{"id":2961,"date":"2007-02-21T12:01:56","date_gmt":"2007-02-21T12:01:56","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2007\/02\/21\/visita-ao-crcere-frei-betto\/"},"modified":"2017-10-02T21:40:43","modified_gmt":"2017-10-02T21:40:43","slug":"visita-ao-crcere-frei-betto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2007\/02\/21\/visita-ao-crcere-frei-betto\/","title":{"rendered":"Visita ao c\u00e1rcere &#8211; Frei Betto"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;Manh&atilde; de segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007. Estamos no Centro de Progress&atilde;o Penitenci&aacute;ria de S&atilde;o Miguel Paulista, em S&atilde;o Paulo: o senador Eduardo Suplicy (PT-SP); dr. Bruno de Oliveira Pregnolatto, advogado; Jos&eacute; Batista de Oliveira, da dire&ccedil;&atilde;o nacional do MST; Ana Maria Moura, assessora de imprensa do MST; e eu. Viemos visitar o preso Marcelo Buzetto, 36 anos, cujo sonho &eacute; implantar escolas em acampamentos do MST.<\/p>\n<p>&nbsp; A cena &eacute; ins&oacute;lita neste pa&iacute;s de invers&otilde;es, onde vive solto quem deveria estar preso e est&aacute; preso quem merece a liberdade. Buzetto deveria, dia 15, abrir o ano escolar na Faculdade de Ci&ecirc;ncias Econ&ocirc;micas e Administrativas da Funda&ccedil;&atilde;o Santo Andr&eacute;, onde &eacute; professor de Pol&iacute;tica Internacional e Sociologia. Quem vai estar no lugar dele &eacute; o senador Suplicy. Ex-professor da Uniban e da Escola Superior de Propaganda e Marketing, Buzetto leciona tamb&eacute;m na Universidade Metodista de S&atilde;o Bernardo do Campo e faz doutorado na PUC de S&atilde;o Paulo. <br \/>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Fizemos uma ora&ccedil;&atilde;o com Buzetto, acompanhado pelo diretor do c&aacute;rcere, dr. Reginaldo Alves Batista. Na sa&iacute;da, vimos estacionar na cal&ccedil;ada uma viatura policial. Dela saiu, algemado, Benedito Ismael Alves Cardoso, o Magr&atilde;o, 54 anos, militante do MST, procedente do cadei&atilde;o de Pinheiros. Retornamos ao c&aacute;rcere para conversar com ele.<br \/>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Buzetto visitava, em 1999, o acampamento Nova Canudos, em Porto Feliz (SP). Houve manifesta&ccedil;&atilde;o dos sem-terra em prol da reforma agr&aacute;ria e para denunciar as prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es em que viviam, agravadas pela falta de alimentos. Dois caminh&otilde;es de transporte de alimentos foram saqueados, sem dano para os motoristas e os ve&iacute;culos. V&aacute;rios manifestantes foram presos. Buzetto tomou-lhes a defesa e enfrentou a delegada local, que os impedia de acesso a advogados e mantinha uma senhora de 75 anos algemada a uma janela. <br \/>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Preso 28 dias e inclu&iacute;do no inqu&eacute;rito, Buzetto foi o &uacute;nico indiciado e respondeu processo em liberdade. Em 2006 foi condenado a 6 anos e 4 meses de pris&atilde;o em regime semi-aberto, com direito ao domiciliar at&eacute; que houvesse vaga no semi-aberto. Embora com recurso ainda a ser julgado pelo STF, ele se viu coagido a iniciar o cumprimento da pena. Casado e pai de um filho, e com endere&ccedil;o fixo, desde a senten&ccedil;a comparecia todo m&ecirc;s ao f&oacute;rum. <br \/>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em 19 de janeiro &uacute;ltimo prenderam-no sob a justificativa de que surgira uma vaga no semi-aberto. Ora, h&aacute; in&uacute;meros condenados que, muito antes dele, aguardam, fora das grades, vaga similar. Levado &agrave; delegacia de S&atilde;o Caetano (SP), desde 22 de janeiro encontra-se em S&atilde;o Miguel Paulista, recluso em regime fechado, e sem direito &agrave; pris&atilde;o especial, como reza a lei em se tratando de diplomado em curso superior. <br \/>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Magr&atilde;o participou, em 1999, de manifesta&ccedil;&atilde;o dos sem-terra em Boituva (SP) para denunciar a lentid&atilde;o da reforma agr&aacute;ria e o aumento de tarifa dos ped&aacute;gios. Mas de 100 pessoas foram presas, das quais 6 ficaram mais de um ano na cadeia. Responderam processo em liberdade. Em 2005, Magr&atilde;o foi condenado a 5 anos e 8 meses em regime semi-aberto. Desta decis&atilde;o, foram interpostos recursos ao Superior Tribunal de Justi&ccedil;a (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) e o processo ainda n&atilde;o transitou em julgado. Ocorre que ao confirmar a condena&ccedil;&atilde;o, o Tribunal de Justi&ccedil;a determinou a expedi&ccedil;&atilde;o de mandado de pris&atilde;o de Benedito a fim de dar in&iacute;cio ao cumprimento da pena.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desde setembro de 2006, quando j&aacute; teria direito ao aberto, Magr&atilde;o ficou recluso no cadei&atilde;o de Pinheiros, do qual o transferiram na segunda-feira, 12 de fevereiro. Agricultor e pai de dois filhos, aguarda recurso encaminhado ao Judici&aacute;rio paulista. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A pris&atilde;o desses dois companheiros tem conota&ccedil;&atilde;o nitidamente pol&iacute;tica. Exerceram seu direito de cidadania ao reivindicar um direito que o governo tarda em reconhecer &ndash; a reforma agr&aacute;ria -, e agiram sem nenhuma les&atilde;o a pessoas. Se algu&eacute;m considera que cometeram abusos, &eacute; o caso de repetir o desafio de Jesus: quem pode atirar a primeira pedra? O prefeito de S&atilde;o Paulo e o presidente FHC, que chamaram manifestantes e aposentados de &ldquo;vagabundos&rdquo;? <br \/>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O governo Lula tem agido com sensatez ao manter canais de di&aacute;logo com os movimentos sociais e n&atilde;o ceder &agrave;s press&otilde;es para criminaliz&aacute;-los. Resta ao Congresso e ao Poder Judici&aacute;rio, t&atilde;o assediados por criminosos de colarinho branco, latifundi&aacute;rios que invadem terras ind&iacute;genas e mant&ecirc;m trabalho escravo, tamb&eacute;m abrirem-se ao di&aacute;logo com as bases populares organizadas. <br \/>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ricos, quando fazem press&atilde;o, estendem &agrave; m&atilde;o ao telefone e s&atilde;o ouvidos pela autoridades e pela m&iacute;dia. Alguns, at&eacute; assinam cheques&hellip; J&aacute; os pobres n&atilde;o t&ecirc;m alternativa sen&atilde;o a manifesta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, que deveria ser por todos reconhecida como direito intr&iacute;nseco ao grande sonho brasileiro: a democracia participativa. <br \/>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na pris&atilde;o de S&atilde;o Miguel, oramos para que a Justi&ccedil;a fa&ccedil;a justi&ccedil;a a Marcelo Buzetto e Benedito Cardoso, o Magr&atilde;o. <br \/>&nbsp;<br \/>Frei Betto &eacute; escritor, autor de &ldquo;Batismo de Sangue&rdquo; (Rocco), entre outros livros. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;Manh&atilde; de segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007. Estamos no Centro de Progress&atilde;o Penitenci&aacute;ria de S&atilde;o Miguel Paulista, em S&atilde;o Paulo: o senador Eduardo Suplicy (PT-SP); dr. 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