{"id":2932,"date":"2006-10-06T11:45:00","date_gmt":"2006-10-06T11:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2006\/10\/06\/burguesia-forcou-o-2o-turno-agora-o-povo-precisa-se-unificar-em-torno-de-lula\/"},"modified":"2017-10-02T21:41:08","modified_gmt":"2017-10-02T21:41:08","slug":"burguesia-forcou-o-2o-turno-agora-o-povo-precisa-se-unificar-em-torno-de-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2006\/10\/06\/burguesia-forcou-o-2o-turno-agora-o-povo-precisa-se-unificar-em-torno-de-lula\/","title":{"rendered":"Burguesia for\u00e7ou o 2\u00ba turno; agora, o povo precisa se unificar em torno de Lula"},"content":{"rendered":"<p>Apesar de ser um cr&iacute;tico &aacute;cido do que grande parte da esquerda brasileira tem considerado desvios program&aacute;ticos do governo Lula, o economista Jo&atilde;o Pedro Stedile, membro da coordena&ccedil;&atilde;o nacional do MST, alerta: o que est&aacute; em jogo agora &eacute; o projeto pol&iacute;tico para o pa&iacute;s.<\/p>\n<p>O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) &#8211; e especialmente Jo&atilde;o Pedro Stedile, membro da sua coordena&ccedil;&atilde;o nacional -, apesar das liga&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas com o PT n&atilde;o pode ser acusado de condescend&ecirc;ncia com o governo Lula. Nos quatro &uacute;ltimos anos, as ocupa&ccedil;&otilde;es de terra e a&ccedil;&otilde;es do MST dobraram, partiram do movimento algumas das cr&iacute;ticas mais &aacute;cidas &agrave; pol&iacute;tica econ&ocirc;mica do ministro Palocci e, enquanto parte dos companheiros de luta, como os movimentos sindical e estudantil, sa&iacute;ram em defesa incondicional da reelei&ccedil;&atilde;o do presidente, o MST se calou. At&eacute; agora.<\/p>\n<p>Diante deste segundo turno &#8211; depois de quase ganhas as elei&ccedil;&otilde;es no primeiro -, o que est&aacute; em jogo, avalia St&eacute;dile, mais do que os nomes de Lula e Alckmin s&atilde;o dois diferentes projetos para o pa&iacute;s. E o representado pelo candidato tucano definitivamente n&atilde;o agrada aos movimentos sociais, o que automaticamente leva &agrave; convoca&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as populares para a luta pela reelei&ccedil;&atilde;o de Lula. Leia a seguir a entrevista de St&eacute;dile &agrave; Carta Maior<\/p>\n<p>Carta Maior &#8211; Com o segundo turno, s&atilde;o duas as op&ccedil;&otilde;es que se colocam para o pa&iacute;s: Lula ou Alckmin. O que, em sua opini&atilde;o, est&aacute; em jogo agora? Duas vis&otilde;es diferentes de pol&iacute;tica, dois projetos distintos para o pa&iacute;s, uma perspectiva distinta, dependendo do vencedor, para o avan&ccedil;o das lutas sociais?<br \/>Jo&atilde;o Pedro Stedile &ndash; Avalio que n&atilde;o se trata, neste momento, de julgar quem &eacute; o melhor nome. Trata-se de julgar que projeto interessa ao povo brasileiro. O que est&aacute; em jogo agora &eacute; se as for&ccedil;as do capital financeiro, aliado ao capital internacional e &agrave;s elites brasileiras, v&atilde;o consolidar seu projeto ou n&atilde;o. Alckmin representa a retomada do poder pelas classes dominantes, para implementar de forma hegem&ocirc;nica o modelo neoliberal. Seria uma grande derrota para a classe trabalhadora e para o povo brasileiro. Lula representa uma composi&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as sociais, onde h&aacute; tamb&eacute;m setores das oligarquias e da burguesia brasileira. Mas representa a possibilidade de transi&ccedil;&atilde;o para um projeto de desenvolvimento nacional. Por isso n&atilde;o tenho duvidas. Precisamos derrotar a candidatura Alckmin. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s lutas sociais, todos conhecem a postura das elites brasileiras: sempre trataram o povo, desde o colonialismo, com o capit&atilde;o do mato, na base da repress&atilde;o. <\/p>\n<p>CM &ndash; Na campanha deste primeiro turno, houve uma retomada do discurso conservador, que, por vezes, se caracterizou nitidamente como luta de classe. Ao mesmo tempo, pouco se debateu os projetos concretos das diversas candidaturas, para que as diferen&ccedil;as ficassem mais claras. Como voc&ecirc; avalia esse fen&ocirc;meno?<br \/>JPS &#8211; A disputa real dos projetos pol&iacute;ticos se d&aacute; na sociedade, e como somos uma sociedade de classes e extremamente desigual e injusta, evidentemente que os projetos precisam representar interesses de classe. Quando eles n&atilde;o representam ou se confundem, o processo eleitoral vira uma disputa apenas de cargos ou de grupos. Veja a situa&ccedil;&atilde;o que vivemos. No primeiro turno n&atilde;o houve debate, e, na pr&aacute;tica, as candidaturas n&atilde;o defenderam projetos. Mas a burguesia brasileira n&atilde;o nos faltou, e agiu. Foi a classe dominante que, na reta final, deu um car&aacute;ter de classe para a campanha, e se unificou em torno da candidatura Alckmin, quando percebeu que poderiam derrotar o Lula. Foi essa mudan&ccedil;a de consci&ecirc;ncia de classe da burguesia que for&ccedil;ou o segundo turno, e ao mesmo tempo transformou a campanha do segundo turno numa campanha totalmente diferente do primeiro: agora, as candidaturas v&atilde;o representar projetos de classe, ainda que difusos. A burguesia vai se unificar em torno Alckmin, e a classe trabalhadora, o povo, precisa se unificar em torno de Lula, independe de suas propostas.<\/p>\n<p>CM &#8211; O MST, ao contr&aacute;rio de outras entidades, como a Central &Uacute;nica dos Trabalhadores (CUT) e a Uni&atilde;o Nacional dos Estudantes (UNE), n&atilde;o se pronunciou publicamente em defesa da candidatura de Lula no primeiro turno&#8230;<br \/>JPS &#8211; O MST tem como princ&iacute;pio manter a autonomia em rela&ccedil;&atilde;o a partidos, governo, Estado, igrejas. Isso significa que, enquanto organiza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o tomamos decis&otilde;es partid&aacute;rias ou eleitorais. Mas como militantes sociais, temos a obriga&ccedil;&atilde;o de participar ativamente da pol&iacute;tica brasileira, agirmos na pol&iacute;tica. A imensa maioria de nossa base e milit&acirc;ncia participou e optou individualmente pela candidatura Lula no primeiro turno. A marca dessas elei&ccedil;&otilde;es, pelo menos no primeiro turno, no entanto, foi uma pasmaceira geral em fun&ccedil;&atilde;o da falta de debate de projetos. E uma das causas desta imobilidade foi a forma como foi feita a campanha Lula: ainda privilegiou os marketeiros, a televis&atilde;o, e n&atilde;o estimulou a participa&ccedil;&atilde;o da milit&acirc;ncia social. Por isso, pouqu&iacute;ssimos militantes dos movimentos sociais, e mesmo dos partidos, tiveram uma atua&ccedil;&atilde;o ativa nessa campanha.<\/p>\n<p>CM &#8211; Qual seria a rela&ccedil;&atilde;o do MST com um poss&iacute;vel segundo mandato de Lula? O movimento apresentar&aacute; propostas ou demandas de cunho program&aacute;tico? Por outro Lado, qual seria a estrat&eacute;gia do movimento caso Alckmin seja eleito? Como avalia essa possibilidade?<br \/>JPS &#8211; N&atilde;o trabalho com a possibilidade da vit&oacute;ria de Alckmin, embora ele tenha chances reais. Mas acredito que as for&ccedil;as populares da sociedade brasileira, que s&atilde;o amplamente majorit&aacute;rias, n&atilde;o querem a volta do neoliberalismo puro. Portanto, acho que a correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as na sociedade nos favorece, apesar dos erros da campanha de Lula e dos poucos avan&ccedil;os que tivemos no primeiro mandato. Em rela&ccedil;&atilde;o a mais quatro anos de governo Lula, o MST manter&aacute; sua autonomia, como mantivemos ao longo do primeiro mandato. A opini&atilde;o publica e a imprensa s&atilde;o testemunhas que aumentamos muito as mobiliza&ccedil;&otilde;es no campo, s&atilde;o testemunhas de nossas cr&iacute;ticas &agrave; pol&iacute;tica econ&ocirc;mica do governo, &agrave; timidez do processo de reforma agr&aacute;ria. A pr&oacute;pria direita fustigou o governo porque n&atilde;o reprimia as nossas lutas. O nosso papel &eacute; seguir organizando o povo, para ter consci&ecirc;ncia, se mobilizar e lutar. E evidentemente que vamos apresentar nossas propostas de reforma agr&aacute;ria e de mudan&ccedil;a de modelo econ&ocirc;mico. Faremos nosso congresso nacional logo no inicio do ano de 2007, e nesta oportunidade apresentaremos as nossas demandas. N&oacute;s estamos debatendo essas propostas em nossa base desde meados do ano.<\/p>\n<p>CM &ndash; Com o advento dos governos progressistas na Am&eacute;rica Latina, os movimentos sociais &#8211; e em especial a Via Campesina, da qual o MST faz parte -, tem aprofundado o debate sobre as rela&ccedil;&otilde;es internacionais e a integra&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o, do ponto de vista da sociedade civil. Como v&ecirc; as duas op&ccedil;&otilde;es de governo nesta &aacute;rea?<br \/>JPS &#8211; Alckmin seria o retorno da hegemonia do governo dos Estados Unidos sobre a Am&eacute;rica Latina. Agora, o continente est&aacute; num processo de transi&ccedil;&atilde;o, e em praticamente todas as elei&ccedil;&otilde;es o povo tem votado em candidatos antineoliberais. Isso gerou tr&ecirc;s grupos de governos: um grupo de esquerda &#8211; Venezuela, Bol&iacute;via e Cuba -, um grupo de governos de car&aacute;ter moderado mas em transi&ccedil;&atilde;o do neoliberalismo, e que enfrenta pontualmente a pol&iacute;tica americana &#8211; Brasil, Argentina, Uruguai, Peru e Equador -, e o grupo dos pa&iacute;ses que se colocam como fieis aliados dos americanos &#8211; Chile, Paraguai e Col&ocirc;mbia. Uma vit&oacute;ria do Alckmin, seria o desequil&iacute;brio pr&oacute;-EUA, com a ida do Brasil pro grupo dos aliados servis.<\/p>\n<p>CM &#8211; Como avalia a esquerda brasileira hoje, e quais, na sua opini&atilde;o, seriam as suas perspectivas? Existe algum &quot;culpado&quot; pela situa&ccedil;&atilde;o em que se encontra hoje? O que seria preciso para que se fortalecesse, principalmente frente ao fortalecimento do conservadorismo do cen&aacute;rio pol&iacute;tico desenhado nestas elei&ccedil;&otilde;es? <br \/>JPS &#8211; Primeiro, nossa avalia&ccedil;&atilde;o &eacute; que n&atilde;o houve grandes altera&ccedil;&otilde;es na correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as pol&iacute;ticas a partir das elei&ccedil;&otilde;es. Acho que mantivemos o mesmo quadro. Os conservadores avan&ccedil;aram com a elei&ccedil;&atilde;o de alguns governadores e senadores, mas as for&ccedil;as populares tiveram vit&oacute;rias importantes na Bahia, e poder&atilde;o ainda ter no Paran&aacute;, Rio Grande do sul, Pernambuco e Par&aacute;. Na C&acirc;mara se manteve a mesma correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as.<br \/>Segundo: H&aacute; um contexto hist&oacute;rico que &eacute; muito adverso para a classe trabalhadora e para a esquerda em geral no atual per&iacute;odo,. Sucintamente, os 15 anos de neoliberalismo representaram uma derrota muito grande pros interesses do povo. E alteraram as classes, e a economia nacional. Tanto &eacute; que elegemos Lula para derrotar o neoliberalismo, e isso ainda foi insuficiente. Os movimentos de massa est&atilde;o em refluxo. E a esquerda em geral est&aacute; numa crise ideol&oacute;gica, de valores, de pratica pol&iacute;tica. E h&aacute; uma correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as extremamente adversa no uso dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, nas universidades e no poder do Estado, que sempre operam contra o povo, contra os trabalhadores. Como superar esse quadro hist&oacute;rico adverso? N&atilde;o ser&aacute; uma elei&ccedil;&atilde;o, nem uma formula milagrosa; ser&aacute; um longo trabalho, que exige paci&ecirc;ncia hist&oacute;rica, que poder&aacute; aglutinar as for&ccedil;as populares em torno de um novo projeto para o pa&iacute;s. E para isso precisamos retomar o trabalho de base, formar militantes, ter nossos pr&oacute;prios meios de comunica&ccedil;&atilde;o e estimular todo tipo de lutas sociais, em especial com a juventude urbana. Para que de tudo isso resulte um novo per&iacute;odo hist&oacute;rico de reascenso do movimento de massas, como foram nos anos de 1945 a 1964, de 1978 a 1989, e assim se altera a correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as e a esquerda poder&aacute; avan&ccedil;ar. Por isso, para que seja poss&iacute;vel superar esses desafios, a tarefa principal &eacute; derrotar a direita, derrotar a candidatura Alckmin, pois sua vit&oacute;ria representaria um alongamento desse per&iacute;odo adverso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de ser um cr&iacute;tico &aacute;cido do que grande parte da esquerda brasileira tem considerado desvios program&aacute;ticos do governo Lula, o economista Jo&atilde;o Pedro Stedile, membro da coordena&ccedil;&atilde;o nacional do MST, alerta: o que est&aacute; em jogo agora &eacute; o projeto pol&iacute;tico para o pa&iacute;s. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) &#8211; e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[7],"class_list":["post-2932","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-publicaciones","tag-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2932","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2932"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2932\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4195,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2932\/revisions\/4195"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2932"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2932"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2932"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}