. Pois &eacute; necess&aacute;ria a aplica&ccedil;&atilde;o da reforma agr&aacute;ria. &ldquo;Queremos o cumprimento da lei que possibilita a reforma agr&aacute;ria, n&atilde;o d&aacute; para faz&ecirc;-la sem mexer na atual estrutura fundi&aacute;ria. Mesmo que uma terra seja muito produtiva, n&atilde;o pode ter 2 milh&otilde;es de hectares&rdquo;, comenta o representante episcopal da CPT, Dom Ladislau Berniaski. <\/p>\n<p class=\"western\"><\/p>\n<p class=\"western\"><strong>Comunidades Tradicionais<\/strong> <\/p>\n<p class=\"western\">Em 2006, do total de conflitos no campo, 20% envolveram as chamadas comunidades tradicionais (quilombolas, ind&iacute;genas, ribeirinhos, etc), os donos leg&iacute;timos das terras, for&ccedil;ados a abandon&aacute;-las. &ldquo;A pesquisa mostra que outros grupos sociais al&eacute;m do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) s&atilde;o v&iacute;timas no campo&rdquo;, comenta o assessor da CPT. <\/p>\n<p class=\"western\">As comunidades remanescentes de quilombolas, em luta pelo reconhecimento das suas &aacute;reas, foram afetadas de modo particular. A investiga&ccedil;&atilde;o da CPT aponta para 39 ocorr&ecirc;ncias. Entre outros fatores, est&aacute; o interesse nestes mesmos territ&oacute;rios por parte da ind&uacute;stria capitalista de extra&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Grandes empresas mineradoras, ind&uacute;strias de papel e celulose, usinas de ferro-gusa, empreendimentos sucroalcooleiros e outros querem se apoderar destas &aacute;reas para suas atividades&rdquo;, informa documento da CPT. <\/p>\n<p class=\"western\">A grilagem de terras realizada pelo latifundi&aacute;rio nacional, uma classe que hoje atua em parceria com as corpora&ccedil;&otilde;es do agroneg&oacute;cio, afeta diretamente as comunidades origin&aacute;rias. No Norte do pa&iacute;s, existem terras griladas do mesmo tamanho de reservas ind&iacute;genas. &ldquo;Por que a terra est&aacute; t&atilde;o em disputa no Brasil? Pela quest&atilde;o da biodiversidade e da &aacute;gua. As terras tradicionais s&atilde;o grandes reservas do recurso, protegidas por comunidades cujo modelo de agricultura n&atilde;o &eacute; o do agroneg&oacute;cio&rdquo;, analisa Oliveira. <\/p>\n<p class=\"western\">Neste sentido, a grilagem de terras e o latif&uacute;ndio s&atilde;o o primeiro passo para a instala&ccedil;&atilde;o de projetos nos moldes do agroneg&oacute;cio, com a interven&ccedil;&atilde;o do capitalismo internacional. &ldquo;A produ&ccedil;&atilde;o de <em>commodities <\/em>(produtos agr&iacute;colas cotados no mercado global) para a exporta&ccedil;&atilde;o s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel porque h&aacute; este primeiro processo de grilagem&rdquo;, afirma Rog&eacute;rio Nunes, da CPT-Paran&aacute;. <\/p>\n<p class=\"western\">A CPT criticam tamb&eacute;m o recente Programa de Acelera&ccedil;&atilde;o do Crescimento (PAC), lan&ccedil;ado pelo governo Lula como a diretriz de seu segundo mandato. &ldquo;O PAC est&aacute; inserido nesta l&oacute;gica do produtivismo, do aumento de produ&ccedil;&atilde;o a qualquer pre&ccedil;o, pois sabemos que 50% da energia produzida &eacute; reservada para a ind&uacute;stria pesada, cuja finalidade &eacute; a exporta&ccedil;&atilde;o. Exportamos para a Europa e pagamos os impactos ambientais&rdquo;, comenta Nunes. <\/p>\n<p class=\"western\"><\/p>\n<p class=\"western\"><strong>Explora&ccedil;&atilde;o no mundo do trabalho<\/strong> <\/p>\n<p class=\"western\">De acordo com o documento da CPT, foram 109 os casos registrados de superexplora&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores do campo, abrangendo um n&uacute;mero de 7028 pessoas. Os casos de trabalho escravo, por sua vez, totalizaram o n&uacute;mero de 262 casos. Embora a maior quantidade de ocorr&ecirc;ncias registradas tenha sido feita no Norte do pa&iacute;s, na realidade este contexto se estende para todas as regi&otilde;es brasileiras, em maior ou menor grau. <\/p>\n<p class=\"western\">Em cidades da regi&atilde;o metropolitana de Curitiba, por exemplo, foram encontrados no ano passado 4 casos de trabalho escravo (dos 5 casos do Estado), envolvendo 64 trabalhadores no interior das &aacute;reas do agroneg&oacute;cio de produ&ccedil;&atilde;o de madeira, instalado em regi&otilde;es pobres como o Vale do Ribeira. <\/p>\n<p class=\"western\"><\/p>\n<p class=\"western\"><em>Superexplora&ccedil;&atilde;o. Acontece quando o trabalhador &eacute; obrigado a trabalhar muito mais do que horas do que o normal, pelo mesmo sal&aacute;rio. Geralmente, estes casos est&atilde;o ligados a prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e moradia.<\/em> <\/p>\n<p class=\"western\"><strong>Dados:<\/strong> <\/p>\n<p class=\"western\"><strong>1657<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\">Soma dos conflitos por terra, &aacute;gua, trabalhistas, etc no Brasil. Uma queda de 11,91 por cento em rela&ccedil;&atilde;o a 2005 (quando foi registrado 1881 conflitos)<\/p>\n<p class=\"western\"><strong>151<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\">N&uacute;mero de conflitos de terra no Par&aacute;, o Estado de maior incid&ecirc;ncia, seguido de S&atilde;o Paulo, com 134; Pernambuco, com 123; e Para&iacute;ba, com 101. O Paran&aacute; surge logo em seguida, com 76. <\/p>\n<p class=\"western\"><strong>917<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\">N&uacute;mero de trabalhadores rurais presos em todo o pa&iacute;s, sendo que o n&uacute;mero em 2005 havia sido de 261<\/p>\n<p class=\"western\"><em>Fonte: Comiss&atilde;o Pastoral da Terra<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relat&oacute;rio anual da Comiss&atilde;o Pastoral da Terra (CPT): mais crimes contra comunidades tradicionais e maior incid&ecirc;ncia de viol&ecirc;ncia ao Norte do pa&iacute;s; viol&ecirc;ncia &eacute; menor onde h&aacute; movimento organizado 17\/04\/2007 &#8211; Pedro Carrano, de Curitiba (Paran&aacute;) A Comiss&atilde;o Pastoral da Terra (CPT) lan&ccedil;ou nacionalmente na segunda-feira (16) o relat&oacute;rio de Conflitos no Campo no Brasil [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[6],"class_list":["post-2986","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-publicaciones","tag-articulos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2986","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2986"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2986\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4146,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2986\/revisions\/4146"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2986"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2986"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2986"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}