{"id":2806,"date":"2005-08-23T05:07:13","date_gmt":"2005-08-23T05:07:13","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2005\/08\/23\/entrevista-cesar-benjamin-no-jornal-brasil-de-fato\/"},"modified":"2017-10-02T21:42:13","modified_gmt":"2017-10-02T21:42:13","slug":"entrevista-cesar-benjamin-no-jornal-brasil-de-fato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2005\/08\/23\/entrevista-cesar-benjamin-no-jornal-brasil-de-fato\/","title":{"rendered":"Entrevista C\u00e9sar Benjamin no Jornal Brasil de Fato"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista de C\u00e9sar Benjamin ao Jornal Brasil de Fato Julho de 2005<\/p>\n<p>Brasil de Fato &#8211; Todos os dias aparecem elementos da crise pol\u00edtica, como<br \/>novos esquemas de corrup\u00e7\u00e3o, personagens de quem nunca se havia falado<br \/>anteriormente. A pol\u00edtica tomou uma velocidade inimagin\u00e1vel. O que<br \/>realmente est\u00e1 acontecendo?<br \/>C\u00e9sar Benjamin &#8211; O momento \u00e9 muito confuso. Um sintoma disso \u00e9 a<br \/>prolifera\u00e7\u00e3o de an\u00e1lises de conjuntura, ou supostas an\u00e1lises. Isso tem um<br \/>lado positivo, pois mostra inquieta\u00e7\u00e3o e vontade de compreender as coisas,<br \/>mas gera uma cacofonia enorme. Precisamos procurar o que \u00e9 essencial, sem<br \/>nos perder em tergiversa\u00e7\u00f5es ou em aspectos secund\u00e1rios. Por exemplo, \u00e9<br \/>necess\u00e1rio reconhecer claramente que a esquerda brasileira adotou nos<br \/>\u00faltimos quinze anos uma pr\u00e1tica nova. Refiro-me \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o, em larga<br \/>escala, do que podemos chamar de &quot;o poder dissolvente do dinheiro&quot;. A<br \/>express\u00e3o \u00e9 de Marx, em outro contexto. A partir de certo momento, que<br \/>talvez possa ser fixado no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, o grupo que obteve o<br \/>controle do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Central \u00danica dos<br \/>Trabalhadores (CUT) baseou sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em fontes de financiamento<br \/>nebulosas, que se multiplicaram, e em uma expans\u00e3o in\u00e9dita de rela\u00e7\u00f5es<br \/>mercantis dentro da esquerda. Usou o poder do dinheiro em largu\u00edssima<br \/>escala e obteve grande \u00eaxito. Isso exige uma reflex\u00e3o s\u00e9ria, que a esquerda<br \/>n\u00e3o parece disposta a fazer.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Entrevista de C\u00e9sar Benjamin ao<br \/>Jornal Brasil de Fato Julho de 2005<\/p>\n<p>BF &#8211; Como era a esquerda antes do dom\u00ednio do dinheiro?<br \/>Benjamin &#8211; A esquerda cometeu muitos erros ao longo de sua hist\u00f3ria, mas<br \/>sempre foi uma for\u00e7a de contesta\u00e7\u00e3o, liderada por grupos e pessoas que<br \/>tinham compromissos de longo prazo com a transforma\u00e7\u00e3o da sociedade.<br \/>Podemos fazer muitas cr\u00edticas \u00e0s gera\u00e7\u00f5es que nos antecederam, mas nenhuma<br \/>as atinge do ponto de vista moral. A crise atual \u00e9 a mais grave da nossa<br \/>hist\u00f3ria. Muito mais grave do que aquela que aconteceu ap\u00f3s o golpe militar<br \/>de 1964. Pois as crises anteriores eram resultado de enfrentamentos com um<br \/>advers\u00e1rio, enquanto a atual \u00e9 interna. Os fundamentos da esquerda foram<br \/>corro\u00eddos por dentro. N\u00e3o podemos tergiversar sobre isso. Os esquemas de<br \/>corrup\u00e7\u00e3o que est\u00e3o vindo \u00e0 luz n\u00e3o s\u00e3o fatos isolados nem come\u00e7aram<br \/>recentemente. S\u00e3o apenas a expans\u00e3o, para a esfera do governo federal, de<br \/>um tipo de pr\u00e1tica introduzida na esquerda brasileira h\u00e1 cerca de quinze<br \/>anos. O grupo que fez isso construiu uma vast\u00edssima rede de cumplicidade,<br \/>com n\u00edveis diferentes de envolvimento, ativo ou passivo. \u00c9 uma rede t\u00e3o<br \/>grande que o limite dessa pr\u00e1tica n\u00e3o foi dado, lamentavelmente, pela<br \/>pr\u00f3pria esquerda. Foi preciso uma desaven\u00e7a com um deputado federal<br \/>fisiol\u00f3gico para que o problema viesse a p\u00fablico. O per\u00edodo de lideran\u00e7a de<br \/>Luiz In\u00e1cio Lula da Silva resultar\u00e1 numa dissolu\u00e7\u00e3o interna da esquerda. <\/p>\n<p>BF &#8211; \u00c9 uma vis\u00e3o muito negativa da hist\u00f3ria recente da esquerda.<br \/>Benjamin &#8211; Temos que buscar uma combina\u00e7\u00e3o de firmeza e humildade. Firmeza<br \/>para reencontrar princ\u00edpios que a esquerda perdeu. Humildade para<br \/>reconhecer que essa esquerda n\u00e3o se capacitou para ser a deposit\u00e1ria da<br \/>solu\u00e7\u00e3o da crise brasileira. Temos de nos abrir para tentar identificar, no<br \/>conjunto da sociedade, for\u00e7as maiores do que a pr\u00f3pria esquerda, que podem<br \/>ter uma atua\u00e7\u00e3o positiva. A crise brasileira \u00e9 t\u00e3o grave que \u00e9 necess\u00e1rio<br \/>surgir uma alternativa.<\/p>\n<p>BF &#8211; Voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea nada positivo?<br \/>Benjamin &#8211; A crise tem dois aspectos positivos. Primeiro, ela coloca um<br \/>limite no fisiologismo e na corrup\u00e7\u00e3o dentro da esquerda, que ser\u00e1 for\u00e7ada<br \/>a refletir sobre isso. Segundo, ela pode vir a abortar a principal opera\u00e7\u00e3o<br \/>pol\u00edtica que estava em curso, que era produzir uma falsa polariza\u00e7\u00e3o<br \/>eleitoral entre o PT e o PSDB. Se essa opera\u00e7\u00e3o desse certo &#8211; ou se ela<br \/>vier a dar certo &#8211; a hegemonia burguesa estaria bastante consolidada. Quem<br \/>controla s\u00f3 a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 sob permanente risco. Hegemonia pede controle<br \/>da situa\u00e7\u00e3o e da oposi\u00e7\u00e3o. Est\u00e1vamos marchando para o paradigma dos Estados<br \/>Unidos: o Partido Republicano e o Partido Democrata se alternam no poder,<br \/>sem colocar em risco a hegemonia da grande burguesia. A meu ver, Lula n\u00e3o<br \/>tem como ser candidato nas elei\u00e7\u00f5es de 2006. Se for, ter\u00e1 de ser combatido<br \/>duramente. <\/p>\n<p>BF &#8211; Mas \u00e9 a direita que se fortalece&#8230;<br \/>Benjamin &#8211; \u00c9 claro que o PSDB e o PFL se fortalecem no curto prazo. Mas n\u00e3o<br \/>acredito que a sociedade aceite uma hegemonia unipolar da direita. A<br \/>sociedade vai pedir a forma\u00e7\u00e3o de um campo n\u00e3o neoliberal. Nosso maior<br \/>problema pol\u00edtico, nessa conjuntura, \u00e9 identificar o contorno desse novo<br \/>campo, suas for\u00e7as sociais, seu programa m\u00ednimo, para sairmos de uma<br \/>posi\u00e7\u00e3o passiva e reativa e adotarmos uma posi\u00e7\u00e3o propositiva. Precisamos<br \/>pensar nossa a\u00e7\u00e3o em um contexto de alternativa ao neoliberalismo, se<br \/>poss\u00edvel, j\u00e1 em 2006. N\u00e3o sei se estaremos \u00e0 altura desse desafio. Se<br \/>ficarmos presos ao universo do governo e \u00e0 luta interna do PT n\u00e3o<br \/>conseguiremos enfrent\u00e1-lo. A crise do governo Lula, paradoxalmente, pode<br \/>ser a crise do modelo neoliberal.<\/p>\n<p>BF &#8211; Voc\u00ea defende um afastamento em rela\u00e7\u00e3o ao PT. O partido, entretanto,<br \/>n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 corrup\u00e7\u00e3o. Tem experi\u00eancias organizativas e pol\u00edticas<br \/>fundamentais, que mudaram o cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro. Por exemplo, o<br \/>or\u00e7amento participativo e as rela\u00e7\u00f5es com movimentos sociais.<br \/>Benjamin &#8211; Um ciclo da esquerda brasileira se encerra. O que n\u00e3o quer dizer<br \/>que tudo que tenha sido feito nesse ciclo tenha sido negativo. N\u00e3o se pode<br \/>imaginar que vamos criar um novo absoluto. Esse, ali\u00e1s, foi um problema<br \/>presente na cria\u00e7\u00e3o do PT, pois ele n\u00e3o reivindicou heran\u00e7a alguma. Jogou<br \/>tudo o que havia existido antes na vala comum do erro. O fim de um ciclo<br \/>n\u00e3o quer dizer que o conjunto de experi\u00eancias tenha sido negativo ou que<br \/>n\u00e3o haja heran\u00e7a a ser recuperada. O que caracteriza um ciclo \u00e9 uma dada<br \/>interpreta\u00e7\u00e3o sobre a sociedade, uma forma de luta estrat\u00e9gica e uma<br \/>organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica consolidada, que seja portadora daquela interpreta\u00e7\u00e3o<br \/>e condutora da luta estrat\u00e9gica. Tivemos um ciclo longo do Partido<br \/>Comunista Brasileiro (PCB), que entrou em crise ap\u00f3s 1964. A partir da\u00ed,<br \/>at\u00e9 mesmo por causa da repress\u00e3o, houve um per\u00edodo de di\u00e1spora. Nenhum<br \/>centro hegem\u00f4nico se consolidou at\u00e9 o surgimento do PT no in\u00edcio dos anos<br \/>80. Houve quinze anos de intervalo. O fim do ciclo PT nos coloca o desafio<br \/>de construir uma nova interpreta\u00e7\u00e3o, uma nova organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e uma<br \/>nova vis\u00e3o estrat\u00e9gica. N\u00e3o \u00e9 tarefa simples, que uma pessoa ou um grupo<br \/>possam fazer. Depende de um processo, que envolve a din\u00e2mica da esquerda e<br \/>da sociedade. O PT, por exemplo, n\u00e3o surgiu de um ato de vontade. Foi fruto<br \/>de um momento hist\u00f3rico preciso.<\/p>\n<p>BF &#8211; Temos que esperar, sentados, o novo ciclo?<br \/>Benjamin &#8211; N\u00e3o controlamos o surgimento de um novo ciclo. O que podemos<br \/>fazer hoje \u00e9 mudar nossa postura, pois a esquerda tem sido frouxa nos<br \/>princ\u00edpios e arrogante em sua auto-avalia\u00e7\u00e3o. Precisamos ser o contr\u00e1rio<br \/>disso: firmes e humildes. Assumir claramente que temos de reaprender. Temos<br \/>que lutar muito para conquistar a confian\u00e7a do povo brasileiro. \u00c9 um<br \/>processo dolorido, que envolve pr\u00e1tica, cultura pol\u00edtica, valores. <\/p>\n<p>BF &#8211; Que condi\u00e7\u00f5es temos de fazer isso?<br \/>Benjamin &#8211; Toda a minha milit\u00e2ncia, desde que sa\u00ed do PT em 1995, foi para<br \/>tentar advertir que a trajet\u00f3ria do partido conduziria a esquerda<br \/>brasileira \u00e0 maior crise de sua hist\u00f3ria. Disse isso v\u00e1rias vezes &#8211; a<br \/>primeira delas no pr\u00f3prio encontro nacional do PT no Esp\u00edrito Santo, diante<br \/>de 800 delegados &#8211; e paguei muito caro: cal\u00fania, censura, isolamento. Nesse<br \/>encontro, usei a express\u00e3o &quot;ovo da serpente&quot; para me referir ao caixa dois<br \/>feita na campanha de 1994, \u00e0 revelia da dire\u00e7\u00e3o. Uma dire\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria que<br \/>aceita passivamente que uma parte sua monte mecanismos paralelos de<br \/>financiamento, aliando-se a bancos e empreiteiras, n\u00e3o pode ser chamada<br \/>dire\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma farsa. <br \/>Sa\u00ed do PT quando percebi que n\u00e3o havia mais espa\u00e7o para a batalha de<br \/>id\u00e9ias. A atividade partid\u00e1ria se transformara em mera composi\u00e7\u00e3o de<br \/>interesses, que passava pelo controle dos in\u00fameros caixas-dois que se<br \/>multiplicavam. Nesses anos todos, vi a rede de cumplicidades. A esquerda<br \/>n\u00e3o reagiu. Parte dela foi comprada e aderiu a essa pr\u00e1tica. Gostou de<br \/>fazer campanhas eleitorais milion\u00e1rias. Enriqueceu. Os companheiros que n\u00e3o<br \/>se corromperam, que felizmente s\u00e3o muitos, fizeram uma cr\u00edtica leve, pois<br \/>havia carreiras em jogo, expectativas de poder, compromissos. O descalabro<br \/>\u00e9 enorme. Todos os dias aparecem 200 mil d\u00f3lares para l\u00e1, 500 mil para c\u00e1,<br \/>5 milh\u00f5es para l\u00e1. \u00c9 uma quantidade de dinheiro extraordin\u00e1ria, levantada<br \/>por uma m\u00e1quina sist\u00eamica, planejada, coletivamente organizada. Tenho a<br \/>impress\u00e3o que o governo Lula estava montando um esquema de corrup\u00e7\u00e3o poucas<br \/>vezes igualado na hist\u00f3ria brasileira.<\/p>\n<p>BF &#8211; O Lula n\u00e3o pode reanimar essa esquerda em di\u00e1spora?<br \/>Benjamin &#8211; O PT aderiu \u00e0 ordem da pior forma poss\u00edvel, diferente da<br \/>socialdemocracia europ\u00e9ia, que aderiu com uma doutrina e com ganhos para<br \/>sua base social. O PT se associou \u00e0 ordem capitalista brasileira, nos anos<br \/>90, em um per\u00edodo em que n\u00e3o houve ganhos para a base social que deveria<br \/>representar. Aderiu sem doutrina, e, uma vez no poder, tornou-se algoz de<br \/>sua base social. Os l\u00edderes do PT, individualmente, mudaram de classe<br \/>social. O dinheiro comandou o processo. Isso \u00e9 muito grave. <\/p>\n<p>BF &#8211; No momento atual, o que \u00e9 uma frente antineoliberal? Para que serve?<br \/>Benjamin &#8211; Com o governo Lula, a crise brasileira chegou a um patamar novo.<br \/>N\u00e3o d\u00e1 mais. Pegue o atual Or\u00e7amento da Uni\u00e3o. Em dez dias, o Brasil gasta<br \/>em juros tudo o que investe em educa\u00e7\u00e3o no ano. Em um dia de pagamento de<br \/>juros, o Brasil gasta mais do que em habita\u00e7\u00e3o popular no ano. Em um minuto<br \/>de pagamento de juros, gasta mais do que em pol\u00edtica de direitos humanos no<br \/>ano. Quando o pa\u00eds chega nesse ponto, n\u00e3o tem mais discuss\u00e3o t\u00e9cnica.<br \/>Qualquer discurso que justifique isso \u00e9 criminoso. O Pa\u00eds est\u00e1 doente. O<br \/>agravamento da crise brasileira \u00e9 muito r\u00e1pido. Isso pode facilitar uma<br \/>pol\u00edtica firme, ao mesmo tempo radical e generosa. Muitos setores honestos<br \/>da sociedade est\u00e3o percebendo isso. Acho que dever\u00edamos elaborar um<br \/>programa m\u00ednimo, antineoliberal, e definir claramente uma ruptura com o<br \/>sistema que mant\u00e9m o Brasil em estado de doen\u00e7a cr\u00f4nica. <\/p>\n<p>A crise atual da esquerda brasileira \u00e9 a mais grave de sua hist\u00f3ria<br \/>A esquerda tem sido frouxa nos princ\u00edpios e arrogante em sua auto-avalia\u00e7\u00e3o<br \/>A figura do Lula ficar\u00e1 associada a essa destrui\u00e7\u00e3o interna da esquerda<\/div>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista de C\u00e9sar Benjamin ao Jornal Brasil de Fato Julho de 2005 Brasil de Fato &#8211; Todos os dias aparecem elementos da crise pol\u00edtica, comonovos esquemas de corrup\u00e7\u00e3o, personagens de quem nunca se havia faladoanteriormente. 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