{"id":2783,"date":"2005-07-07T15:01:51","date_gmt":"2005-07-07T15:01:51","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2005\/07\/07\/luiz-inacio-fausto-da-silva\/"},"modified":"2017-10-02T21:42:22","modified_gmt":"2017-10-02T21:42:22","slug":"luiz-inacio-fausto-da-silva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2005\/07\/07\/luiz-inacio-fausto-da-silva\/","title":{"rendered":"*Luiz In\u00e1cio Fausto da  Silva?*"},"content":{"rendered":"<p>Paulo Nogueira Batista Jr.*<\/p>\n<p>Jornal do Brasil<\/p>\n<p>&nbsp;Tudo&nbsp; vaza. Em jantar recente com alguns governadores e ministros, <br \/>o presidente da&nbsp; Rep\u00fablica teria se queixado das press\u00f5es que vem <br \/>sofrendo. E desabafou: \u00bbN\u00e3o&nbsp; vou vender a alma ao diabo para me <br \/>reeleger\u00bb. Foi o que publicou a Folha de&nbsp; S.Paulo, com base em relato <br \/>de um dos comensais. No dia seguinte, um dos&nbsp; principais colunistas do <br \/>jornal provocou: \u00bbJ\u00e1<\/p>\n<p>vendeu, Lula, j\u00e1 vendeu\u00bb.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O desabafo do presidente \u00e9&nbsp; sintom\u00e1tico. A observa\u00e7\u00e3o do jornalista <br \/>pode parecer v\u00e1lida, mas perde o&nbsp; essencial.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; A essa altura, parece claro que houve&nbsp; um acordo em 2002 entre o <br \/>candidato que sairia vitorioso e os donos do poder,&nbsp; para usar a <br \/>express\u00e3o de Raymundo Faoro. Esse acordo consistia essencialmente no &nbsp;<br \/>seguinte: os donos do poder (os principais bancos, interesses <br \/>financeiros&nbsp; estrangeiros, propriet\u00e1rios dos meios de comunica\u00e7\u00e3o de <br \/>massa, grandes empresas n\u00e3o-financeiras etc.) n\u00e3o oporiam resist\u00eancia <br \/>cerrada \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de Lula. Este,&nbsp; por sua vez, assumiria o compromisso <br \/>de manter intocadas as pol\u00edticas&nbsp; macroecon\u00f4micas e financeiras.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esclare\u00e7o, leitor, que essa \u00e9 apenas&nbsp; uma interpreta\u00e7\u00e3o, nada mais <br \/>do que isso. N\u00e3o tenho informa\u00e7\u00f5es de bastidor &#8211;&nbsp; nem indiretas. Mas a <br \/>interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 plaus\u00edvel? Uma negocia\u00e7\u00e3o desse tipo s\u00f3&nbsp; \u00e9 poss\u00edvel <br \/>porque existe uma grande concentra\u00e7\u00e3o do poder real em poucas m\u00e3os.&nbsp; Os <br \/>setores hegem\u00f4nicos, entre os quais cabe destacar o establishment <br \/>financeiro&nbsp; e os grupos de m\u00eddia, t\u00eam as suas diverg\u00eancias de interesse <br \/>e percep\u00e7\u00e3o. Os&nbsp; donos do poder nunca constituem um bloco perfeitamente <br \/>homog\u00eaneo. Mesmo assim, o&nbsp; n\u00famero de atores relevantes \u00e9 pequeno e eles <br \/>conseguem se coordenar minimamente&nbsp; em quest\u00f5es decisivas. Em <br \/>determinadas circunst\u00e2ncias, elei\u00e7\u00f5es presidenciais&nbsp; podem converter-se <br \/>em uma gigantesca encena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O acordo de 2002, tudo indica, est\u00e1&nbsp; sendo cumprido \u00e0 risca. O <br \/>fiador \u00e9 o ministro da Fazenda, obviamente. Quase&nbsp; todos os postos-chave <br \/>no minist\u00e9rio da Fazenda e no Banco Central foram&nbsp; preenchidos, desde o <br \/>in\u00edcio do governo, por t\u00e9cnicos e financistas perfeitamente &nbsp;<br \/>enquadradosno regime anterior. Com poucas exce\u00e7\u00f5es, todos eles poderiam <br \/>ter&nbsp; sido nomeados (alguns inclusive foram) para fun\u00e7\u00f5es de destaque nos <br \/>governos&nbsp; Collor e FHC. As poucas substitui\u00e7\u00f5es ocorridas at\u00e9 agora <br \/>obedeceram rigorosamente ao mesmo figurino. No que diz respeito a esse <br \/>aspecto crucial do&nbsp; governo &#8211; a \u00e1rea econ\u00f4mico-financeira &#8211; as promessas <br \/>de mudan\u00e7a feitas na&nbsp; campanha foram sumariamente revogadas no \u00bbtapet\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esse teria sido, ent\u00e3o, o pacto&nbsp; faustiano. Com uma diferen\u00e7a <br \/>importante, por\u00e9m. Nas circunst\u00e2ncias da pol\u00edtica&nbsp; brasileira, \u00bba <br \/>venda\u00bb de 2002 n\u00e3o tem a irreversibilidade dos pactos com o&nbsp; dem\u00f4nio. <br \/>N\u00e3o que o diabo n\u00e3o seja t\u00e3o feio como o pintam. \u00c9 que a elei\u00e7\u00e3o de &nbsp;<br \/>2006 \u00e9 outra partida e outra negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa partida j\u00e1 come\u00e7ou. At\u00e9 poucos&nbsp; meses, Lula parecia imbat\u00edvel <br \/>em 2006. Estourou ent\u00e3o a crise pol\u00edtica.&nbsp; Iniciou-se bombardeio pesado <br \/>contra o governo no Congresso e nos meios de&nbsp; comunica\u00e7\u00e3o. O governo <br \/>entrou no seu \u00bbinferno astral\u00bb.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Motivos para criticar o governo n\u00e3o&nbsp; faltam, \u00e9 claro. Mas grande <br \/>parte das cr\u00edticas nada tem de inocente. Est\u00e3o&nbsp; inseridas em um <br \/>movimento cujo objetivo \u00e9, no m\u00ednimo, trazer o presidente para a&nbsp; mesa <br \/>de negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lula n\u00e3o \u00e9 o candidato preferido dos&nbsp; donos do poder para 2006, como <br \/>n\u00e3o foi em elei\u00e7\u00f5es passadas. A prefer\u00eancia por&nbsp; algum tucano \u00e9 n\u00edtida. <br \/>Mas n\u00e3o apareceram at\u00e9 agora nomes convincentes. Para&nbsp; eles, a carta <br \/>mais atraente seria Fernando Henrique Cardoso, que derrotou Lula&nbsp; em <br \/>1994 e 1998. Mas FHC est\u00e1 bastante desgastado por seu desempenho bisonho <br \/>nos dois mandatos que j\u00e1 teve.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a reelei\u00e7\u00e3o de Lula pode se&nbsp; revelar inevit\u00e1vel. Pretende-se <br \/>ent\u00e3o refazer o acordo de 2002. O que se&nbsp; buscar\u00e1, no m\u00ednimo, \u00e9 a <br \/>garantia de que o status quo ser\u00e1 preservado na \u00e1rea&nbsp; econ\u00f4mico-financeira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se o presidente vacilar, v\u00e3o pedir&nbsp; mais. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Nogueira Batista Jr.* Jornal do Brasil &nbsp;Tudo&nbsp; vaza. Em jantar recente com alguns governadores e ministros, o presidente da&nbsp; Rep\u00fablica teria se queixado das press\u00f5es que vem sofrendo. E desabafou: \u00bbN\u00e3o&nbsp; vou vender a alma ao diabo para me reeleger\u00bb. 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