{"id":2876,"date":"2006-04-18T10:25:38","date_gmt":"2006-04-18T10:25:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2006\/04\/18\/noticias-del-mst-de-esta-semana-17-abril-2006\/"},"modified":"2017-10-02T21:41:24","modified_gmt":"2017-10-02T21:41:24","slug":"noticias-del-mst-de-esta-semana-17-abril-2006","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2006\/04\/18\/noticias-del-mst-de-esta-semana-17-abril-2006\/","title":{"rendered":"Noticias del MST de esta semana (17 abril 2006)"},"content":{"rendered":"<pre style=\"font-family: verdana,arial,helvetica,sans-serif;\"><font size=\"1\">NOT\u00cdCIAS DO DIA (em \u00e1udio e texto):<br \/>- O massacre continua: reportagem especial dos 10 anos de Eldorado dos Caraj\u00e1s<br \/>- Dia 17 de abril \u00e9 marcado por protestos no Brasil<br \/>- Para MST, governo Lula faz &quot;contra-reforma agr\u00e1ria&quot; no Par\u00e1<br \/>- MST marcha at\u00e9 STF para pedir justi\u00e7a em Caraj\u00e1s<br \/>- Agroneg\u00f3cio no PA patrocina desastre ecol\u00f3gico e social, diz Stedile<\/font><\/pre>\n<p><\/p>\n<pre style=\"font-family: verdana,arial,helvetica,sans-serif;\"><font><font size=\"1\"><span style=\"font-family: verdana,arial,helvetica,sans-serif; font-weight: bold;\">O massacre continua: reportagem especial dos 10 anos de Eldorado dos Caraj\u00e1s<br \/><br \/><\/span><\/font><\/font><font size=\"1\"><span style=\"font-family: verdana,arial,helvetica,sans-serif;\">Dia 17 de abril de 1996. Cidade de Eldorado dos Caraj\u00e1s, no Par\u00e1. Opera\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia <\/span><span style=\"font-family: verdana,arial,helvetica,sans-serif;\">Militar mata 19 e trabalhadores rurais sem terra deixa 69 feridos para p\u00f4r fim em <\/span><br style=\"font-family: verdana,arial,helvetica,sans-serif;\" \/><span style=\"font-family: verdana,arial,helvetica,sans-serif;\">bloqueio de rodovia. Dez anos depois 144 policiais incriminados foram absolvidos e apenas <\/span><span style=\"font-family: verdana,arial,helvetica,sans-serif;\">dois comandantes condenados. Nenhum deles est\u00e1 preso.<\/span><br style=\"font-family: verdana,arial,helvetica,sans-serif;\" \/><span style=\"font-family: verdana,arial,helvetica,sans-serif;\">&quot;Falar do massacre e n\u00e3o falar dos mutilados \u00e9 n\u00e3o falar do massacre. Aconteceu o <\/span><span style=\"font-family: verdana,arial,helvetica,sans-serif;\">massacre, mas ficamos aqui um monte de mutilados, vi\u00favas... Ningu\u00e9m procurou saber de <\/span><br style=\"font-family: verdana,arial,helvetica,sans-serif;\" \/><span style=\"font-family: verdana,arial,helvetica,sans-serif;\">nada... Come\u00e7amos a nos arrastar pela vida&quot;.<\/span><br style=\"font-family: verdana,arial,helvetica,sans-serif;\" \/><span style=\"font-family: verdana,arial,helvetica,sans-serif;\">Ant\u00f4nio Alves de Oliveira, o \u00cdndio, de 46 anos, \u00e9 um dos coordenadores do grupo de <\/span><span style=\"font-family: verdana,arial,helvetica,sans-serif;\">mutilados do Assentamento 17 de Abril, onde vivem as 690 fam\u00edlias que conquistaram a <\/span><br style=\"font-family: verdana,arial,helvetica,sans-serif;\" \/><span style=\"font-family: verdana,arial,helvetica,sans-serif;\">terra logo ap\u00f3s o Massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s. Ele levou tiros no calcanhar, joelho <\/span><span style=\"font-family: verdana,arial,helvetica,sans-serif;\">e perna, e ainda est\u00e1 com duas balas alojadas.Perna de Doming<\/span>os da Concei\u00e7\u00e3o com v\u00e1rias <br \/>marcas de tiros<br \/>Reconstruir a vida depois da chacina foi uma tarefa dif\u00edcil, para ele e para tantas outras pessoas que estavam presentes na curva do &quot;S&quot;, local onde ocorreram os <br \/>assassinatos. Das 69 pessoas que ficaram gravemente feridas, apenas 20 conseguiram cumprir com a burocracia para entrarem, em 1998, com uma a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por danos <br \/>morais e materiais contra o estado.<br \/>Apenas em outubro de 1999 a Justi\u00e7a concedeu uma tutela antecipada determinando que o estado oferecesse toda a assist\u00eancia m\u00e9dica, inclusive psicol\u00f3gica, como conta o advogado <br \/>do grupo dos mutilados, Walmir Brelaz. &quot;Infelizmente esta decis\u00e3o judicial nunca foi cumprida como deveria. Tanto que n\u00e3o foi cumprida, n\u00f3s tivemos que fazer dois acordos com <br \/>o estado para cumprir aquela decis\u00e3o. Ainda assim, o estado n\u00e3o deu o tratamento m\u00e9dico como est\u00e1 determinado pela lei&quot;, afirma.<br \/><br \/>Neglig\u00eancia e descaso<br \/>Para Carlos Guedes, advogado do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no caso, houve claramente o que \u00e9 padr\u00e3o em termos de situa\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria do Par\u00e1: a <br \/>desconex\u00e3o entre a teoria e a pr\u00e1tica. &quot;O drama que as pessoas vivenciam hoje e as seq&uuml;elas f\u00edsicas realmente s\u00e3o todos decorrentes dos ferimentos. Mas foram agravadas e <br \/>tornadas irrevers\u00edveis em fun\u00e7\u00e3o da neglig\u00eancia do governo estadual na assist\u00eancia m\u00e9dica, isso fora, a assist\u00eancia psicol\u00f3gica que n\u00e3o existiu&quot;, diz.<br \/>Jos\u00e9 Carlos Agarito: bala alojada na cabe\u00e7a \/ Foto: Beatriz PasqualinoE s\u00e3o muitos exemplos. Balas alojadas, perda de audi\u00e7\u00e3o, destrui\u00e7\u00e3o de ossos, dores de cabe\u00e7a. Al\u00e9m do <br \/>trauma psicol\u00f3gico que estas pessoas possuem. Relembrar o dia \u00e9 viver de novo.<br \/>&quot;Eu fui tirando as balas aos poucos, at\u00e9 hoje tenho tr\u00eas ainda&quot; (Avelino Germiniano, 51 anos)<br \/>&quot;Meu ouvido sangra, sai um pus verde.....&quot; (Jos\u00e9 Carlos Agarito, 28 anos)<br \/>&quot;Ele me atirou na perna. A\u00ed eu falei para ele, olha com tanto amor que eu estou pedindo para voc\u00eas que n\u00e3o mate gente, que a gente n\u00e3o quer guerra. A gente que terra para <br \/>trabalhar. Voc\u00ea at\u00e9 me feriu&quot; (Jos\u00e9 Sebasti\u00e3o de Oliveira, 57 anos)<br \/><br \/>Procurada pela *Ag\u00eancia Not\u00edcias do Planalto*, o secret\u00e1rio-executivo de Sa\u00fade P\u00fablica do Estado do Par\u00e1, Dr. Fernando Agostinho Cruz Dourado, encaminhou a nossa equipe para <br \/>conversar com o diretor respons\u00e1vel pela unidade de sa\u00fade do munic\u00edpio de Tucuru\u00ed, o Dr. Jos\u00e9 Maria. Ele nos assegurou que \u00e9 prestado todo o atendimento solicitado pelos <br \/>pacientes. &quot;Nos foi passada a miss\u00e3o de atender os seq&uuml;elados do Massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s no que concernia ao nexo causal. Ou seja, tratar o que fosse decorrente do <br \/>incidente, correto? Mas n\u00f3s n\u00e3o preocupamos com isso. N\u00f3s contemplamos todos os pacientes com todos os atendimentos necess\u00e1rios&quot;, garante.<br \/><br \/>O coordenador do grupo dos mutilados, Ant\u00f4nio \u00cdndio tem outra opini\u00e3o sobre o tratamento m\u00e9dico oferecido pelo estado. &quot;Veio um maldito de um tratamento que \u00e9 uma mis\u00e9ria. Umas <br \/>consultas bobas que s\u00f3 diagnostica verme. Todos exames, por mais que haja uma bala no corpo das pessoas, eles d\u00e3o rem\u00e9dio de verme. Quem teve seq&uuml;ela vai ficar assim. Vai <br \/>morrer assim. O estado alega que d\u00e1 tratamento, fala na m\u00eddia que d\u00e1, mas na verdade n\u00e3o d\u00e1 nenhum tratamento. Se existisse n\u00e3o teria camarada com bala no corpo e problemas <br \/>s\u00e9rios&quot;, afirma.<br \/><br \/>Dez anos sem indeniza\u00e7\u00e3o<br \/>O descaso p\u00fablico com estas pessoas n\u00e3o \u00e9 diferente do tratamento dado \u00e0s vi\u00favas e \u00f3rf\u00e3os das v\u00edtimas fatais do massacre. At\u00e9 hoje eles aguardam as indeniza\u00e7\u00f5es.<br \/>Uma das treze vi\u00favas, Maria Alice de Souza, de 42 anos, que perdeu o marido Joaquim Pereira Veras, morto com dois tiros no peito, at\u00e9 hoje n\u00e3o entende quem provocou o <br \/>massacre e por qu\u00ea. &quot;N\u00e3o sei. Quem fez foi a pol\u00edcia, governo, fazendeiro...ningu\u00e9m gosta de sem-terra. Todo mundo tem raiva&quot;, explica.<br \/>Hoje Maria Alice e outras conquistaram suas terras, mas algumas se encontram sem condi\u00e7\u00f5es de trabalhar devido \u00e0 idade e as dificuldades se agravam ano ap\u00f3s ano. Raimunda <br \/>Almeida e seu filho Leandro \/ Foto: Nina FidelesComo conta Dona Raimunda da Concei\u00e7\u00e3o Almeida, de 62 anos, vi\u00fava de Leonardo Batista Almeida, morto com um tiro na cabe\u00e7a. &quot;N\u00e3o <br \/>estou passando bem, me alimentando bem porque n\u00e3o posso. Mas estamos conseguindo. N\u00e3o \u00e9 bom, mas estamos comendo. Quero justi\u00e7a&quot;. Elas pouco falam, mas carregam um sofrimento <br \/>muito grande e uma vontade imensa de se ver fazer a justi\u00e7a.<br \/>At\u00e9 hoje nenhuma indeniza\u00e7\u00e3o pelo estado foi paga. Nem para as vi\u00favas e nem para os mutilados. Segundo o advogado Walmir Brelaz, o valor inicial das indeniza\u00e7\u00f5es que ainda <br \/>tramitam na justi\u00e7a foi reduzidos em 100%. &quot;Eles est\u00e3o vivendo no completo abandono. Como eles dizem, o massacre ainda continua. Porque a partir daquele momento a vida deles s\u00f3 <br \/>piorou, cada vez mais&quot;, afirma.<br \/><br \/>Depoimento de sobrevivente<br \/>Fam\u00edlia de Jos\u00e9 Carlos Agarito \/ Foto: Beatriz Pasqualino* Meu nome \u00e9 Jos\u00e9 Carlos Agarito Moreira. Eu sou sobrevivente do Massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s, de 1996. Espero um dia <br \/>aconte\u00e7a um julgamento e que eles sejam presos. Estamos a\u00ed sem trabalhar. Sou surdo, estou com a bala alojada na cabe\u00e7a ainda. Se tudo der certo, vou receber a indeniza\u00e7\u00e3o. <br \/>Se eu n\u00e3o receber, meus filhos recebem, meus netos. E estamos na luta.<br \/><br \/><span style=\"font-weight: bold;\">Dia 17 de abril \u00e9 marcado por protestos no Brasil *<\/span><br \/>Para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), esta segunda-feira (17) ser\u00e1 de protestos em todo o pa\u00eds. Neste mesmo dia, h\u00e1 10 anos, 19 agricultores foram <br \/>brutalmente assassinados pela Pol\u00edcia Militar do Par\u00e1, numa a\u00e7\u00e3o para desbloqueio da rodovia PA-150. No estado, desde o dia tr\u00eas de abril, o Movimento est\u00e1 promovendo um <br \/>acampamento pedag\u00f3gico, na Curva do &quot;S&quot; (trecho onde ocorreu o Massacre). O acampamento se encerra nesta segunda-feira, com um grande ato para pedir justi\u00e7a. S\u00e3o esperadas <br \/>aproximadamente 20 mil pessoas, entre agricultores, artistas e personalidades.O dia 17 de abril foi institu\u00eddo pela Via Campesina (entidade que re\u00fane organiza\u00e7\u00f5es do <br \/>campo de todo o mundo) como Dia Internacional da Luta Camponesa.De acordo com o MST, uma marcha sair\u00e1 deste local em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sede do governo do Estado <br \/>(Pal\u00e1cio dos Despachos) para fazer a entrega do pr\u00eamio &quot;10 anos de impunidade&quot; ao governador Sim\u00e3o Jatene. Embora, o crime tenha ganhado destaque nacional e internacional, <br \/>ningu\u00e9m est\u00e1 preso por sua autoria.<br \/><br \/>Segundo dados da Igreja Cat\u00f3lica, apenas 7% dos crimes ocorridos no campo entre 1985 e 2004 foram a julgamento.Nesse per\u00edodo, ocorreram 1.043 crimes motivados por conflitos <br \/>fundi\u00e1rios, com um saldo de 1.399 assassinatos - a maioria deles de trabalhadores rurais. De acordo com um levantamento da CPT (Comiss\u00e3o Pastoral da Terra), apenas 77 desses casos <br \/>foram julgados at\u00e9 hoje.<br \/>(Para ouvir a mat\u00e9ria &lt;http:\/\/www.noticiasdoplanalto.net\/images\/stories\/notplan\/mp3\/2006\/marco\/08032006faoconclusao.mp3&gt;\/clique aqui\/ &lt;http:\/\/www.noticiasdoplanalto.net\/images\/stories\/notplan\/mp3\/2006\/marco\/17042006carajasprotestos.mp3&gt;\/ - \/1\u00b441\u00b4\u00b4 \/ 397 Kb \/\/ <br \/>MP3)\/<br \/><br \/><span style=\"font-weight: bold;\">Para MST, governo Lula faz &quot;contra-reforma agr\u00e1ria&quot; no Par\u00e1 <\/span><br style=\"font-weight: bold;\" \/>A maioria dos projetos de assentamentos rurais da atual gest\u00e3o do governo federal situa-se na Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. Para o integrante da dire\u00e7\u00e3o nacional do Movimento dos <br \/>Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Jo\u00e3o Pedro Stedile, o modelo de reforma agr\u00e1ria colocado em pr\u00e1tica pelo Brasil \u00e9 conseq&uuml;\u00eancia do benef\u00edcio que o pa\u00eds concede ao <br \/>agroneg\u00f3cio, sobretudo na regi\u00e3o do sul do Par\u00e1. Segundo o MST, o processo gerou encarecimento das terras agricult\u00e1veis no estado, sendo que milhares de fam\u00edlias ainda <br \/>esperam por reforma agr\u00e1ria debaixo de lonas pretas no estado.<br \/><br \/>&quot;Nesses tr\u00eas anos do governo Lula, n\u00f3s temos aqui do MST mais de 2.500 fam\u00edlias acampadas e outras mil fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1rias como essa. Ent\u00e3o, temos pessoas esperando <br \/>debaixo do barraco mais de 3.500 fam\u00edlias e com essa imensid\u00e3o de terra dispon\u00edvel. No entanto, o Incra [Instituto de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria] em tr\u00eas anos assentou nessa <br \/>regi\u00e3o s\u00f3 35 fam\u00edlias do MST. Ou seja, uma contra-reforma agr\u00e1ria&quot;.Segundo o governo, foram assentadas 36 mil fam\u00edlias em todo Brasil, em 2003, e 81 mil, em <br \/>2004. No entanto, estudos como o do professor da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Ariovaldo Umbelino de Oliveira, o n\u00famero de fam\u00edlias assentadas no per\u00edodo n\u00e3o passa de <br \/>44 mil. Al\u00e9m disso, pesquisas apontam que no ano passado, 25% das fam\u00edlias foram assentadas em terras desapropriadas, sendo que o restante foi realocado em antigos <br \/>projetos que estavam abandonados, ou em propriedades da Uni\u00e3o, sobretudo na Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica.<br \/>\/(Para ouvir a mat\u00e9ria \/\/clique aqui \/ http:\/\/www.noticiasdoplanalto.net\/images\/stories\/notplan\/mp3\/2006\/abril\/170406contrareforma.mp3&gt;\/- \/1\u00b440\u00b4\u00b4 \/ 388 Kb \/\/ <br \/>MP3)\/<br \/><br \/><span style=\"font-weight: bold;\">MST marcha at\u00e9 STF para pedir justi\u00e7a em Caraj\u00e1s<\/span><br \/>Para homenagear as v\u00edtimas do Massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s e protestar contra os dez anos de impunidade, a C\u00e2mara Federal em Bras\u00edlia realizou nesta segunda-feira (17) sess\u00e3o <br \/>solene com a presen\u00e7a de parlamentares e cerca de 200 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A abertura da sess\u00e3o foi feita pelo deputado Ad\u00e3o <br \/>Preto (PT\/RS) que apontou a impunidade como um dos fatores principais na viol\u00eancia no campo.<br \/>Marina Santos, da coordena\u00e7\u00e3o nacional do MST, se pronunciou em plen\u00e1rio e responsabilizou o modelo econ\u00f4mico neoliberal, o agroneg\u00f3cio e o latif\u00fandio como os <br \/>principais respons\u00e1veis pela morte e mis\u00e9ria no pa\u00eds. Ap\u00f3s a sess\u00e3o solene, os manifestantes marcharam at\u00e9 o Supremo Tribunal Federal (STF) para um ato simb\u00f3lico em <br \/>frente ao edif\u00edcio. Elmano de Freitas, advogado do Movimento, explica quais os objetivos da mobiliza\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>&quot;Nossa inten\u00e7\u00e3o com a manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 chamar a aten\u00e7\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio e da sociedade brasileira a situa\u00e7\u00e3o que vivenciamos, seja pela extrema rapidez com que age para prender <br \/>criminalizar dirigentes de movimentos sociais e ao mesmo tempo pela extrema inefic\u00e1cia quando se fala ou se tem situa\u00e7\u00e3o quando se \u00e9 necess\u00e1ria a puni\u00e7\u00e3o de pistoleiros ou <br \/>fazendeiros mandantes da morte de militantes da luta pela reforma agr\u00e1ria&quot;. O Massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s aconteceu na cidade de mesmo nome no sul do Par\u00e1 e <br \/>deixou 19 mortos e 69 mutilados pela Pol\u00edcia Militar. As pessoas feridas no crime denunciam que n\u00e3o s\u00e3o atendidas com assist\u00eancia m\u00e9dica e nem receberam as indeniza\u00e7\u00f5es.<br \/>(Para ouvir a mat\u00e9ria \/\/clique aqui \/ &lt;http:\/\/www.noticiasdoplanalto.net\/images\/stories\/notplan\/mp3\/2006\/abril\/100406ednaldo.mp3&gt;\/- \/1\u00b443\u00b4\u00b4 \/ 403 Kb \/\/ <br \/>MP3)\/<br \/><br \/><br \/><span style=\"font-weight: bold;\">Agroneg\u00f3cio no PA patrocina desastre ecol\u00f3gico e social, diz Stedile<\/span><br \/>Ap\u00f3s 10 anos do assassinato de 19 agricultores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no epis\u00f3dio conhecido como Massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s (PA), a reforma <br \/>agr\u00e1ria na regi\u00e3o norte do pa\u00eds n\u00e3o avan\u00e7a. Esta \u00e9 a opini\u00e3o de Jo\u00e3o Pedro Stedile, da dire\u00e7\u00e3o nacional do MST. Para ele, o estado onde ocorreu a chacina est\u00e1 patrocinando um <br \/>desastre ecol\u00f3gico e social ao priorizar o agroneg\u00f3cio da regi\u00e3o, em detrimento da agricultura familiar.<br \/><br \/>&quot;O modelo de reforma agr\u00e1ria daqui deve, em primeiro lugar, respeitar a floresta nativa. E vamos priorizar a desapropria\u00e7\u00e3o desses grandes latif\u00fandios que existem na regi\u00e3o e que <br \/>ainda s\u00e3o os resqu\u00edcios da \u00e9poca da ditadura em que os fazendeiros grilavam imensas \u00e1reas, tomavam de \u00edndios, cooptavam os institutos de terra estadual, que \u00e9 mais f\u00e1cil do <br \/>que o Incra [Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria], e formaram grande fazendas. Eu pergunto: \u00e9 razo\u00e1vel numa sociedade uma s\u00f3 fam\u00edlia de paulistas que nem se <br \/>quer vivem aqui, controlar nessa regi\u00e3o 200 mil hectares pra criar boi, e levar essa carne pra S\u00e3o Paulo e exportar, sem que fique um centavo de riqueza em beneficio dessa <br \/>popula\u00e7\u00e3o?&quot;.<br \/><br \/>O Incra afirma ter assentado 41 mil fam\u00edlias sem-terra s\u00f3 no ano passado. Desde 2003 s\u00e3o 65 mil. Mas de todas essas fam\u00edlias, o MST afirma que menos de 70 s\u00e3o do movimento. <br \/>Outras 140 mil ligadas ao movimento continuam em barracos de lona. Segundo Stedile, \u00e9 preciso desapropriar os latif\u00fandios que n\u00e3o cumprem sua fun\u00e7\u00e3o social de desenvolvimento <br \/>na regi\u00e3o. Para o MST, a maioria das grandes propriedades do Par\u00e1 descumpre a legisla\u00e7\u00e3o ambiental, al\u00e9m de acumularem den\u00fancia de trabalho escravo. Segundo dados do governo <br \/>federal, foram resgatados da escravid\u00e3o cerca de 13 mil trabalhadores no estado do Par\u00e1 desde 1997.<br \/>\/(Para ouvir a mat\u00e9ria \/\/clique aqui \/ &lt;http:\/\/www.noticiasdoplanalto.net\/images\/stories\/notplan\/mp3\/2006\/abril\/170406reformaagraria.mp3&gt;\/- \/1\u00b453\u00b4\u00b4 \/ 443 Kb \/\/ <br \/>MP3)\/<\/font><\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NOT\u00cdCIAS DO DIA (em \u00e1udio e texto):- O massacre continua: reportagem especial dos 10 anos de Eldorado dos Caraj\u00e1s- Dia 17 de abril \u00e9 marcado por protestos no Brasil- Para MST, governo Lula faz &quot;contra-reforma agr\u00e1ria&quot; no Par\u00e1- MST marcha at\u00e9 STF para pedir justi\u00e7a em Caraj\u00e1s- Agroneg\u00f3cio no PA patrocina desastre ecol\u00f3gico e social, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[7],"class_list":["post-2876","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-publicaciones","tag-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2876","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2876"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2876\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4247,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2876\/revisions\/4247"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2876"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2876"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2876"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}