{"id":2976,"date":"2007-03-26T11:22:41","date_gmt":"2007-03-26T11:22:41","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2007\/03\/26\/mst-informa-no-130-23032007\/"},"modified":"2017-10-02T21:40:38","modified_gmt":"2017-10-02T21:40:38","slug":"mst-informa-no-130-23032007","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2007\/03\/26\/mst-informa-no-130-23032007\/","title":{"rendered":"MST Informa &#8211; n\u00ba 130 &#8211; 23\/03\/2007"},"content":{"rendered":"<p><font face=\"Arial\" size=\"2\"><font face=\"Geneva, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"1\"><strong><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">Caros amigos e amigas do MST,<\/font><\/strong><\/font>              <\/p>\n<p><font face=\"Verdana\" size=\"2\">J&aacute; saiu a nova edi&ccedil;&atilde;o da <strong>Revista Sem              Terra<\/strong>, uma publica&ccedil;&atilde;o bimestral do MST que existe h&aacute; dez anos.              Atualmente estamos publicando o n&uacute;mero 38 (<\/font><font face=\"Verdana\" size=\"2\">Mar&ccedil;o\/Abril 2007), que traz como manchete o mito do              agrocombust&iacute;vel no Brasil. A reportagem completa sobre este assunto              reproduzimos abaixo neste Letraviva Especial e tamb&eacute;m na <a href=\"http:\/\/www.mst.org.br\/mst\/revista.php?ed=38\" target=\"_blank\">p&aacute;gina da Revista              na internet<\/a> (http:\/\/www.mst.org.br\/mst\/revista.php?ed=38)<\/font><font face=\"Verdana\" size=\"2\">.<\/font><br \/>&nbsp;<\/p>\n<p><\/font><\/p>\n<p>A<font face=\"Verdana\" size=\"2\">s demais reportagens (confira o &iacute;ndice              abaixo) s&oacute; est&atilde;o dispon&iacute;veis na vers&atilde;o impressa da edi&ccedil;&atilde;o,              <\/font><font face=\"Verdana\" size=\"2\">que pode ser adquirida nas <a href=\"http:\/\/www.mst.org.br\/mst\/revista_pagina.php?ed=38&amp;cd=693\" target=\"_blank\">secretarias              do MST<\/a> (http:\/\/www.mst.org.br\/mst\/revista_pagina.php?ed=38&amp;cd=693) nos estados. Para receber a Revista em casa, &eacute; s&oacute; fazer              uma assinatura. Cada exemplar custa R$ 5,00. <\/font>Aproveite a promo&ccedil;&atilde;o:<br \/><font face=\"Arial\" size=\"2\"><\/p>\n<p><font face=\"Verdana\" size=\"2\">Assinatura anual: R$ 30              (6 edi&ccedil;&otilde;es + 2 gr&aacute;tis)<br \/>Assinatura bianual: R$ 60 (12 edi&ccedil;&otilde;es + 3              gr&aacute;tis + 1 livro da Editora Express&atilde;o Popular)<\/font><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>Sobre formas de pagamento, clique <a href=\"http:\/\/www.mst.org.br\/mst\/revista_pagina.php?ed=38&amp;cd=658\" target=\"_blank\">aqui<\/a>              (http:\/\/www.mst.org.br\/mst\/revista_pagina.php?ed=38&amp;cd=658) ou ligue para (11) 3361-3866.<\/font><br \/><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>Um abra&ccedil;o a todos e todas,<\/font><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><strong><br \/>Secretaria Nacional do        MST<\/strong><\/font><\/p>\n<p><\/font><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contenidos de este n&uacute;mero de <font face=\"Arial\" size=\"2\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><strong>Revista Sem              Terra<\/strong><\/font><\/font> <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font face=\"Arial\" size=\"2\"><\/p>\n<div align=\"justify\">\n<h3><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">Bioenergia,        para quem?<\/font><\/h3>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\"><em>Soberania        alimentar, agricultura camponesa e impactos ambientais s&atilde;o temas ainda        pouco discutidos quando se fala em biocombust&iacute;veis<\/em><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">Por Daniel        Cassol<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">A discuss&atilde;o        em torno da produ&ccedil;&atilde;o de energia de forma limpa e renov&aacute;vel n&atilde;o &eacute; nova, mas        ganhou car&aacute;ter de urg&ecirc;ncia nos &uacute;ltimos tempos, principalmente ap&oacute;s a        divulga&ccedil;&atilde;o, no in&iacute;cio de fevereiro, do relat&oacute;rio sobre aquecimento global        do Painel Intergovernamental de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC, na sigla em        ingl&ecirc;s). Diante do alarme provocado, o mundo parece se dar conta de que        precisa mudar sua matriz energ&eacute;tica, passando a adotar formas alternativas        de produzir a energia que consome.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">Reunido na        Fran&ccedil;a, um grupo de cientistas anunciou que a temperatura na Terra poder&aacute;        aumentar em at&eacute; quatro graus neste s&eacute;culo, devido ao aumento da        concentra&ccedil;&atilde;o de di&oacute;xido de carbono (CO2) na atmosfera, principalmente por        causa do uso de combust&iacute;veis f&oacute;sseis*. Atualmente, a matriz energ&eacute;tica        mundial tem participa&ccedil;&atilde;o total de 80% de fontes de carbono f&oacute;ssil, sendo        36% de petr&oacute;leo, 23% de carv&atilde;o e 21% de g&aacute;s natural.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">Nestes        tempos, um nome tem ganhado destaque: biocombust&iacute;vel. A produ&ccedil;&atilde;o de        energia para o uso no transporte, a partir de cana-de-a&ccedil;&uacute;car ou de        sementes oleaginosas, como a soja, aparece, literalmente, como a salva&ccedil;&atilde;o        da lavoura. E o her&oacute;i prov&aacute;vel &eacute; o Brasil, com cerca de 200 milh&otilde;es de        hectares de &aacute;rea agricult&aacute;vel, de acordo com o Plano Nacional de        Agronergia, lan&ccedil;ado em 2006 pelo governo federal.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">O principal        argumento usado para apostar nos biocombust&iacute;veis &eacute; que eles s&atilde;o fontes        renov&aacute;veis de energia, ou seja, n&atilde;o se esgotam no planeta como o petr&oacute;leo,        por exemplo. Mas neste cen&aacute;rio, representam, de fato, uma sa&iacute;da para o        colapso ambiental do planeta e uma alternativa para a agricultura        camponesa, ou se constituem numa sobrevida ao agroneg&oacute;cio, que vai gerar        impactos ambientais t&atilde;o graves quanto os combust&iacute;veis f&oacute;sseis? &Eacute; um debate        para o qual h&aacute; pouco espa&ccedil;o &ndash; e poucas vozes.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">&ldquo;Empresas e        governos est&atilde;o fazendo uma intensa campanha para apresentar os        biocombust&iacute;veis como alternativas para combater as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, ao        substituir parte do consumo de petr&oacute;leo. Mas a l&oacute;gica de fundo n&atilde;o &eacute;        abandonar o petr&oacute;leo nem mudar os padr&otilde;es de consumo que produzem o        aquecimento global, mas aproveitar a conjuntura para criar novas fontes de        neg&oacute;cios, promovendo e subsidiando a produ&ccedil;&atilde;o de industrial de cultivos        para estes fins&rdquo;, escreve Silvia Ribeiro, pesquisadora do Grupo ETC**, em        artigo para o di&aacute;rio mexicano La Jornada. Ela lembra que todas as empresas        que produzem sementes transg&ecirc;nicas, como Syngenta, Monsanto, Dupont, Dow,        Bayer e Basf, possuem investimentos na produ&ccedil;&atilde;o de biocombust&iacute;veis, como o        etanol e o biodiesel.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\"><strong>L&oacute;gica capitalista<\/strong><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">Os sinais de        que o capitalismo mundial tem um projeto estrat&eacute;gico para vencer a disputa        pela agroenergia s&atilde;o cada vez mais claros. No dia 31 de janeiro, no        discurso sobre o &ldquo;Estado da Na&ccedil;&atilde;o&rdquo; ao Congresso dos Estados Unidos, o        presidente George W. Bush anunciou a meta de reduzir o consumo de gasolina        em 20% at&eacute; o ano de 2017, produzindo 132,4 bilh&otilde;es de litros de        combust&iacute;veis alternativos, principalmente o etanol, a partir do milho. O        tema dos biocombust&iacute;veis tamb&eacute;m foi um dos principais assuntos discutidos        no F&oacute;rum Econ&ocirc;mico Mundial, ocorrido em janeiro, na cidade de Davos        (Su&iacute;&ccedil;a).<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">As        movimenta&ccedil;&otilde;es de pa&iacute;ses ricos e de grandes multinacionais em torno do tema        levam analistas e movimentos sociais camponeses a enxergarem com        relut&acirc;ncia a entrada de pa&iacute;ses em desenvolvimento na produ&ccedil;&atilde;o de        biocombust&iacute;veis. Os impactos ambientais gerados com o aumento das        monoculturas, a explora&ccedil;&atilde;o sobre camponeses e trabalhadores rurais e a        amea&ccedil;a &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de alimentos est&atilde;o no rol de preocupa&ccedil;&otilde;es. No Brasil, a        aposta do agroneg&oacute;cio &eacute; na cana-de-a&ccedil;&uacute;car e na soja &ndash; transg&ecirc;nicas, &eacute;        claro.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">&ldquo;N&atilde;o h&aacute; um        programa de governo com linhas, crit&eacute;rios e diretrizes estabelecidas no        aspecto produtivo que apontem para um novo modelo agr&iacute;cola. Al&eacute;m disso, o        programa do biodiesel est&aacute; sendo entregue para um grupo de empresas        privadas que querem comprar gr&atilde;o do agricultor, sem nenhuma agrega&ccedil;&atilde;o de        valor nas comunidades rurais. E est&atilde;o estimulando as monoculturas de        novo&rdquo;, critica Frei S&eacute;rgio G&ouml;rgen, dirigente da Via Campesina no Brasil,        entidade que agrega movimentos sociais de todo o mundo, como o MST e o        Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">De acordo com        o Programa Nacional de Produ&ccedil;&atilde;o e Uso do Biodiesel, do governo federal, o        Brasil vai tornar obrigat&oacute;ria &#8211; a partir de 2008 &#8211; a adi&ccedil;&atilde;o de 2% de &oacute;leo        diesel vegetal no &oacute;leo diesel de petr&oacute;leo, percentagem que passar&aacute; a 5% em        2013. Se o mercado de biodiesel com 2% &eacute; de 1 bilh&atilde;o de litros por ano,        com 5% essa demanda cresce para at&eacute; 2,7 bilh&otilde;es de litros por ano. As        vedetes do governo brasileiro s&atilde;o a soja, vista como mais uma t&aacute;bua de        salva&ccedil;&atilde;o para os grandes produtores de sementes transg&ecirc;nicas, e a mamona,        que teoricamente beneficiaria a agricultura familiar.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">Em rela&ccedil;&atilde;o ao        etanol, o Brasil vai priorizar mais uma vez a produ&ccedil;&atilde;o de cana-de-a&ccedil;&uacute;car.        A estimativa &eacute; que a produ&ccedil;&atilde;o aumente em 50% em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s atuais 460        toneladas de cana, de acordo com a Uni&atilde;o da Agroind&uacute;stria Canavieira de        S&atilde;o Paulo (Unica).<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\"><strong>Um        novo Pr&oacute;-&Aacute;lcool?<\/strong><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">Em resumo,        diante de uma possibilidade real de mudar o modelo de produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola, o        Brasil entra na produ&ccedil;&atilde;o de biocombust&iacute;veis refor&ccedil;ando pr&aacute;ticas        insustent&aacute;veis do ponto de vista ambiental e social, beneficiando grandes        empresas e jogando os pequenos agricultores em armadilhas j&aacute; conhecidas,        al&eacute;m de prejudicar a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos para o consumo        interno.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">&ldquo;H&aacute; um risco        de repetir o Pr&oacute;-&Aacute;lcool do Brasil. Voc&ecirc; tem um combust&iacute;vel limpo,        produzido de maneira suja, al&eacute;m de ambientalmente insustent&aacute;vel no        processo de produ&ccedil;&atilde;o e socialmente perverso na maneira como aloca        m&atilde;o-de-obra e trata os trabalhadores&rdquo;, avalia Frei S&eacute;rgio. Criado na        d&eacute;cada de 1970, o Programa Nacional do &Aacute;lcool incentivava pequenos e        m&eacute;dios produtores a instalarem destilarias de &aacute;lcool. Por raz&otilde;es        pol&iacute;ticas, como a proibi&ccedil;&atilde;o do auto-consumo do &aacute;lcool como combust&iacute;vel, o        Pr&oacute;-Alcool beneficiou apenas os grandes usineiros, com suas pr&aacute;ticas de        trabalho escravo nas lavouras de cana e consider&aacute;veis impactos        ambientais.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">Cerca de 30        anos depois, os mesmos riscos est&atilde;o postos. A ind&uacute;stria canavieira se        anima com a possibilidade de abertura de mercado para o etanol brasileiro        nos Estados Unidos. Por sua parte, o pr&oacute;prio presidente Luiz In&aacute;cio Lula        da Silva anuncia que &ldquo;soja boa a gente come, e soja transg&ecirc;nica a gente        faz biodiesel&rdquo;, sinalizando a prioridade que est&aacute; sendo dada aos grandes        produtores e multinacionais do gr&atilde;o. Mesmo a cria&ccedil;&atilde;o do H-Bio, um derivado        de &oacute;leo vegetal e petr&oacute;leo desenvolvido pela Petrobras, &eacute; visto como uma        forma de favorecer o agroneg&oacute;cio mundial e a ind&uacute;stria        petrol&iacute;fera.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">Na avalia&ccedil;&atilde;o        do governo federal, por&eacute;m, a cria&ccedil;&atilde;o do Selo do Combust&iacute;vel Social ser&aacute;        uma esp&eacute;cie de salvaguarda para a agricultura familiar. O programa prev&ecirc;        incentivos &agrave;s ind&uacute;strias que adquirirem sementes oleaginosas produzidas        por pequenos agricultores. &ldquo;N&oacute;s percebemos os agricultores interessados em        retomar o cultivo de algod&atilde;o, girassol, amendoim, gergelim e outras        oleaginosas. Assim, os agricultores n&atilde;o cair&atilde;o na arapuca da monocultura.        Se o governo tivesse lan&ccedil;ado um programa de biodiesel sem esse incentivo &agrave;        agricultura familiar, por certo que ele seria produzido unicamente da        soja, que &eacute; a grande oleaginosa brasileira&rdquo;, avalia o gerente executivo de        Desenvolvimento Energ&eacute;tico da Petrobras, Mozart Schmitt de Queiroz. No        entanto, mesmo projetos alinhados ao Combust&iacute;vel Social apresentam        problemas, principalmente por apostarem na monocultura da mamona nas        Regi&otilde;es Sul e Nordeste do pa&iacute;s, e na compra direta de gr&atilde;os dos        agricultores, colocando-os em um sistema de integra&ccedil;&atilde;o com grandes        empresas, como acontece nas cadeias do fumo e do leite, em que s&atilde;o        freq&uuml;entes os casos de explora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica a que s&atilde;o submetidos os        pequenos agricultores.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\"><strong>Diversificar a produ&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">Enquanto        isso, as organiza&ccedil;&otilde;es de agricultores camponeses v&ecirc;em a entrada nos        biocombust&iacute;veis com um alto grau de desconfian&ccedil;a, mas tamb&eacute;m com a certeza        de que &eacute; neste campo que se travar&aacute; uma disputa estrat&eacute;gica entre dois        modelos de produ&ccedil;&atilde;o antag&ocirc;nicos. Para organiza&ccedil;&otilde;es como a Via Campesina,        existem alguns requisitos b&aacute;sicos para que os camponeses entrem na        produ&ccedil;&atilde;o de biocombust&iacute;veis sem cair em armadilhas: priorizar a produ&ccedil;&atilde;o        de alimentos, consorciar a produ&ccedil;&atilde;o de energia com outras culturas e        evitar sistemas de integra&ccedil;&atilde;o com grandes empresas, participando do maior        n&uacute;mero poss&iacute;vel de etapas na cadeia de produ&ccedil;&atilde;o.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">&ldquo;A pequena        propriedade de economia familiar n&atilde;o tem como viabilizar sua sustenta&ccedil;&atilde;o        no modelo de monocultura. A grande viabilidade das pequenas propriedades &eacute;        o sistema de produ&ccedil;&atilde;o diversificada, passando para um modelo        agroecol&oacute;gico. &Eacute; fundamental construir sistemas que possam produzir        biocombust&iacute;vel e alimentos. A&iacute; entra a import&acirc;ncia do bom aproveitamento        dos res&iacute;duos da extra&ccedil;&atilde;o de &oacute;leos. Com isso, as pequenas propriedades        poder&atilde;o aumentar a produ&ccedil;&atilde;o de ovos, leite, carne, viabilizando ainda mais        os sistemas de produ&ccedil;&atilde;o nas economias familiares&rdquo;, explica o engenheiro        agr&ocirc;nomo Alexandre Borscheid, que atua na Cooperbio***, uma cooperativa de        biodiesel formada por agricultores ligados &agrave; Via Campesina do Rio Grande        do Sul.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">&Eacute; neste        sentido que caminham alguns dos projetos constitu&iacute;dos pelas organiza&ccedil;&otilde;es        da Via Campesina no Brasil. O biodiesel poder&aacute; ser produzido a partir de        m&uacute;ltiplas sementes, como girassol, amendoim e canola, cujos res&iacute;duos ser&atilde;o        utilizados na alimenta&ccedil;&atilde;o animal ou na aduba&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica. Cooperativas de        pequenos agricultores poder&atilde;o construir suas pr&oacute;prias unidades de        esmagamento, para vender o &oacute;leo para as empresas, ficando com os res&iacute;duos        das oleaginosas. &ldquo;A conclus&atilde;o a que estamos chegando &eacute; que o carro-chefe        tem que ser as oleaginosas perenes, para o agricultor campon&ecirc;s. Numa        pequena &aacute;rea, ele ter&aacute; uma grande produ&ccedil;&atilde;o&rdquo;, explica Frei S&eacute;rgio, citando        o uso de &aacute;rvores como o pinh&atilde;o-manso e o tungue, na Regi&atilde;o Sul, e o dend&ecirc;,        na Regi&atilde;o Norte. No caso do &aacute;lcool combust&iacute;vel, a cana-de-a&ccedil;&uacute;car pode ser        acompanhada da mandioca e da batata-doce, por exemplo. Da mesma forma como        a produ&ccedil;&atilde;o de biodiesel, a inten&ccedil;&atilde;o &eacute; consorciar com produ&ccedil;&atilde;o de alimentos        e vender produto com valor agregado para as ind&uacute;strias.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\"><strong>Transnacionais X camponeses<\/strong><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">&ldquo;Os sistemas        camponeses de produ&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os mais adequados, porque conseguiriam garantir        uma combina&ccedil;&atilde;o muito boa entre produ&ccedil;&atilde;o de alimento e energia, al&eacute;m de        garantir sistemas de policultivos, com produtos de valor agregado que        dariam sustentabilidade para as unidades de produ&ccedil;&atilde;o camponesas. As        grandes monoculturas n&atilde;o v&atilde;o ser eficientes com girassol, mamona,        amendoim, pinh&atilde;o-manso, ou seja, n&atilde;o conseguir&atilde;o ser eficientes com as        oleaginosas que t&ecirc;m maior percentual de &oacute;leo. Elas se adaptam melhor aos        sistemas de camponeses. E a agricultura camponesa tem melhores condi&ccedil;&otilde;es        de resolver a equa&ccedil;&atilde;o entre a produ&ccedil;&atilde;o de energia e a produ&ccedil;&atilde;o de        alimentos&rdquo;, analisa Frei S&eacute;rgio. Na opini&atilde;o do dirigente da Via Campesina,        a Petrobras &eacute; um dos poucos canais dentro do governo federal que abre        caminho para a inser&ccedil;&atilde;o soberana da agricultura camponesa na produ&ccedil;&atilde;o de        biodiesel.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">Mozart        Queiroz, da Petrobras, explica que a empresa definiu por adquirir o &oacute;leo        dos agricultores e n&atilde;o as sementes. &ldquo;Assim, ela est&aacute; incentivando as        cooperativas a montarem as suas esmagadoras. Com isso, a agricultura        familiar poder&aacute; ficar com um produto a mais e agregar mais valor &agrave; sua        organiza&ccedil;&atilde;o, ao gerenciar esse produto que poder&aacute; ser transformado em        leite, ovos, carne. Estamos trabalhando para compartilhar o benef&iacute;cio da        industrializa&ccedil;&atilde;o, para que o agricultor participe da cadeia produtiva, na        etapa da industrializa&ccedil;&atilde;o, pelo menos na fase do esmagamento. Ao mesmo        tempo, estamos incentivando o cultivo de v&aacute;rias oleaginosas, trabalhando        para evitar a monocultura&rdquo;, diz.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">Para o        agr&ocirc;nomo Alexandre Borscheid, a disputa pelo mercado e pelo modelo de        produ&ccedil;&atilde;o dos biocombust&iacute;veis j&aacute; come&ccedil;ou e, do jeito que est&aacute;, o campo est&aacute;        limpo para o avan&ccedil;o das transnacionais do agroneg&oacute;cio. &ldquo;Se n&atilde;o houver uma        interven&ccedil;&atilde;o do Estado para priorizar as pol&iacute;ticas para a agricultura        camponesa, a tend&ecirc;ncia &eacute; as transnacionais ocuparem esse mercado, que &eacute;        extremamente promissor economicamente. Elas v&atilde;o avan&ccedil;ar para cima das        &aacute;reas agr&iacute;colas e isso coloca a agricultura familiar em risco. Os        agricultores t&ecirc;m que ter produ&ccedil;&atilde;o com autonomia, com projetos pr&oacute;prios, em        que se possa garantir a produ&ccedil;&atilde;o de energia l&iacute;quida preservando os        sistemas de produ&ccedil;&atilde;o de alimento&rdquo;, avalia.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">O gerente        executivo da Petrobras reconhece os riscos da corrida desenfreada pela        produ&ccedil;&atilde;o de biocombust&iacute;veis, seja nos impactos ambientais gerados pelas        monoculturas, no preju&iacute;zo &agrave; soberania alimentar e no aumento da explora&ccedil;&atilde;o        econ&ocirc;mica sobre os pequenos agricultores. Para ele, antes de discutir        essas quest&otilde;es, por&eacute;m, a humanidade precisa repensar o seu padr&atilde;o de        consumo energ&eacute;tico. &ldquo;Ainda que toda a superf&iacute;cie da Terra fosse utilizada        para produzir biocombust&iacute;veis, n&atilde;o conseguiria manter o consumo no patamar        que hoje o Planeta consome de combust&iacute;veis f&oacute;sseis. Fica claro que &eacute;        urgente repensar a matriz energ&eacute;tica mundial&rdquo;, conclui.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\"><strong>Bio(agro)combust&iacute;veis<\/strong><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">No F&oacute;rum de        Soberania Alimentar, ocorrido no final de fevereiro em Mali, na &Aacute;frica, a        Via Campesina Internacional decidiu que o termo &ldquo;biocombust&iacute;vel&rdquo; deve ser        substitu&iacute;do por &ldquo;agrocombust&iacute;vel&rdquo;. Isso porque a organiza&ccedil;&atilde;o social avalia        que o incentivo a esse tipo de combust&iacute;vel tem levado a pol&iacute;ticas de        crescimento das monoculturas (e n&atilde;o da pequena produ&ccedil;&atilde;o diversificada),        amea&ccedil;ando os camponeses e a soberania alimentar. Como &ldquo;bio&rdquo; significa        &ldquo;vida&rdquo; &ndash; o contr&aacute;rio do que na pr&aacute;tica se verifica hoje, a entidade passou        a adotar o termo &ldquo;agrocombust&iacute;vel&rdquo;. A Via Campesina Internacional, da qual        o MST faz parte, re&uacute;ne movimentos sociais rurais de todo o        mundo.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<br \/><strong><font color=\"#ff0000\">*Combust&iacute;veis f&oacute;sseis:<\/font><\/strong><br \/>Existem tr&ecirc;s        grandes tipos de combust&iacute;veis f&oacute;sseis: o carv&atilde;o, o petr&oacute;leo e o g&aacute;s        natural. Eles foram formados h&aacute; milh&otilde;es de anos e s&atilde;o resultado de um        processo de decomposi&ccedil;&atilde;o de plantas e animais.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\"><strong><font color=\"#ff0000\">**Grupo ETC<\/font><\/strong><br \/>Grupo internacional que        trabalha com organiza&ccedil;&otilde;es sociais fornecendo an&aacute;lises e informa&ccedil;&otilde;es sobre        tecnologias de desenvolvimento sustent&aacute;vel.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\"><strong><font color=\"#ff0000\">***Cooperbio<\/font><\/strong><br \/>A cooperativa envolve cerca        de 25 mil fam&iacute;lias em 62 munic&iacute;pios da regi&atilde;o noroeste do estado,        produzindo 400 mil litros de biocombust&iacute;vel por dia.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\">**************<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\"><strong>&Iacute;NDICE DE REPORTAGENS DA REVISTA SEM TERRA &#8211; No.        38<\/strong><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\"><strong>ENTREVISTA:<\/strong> <br \/>Professora Maria Aparecida de        Moraes Silva, da Unesp, analisa impactos da monocultura da cana &#8211; Por        Gisele Barbieri<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\"><strong>POL&Iacute;TICA:<\/strong><br \/>&#8211; A pol&ecirc;mica discuss&atilde;o sobre a        pol&iacute;tica de agrocombust&iacute;vel &#8211; Por Daniel Cassol<br \/>&#8211; A renova&ccedil;&atilde;o        &ldquo;autom&aacute;tica&rdquo; de concess&otilde;es p&uacute;blicas de r&aacute;dio e TV &#8211; Por Ana Cl&aacute;udia        Mielki<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\"><strong>ECONOMIA<\/strong><br \/>&#8211; Em entrevista, o economista Reinaldo        Gon&ccedil;alves avalia medidas do PAC &#8211; Por Cristiane Gomes<br \/>&#8211; O que est&aacute; por        tr&aacute;s do &ldquo;rombo&rdquo; da Previd&ecirc;ncia &#8211; Por Bruno Fi&uacute;za<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\"><strong>INTERNACIONAL<\/strong><br \/>A luta pela terra na Indon&eacute;sia &#8211;        Por Tejo Pramono<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\"><strong>MST<\/strong><br \/>&#8211; Os protestos contra o agroneg&oacute;cio no Dia        da Mulher<br \/>&#8211; Assentamentos produzem peixes como fonte de renda &#8211; Por        Dirceu Pelegrino Vieira<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\"><strong>CULTURA<\/strong><br \/>&#8211; Maracatu: A transforma&ccedil;&atilde;o de uma        manifesta&ccedil;&atilde;o popular &#8211; Por Raphael Maureau<br \/>&#8211; Biografia compara        trajet&oacute;rias de Gonzag&atilde;o e Gonzaguinha &#8211; Por Marcos Zibordi<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\"><strong>RESENHA<\/strong><br \/>Direitos Humanos e Educa&ccedil;&atilde;o &#8211; Por Maria        Victoria Benevides<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\"><strong>ESTUDO<\/strong><br \/>Igualdade e desigualdade na China &#8211; Por        Wladimir Pomar<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\"><strong>ENTRELINHAS<\/strong><br \/>Mundo &#8211; Movimentos sociais tra&ccedil;am,        na &Aacute;frica, estrat&eacute;gias para soberania alimentar<br \/>Movimentos sociais &#8211;        MAB e a luta dos atingidos por barragens<br \/>Cultura &#8211; Cinema, formigas e        gavi&otilde;es &#8211; Por Silvio Mieli<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\"><strong>BALAIO<\/strong><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif\" size=\"2\"><strong>HUMOR<\/strong><br \/>Aroeira<\/font><\/p>\n<\/div>\n<p><\/font>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caros amigos e amigas do MST, J&aacute; saiu a nova edi&ccedil;&atilde;o da Revista Sem Terra, uma publica&ccedil;&atilde;o bimestral do MST que existe h&aacute; dez anos. Atualmente estamos publicando o n&uacute;mero 38 (Mar&ccedil;o\/Abril 2007), que traz como manchete o mito do agrocombust&iacute;vel no Brasil. A reportagem completa sobre este assunto reproduzimos abaixo neste Letraviva Especial e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[8],"class_list":["post-2976","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-publicaciones","tag-mst-informa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2976","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2976"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2976\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4156,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2976\/revisions\/4156"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2976"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2976"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2976"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}