{"id":2758,"date":"2005-05-24T08:29:38","date_gmt":"2005-05-24T08:29:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2005\/05\/24\/o-mst-e-um-movimento-autonomo\/"},"modified":"2017-10-02T21:42:30","modified_gmt":"2017-10-02T21:42:30","slug":"o-mst-e-um-movimento-autonomo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2005\/05\/24\/o-mst-e-um-movimento-autonomo\/","title":{"rendered":"O MST \u00e9 um movimento aut\u00f4nomo?"},"content":{"rendered":"<p>Folha de S. Paulo, 23.5.2005, Opini\u00e3o<\/p>\n<p>O MST \u00e9 um movimento aut\u00f4nomo? <\/p>\n<p>SIM <\/p>\n<p>Um movimento contra a escravid\u00e3o <\/p>\n<p>JOS\u00c9 ARBEX JR. <\/p>\n<p>O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, MST, comemora a sua<br \/>maioridade (21 anos) com honra, pompa e circunst\u00e2ncia. A marcha sobre<br \/>Bras\u00edlia demonstra, &quot;urbi et orbi&quot;, a sua independ\u00eancia frente ao governo<br \/>federal, a sua vitalidade como movimento social e o seu compromisso<br \/>inarred\u00e1vel de lutar pela reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 pouco, especialmente quando pol\u00edticos e intelectuais at\u00e9 ontem<br \/>comprometidos com a luta pela transforma\u00e7\u00e3o social, hoje, acometidos por<br \/>providencial amn\u00e9sia, negociam sem pudor os pr\u00f3prios princ\u00edpios no bazar de<br \/>cargos e &quot;oportunidades de mercado&quot;.<br \/>N\u00e3o perten\u00e7o ao MST, n\u00e3o o represento nem tenho procura\u00e7\u00e3o para falar pelo<br \/>movimento. Mas, como cidad\u00e3o a ele vinculado por la\u00e7os de solidariedade,<br \/>sinto-me orgulhoso de sua luta, que \u00e9 hist\u00f3rica em pelo menos dois sentidos.<br \/>Primeiro, por ter como objetivo completar a tarefa de abolir a escravid\u00e3o:<br \/>a dos pobres ao capital e a da terra ao latif\u00fandio. Se h\u00e1 um denominador<br \/>comum a cinco s\u00e9culos de Brasil, \u00e9 o fato de que a maioria pobre nunca teve<br \/>acesso \u00e0 terra. A inf\u00e2mia do latif\u00fandio marca a hist\u00f3ria com o l\u00e1tego do<br \/>senhor de escravos: at\u00e9 1850 a terra era monop\u00f3lio da Coroa; depois, foi<br \/>dividida entre a nobreza, os capitalistas brancos europeus e quem mais<br \/>pudesse pagar; no s\u00e9culo 20, foi invadida e grilada por coron\u00e9is e empresas<br \/>internacionais; e agora \u00e9 entregue \u00e0 sanha do &quot;moderno&quot; agroneg\u00f3cio,<br \/>alian\u00e7a entre fazendeiros e meia d\u00fazia de transnacionais que dominam a<br \/>agricultura brasileira.<br \/>Nunca a terra pertenceu ao negro alforriado, ao mesti\u00e7o miser\u00e1vel, ao<br \/>branco marginalizado. O latif\u00fandio, produtivo ou n\u00e3o, \u00e9 sin\u00f4nimo de atraso,<br \/>por criar desigualdade, concentra\u00e7\u00e3o de renda, fome -ou &quot;subnutri\u00e7\u00e3o&quot;, como<br \/>preferem alguns de nossos doutores-, \u00eaxodo rural e tudo o que ele implica<br \/>de nefasto. Pois bem, o MST quer abolir o latif\u00fandio, como condi\u00e7\u00e3o<br \/>indispens\u00e1vel para resolver o problema da pobreza e da desigualdade, e<br \/>impulsionar uma transforma\u00e7\u00e3o social de grandes propor\u00e7\u00f5es.<br \/>N\u00e3o, caro leitor, n\u00e3o \u00e9 o comunismo. As grandes pot\u00eancias capitalistas do<br \/>planeta -a come\u00e7ar dos Estados Unidos e Fran\u00e7a- promoveram a distribui\u00e7\u00e3o<br \/>de terra e investiram no trabalho livre. Ali\u00e1s, por isso se transformaram<br \/>em pot\u00eancias.<br \/>Segundo, a luta do MST \u00e9 hist\u00f3rica por estar fazendo hist\u00f3ria. Nunca um<br \/>movimento de camponeses organizado em escala nacional durou tanto nem criou<br \/>tantos v\u00ednculos capilares com a sociedade civil. A elite sempre foi<br \/>eficiente quando se tratou de isolar e dizimar os movimentos populares<br \/>(basta lembrar Palmares, Canudos, as ligas camponesas, a Ultab, o Master e<br \/>tantos outros).<br \/>O MST sobrevive com a teimosia e o atrevimento de quem sabe que a sua luta<br \/>tem dimens\u00e3o \u00e9pica, faz parte da batalha mais geral pela emancipa\u00e7\u00e3o<br \/>nacional. Por isso, mant\u00e9m alian\u00e7as com o conjunto de movimentos sociais,<br \/>organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores, sindicais, populares e intelectuais que n\u00e3o<br \/>abandonaram a perspectiva de fazer do Brasil um pa\u00eds soberano.<br \/>Gra\u00e7as ao servi\u00e7o de permanente desinforma\u00e7\u00e3o praticado pela m\u00eddia, poucos<br \/>sabem que o MST mant\u00e9m 1.300 escolas de ensino fundamental e emprega 3.000<br \/>educadores que cuidam de 160 mil crian\u00e7as e adolescentes. Por meio do<br \/>conv\u00eanio Brasil Alfabetizado, acertado com o MEC, cerca de 30 mil adultos<br \/>foram alfabetizados, com o aux\u00edlio de 2.000 educadores populares<br \/>volunt\u00e1rios. Outros 300 educadores trabalham com crian\u00e7as de at\u00e9 seis anos<br \/>nas &quot;cirandas infantis&quot;, que funcionam nos assentamentos e acampamentos.<br \/>Esse trabalho mereceu o Pr\u00eamio Unesco de Excel\u00eancia Pedag\u00f3gica.<br \/>Em janeiro passado, o MST inaugurou a primeira universidade popular do<br \/>Brasil, em Guararema, a 60 km de S\u00e3o Paulo -para horror de certos doutores<br \/>preconceituosos, incapazes de aceitar a id\u00e9ia de que o &quot;populacho&quot; possa<br \/>organizar um centro produtor de conhecimento de alto n\u00edvel e rigor<br \/>cient\u00edfico. A sua sede foi constru\u00edda com trabalho volunt\u00e1rio e com<br \/>dinheiro oriundo de contribui\u00e7\u00f5es de organiza\u00e7\u00f5es, artistas e intelectuais<br \/>brasileiros e estrangeiros (incluindo Sebasti\u00e3o Salgado, Chico Buarque e<br \/>Jos\u00e9 Saramago). N\u00e3o por acaso, a universidade foi batizada com o nome de<br \/>Florestan Fernandes e saudada, no dia de sua inaugura\u00e7\u00e3o, por Antonio Candido.<br \/>O MST, mundialmente reconhecido, respeitado e admirado, s\u00f3 conseguiu<br \/>realizar tanto por ser aut\u00f4nomo em rela\u00e7\u00e3o aos partidos pol\u00edticos e a<br \/>quaisquer outras institui\u00e7\u00f5es estranhas aos assentamentos e acampamentos<br \/>que constituem a sua base e a sua vida. N\u00e3o se submete, portanto, ao jogo<br \/>de alian\u00e7as, acordos esp\u00farios, conveni\u00eancias eleitorais, c\u00e1lculos e t\u00e1ticas<br \/>arquitetado nos gabinetes obscuros dos pal\u00e1cios. O MST s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 aut\u00f4nomo em<br \/>rela\u00e7\u00e3o ao conjunto da na\u00e7\u00e3o oprimida. Ao contr\u00e1rio: a ela, somente,<br \/>subordina-se e atrela o seu destino.<br \/>Senhores da terra, \u00e9 muito f\u00e1cil acabar com o MST. Basta realizar a reforma<br \/>agr\u00e1ria. <\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;-<br \/>Jos\u00e9 Arbex Jr., 47, jornalista, doutor em hist\u00f3ria pela USP, \u00e9 editor<br \/>especial da revista &quot;Caros Amigos&quot; e autor de &quot;Showrnalismo &#8211; a Not\u00edcia<br \/>como Espet\u00e1culo&quot; (editora Casa Amarela). <br \/>@ &#8211; arbex@uol.com.br<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>Nao &#8211; A depend\u00eancia oculta <br \/>JOS\u00c9 DE SOUZA MARTINS <\/p>\n<p>O MST n\u00e3o \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica aut\u00f4noma nem \u00e9 um movimento social que<br \/>disponha, por isso, da independ\u00eancia pr\u00f3pria dessa forma de manifesta\u00e7\u00e3o<br \/>das demandas sociais. Mas \u00e9 uma importante express\u00e3o do que vem se tornando<br \/>a pol\u00edtica na modernidade an\u00f4mala dos pa\u00edses de grandes desencontros entre<br \/>o desenvolvimento econ\u00f4mico e o desenvolvimento social, como o Brasil.<br \/>Pa\u00edses em que popula\u00e7\u00f5es retardat\u00e1rias da hist\u00f3ria emergem nas brechas do<br \/>sistema pol\u00edtico e apresentam, de forma ritualmente tradicionalista, suas<br \/>demandas sociais aparentemente extempor\u00e2neas. Estamos em face da realidade<br \/>pol\u00edtica de popula\u00e7\u00f5es que tentam fazer um acerto de contas com a hist\u00f3ria.<br \/>Justamente porque sua data hist\u00f3rica sugere que suas demandas s\u00e3o demandas<br \/>atrasadas e fora de \u00e9poca \u00e9 que a organiza\u00e7\u00e3o assume a apar\u00eancia de uma<br \/>autonomia que n\u00e3o \u00e9 real. De modo que, mesmo com seus aliados mais<br \/>importantes, de cujas organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o, hoje, suportes fundamentais, como o<br \/>PT e a igreja, pode manter uma rela\u00e7\u00e3o de estranhamento cr\u00edtico que se<br \/>manifesta em cobran\u00e7as, como essas da marcha do MST sobre Bras\u00edlia. Mas,<br \/>chegam l\u00e1, o presidente veste o bon\u00e9 mais uma vez e os ministros dizem que<br \/>j\u00e1 est\u00e1 tudo certo e arranjado. A reivindica\u00e7\u00e3o oculta da marcha atendeu a<br \/>uma necessidade do governo: dar visibilidade para os seus \u00eaxitos, ainda que<br \/>limitados, na quest\u00e3o agr\u00e1ria, muito aqu\u00e9m do anunciado. Sobretudo mostrar<br \/>um governo aberto \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es camponesas.<br \/>O MST \u00e9 certamente uma organiza\u00e7\u00e3o constitutiva do Partido dos<br \/>Trabalhadores, uma base do partido. Sem a Pastoral da Terra -da qual o MST<br \/>se origina- e sem o MST, dificilmente o PT teria se expandido t\u00e3o<br \/>extensamente no interior e dificilmente se tornaria o \u00fanico partido<br \/>brasileiro com uma ampla base rural e popular. Em termos da extens\u00e3o<br \/>territorial de sua presen\u00e7a, o PT \u00e9 muito mais um partido rural do que um<br \/>partido oper\u00e1rio.<br \/>Quando, na campanha eleitoral de Lula \u00e0 Presid\u00eancia, essa organiza\u00e7\u00e3o<br \/>decidiu refrear suas manifesta\u00e7\u00f5es e as ocupa\u00e7\u00f5es de terra, f\u00ea-lo<br \/>exatamente para n\u00e3o prejudicar a candidatura petista, para n\u00e3o a carimbar<br \/>com nenhum timbre de radicalismo. O calend\u00e1rio das agita\u00e7\u00f5es no campo<br \/>regulado pelo calend\u00e1rio eleitoral, n\u00e3o s\u00f3 nesse caso, tem sido uma boa<br \/>indica\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo partid\u00e1rio da organiza\u00e7\u00e3o.<br \/>O MST \u00e9 tamb\u00e9m uma das principais e mais interessantes express\u00f5es pol\u00edticas<br \/>do catolicismo p\u00f3s-conciliar na Am\u00e9rica Latina. Ele se constituiu a partir<br \/>de quadros das pastorais sociais. Foi quando come\u00e7ou a ficar evidente que<br \/>mesmo os bispos chamados progressistas tinham limites claros para se<br \/>envolverem na pastoral de supl\u00eancia que resultou do profundo compromisso da<br \/>Igreja Cat\u00f3lica com os trabalhadores rurais. Era o cen\u00e1rio hist\u00f3rico da<br \/>ditadura militar, da viol\u00eancia genocida e da viola\u00e7\u00e3o radical da pr\u00f3pria<br \/>condi\u00e7\u00e3o humana, sobretudo na chamada Amaz\u00f4nia Legal, mais da metade do<br \/>territ\u00f3rio brasileiro.<br \/>A busca de alternativas e o posicionamento pol\u00edtico dos agentes de pastoral<br \/>envolvidos na arregimenta\u00e7\u00e3o e no protesto das v\u00edtimas pediu tamb\u00e9m uma<br \/>op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica radical. Esse era o limite dos bispos com o fim da ditadura.<br \/>O canal de express\u00e3o dessa mobiliza\u00e7\u00e3o camponesa teria que ser outro. O<br \/>nascimento do MST foi o meio de fazer fluir para o \u00e2mbito pr\u00f3prio da<br \/>pol\u00edtica o que j\u00e1 n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de se organizar e expressar<br \/>plenamente no \u00e2mbito da igreja.<br \/>O MST se tornou de v\u00e1rios modos express\u00e3o do catolicismo militante, pelo<br \/>apoio moral, log\u00edstico e material. Importou da igreja formas lit\u00fargicas de<br \/>manifesta\u00e7\u00f5es de massa, express\u00f5es ampliadas das romarias da terra,<br \/>variantes pol\u00edticas das prociss\u00f5es religiosas. O MST n\u00e3o se move apenas com<br \/>base em ideologia pol\u00edtica, mas sobretudo com base na m\u00edstica milenarista<br \/>de um tempo de reden\u00e7\u00e3o dos pobres e oprimidos.<br \/>Por\u00e9m a principal heran\u00e7a que o MST recebeu da igreja, e seguramente a mais<br \/>interessante, \u00e9 a da grande tradi\u00e7\u00e3o do pensamento conservador, aquele modo<br \/>de pensar o mundo que, no s\u00e9culo 19, op\u00f4s-se ao liberalismo da revolu\u00e7\u00e3o do<br \/>s\u00e9culo 18, como mostrou Robert Nisbet. No lugar do indiv\u00edduo fragment\u00e1rio,<br \/>a concep\u00e7\u00e3o de pessoa; no lugar da sociedade da sociabilidade abstrata e<br \/>interesseira, a comunidade da sociabilidade solid\u00e1ria e afetiva. Os valores<br \/>que norteiam o MST v\u00eam desse estoque de id\u00e9ias conservadoras: a propriedade<br \/>da terra, o trabalho comunit\u00e1rio, a religi\u00e3o, a fam\u00edlia, a comunidade. De<br \/>fato, ele est\u00e1 muito longe do marxismo. E muito longe da independ\u00eancia: o<br \/>MST at\u00e9 hoje n\u00e3o tem uma compreens\u00e3o objetiva de seu lugar na hist\u00f3ria,<br \/>justamente porque n\u00e3o tem autonomia. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Folha de S. Paulo, 23.5.2005, Opini\u00e3o O MST \u00e9 um movimento aut\u00f4nomo? SIM Um movimento contra a escravid\u00e3o JOS\u00c9 ARBEX JR. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, MST, comemora a suamaioridade (21 anos) com honra, pompa e circunst\u00e2ncia. 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