{"id":2793,"date":"2005-07-22T06:27:07","date_gmt":"2005-07-22T06:27:07","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2005\/07\/22\/encarar-a-verdade\/"},"modified":"2017-10-02T21:42:18","modified_gmt":"2017-10-02T21:42:18","slug":"encarar-a-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2005\/07\/22\/encarar-a-verdade\/","title":{"rendered":"Encarar a verdade"},"content":{"rendered":"<p>Encarar a verdade, tirar li\u00e7\u00f5es da crise e construir uma alternativa para o povo brasileiro&nbsp; <\/p>\n<p>Declara\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do Movimento Consulta Popular<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"text-align: justify;\">1. Grande perplexidade tomou conta da esquerda e da sociedadebrasileira com a revela\u00e7\u00e3o de uma seq&uuml;\u00eancia de atos de corrup\u00e7\u00e3oenvolvendo partidos pol\u00edticos, empres\u00e1rios, parlamentares,publicit\u00e1rios, alguns dirigentes do PT,&nbsp; membros do governo anterior,de governos estaduais e do atual governo. Nosso compromisso deve serencarar a verdade. <\/div>\n<p>H\u00e1 muitos anos multiplicam-se, dentro da pol\u00edtica institucional, ossinais da deteriora\u00e7\u00e3o que agora se tornou p\u00fablica. Dirigentespartid\u00e1rios e sindicais acostumaram-se a manejar vultosos recursos deorigem duvidosa. As campanhas eleitorais tornaram-se cada vez maiscaras. Estabeleceram-se rela\u00e7\u00f5es prom\u00edscuas com empresas, empreiteirase bancos. O uso de recursos sem os procedimentos legais deu margem atodo tipo de manipula\u00e7\u00e3o de interesses de grupos, de correntes, depessoas e chegando at\u00e9 a casos de enriquecimento il\u00edcitos. <\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">2. A crise a que assistimos decorre de um m\u00e9todo usado de formasistem\u00e1tica, organizada e planejada em todas as campanhas eleitorais.Um m\u00e9todo que \u00e9 usual entre os partidos de direita, mas queinfelizmente, obteve expans\u00e3o tamb\u00e9m dentro de setores da esquerda.Arregimentou cumplicidades e, com isso, se disseminou.&nbsp; A contrata\u00e7\u00e3ode cabos eleitorais e a mercantiliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica substitu\u00edram aatividade partid\u00e1ria militante e, sobretudo, a batalha de id\u00e9ias.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">3. A crise \u00e9 resultado tamb\u00e9m da aplica\u00e7\u00e3o de uma de uma linha pol\u00edticana esquerda que priorizou apenas a chegada ao governo, via concilia\u00e7\u00e3ode classe,&nbsp; contrariando a vis\u00e3o de ac\u00famulo de for\u00e7as, de disputa dehegemonia pol\u00edtica e ideol\u00f3gica na sociedade e da necessidade deadministrar o estado para atender prioritariamente \u00e0s demandassociais.&nbsp;&nbsp; A vis\u00e3o da concilia\u00e7\u00e3o abandona o verdadeiro sentido dapol\u00edtica e usa todos os meios poss\u00edveis para justificar a chegada aogoverno.<\/p>\n<p>4. A vis\u00e3o desse que fazer pol\u00edtico, que sempre criticamos, al\u00e9m decorromper valores, deteriorar a pr\u00e1tica pol\u00edtica, desqualifica oconceito de pol\u00edtica para a classe trabalhadora. Consideramos que aatual crise encerra um ciclo, um per\u00edodo hist\u00f3rico de um fazerpol\u00edtico-institucional hegemonizado pelo PT. H\u00e1 uma necessidadehist\u00f3rica de refunda\u00e7\u00e3o da esquerda.&nbsp;&nbsp; E o aspecto positivo dessa crise\u00e9 colocar na ordem do dia essa necessidade.<\/p>\n<p>&nbsp;5. O governo est\u00e1 diante de uma grave crise.A gravidade e natureza dacrise deram margem a que for\u00e7as de direita tomassem a ofensiva contra ogoverno, contra as esquerdas e contra os direitos sociais. O governoLula parece paralisado frente a essa ofensiva. &nbsp;<\/p>\n<p>Conscientes do perigo iminente, os movimentos sociais organizados eentidades nacionais propuseram ao governo uma sa\u00edda alternativa a essacrise. No entanto, fazendo ouvidos moucos a essa propositura o governoopta por manter e aprofundar velhas pr\u00e1ticas de composi\u00e7\u00e3o com asfor\u00e7as conservadoras. For\u00e7as essas que est\u00e3o sempre reividincando maise mais concess\u00f5es na pol\u00edtica econ\u00f4mica para manter seus privil\u00e9gios. \u00c9imposs\u00edvel prever as conseq&uuml;\u00eancias de tal pol\u00edtica em uma sociedade quej\u00e1 convive em larga escala com o desemprego, a informalidade e abarb\u00e1rie, e experimenta agora a frustra\u00e7\u00e3o com uma alternativa degoverno t\u00e3o longamente esperada. <\/p>\n<p>6. Nossa exist\u00eancia como na\u00e7\u00e3o soberana e sociedade com garantias dedireitos democr\u00e1ticos est\u00e1 cada vez mais em perigo. Mais do que nunca,precisamos encontrar os caminhos que levem \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de umaarticula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as sociais e pol\u00edticas capaz de p\u00f4r fim ao modeloneoliberal, que j\u00e1 se transformou em servilismo \u00e0s elites ecolonialismo ao capital internacional. <\/p>\n<p>7. Neste momento, cabem \u00e0s for\u00e7as de esquerda comprometidas com odestino do da Na\u00e7\u00e3o recuperar a firmeza de princ\u00edpios que semprenorteou as nossas a\u00e7\u00f5es, e abrir-se ao di\u00e1logo com todas as for\u00e7asdemocr\u00e1ticas e populares buscando estabelecer um programa m\u00ednimo e aconsecu\u00e7\u00e3o de iniciativas comuns. Esse programa deve contemplar adefesa intransigente da soberania popular e nacional, a ado\u00e7\u00e3o de umapol\u00edtica econ\u00f4mica voltada para a supera\u00e7\u00e3o das desigualdades de rendae de justi\u00e7a, e a defini\u00e7\u00e3o de um conjunto de medidas emergenciais paraa supera\u00e7\u00e3o da pobreza, para a reforma das institui\u00e7\u00f5es e,principalmente, para a valoriza\u00e7\u00e3o do povo como sujeito das mudan\u00e7as. <\/p>\n<p>8. Devemos promover junto a todas essas for\u00e7as e espa\u00e7os um amplodebate sobre a necessidade de um projeto para o pa\u00eds.&nbsp; Um projeto queesteja centrado no atendimento \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o e aocumprimento dos direitos sociais fundamentais, tais como trabalho,terra, moradia, renda e cultura. Um projeto que incorpore mudan\u00e7asradicais nas formas de representa\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria e pol\u00edtica, garantindoao povo o direito \u00e0 democracia direta, bem como outras formas departicipa\u00e7\u00e3o na vida pol\u00edtica do pa\u00eds, tais como a aprova\u00e7\u00e3o do direitodo exerc\u00edcio do Plebiscito e da revoga\u00e7\u00e3o de mandatos, por iniciativapopular.<\/p>\n<p>9. A Consulta Popular prop\u00f5e um di\u00e1logo para que a atual crise defal\u00eancia pol\u00edtica e crise social que vivemos seja tamb\u00e9m o momentoinaugural de um novo projeto e de uma nova esperan\u00e7a. Para isso, \u00e9imprescind\u00edvel que o povo se mobilize. Esperamos, e estimularemos quetodas as for\u00e7as sociais do Brasil fortale\u00e7am as atividades previstaspara&nbsp; pr\u00f3ximo Sete de Setembro, levantando a bandeira em&nbsp; Defesa daSoberania Popular e da Dignidade Nacional, e levando adiante todo tipode iniciativas, mobiliza\u00e7\u00f5es em todos os ambientes \u2013 entidades,igrejas, ruas e pra\u00e7as, universidades, locais de trabalho \u2013, fazendo aden\u00fancia do Brasil que temos e o an\u00fancio do Brasil que queremos. <\/p>\n<p>10. Convocamos todas as organiza\u00e7\u00f5es do povo brasileiro, bem comopersonalidades da vida p\u00fablica e da cultura, a se somarem nesseesfor\u00e7o, que pode ser um marco inicial do di\u00e1logo de que todosnecessitamos.&nbsp; N\u00f3s temos somente um caminho: articular todas as for\u00e7associais e populares que querem mudan\u00e7as antineoliberais e promovermobiliza\u00e7\u00f5es de massa!<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Julho 2005<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encarar a verdade, tirar li\u00e7\u00f5es da crise e construir uma alternativa para o povo brasileiro&nbsp; Declara\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do Movimento Consulta Popular 1. 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