{"id":2699,"date":"2005-01-03T15:06:38","date_gmt":"2005-01-03T15:06:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mst\/2005\/01\/03\/entrevista-con-el-lider-del-mst-en-el-porto-alegre-2003\/"},"modified":"2017-10-02T21:43:12","modified_gmt":"2017-10-02T21:43:12","slug":"entrevista-con-el-lider-del-mst-en-el-porto-alegre-2003","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/2005\/01\/03\/entrevista-con-el-lider-del-mst-en-el-porto-alegre-2003\/","title":{"rendered":"Entrevista con el lider del MST en el Porto Alegre 2003"},"content":{"rendered":"<table width=\"73%\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tr>\n<td bgcolor=\"#6699cc\">\n<div align=\"center\"> Entrevista con el         lider del MST en el Porto Alegre 2003 <!-- #EndEditable --><\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#9999ff\">\n<div align=\"center\"><!-- #BeginEditable \"TITULO\" -->         <\/p>\n<p><strong>ST\u00c9DILE NEGA TR\u00c9GUA E LAN\u00c7A CAMPANHA POR SEMENTES<\/strong><\/p>\n<p>        <!-- #EndEditable --><\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#6699cc\"><!-- #BeginEditable \"Autor\" -->Larissa Magrisso <!-- #EndEditable --><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#6699cc\"><!-- #BeginEditable \"Cosilla1\" -->Reda\u00e7\u00e3o Terra. <!-- #EndEditable --><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#6699cc\"><!-- #BeginEditable \"Cosilla2\" --><!-- #EndEditable --><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><!-- #BeginEditable \"texto\" -->       <\/p>\n<div align=\"justify\">\n<p>O l\u00edder do Movimento Nacional dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), Jo\u00e3o           Pedro St\u00e9dile, pode ser considerado um veterano do F\u00f3rum Social Mundial,           tendo participado das tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es do evento. Para este ano, ele programa           o lan\u00e7amento de uma campanha mundial pela democratiza\u00e7\u00e3o das sementes           e contra os alimentos transg\u00eanicos. &quot;Est\u00e1 em jogo a sobreviv\u00eancia dos           pequenos agricultores e camponeses. Est\u00e1 em jogo a soberania alimentar           dos povos&quot;, disse ele em entrevista via e-mail ao Portal Terra. St\u00e9dile           tamb\u00e9m refutou a possibilidade de dar uma tr\u00e9gua ao governo Lula: &quot;enquanto           no Brasil houver latif\u00fandios de um lado e trabalhadores sem-terra de           outro, sempre haver\u00e1 ocupa\u00e7\u00f5es de terra&quot;. <\/p>\n<p><em><strong>Terra<\/strong> &#8211; O F\u00f3rum Social Mundial deve servir de instrumento           para levar a experi\u00eancia do MST a outros movimentos similares pelo mundo?           \u00c9 a globaliza\u00e7\u00e3o da luta pela terra? <\/em><\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile<\/strong> &#8211; O FSM \u00e9 um espa\u00e7o de debate, de interc\u00e2mbio,           de oportunidade para trocar id\u00e9ias e sonhos. \u00c9 um Porto. Cada vez mais           alegre e internacional, em que ancoram durante uma semana pessoas do           mundo inteiro que querem mud\u00e1-lo. Em rela\u00e7\u00e3o aos movimentos camponeses,           n\u00f3s temos uma articula\u00e7\u00e3o internacional, que \u00e9 a Via Campesina, e tamb\u00e9m           sempre aproveitamos o FSM para nos reunir e trocar id\u00e9ias. Primeiro           entre n\u00f3s dos movimentos camponeses, e depois tamb\u00e9m com outros movimentos           sociais, nas assembl\u00e9ias mundiais que temos realizado. Mas tamb\u00e9m com           outros setores sociais. <\/p>\n<p>De certa forma, voc\u00ea tem raz\u00e3o, estamos produzindo uma globaliza\u00e7\u00e3o           da luta pela terra. Porque nos \u00faltimos vinte anos o capital financeiro           internacional e suas multinacionais t\u00eam tomado conta da agricultura,           das agroind\u00fastrias e do com\u00e9rcio agr\u00edcola em todo mundo. Ent\u00e3o, o capital           globalizou as formas de explora\u00e7\u00e3o e trouxe como contradi\u00e7\u00e3o o fato           de que os movimentos camponeses, antes muito corporativos, localizados,           agora tamb\u00e9m se internacionalizam, se conhecem, se globalizam. Agora,           na Via Campesina, descobrimos que os principais exploradores dos agricultores           do Brasil s\u00e3o os mesmos que est\u00e3o na \u00cdndia, nas Filipinas, na \u00c1frica           do Sul, no M\u00e9xico, na Europa, ou seja, a Monsanto, a Nestl\u00e9, etc. <\/p>\n<p><em><strong>Terra<\/strong> &#8211; Quais s\u00e3o, e de que forma se d\u00e3o, as rela\u00e7\u00f5es do           MST com outros movimentos de luta pela terra? E a experi\u00eancia com a           causa palestina, quando em 2002 um integrante do MST foi fotografado           ao lado de Arafat com bandeira do MST, trouxe algum resultado positivo?           <\/em><\/p>\n<p><strong>St\u00e9dile<\/strong> &#8211; Desde o surgimento do MST, sempre tivemos uma vis\u00e3o           latinoamericanista, por isso sempre nos encontramos com outros movimentos           camponeses. Tanto por que est\u00e1vamos mais perto, quanto por que os movimentos           camponeses do M\u00e9xico, Am\u00e9rica Central e Am\u00e9rica Andina tinham uma experi\u00eancia           hist\u00f3rica maior do que a nossa. Desse processo, constru\u00edmos uma articula\u00e7\u00e3o           latino-americana, que troca experi\u00eancias, interc\u00e2mbio e se re\u00fane em           congressos e confer\u00eancias. Depois, a partir de 1995, constru\u00edmos a Via           Campesina, que \u00e9 internacional, e re\u00fane hoje mais de 90 organiza\u00e7\u00f5es           de todo mundo, de todos os continentes. <\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Palestina, nossa identidade \u00e9 de solidariedade com a luta           do povo palestino, assim como de qualquer povo do mundo que lute por           seus direitos. Precisamente quando o Mario Lill esteve em Ramal\u00e1, estava           participando de uma comitiva da Via Campesina internacional. O epis\u00f3dio           teve repercuss\u00e3o internacional, porque a estada da delega\u00e7\u00e3o em Ramal\u00e1           coincidiu com o ataque ao Quartel de Arafat, que estava cercado. O resultado           daquele epis\u00f3dio \u00e9 que a solidariedade internacional impediu que o Ex\u00e9rcito           de Israel bombardeasse o quartel e at\u00e9 matasse o presidente Arafat.         <\/p>\n<p>Mas esse episodio n\u00e3o \u00e9 isolado. Participamos de muitas outras atividades           de solidariedade. Mesmo com o povo de Israel. Temos interc\u00e2mbio com           os kibutzs, conhecemos, aprendemos com seus erros e acertos. Eu mesmo           estive numa miss\u00e3o em 1999 de visita a um cientista israelense, Modechai           Vanunu, que est\u00e1 preso h\u00e1 mais de 15 anos porque denunciou que Israel           pode produzir a bomba at\u00f4mica. Fomos visit\u00e1-lo numa delega\u00e7\u00e3o de entidades           ganhadoras de um Pr\u00eamio Nobel alternativo. Infelizmente n\u00e3o repercutiu           no ocidente e ele ainda continua preso. <\/p>\n<p>Eu tamb\u00e9m gostaria de aproveitar o tema para denunciar. O governo de           Israel, do senhor Sharon, proibiu de sair do pa\u00eds, para vir a Porto           Alegre, um convidado especial do FSM. Trata-se do monsenhor Atalla Hanna,           bispo da igreja ortodoxa de Bel\u00e9m, com mais de 70 anos. As autoridades           seq\u00fcestraram seu passaporte, pois ele \u00e9 cidad\u00e3o de Israel e n\u00e3o poder\u00e1           estar conosco em Porto Alegre. <\/p>\n<p><em><strong>Terra<\/strong> &#8211; De que forma o MST e a Via Campesina podem contribuir           para derrubar as barreiras comerciais aos produtos agr\u00edcolas brasileiros           na Europa e nos EUA? <\/em><\/p>\n<p><strong>St\u00e9dile <\/strong>&#8211; O MST e a Via Campesina est\u00e3o discutindo h\u00e1 muito           tempo como as empresas multinacionais manipulam alguns governos, manipulam           a OMC e imp\u00f5em suas condi\u00e7\u00f5es para obter mais vantagens e mais lucro.           N\u00f3s defendemos a id\u00e9ia de que o com\u00e9rcio internacional dos produtos           agr\u00edcolas e alimentos n\u00e3o podem se reger pela regras da OMC. O com\u00e9rcio           internacional deve estar subordinado \u00e0 soberania alimentar. Ou seja,           todo pa\u00eds tem o direito e o dever de produzir os alimetnos necess\u00e1rios           para seu povo. E apenas vender o excedente, e comprar o essencialmente           necess\u00e1rio, o que n\u00e3o consegue produzir. <\/p>\n<p>Somos contra a padroniza\u00e7\u00e3o aliment\u00edcia, que \u00e9 um perigo e um crime           contra a diversidade cultural de nossa civiliza\u00e7\u00e3o, que as multinacionais           querem impor. Hoje, trigo, soja, milho e arroz representam mais de 85%           dos gr\u00e3os consumidos no planeta. Isso gera uma depend\u00eancia muito grande           da popula\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>As politicas de subs\u00eddios e de protecionismo praticadas nos Estados           Unidos e Europa n\u00e3o beneficiam seus pequenos agricultores, beneficiam           apenas as grandes multinacionais, que a\u00ed obt\u00eam vantagens comparativas           para competir justamente contra os pa\u00edses do terceiro mundo e, vendendo           de forma subsidiada, nos deixam dependentes. N\u00f3s discutimos muitas formas           de mobiliza\u00e7\u00e3o e luta contra essa pol\u00edtica agr\u00edcola internacional. E           estamos planejando grandes mobiliza\u00e7\u00f5es em todo mundo para o pr\u00f3ximo           m\u00eas de setembro, durante a reuni\u00e3o da OMC em Cancun. A OMC n\u00e3o tem direito,           n\u00e3o pertence ao sistema da ONU, n\u00e3o pode criar regras para a humanidade.           O mundo est\u00e1 precisando reorganizar todo seu sistema de organismos internacionais.           Come\u00e7ando pela ONU, que s\u00f3 obedece as ordens dos Estados Unidos e n\u00e3o           consegue fazer com que Israel cumpra suas portarias. Nem mesmo os Estados           Unidos cumpre. <\/p>\n<p><em><strong>Terra<\/strong> &#8211; A atua\u00e7\u00e3o do movimento social deve ser modificada           com a chegada ao poder de um grupo que simpatiza com suas id\u00e9ias? \u00c9           inten\u00e7\u00e3o do MST manter a tr\u00e9gua ao governo Lula, ou esta postura pode           representar um atraso \u00e0s conquistas do movimento? As ocupa\u00e7\u00f5es v\u00e3o continuar           ocorrendo? <\/em> <\/p>\n<p><strong>St\u00e9dile<\/strong> &#8211; Os movimentos sociais de todo mundo, e tamb\u00e9m aqui           no Brasil, devem manter total autonomia dos governos, do Estado, dos           partidos e das igrejas. \u00c9 da\u00ed que v\u00eam sua legimitade e sua for\u00e7a. Organizar           o povo de forma independente. Toda vez que um movimento social ficou           dependente de partido, Estado ou governo, acabou. Pode at\u00e9 continuar           no papel, no timbre, mas acaba sua for\u00e7a. <\/p>\n<p>O que mudou aqui no Brasil \u00e9 a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, n\u00e3o a forma dos           movimentos sociais atuarem. Com a vit\u00f3ria eleitoral de Lula, o povo           disse claramente que quer mudan\u00e7as. E deu essa for\u00e7a ao Lula. Ent\u00e3o,           agora, no caso da reforma agr\u00e1ria, evidentemente que o latif\u00fandio perdeu           for\u00e7a, e que o governo Lula vai nos ajudar a combater o latif\u00fandio.         <\/p>\n<p>Da mesma forma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s formas de luta. Os movimentos sociais           t\u00eam autonomia para decidir suas formas de luta. E estas formas n\u00e3o s\u00e3o           resultantes da vontade de dirigentes ou de acordos. Elas s\u00e3o express\u00e3o           apenas do n\u00edvel de contradi\u00e7\u00e3o social que se cria na sociedade, por           suas desigualdades e injusti\u00e7as. Pode escrever em ma\u00edsculas: enquanto           no Brasil houver latif\u00fandios de um lado e trabalhadores sem-terra de           outro, sempre haver\u00e1 ocupa\u00e7\u00f5es de terra. Assim como enquando houver           especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria na cidade e muita gente sem casa, haver\u00e1 ocupa\u00e7\u00f5es           de terrenos urbanos. <\/p>\n<p><em><strong>Terra<\/strong> &#8211; \u00c9 cada vez maior a press\u00e3o para que pa\u00edses pobres           adotem alimentos transg\u00eanicos como alternativa para combater a fome.           Na opini\u00e3o do MST, a resist\u00eancia a estes alimentos ser\u00e1 vi\u00e1vel em um           futuro pr\u00f3ximo? <\/em><\/p>\n<p><strong>St\u00e9dile<\/strong> &#8211; O problema da fome do mundo n\u00e3o \u00e9 falta de alimentos.           N\u00e3o \u00e9 falta de produ\u00e7\u00e3o de alimentos. \u00c9 falta de distribui\u00e7\u00e3o da comida.           Sobra comida na maior parte dos pa\u00edses. O que falta \u00e9 o povo ter dinheiro,           renda para poder comprar. Agora, as press\u00f5es que existem para adotar           sementes transg\u00eanicas prov\u00eam das multinacionais, n\u00e3o mais de dez que           querem controlar as mentes em todo mundo. E como somente elas det\u00eam           a tecnologia dos transg\u00eanicos, na biotecnologia, ent\u00e3o querem impor.         <\/p>\n<p>N\u00f3s do MST e da Via Campesina continuamos nos defendendo com todas           nossas for\u00e7as. E aumenta cada vez mais o apoio da sociedade em todo           mundo, contra os alimentos transg\u00eanicos. Assim como fica cada vez mais           claro que as sementes transg\u00eanicas n\u00e3o s\u00e3o mais produtivas, n\u00e3o s\u00e3o           mais rent\u00e1veis e continuam produzindo estrago no meio ambiente. A prop\u00f3stio,           estamos trazendo para depor no FSM um agricultor canadense, o senhor           Percy Shemeister, que tem uma luta hist\u00f3rica contra a Monsanto, que           usa no Canad\u00e1 todos os m\u00e9todos mais perversos poss\u00edveis para impedir           que os agricultores tenham suas pr\u00f3prias sementes. O que est\u00e1 em jogo,           na luta contra os transg\u00eanicos, \u00e9 o controle ou n\u00e3o das multinacionais           sobre os alimentos e a agricultura. Est\u00e1 em jogo a sobreviv\u00eancia dos           pequenos agricultores e camponeses. Est\u00e1 em jogo a soberania alimentar           dos povos. E n\u00f3s lutaremos at\u00e9 o fim e temos certeza de nosso vit\u00f3ria.         <\/p>\n<p>A humanidade se desenvolveu at\u00e9 os dias atuais porque a produ\u00e7\u00e3o de           sementes era democratizada, qualquer campon\u00eas poderia produzir sua semente.           Agora, as multinacionais querem o monop\u00f3lio. N\u00e3o permitiremos. Por isso           tamb\u00e9m lan\u00e7aremos no FSM, na tarde do dia 24, uma campanha internacional,           chamada As Sementes S\u00e3o Patim\u00f4nio da Humanidade. E essa campanha ser\u00e1           levada em todo mundo, para que os agricultores produzam suas pr\u00f3prias           sementes. Depois, faremos uma atividade no assentamento de Charqueadas           para lan\u00e7ar a campanha para nossa base brasileira, com a presen\u00e7a de           diversas personaldiades como Noam Chomsky, Peter Rosset, Pat Money e           Silvia Ribeiro. <\/p>\n<p><em><strong>Terra<\/strong> &#8211; A a\u00e7\u00e3o do MST sempre foi bastante forte e ao mesmo           tempo pol\u00eamica no RS. Depois das den\u00fancias da utiliza\u00e7\u00e3o de uma cartilha           com instru\u00e7\u00f5es aos integrantes e a mudan\u00e7a do governo, que a\u00e7\u00f5es o movimento           planeja para 2003 para o Estado e para resgatar a simpatia da sociedade           ga\u00facha? <\/em> <\/p>\n<p><strong>St\u00e9dile<\/strong> &#8211; O pol\u00eamico na nossa sociedade \u00e9 como se explica que,           em pleno terceiro mil\u00eanio ainda tenhamos a propriedade da terra concentrada           em t\u00e3o poucas m\u00e3os. Pol\u00eamico \u00e9 por que um banco precisa ter terra, por           que a Vasp precisa ter fazendas. Por que um burgu\u00eas qualquer da cidade           precisa ter fazendas&#8230; Isso \u00e9 pol\u00eamico. E os pobres do campo t\u00eam o           direito de denunciar. <\/p>\n<p>O MST do RS n\u00e3o \u00e9 polemico, ele \u00e9 lutador. O que diferencia dos outros           Estados \u00e9 que, aqui no RS, temos o monop\u00f3lio dos meios de comunica\u00e7\u00e3o           mais concentrado, onde uma empresa como a RBS manipula, mente freq\u00fcentemente           e se transformou num partido da burguesia. Extrapolou completamente           suas fun\u00e7\u00f5es. Durante quatro anos fez uma campanha clara, expl\u00edcita,           mordaz contra o governo popular e contra o MST e todos movimentos sociais.         <\/p>\n<p>Espero que um dia a sociedade ga\u00facha se d\u00ea conta dos males que esse           tipo de comportamento faz para a democracia e a justi\u00e7a social. A sociedade           brasileira e ga\u00facha tem muita simpatia pelo MST e pela reforma agr\u00e1ria.           Se n\u00e3o fosse isso, ja ter\u00edamos acabado. A RBS fez uma campanha hedionda           contra nossa escola de Veran\u00f3polis, mas a sociedade de Veran\u00f3polis,           que nos conhece, nos defendeu. As pessoas sensatas, e mesmo as autoridades           do novo governo ga\u00facho sabem, que enquanto houver tamanhas contradi\u00e7\u00f5es           entre o latif\u00fandio improdutivo e milharess de sem-terra, sempre haver\u00e1           conflitos sociais. <\/p>\n<p><em><strong>Terra<\/strong> &#8211; \u00c9 o terceiro ano em que voc\u00ea participa do F\u00f3rum Social           Mundial. Qual \u00e9 a sua avalia\u00e7\u00e3o sobre a contribui\u00e7\u00e3o do evento \u00e0s causas           sociais? <\/em> <\/p>\n<p><strong>St\u00e9dile<\/strong> &#8211; Como disse, o FSM \u00e9 um porto. N\u00e3o \u00e9 uma articula\u00e7\u00e3o,           n\u00e3o organiza nada. Mas ele tem sido um espa\u00e7o importante para debater           id\u00e9ias. E isso tem sido fundamental nessa conjuntura internacional e           nacional, de hegemonia do neoliberalismo e da amplia\u00e7\u00e3o do monop\u00f3lio           das comunica\u00e7\u00f5es. Gra\u00e7as ao FSM, os temas sociais, as causas do povo           voltaram a ter espa\u00e7o, e foi poss\u00edvel dizer que n\u00e3o \u00e9 verdade que o           neoliberalismo \u00e9 o fim da hist\u00f3ria. Ent\u00e3o, a contribui\u00e7\u00e3o maior do FSM           foi para o debate. <\/p>\n<p>E espero que, com o novo governo Lula, se abra um per\u00edodo de debate           na sciedade brasileira. Todos sabemos as limita\u00e7\u00f5es de mudan\u00e7as que           o governo enfrenta. Mas a sa\u00edda \u00e9 o debate, \u00e9 a formar grandes correntes           de opini\u00e3o p\u00fablica, \u00e9 a reoganiza\u00e7\u00e3o das pessoas, \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o popular.           \u00c9 a mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade. <\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista con el lider del MST en el Porto Alegre 2003 ST\u00c9DILE NEGA TR\u00c9GUA E LAN\u00c7A CAMPANHA POR SEMENTES Larissa Magrisso Reda\u00e7\u00e3o Terra. &nbsp; &nbsp; O l\u00edder do Movimento Nacional dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile, pode ser considerado um veterano do F\u00f3rum Social Mundial, tendo participado das tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es do evento. Para este [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":150,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[6],"class_list":["post-2699","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-publicaciones","tag-articulos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2699","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/users\/150"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2699"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2699\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4814,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2699\/revisions\/4814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.sindominio.net\/mstmadrid\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}