{"id":2798,"date":"2005-08-08T12:29:05","date_gmt":"2005-08-08T12:29:05","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2005\/08\/08\/entrevista-joao-pedro-stedile-8-8-05\/"},"modified":"2017-10-02T21:42:16","modified_gmt":"2017-10-02T21:42:16","slug":"entrevista-joao-pedro-stedile-8-8-05","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2005\/08\/08\/entrevista-joao-pedro-stedile-8-8-05\/","title":{"rendered":"Entrevista Jo\u00e3o Pedro Stedile 8-8-05"},"content":{"rendered":"<p>L\u00edder do MST diz que movimentos sociais est\u00e3o preocupados com a paralisia do<br \/>governo<br \/>&quot;Essa forma de democracia de mentirinha, em que o povo n\u00e3o tem poder nenhum de<br \/>decidir sobre o seu futuro, n\u00e3o funciona mais.&quot;<\/p>\n<p>O economista Jo\u00e3o Pedro Stedile, uma das principais lideran\u00e7as do movimento dos<br \/>sem-terra no pa\u00eds, avalia que a crise \u00e9 muito mais grave do que aparenta.A<br \/>crise n\u00e3o seria apenas pol\u00edtica, segundo ele, mas tamb\u00e9m econ\u00f4mica e social. &quot;\u00c9<br \/>como se o Brasil estivesse numa encruzilhada hist\u00f3rica. A crise que estamos<br \/>vivendo \u00e9 muito grave, profunda e ser\u00e1 prolongada&quot;, afirma o coordenador<br \/>nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). &quot;Estamos numa<br \/>crise de projetos para o pa\u00eds, uma crise de destino do Brasil.&quot;<\/p>\n<p>Em entrevista ao Correio Braziliense e ao Estado de Minas, Stedile explica por<br \/>que, h\u00e1 duas semanas, durante uma manifesta\u00e7\u00e3o em Curitiba, chegou a decretar o<br \/>fim do governo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. Aquele governo Lula que n\u00f3s<br \/>elegemos em 2002 acabou. Agora, temos um governo<br \/>Lula-Severino-Sarney-Calheiros.<\/p>\n<p>Desde que estourou a crise, Stedile se dedica a correr o pa\u00eds para animar a<br \/>milit\u00e2ncia e alertar que n\u00e3o se pode apenas ficar embasbacado com a enxurrada<br \/>de den\u00fancias que varre o notici\u00e1rio. \u00c9 preciso, segundo ele, sair do imobilismo<br \/>e deixar de lado a postura passiva. Stedile v\u00ea, assim, uma possibilidade de<br \/>supera\u00e7\u00e3o da crise: Estimular as lutas sociais e a mobiliza\u00e7\u00e3o de massas, que \u00e9<br \/>o \u00fanico caminho capaz de alterar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as atual. A seguir, os<br \/>principais trechos da entrevista. A esquerda precisa rever seus m\u00e9todos<\/p>\n<p>O governo Lula acabou?<br \/>Jo\u00e3o Pedro Stedile O povo brasileiro votou em Lula para realizar mudan\u00e7as.<br \/>Durante a campanha eleitoral, foram apresentadas promessas e, no entanto,<br \/>nenhum dos compromissos relacionados com as mudan\u00e7as para o povo foi cumprido.<br \/>Depois veio a crise de 2005. E a\u00ed o governo faz uma reforma ministerial que<br \/>representou uma alian\u00e7a ainda mais conservadora. Ent\u00e3o, quando disse que o<br \/>governo Lula acabou, foi no sentido de que aquele governo Lula que n\u00f3s elegemos<br \/>em 2002 acabou. Agora, temos um governo Lula-Severino-Sarney-Calheiros.<\/p>\n<p>Como a crise est\u00e1 sendo vista pelas lideran\u00e7as do MST e pela base do movimento?<br \/>Stedile Nossa base e a milit\u00e2ncia est\u00e3o acompanhando a crise com muita aten\u00e7\u00e3o e<br \/>perplexidade, como todos os brasileiros. E est\u00e3o muito preocupados, primeiro<br \/>pelos descalabros dos m\u00e9todos que foram utilizados. Mas sobretudo estamos<br \/>preocupados pela paralisia pol\u00edtica do governo que isso causou. E estamos ainda<br \/>mais preocupados porque o governo fez um compromisso com a sociedade brasileira<br \/>e com nossa base, se comprometendo a acelerar a reforma agr\u00e1ria e assentar 400<br \/>mil fam\u00edlias em quatro anos. At\u00e9 agora, a reforma agr\u00e1ria andou a passos de<br \/>tartaruga, e continuamos tendo mais de 130 mil fam\u00edlias acampadas esperando os<br \/>compromissos.<\/p>\n<p>O que a crise do governo e do PT representa para a esquerda brasileira?<br \/>Stedile A crise que estamos vivendo \u00e9 muito grave, profunda e ser\u00e1 prolongada. A<br \/>crise n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de \u00e9tica ou de corrup\u00e7\u00e3o. Estamos vivendo, em primeiro lugar, uma<br \/>crise econ\u00f4mica. A continuidade da pol\u00edtica neoliberal n\u00e3o tirou a economia da<br \/>crise. Os resultados s\u00e3o med\u00edocres. Os \u00fanicos que est\u00e3o ganhando dinheiro e<br \/>est\u00e3o faceiros s\u00e3o os bancos, as multinacionais e quem se dedica \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o.<br \/>H\u00e1 tamb\u00e9m uma crise pol\u00edtica, porque o povo n\u00e3o acredita mais nos pol\u00edticos.<br \/>Essa forma de democracia de mentirinha, em que o povo n\u00e3o tem poder nenhum de<br \/>decidir sobre o seu futuro, n\u00e3o funciona mais. Precisamos fazer uma reforma<br \/>pol\u00edtica de fundo, que recupere formas de participa\u00e7\u00e3o da democracia direta, do<br \/>direito do povo convocar plebiscitos, revogar mandatos etc. E temos ainda uma<br \/>grave crise social, que beira a barb\u00e1rie, com a falta de emprego, com aumento<br \/>da viol\u00eancia, com a falta de servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e transporte<br \/>coletivo para os pobres. Estamos numa crise de projetos para o pa\u00eds, uma crise<br \/>de destino do Brasil.<\/p>\n<p>Quais li\u00e7\u00f5es podem ser tiradas?<br \/>Stedile Muitas. Primeiro, \u00e9 preciso que os partidos de esquerda revisem seus<br \/>m\u00e9todos de fazer pol\u00edtica. O que o Campo Majorit\u00e1rio (grupo hegem\u00f4nico dentro<br \/>do PT) fez no partido foi utilizar os mesmos m\u00e9todos cl\u00e1ssicos da direita:<br \/>tentar ganhar elei\u00e7\u00f5es apenas com dinheiro, com marketing. Ca\u00edram na ilus\u00e3o dos<br \/>showm\u00edcios, dos Dudas da vida. E a\u00ed sa\u00edram a cata de dinheiro para financiar um<br \/>m\u00e9todo despolitizado, atrasado, que a direita sempre usou. Portanto, \u00e9 preciso<br \/>recuperar os m\u00e9todos corretos da pol\u00edtica, que \u00e9 a disputa de id\u00e9ias, que \u00e9<br \/>eleva\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de consci\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 estimular o debate e a<br \/>participa\u00e7\u00e3o militante dos cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>O PT assumiu a Presid\u00eancia como a promessa de tratar com mais<br \/>sensibilidade as demandas sociais, inclusive as colocadas pelo MST. Qual ser\u00e1 o<br \/>impacto para o MST se a debacle do governo e do PT prosseguir?<br \/>Stedile Nosso papel, no MST e nos movimentos sociais, n\u00e3o \u00e9 ficar apenas<br \/>embasbacados com as den\u00fancias. Nosso papel \u00e9, em primeiro lugar, fazer reuni\u00f5es<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">na base, reunir a milit\u00e2ncia, debater, entender o momento que estamos vivendo.<\/div>\n<p>Tenho me dedicado a isso 24 horas por dia desde que eclodiu a crise. E, a<br \/>partir da compreens\u00e3o correta do que realmente est\u00e1 acontecendo, estimular as<br \/>lutas sociais, a mobiliza\u00e7\u00e3o de massas, que \u00e9 o \u00fanico caminho capaz de alterar<br \/>a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as atual. A crise se resolve com debate pol\u00edtico, com as<br \/>massas e com articula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as sociais que queiram mudan\u00e7as verdadeiras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00edder do MST diz que movimentos sociais est\u00e3o preocupados com a paralisia dogoverno&quot;Essa forma de democracia de mentirinha, em que o povo n\u00e3o tem poder nenhum dedecidir sobre o seu futuro, n\u00e3o funciona mais.&quot; O economista Jo\u00e3o Pedro Stedile, uma das principais lideran\u00e7as do movimento dossem-terra no pa\u00eds, avalia que a crise \u00e9 muito mais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":151,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[9],"class_list":["post-2798","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-publicaciones","tag-opinion"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2798","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/users\/151"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2798"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2798\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4727,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2798\/revisions\/4727"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2798"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2798"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2798"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}