{"id":2733,"date":"2005-02-11T19:25:47","date_gmt":"2005-02-11T19:25:47","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2005\/02\/11\/movimentos-resistem-ao-avanco-da-soja\/"},"modified":"2017-10-02T21:42:58","modified_gmt":"2017-10-02T21:42:58","slug":"movimentos-resistem-ao-avanco-da-soja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2005\/02\/11\/movimentos-resistem-ao-avanco-da-soja\/","title":{"rendered":"Movimentos resistem ao avan\u00e7o da soja"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"text-decoration: none;\">11\/02\/2005<\/p>\n<p>                      Por Daniel Antiquera<br \/>                      Fonte <a href=\"http:\/\/www.brasildefato.com.br\/\">Jornal Brasil                       de Fato<\/a><\/span><br \/>O Rio Grande do Sul foi o ber\u00e7o, na                       d\u00e9cada de 70, da expans\u00e3o da soja para o resto                       do pa\u00eds. Mais de 30 anos depois, nesse mesmo estado                       come\u00e7a a se estruturar o movimento de resist\u00eancia                       aos efeitos danosos do crescimento descontrolado da produ\u00e7\u00e3o                       da semente. Durante o 5\u00ba F\u00f3rum Social Mundial,                       em Porto Alegre, organiza\u00e7\u00f5es dos quatro cantos                       do pa\u00eds se reuniram para compartilhar experi\u00eancias                       e tra\u00e7ar estrat\u00e9gias comuns para resistir                       ao poder do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>                      Mais de 60 movimentos sociais e entidades se juntaram no                       grupo Articula\u00e7\u00e3o Soja Brasil, para tentar                       conter a devasta\u00e7\u00e3o ambiental que a trilha                       da soja deixa para tr\u00e1s. O grupo \u00e9 fruto de                       movimentos antigos, que combateram projetos de transposi\u00e7\u00e3o                       de rios, implantados para refor\u00e7ar a infra-estrutura                       para a produ\u00e7\u00e3o da semente, mas que representavam                       s\u00e9rios danos naturais.<\/p>\n<p>                      A articula\u00e7\u00e3o dos movimentos pretende estabelecer                       pautas comuns, como a luta contra os transg\u00eanicos,                       pela conten\u00e7\u00e3o do desmatamento, contra a concentra\u00e7\u00e3o                       da atividade por grandes aglomerados econ\u00f4micos, em                       prote\u00e7\u00e3o dos pequenos produtores, pela manuten\u00e7\u00e3o                       da biodiversidade e em respeito \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o                       vigente, j\u00e1 que boa parte da produ\u00e7\u00e3o                       se sustenta em pr\u00e1ticas ilegais.<\/p>\n<p>                      S\u00e3o tr\u00e1gicas as conseq\u00fc\u00eancias do                       crescimento sem controle da soja no pa\u00eds. Rony Silveira,                       estudante de Belterra (PA), foi a Porto Alegre procurar                       refor\u00e7os para a luta contra a for\u00e7a das empresas                       produtoras. &quot;A produ\u00e7\u00e3o de soja na minha                       cidade trouxe impactos ambientais t\u00e3o fortes que                       o clima da regi\u00e3o j\u00e1 mudou bastante: est\u00e1                       mais quente e seco&quot;, diz. &quot;O problema \u00e9                       que n\u00e3o conseguimos influenciar as autoridades locais,                       vinculadas aos grandes grupos econ\u00f4micos&quot;, complementa,                       preocupado.                       <\/p>\n<p><strong>Risco                         em \u00e1rea ind\u00edgena<\/strong><\/p>\n<p>                        Segundo Judson Barros, presidente da Funda\u00e7\u00e3o                         \u00c1guas do Piau\u00ed, a chegada ao Estado da maior                         empresa do setor, a multinacional Bunge, foi respons\u00e1vel                         pelo desmatamento de 50% da cobertura vegetal original.                         A empresa tamb\u00e9m usa, para secagem da soja, a lenha                         do cerrado, com graves impactos ambientais e superexplora\u00e7\u00e3o                         da m\u00e3o-de-obra. O cortador de lenha ganha entre                         R$ 0,50 e R$ 0,80 centavos por est\u00e9reo (feixe de                         madeira com um metro c\u00fabico), enquanto a mesma                         quantidade \u00e9 vendida a R$ 27. H\u00e1 ainda diversas                         den\u00fancias de trabalho escravo sendo apuradas em                         duas a\u00e7\u00f5es promovidas pelo Minist\u00e9rio                         P\u00fablico. &quot;No Piau\u00ed, 12 ou 13 produtores                         s\u00e3o respons\u00e1veis por 600 mil toneladas de                         soja. Aqui n\u00e3o existe agricultura familiar&quot;,                         denuncia.<\/p>\n<p>                        O Parque Ind\u00edgena do Xingu (MT) sofre as conseq\u00fc\u00eancias                         mesmo sem produ\u00e7\u00e3o em seu interior. O Instituto                         Socioambiental (ISA) trabalha h\u00e1 10 anos na regi\u00e3o,                         fazendo o monitoramento das fronteiras do parque. A agricultura                         no entorno, desrespeitando a legisla\u00e7\u00e3o                         ambiental, prejudica as nascentes dos rios que atravessam                         as terras ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>                        &quot;O desmatamento acelerado est\u00e1 gerando perda                         na qualidade da \u00e1gua, levando sujeira e agrot\u00f3xicos                         para dentro do Parque do Xingu e assoreamento das margens                         dos rios. Estes problemas acabam por afetar, tamb\u00e9m,                         a fauna e a flora da regi\u00e3o&quot;, descreve Adriana                         Ramos, coordenadora de pol\u00edticas p\u00fablicas                         do ISA.<\/p>\n<p>                        Diante da gravidade da situa\u00e7\u00e3o, entidades                         locais e movimentos sociais se uniram para realizar, dias                         25 a 27 de outubro de 2004, o Encontro Nascentes do Rio                         Xingu, em Canarana (MT). Na ocasi\u00e3o, foi lan\u00e7ada                         campanha pela prote\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o                         das matas ciliares e dos recursos h\u00eddricos de toda                         a bacia do rio Xingu. A id\u00e9ia \u00e9 criar um                         grupo envolvendo todos os setores afetados pelos problemas                         ambientais causados pela expans\u00e3o da agricultura                         na regi\u00e3o: \u00edndios (kaiap\u00f3, paran\u00e1                         e xavante), assentados e at\u00e9 mesmo fazendeiros.                         Agora eles se juntam na articula\u00e7\u00e3o contra                         a soja.<\/p>\n<p><strong>Poder                         do agroneg\u00f3cio<\/strong><\/p>\n<p>                        O combate, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil.                         O Brasil \u00e9 o maior exportador de soja do mundo.                         Segundo Maur\u00edcio Galinkin, da Funda\u00e7\u00e3o                         Centro Brasileiro de Refer\u00eancia e Apoio Cultural                         (Cebrac), a produ\u00e7\u00e3o, que ocupava 10 milh\u00f5es                         de hectares em 1993, hoje est\u00e1 em cerca de 22 milh\u00f5es                         de hectares, o que equivale a cinco vezes o tamanho do                         Rio Janeiro.<\/p>\n<p>                        &quot;O agroneg\u00f3cio brasileiro, incluindo produ\u00e7\u00e3o,                         agrot\u00f3xicos e maquinaria, \u00e9 respons\u00e1vel                         por 42% das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras e por                         cerca de um ter\u00e7o do PIB nacional, mas emprega                         menos de um ter\u00e7o dos trabalhadores na agricultura&quot;,                         acusa Galinkin. Os outros dois ter\u00e7os dos 17,7                         milh\u00f5es de trabalhadores se encontram em empreen-dimentos                         de agricultura familiar. Para se ter uma id\u00e9ia,                         em 2003, enquanto o PIB brasileiro decresceu 0,2%, o PIB                         do agroneg\u00f3cio cresceu 5%.<\/p>\n<p><strong>D\u00edvida                         versus fome<\/strong><\/p>\n<p>                        Com essas estat\u00edsticas, a soja se tornou hero\u00edna                         nacional do modelo econ\u00f4mico brasileiro, voltado                         quase que inteiramente para as ex-porta\u00e7\u00f5es,                         com o objetivo de gerar divisas e pagar d\u00edvidas.                         Em 2001, o presidente FHC bradou &quot;exportar ou morrer&quot;.                         E parece que o governo Lula segue os mesmos passos de                         seu antecessor. &quot;O governo Lula elegeu tr\u00eas                         prioridades: crescer, crescer e crescer. Mas \u00e9                         preciso entender que o crescimento n\u00e3o pode ser                         um valor. Deve ser um instrumento do desenvolvimento&quot;,                         defende o economista Ricardo Abramovay, da USP.<\/p>\n<p>                        Abramovay critica o modelo econ\u00f4mico brasileiro.                         Ele cita pesquisas que demonstram que, quanto maior a                         concentra\u00e7\u00e3o de renda, menor a capacidade                         de o crescimento funcionar como fator de combate \u00e0                         pobreza. &quot;Al\u00e9m disso, os recursos naturais                         est\u00e3o sendo apropriados de maneira ilegal. O setor                         de ponta do agroneg\u00f3cio ap\u00f3ia-se em rela\u00e7\u00f5es                         de trabalho incompat\u00edveis com uma sociedade civilizada.                         Os movimentos sociais precisam interferir&quot;, complementa                         o professor. <em>(Colaborou Lu\u00eds Brasilino) <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>11\/02\/2005 Por Daniel Antiquera Fonte Jornal Brasil de FatoO Rio Grande do Sul foi o ber\u00e7o, na d\u00e9cada de 70, da expans\u00e3o da soja para o resto do pa\u00eds. Mais de 30 anos depois, nesse mesmo estado come\u00e7a a se estruturar o movimento de resist\u00eancia aos efeitos danosos do crescimento descontrolado da produ\u00e7\u00e3o da semente. 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